Uma história sobre bullying
2 Capítulo 2
Notas iniciais
~Pov' Damien~
Depois dos acontecimentos daquele dia o bullying contra o Pip não diminuiu absolutamente nada. Sempre acontece dele se encontrar com Eric Cartman, Craig Tucker ou Clyde Donovan -há outros, mas eu sinceramente não tenho interesse nos nomes- ou na saída ou no intervalo da terceira para a quarta aula. Parece ter virado rotina!
Eu sempre vejo o que acontece com o Pip, mas não tenho motivos para defende-lo. Não faria bem para a reputação do filho de Satã ser visto com um fracassado. Mas parece que o loiro adivinha os meus pensamentos e procura cada vez mais se aproximar de mim.
Ainda não sei porquê não queimei Pip até os seus ossos virarem cinzas.
Eu sei que nunca deveria te-ló ajudado naquele dia, mas simplesmente não sei o que me deu na cabeça para fazer aquilo! Agora o maldito loiro não para de tentar falar comigo... Mas a culpa não deixa de ser um pouco minha. Eu continuo ajudando o Pip quando ele se mete em situações como aquela.
Teve uma vez nessa semana que Eric Cartman o trancou dentro de um armário de zelador que fica no terceiro andar, o loiro inútil ficou trancado lá da primeira até a ultima aula. Eu só descobri isso quando estava indo a biblioteca e ouvi um choro baixo.
Admito que quando ouvi isso do Pip pela primeira vez quase fui atrás da alma do gordo infeliz.
É admito que não tenho ideia do porquê de eu ter sentido tanto ódio por um mero humano.
As vezes eu me pergunto: Por que o Pip nunca fala sobre o bullying para ninguém? Eu não entendo os sentimentos humanos, mas a primeira coisa que qualquer outro faria seria revelar sua situação e pedir ajuda, suponho?
Por isso que os humanos são tão irritantes, nunca se sabe o que realmente pensar deles.
Eu me pergunto onde Pip possa estar, ele não apareceu em nenhuma das três primeiras aulas e, sinceramente, tenho a ligeira impressão de que ele não veio para o colégio hoje.
–Vocês notaram que a sala esta mais 'vazia'? -Comentou Kyle Broflovski no seu grupo de amigos.
–Talvez, eu ouvi falar que esta tendo um surto de um tipo de bactéria na cidade. -Respondeu Stanley Marsh, fazendo qualquer coisa sem importância.
Bem, deve ser essa tal bactéria. Deve ser por isso que Pip faltou.
As outras aulas passaram se arrastando até que finalmente, por um tempo que pareceu uma eternidade, acabou. Sai rapidamente da sala e fui direto para 'casa'. Ou melhor, para o inferno.
~Pov' Pip~
–Você não precisava faltar aula por minha causa, Marjo.
–Bem, não foi só por que você estava doente. -A loira ficou sem graça. -E que eu...
Quando a loira começou a gaguejar eu soube que o assunto terminaria ali, Marjorine -a irmã gêmea do Butters- nunca consegue admitir em voz alta qualquer coisa que envolva Eric Cartman.
–E-enfim, não tem muito problema não. Quando o Butters chegar eu peço o caderno dele emprestado.
–Mas é se seus pais souberem que você faltou? -Eu fiquei realmente apreensivo sobre aquilo.
–Não tem problema Pip, eu dou o meu jeito.
Naquele momento eu me senti muito culpado. Os pais da Marjo são extremamente rigorosos, -e eu os acho particularmente abusivos- se descobrirem que ela faltou aula...
–É caramba Pip! Eu não iria deixar o meu melhor amigo doente e não fazer nada! -A loira irritou-se. -De manhã você estava com quase 40 graus de febre! Não quero nem imaginar o que teria acontecido se eu não tivesse passado aqui com Butters antes da aula!
O pior para mim era que ela tinha razão. E pior ainda é que eu não me importaria de terminar assim, eu sinceramente não me importaria de morrer.
–Você está certa Marjo, desculpe. -Falei me sentando na cama.
–Tem algo te incomodando Pip? -Ela perguntou, se sentando ao meu lado.
Eu pensei em falar sobre o bullying. Pensei em falar sobre tudo que tenho que agüentar no colégio, desabafar que eu daria tudo para sair daquela cidade e, principalmente, pedir ajuda. Dizer "Eu não sei se consigo agüentar." mudaria muita coisa.
Mas quando vi aqueles olhos, tão azuis quantos os meus, me encarnado desisti da idéia no mesmo instante. Mesmo que eu honestamente ache o Cartman um filho da puta, a atitude dele em relação a Marjo e ao Butters pode ser considerada até gentil e definitivamente meu desejo não é acabar com isso. Não sei se conseguiria ser egoísta a esse ponto.
–Não Marjo, não tem nada. -Dei o meu melhor sorriso.
A loira me olhou preocupada, parecendo notar que não estava tudo bem. Antes que ela pudesse fazer quais quer outras perguntas a campainha da casa tocou ruidosamente.
Por impulso eu quase me levantei, mas antes que eu pudesse completar o ato Marjorine me impediu.
–Lembre-se Pip: você ainda não está curado. -Sorriu e se levantou.- Deve ser o Butters, eu já volto.
Ela voltou depois, mas antes disso veio uma pessoa que eu sinceramente não estava esperando, o Damien.
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