Uma guerreira e um guardião
5 O primeiro dia
Notas iniciais
Acordei um pouco mais cedo que todo mundo. Estava de resaca com o que aconteceu ontem na fogueira. Parece ate que comi Flor de Lótus, um tipo de flor que te deixa bem loucão. Vi que as meninas ainda estavam na cama, e que estavam piores que eu. Sam estava largada na cama, não me surpreendi, Monique estava com a cara toda rabiscada: tinha um bigode desenhado e na testa ‘você é um idiota’ em inglês. Aninha estava diferente das outras, de pijama, acho que foi a única que não ficou de resaca. Aproveitei que acordei primeira pra ter o gostinho de acorda-las. Arrumei-me rápido, e fiquei esperando a corneta. Quando vi que ela estava pra tocar, gritei bem alto:
_ Acordem! – a corneta começou a tocar bem na hora que gritei, cai na gargalhada com as reações delas: Sam caiu da cama, e bateu de cara no chão. Monique deu um pulo e começou a bufar de raiva. E Aninha só abriu os olhos e se espreguiçou.
_ Bom dia, meninas! – Aninha exclamou se levantando.
_ Que, que tem de bom... – Sam disse bufando.
_ Aff, deixa de ser ranzinza Sam, bom dia Aninha. – disse, dando uma muda de roupa pra elas. – vistam-se logo, não quero me atrasar pro café. Hoje temos aula lembram? – disse com um sorrisinho no rosto.
_ Nhá... Não vou to doente. – Sam disse se enfiando de baixo das cobertas.
_ Vamos logo, preguiçosa. Ou vamos nos atrasar. – Monique puxou o pé dela. Sem vontade, Sam se levantou e se vestiu. Depois de nos arrumarmos, fomos no chalé dos meninos. Bati na porta, nada. Bati de novo, nada.
_ Aff, deixa comigo. – Sam entrou na minha frente deu um muro na porta. Deu pra ouvir alguém caindo, e outro barulho de alguma coisa caído derrubando tudo. Logo Lyon apareceu na porta.
_ O-olá... Quer dizer... Bom dia! – ele gaguejou, pude ver que seu pé estava roxo.
_O que...? – apontei pro pé dele.
_ Ah, isso? Nada de mais. – ele colocou a mão atrás da cabeça e deu um largo sorriso nervoso.
_ Bom, vamos? – disse apontando com o dedão a rua.
_ Pra? – ele perguntou confuso.
_ Tomar... Café? – disse pra ele ainda mais confusa.
_ Ah! Nossa esqueci completamente! – ele disse batendo a mão na cara. – bem, devemos já ter perdido o café, mas conheço alguém que pode arranjar comida... Só esperem eu e Lucas nos arrumarem que vamos. – ele explicou, dei de ombros e sentei na escadinha da porta do chalé.
Passaram-se vinte minutos, e eles ainda não voltaram, pude ouvir minha barriga roncando.
_ Ah... Que fome... – Sam gemeu. De repente, a porta atrás de nós se abriu e vimos Lucas e Lyon saindo.
_ Finalmente! Cadê a comida?! – Monique avançou em Lyon.
_ C-calma, vamos comer agora. – ele trancou a porta. – sigam-me. – ele fez um gesto com as mãos.
Não andamos muito, mas parecia uma eternidade. Finalmente chegamos num chalé não muito grande, duas pessoas saíram de lá. Logo imaginei o que era: o cara que é dono desse chalé provavelmente contrabandeia “coisas”.
_ Chegamos, vamos entrar. – Lyon disse. – quero falar com o “cara” – ele fez sinais de aspas. Uma menina assentiu e nos deixou passar. No chalé havia muitas sacolas pretas, uma escrivaninha com um cara sentado numa cadeira de couro. Ele estava de costas pra nós.
_ Ora, ora, ora... Se não é meu amigo Lyon! – ele exclamou dando um abraço em Lyon. Um garoto com os cabelos castanhos escuros enrolados, olhos escuros e brilhantes. – o que quer? – ele perguntou.
_ Comida, estamos morrendo de fome! – Lyon disse colocando a mão na barriga.
_ Hum... Sei, sei... – ele colocou a mão no queixo. – acho que tenho a coisa certa. – ele foi ate um saco preto, hesitou. – por favor, Lyon peça pra que seus amigos saiam – ele olhou pra Aninha. – menos a senhorita. – ele deu um sorriso gentil, ela corou violentamente.
_ Hã... E-eu prefiro esperar l-lá fora... – ela gaguejou e virou a cara.
Ele deu de ombros — Como quiser milady. – ele sorriu. Saímos do chalé, e Aninha continuava com vergonha.
_ Calma, Aninha! Aquilo foi só um elogio! Hahaha! – Sam disse
_ Eu sei, mas... – ela virou a cara. De repente Lyon sai com uma sacola na mão.
_ Vamos? – ele disse.
_ COMIDA! – Sam violentamente levanta e pega a sacola e sai correndo.
_ EI! VOLTA AQUI! – saímos correndo pra pegar Sam, que corria feita louca! Conseguimos pegar um resto, duas maçãs, três suquinhos de laranja, duas rosquinhas e café. Bem, deu pro gasto.
_ Argh, minha garganta ta seca! Sobrou café? – perguntei.
_ Hm... Não, nem suco! – Lucas disse conferindo a sacola.
_ Eu divido com você Allice – Lyon me deu o suco.
_ N-não precisa – corei, e mordi minha bochecha por dentro, por que sempre que fico com vergonha eu dou um riso automático, então foi o que aconteceu. Ah, que ótimo!
_ Pode ficar eu insisto – ele me deu o suco.
_ Ah, haha, olha vamos nos atrasar pra aula. Vamos meninas – puxei as três e sai em disparada.
_ O que aconteceu agora?! – Sam perguntou.
_ Ah, que fofinhos vocês dois! – Aninha deu um risinho.
_ Eu vou ser a madrinha! – Monique exclamou.
_ Pra que? – parei e me virei pra ela.
_ Pro casamento! Mas já vou avisando: não vou usar vestido! – ela levantou as mãos. Encarei-a e segui.
_ Espera! – Aninha nos parou. – onde temos que ir? – nos entreolhamos.
_ Lyon! – gritamos e fomos atrás dele.
Depois de muita caminha, chegamos. A minha primeira aula era de geografia, e pro meu azar, estava sozinha. A primeira aula da Aninha era de esgrima, o da Sam e do Lyon era de línguas, a da Monique era de Educação Física e do Lucas de ciências. Fiquei com a pior. Odeio geografia, e já não basta que eu tenho que aprender o de outro mundo! Que ótimo. Assim que cheguei tive que me apresentar, ah, que ótimo!
_ Hã, oi. Eu sou Allice Porks, e pelo que vi no meu fichário, sou uma não identificada – falei depois fui me sentar no fundo. Fui o centro das atenções. Odeio isso.
_ Ei – uma menina me chamou. Ela era negra, tinha cabelos encaracolados castanhos com luzes nas pontas, olhos castanhos e óculos de grau. – oi. – ela disse.
_ Oi – acenei de volta.
_ Sou Penélope, mas pode me chamar de Penn. – ela sorriu.
_ Bem, eu sou Allice, mas pode me chamar de Alli – sorri de volta.
_Bem, eu também sou uma “não identificada”. – ela faz sinal de aspas com as mãos. Eu ri.
_ Senhorita Li vir, senhorita Porks, silencio, por favor. – professor chamou nossa atenção. Entreolhamos-nos e rimos. A aula passou rápido (só que não) e eu e Penn tínhamos aulas juntas no resto do dia, agora era aula de esgrima, espera, aquela é a Aninha sendo carregada por um gatinho?! Ai meu deus!
Bem, a aula de esgrima foi legal. Tirando o fato de que fui um fracasso total, que eu tenho ter aulas com alguém e treinar todo dia, e que eu ainda tenho q saber a historia da Aninha, foi tudo legal.
_ Então, Alli. – Penn me chamou. – esta conseguindo se adaptar no acampa? – me perguntou.
_ Hum acho que sim. Sei lá, estou aqui a dois ou três dias. E você? – perguntei tirando meu equipamento.
_ Estou aqui há uma semana, mas acho que sei o que sou. – ela disse guardando a espada.
_ Ah é? E o que você é? – perguntei.
_ Guerreira. – ela simplesmente disse. – todos da minha família foram. Meu tataravô, meu bisavô, meu avô, meu pai, agora... Eu.
_ Mas... Foram todos homens! E sua mãe? – perguntei.
_ Minha mãe morreu quando tinha cinco anos, meu pai me treinou muito. Por isso sou boa em esgrima, sem querer me gabar. – ela disse, mas tive a impressão que ela estava meio... Triste.
_ Sinto muito... – disse.
_ Tudo bem, mas e você? Tem ideia do que é? – ela me perguntou. Estávamos saindo da sala de aula.
_ Na verdade...
_ ALLICE! – Sam aparece, me dando um abraço de lado.
_ Argh! Me larga Sam! – disse rindo.
_ Não! Quero ficar com você! Você me abandonou! – ela disse me levantando e me apartando mais.
_ Ta bem! Quero que conheça alguém. Sam essa é Penn, Penn essa é Sam.
_ Oi, muito prazer. – ela estendeu a mão pra Sam, que pegou a mesma e a puxou pra um dos “abraços estilo Sam”. Por que o nome? Simples, ela te puxa, te aperta bastante, depois enrosca seu braço no seu pescoço e aperta, só depois de um tempo que ela te solta.
_ Sam! Não mate ela! – disse tentando tirar Penn do “abraço” de Sam.
_ Haha! Gostei dela – Sam disse. – vamos nos ver por ai. Ate mais. – ela se despede e sai correndo.
_ Desculpa Penn! Tinha me esquecido do abraço dela! – disse ajudando ela a respirar.
_ Tudo... Tudo bem... – ela arfou e riu. – gostei dela, bem... Animada!
_ É... – rimos.
_ Vamos pra aula? – ela perguntou.
_ Vamos! – disse, e seguimos caminho. A próxima aula era de línguas.
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