Uma lição de amor
28 Jantar de aniversário
O jantar começou mais animado do que eu esperava, o que, por um lado, era bom, mas por outro só aumentava aquela sensação de que, a qualquer momento, alguém poderia fazer uma pergunta difícil demais. Assim que me afastei um pouco de Jacob, fui praticamente puxada pela minha mãe para perto dela, onde Alice e Rosalie já estavam, claramente curiosas.
– Então… – minha mãe começou, com aquele olhar que eu conhecia muito bem – você vai me explicar isso direito?
Respirei fundo, tentando manter a naturalidade.
– Não tem muito o que explicar.
Alice cruzou os braços, inclinando o corpo na minha direção.
– Claro que tem. Você aparece com um homem lindo desses e acha que vamos fingir normalidade?
Revirei os olhos, sorrindo.
– Ele é só… o Jacob.
– “Só o Jacob”? – Alice repetiu, divertida. – Ele é gato.
Rosalie soltou um riso curto ao lado.
– O Jasper vai adorar ouvir isso.
Não consegui segurar a risada, levando a mão ao rosto por um instante.
– Vocês são impossíveis.
Minha mãe me observava com mais atenção, um sorriso mais contido, mas claramente feliz.
– E como vocês se conheceram?
– Ele é pai de uma aluna minha.
Respondi, escolhendo bem as palavras.
– A gente acabou se aproximando… por causa da Ayla.
Evitei entrar em detalhes, principalmente porque sabia que, se desse abertura, Alice faria um interrogatório completo ali mesmo.
– E ele parece ser um bom pai – Bella comentou, com suavidade.
Assenti.
– Ele é.
Por um instante, meu olhar escapou na direção dele.
Jacob estava do outro lado da sala, conversando com Emmett e Jasper, completamente à vontade, rindo de alguma coisa que Emmett tinha dito. Era estranho e, ao mesmo tempo, reconfortante ver ele ali, inserido naquele ambiente que sempre foi meu.
Mas meu olhar não ficou ali por muito tempo.
Mais ao canto, estavam meu pai, Elizabeth… e Alec.
O clima ali era outro.
Mais contido.
Mais pesado.
Rosalie seguiu meu olhar e imediatamente fechou a expressão.
– Eu ainda não entendo por que ele está aqui.
Disse, sem tentar disfarçar.
– Rosalie… – minha mãe a repreendeu com calma.
– Estou falando o que todo mundo pensa.
Ela cruzou os braços.
– Depois de tudo, ele aparece como se nada tivesse acontecido.
Senti o peso daquilo, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, Alice interveio, colocando a mão no braço de Rosalie.
– Relaxa.
Disse, em um tom mais leve.
– A Nessie já superou isso.
Olhei para Alice por um segundo.
Superar.
A palavra ficou ecoando na minha cabeça, voltei o olhar para Jacob, que naquele momento ria de novo, completamente alheio àquela tensão.
Depois de alguns minutos sendo cercada por olhares curiosos e perguntas que eu sabia que só iam aumentar, decidi que já tinha sido suficiente. Com uma desculpa qualquer e um sorriso educado, me afastei da minha mãe, de Alice e de Rosalie, antes que o interrogatório ganhasse um segundo tempo ainda mais detalhado.
Caminhei pela sala até onde Jacob estava com Emmett e Jasper, ainda rindo de alguma história que claramente envolvia exageros. Parei ao lado dele e, sem dar muito espaço para reação, segurei o braço dele.
– Com licença… vim resgatar ele.
Emmett abriu um sorriso imediato, daquele jeito provocador.
– Resgatar? Já está assim?
Senti meu rosto esquentar na mesma hora.
– Emmett…
Ele ignorou completamente.
– Jake, você mal chegou e já está sendo sequestrado.
Jacob riu, balançando a cabeça, e Jasper acompanhou com um sorriso discreto.
– Acho melhor eu ir mesmo – Jacob respondeu, entrando na brincadeira.
– Boa sorte, cara – Emmett completou, ainda se divertindo.
Não esperei mais nada, apenas puxei Jacob pela mão, saindo dali antes que a situação piorasse. Só parei quando já estávamos um pouco afastados, perto de uma das janelas da sala.
Soltei um suspiro, olhando para ele.
– Eles fizeram algum interrogatório?
Jacob sorriu de leve.
– Seus tios? Não.
Fez uma pequena pausa, inclinando um pouco o rosto.
– Mas o Edward Cullen… tenho quase certeza que vai fazer.
Segui o olhar dele quase no mesmo instante.
E lá estava meu pai, caminhando na nossa direção, com aquela calma que, no fundo, era ainda mais intimidante.
Engoli em seco, endireitando a postura sem perceber.
Ele parou diante de nós, o olhar passando primeiro por mim e depois por Jacob, avaliando, tranquilo demais.
– Então…
Começou, em um tom controlado.
– Eu já imaginava que havia algo entre vocês.
Senti meu coração acelerar.
– No dia em que fui atender a Ayla… já dava para perceber.
Olhei rapidamente para Jacob, sem saber exatamente o que dizer, enquanto meu pai mantinha aquele olhar atento, como se estivesse esperando muito mais do que apenas uma resposta simples.
Fiquei em silêncio por um instante, sentindo o peso do olhar do meu pai sobre nós dois, como se ele estivesse analisando cada detalhe, cada gesto. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Jacob deu um passo sutil à frente, mantendo a postura firme, mas respeitosa.
– A Renesmee é importante pra mim.
A voz dele saiu tranquila, sem hesitação.
– A gente está se conhecendo… com calma.
Olhei para ele de lado, sentindo um calor subir pelo peito, não de vergonha, mas de algo mais difícil de explicar. Ele não desviou o olhar do meu pai em nenhum momento.
Edward permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se estivesse absorvendo cada palavra, e então assentiu levemente.
– Eu não costumo interferir nos relacionamentos das minhas filhas.
Disse, em um tom controlado.
– Até porque… a Renesmee não escolheria alguém que não fosse um bom homem.
Soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.
Jacob apenas assentiu, respeitoso.
– Sim, senhor.
Houve um breve momento de silêncio, mais leve dessa vez, até que outra voz se aproximou.
– Eu fico feliz por você, Nessie.
Elizabeth.
Senti o corpo enrijecer quase no mesmo instante.
Virei o rosto lentamente para ela, tentando manter a expressão neutra.
– Obrigada.
Respondi, sem conseguir soar completamente natural.
Ela sorriu, como se nada estivesse fora do lugar.
– De verdade.
Houve uma pausa, e então ela continuou, de forma aparentemente casual:
– – Eu fico feliz que tudo esteja dando certo pra você, Nessie…
Ela sorriu, com aquela naturalidade que me pegou desprevenida.
– O namoro… a viagem pro mestrado… parece que sua vida está se encaixando.
Meu coração falhou uma batida, olhei imediatamente para Jacob.
A expressão dele mudou na hora para confusão e surpresa.
– Você vai viajar?
A pergunta veio direta, sem rodeios.
Voltei o olhar para Elizabeth, completamente sem reação por um segundo.
Ela pareceu perceber na mesma hora o que tinha feito.
– Eu… não sabia que você não tinha contado.
Disse, levando a mão ao braço, claramente desconfortável.
– Desculpa, Nessie… eu não queria…
Mas já era tarde, o silêncio que se instalou dessa vez não tinha nada de leve.
Narrado por Jacob
Saímos da sala quase sem dizer nada, o barulho das vozes ficando para trás enquanto eu atravessava a casa tentando organizar o que estava passando pela minha cabeça. O ar do jardim estava mais fresco, mas não ajudava muito. Parei alguns passos à frente, passando a mão no rosto, tentando controlar a frustração antes de olhar para ela.
– Você vai viajar?
Perguntei de novo, dessa vez mais baixo, mas sem esconder o peso da pergunta.
Ela parou na minha frente, visivelmente tensa, juntando as mãos por um segundo antes de começar a falar.
– Eu ia te contar…
Respirei fundo, esperando.
– Só que muita coisa aconteceu nesses dias.
Ela desviou o olhar por um instante.
– Eu… consegui uma bolsa para o mestrado em Cambridge.
Fiquei em silêncio, absorvendo a informação. Ela ia para Cambridge, para outro país, uma outra realidade.
– E você não achou importante me contar isso?
A pergunta saiu mais dura do que eu queria, mas eu já não estava conseguindo segurar tudo.
Ela levantou o olhar de novo.
– Eu achei, só não sabia como.
Soltei um riso curto, sem humor – E quando você ia saber? Quando estivesse entrando no avião?
Ela respirou fundo, claramente tentando manter a calma. – Eu ainda não decidi se vou.
Franzi a testa.
– Como assim?
– A viagem é daqui a uma semana.
Disse, quase em um sopro e aquilo me atingiu de um jeito direto.
Uma semana.
Balancei a cabeça, sentindo a frustração crescer.
– Uma semana, Nessie?
Passei a mão na nuca, andando dois passos para o lado antes de voltar.
– E você não achou que eu deveria saber disso antes?
– Eu estava tentando entender o que eu queria!
Ela rebateu, a voz um pouco mais alta agora.
– Não é simples assim!
– Não, não é simples.
Respondi,
a encarando– Mas esconder também não ajuda.
Ela cruzou os braços, claramente irritada.
– Eu não escondi.
– Não contou- A Corrigi.
– Dá no mesmo.
O silêncio caiu pesado entre a gente.
Ela respirou fundo, olhando ao redor por um segundo, como se finalmente percebesse onde estávamos.
– Você está sendo grosso- Disse, mais contida – E esse não é o lugar pra gente ter essa conversa.
Fiquei em silêncio, o maxilar tenso, sabendo que ela tinha razão sobre isso… mas sem conseguir simplesmente desligar o que eu estava sentindo.
E, naquele momento, o que mais pesava não era só a notícia.
O caminho até o apartamento dela foi silencioso, pesado de um jeito que eu não tinha planejado para aquela noite. Algumas horas antes eu estava rindo com ela na oficina, fazendo planos, pensando no fim de semana… e agora, cada minuto dentro daquele carro parecia longo demais. Eu mantinha os olhos na estrada, mas minha cabeça estava longe dali, voltando na conversa no jardim, na forma como tudo mudou em poucos segundos.
Eu não tinha esperado terminar a noite assim.
Estacionei em frente ao prédio e desliguei o carro, mas não saí. O silêncio continuou entre a gente por alguns instantes, até eu finalmente falar, sem olhar diretamente para ela.
– Eu venho te buscar de manhã… pra gente ir pra La Push.
Minha voz saiu mais controlada do que eu me sentia por dentro.
Ela demorou um segundo antes de responder.
– Você não quer subir?
Olhei para frente, apertando de leve o volante antes de soltar.
– Não- Respirei fundo.
– Eu preciso… pensar.
Virei o rosto então, encontrando o olhar dela.
Ela parecia cansada, talvez tão confusa quanto eu.
– Você não precisa ficar assim.
Disse, em um tom suave.
Aquilo mexeu comigo mas balancei a cabeça devagar – Ness...
Respondi, com calma, mas sem desviar.
– Eu estou levando isso a sério- As palavras vieram sem esforço dessa vez.– Nós dois.
Fiz uma pausa, tentando escolher bem o que dizer, mas no fim acabei sendo direto.
– Eu não estou aqui por algo passageiro.
A expressão dela mudou.
– Eu quero algo de verdade, um relacionamento… com futuro.
O silêncio voltou, mas agora não era vazio. Era cheio de significado.
– E você precisa decidir se quer isso também.
Completei.
Ela me observou por alguns segundos antes de perguntar:
– E se eu for ?
A pergunta ficou no ar.
Eu sabia que não tinha uma resposta fácil. Passei a mão pelo rosto, soltando o ar devagar.
– Eu não sei- Falei com honestidade.– De verdade… eu não sei.
Olhei para ela, sem tentar esconder nada dessa vez.
– Porque eu não sei se consigo ficar aqui… esperando algo que talvez não volte.
Ela me olhou em silencio e embora fosse necessário, doeu admitir isso.
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