Uma garota e seu caderno
1 Fim.
Notas iniciais
Eu acordo, vejo o vazio em seu lado da cama. Eu sei que você não deve mais pensar em mim, mas não consigo esquecer de seu rosto sorridente, cantarolando "There's Too Much Love" e me puxando para dançar com você.
Me levanto e vou tomar café. Não há mais um bilhete na geladeira dizendo "Bom dia!!!!!!". Na mesa da sala de jantar agora parece haver um vazio, como se faltasse uma peça fundamental daquele momento.
Levo Bobby para passear. Te vejo sentado com outra pessoa, ela é bem mais bonita que eu. Passo por onde você está, fingindo estar feliz. Você apenas age como se não me conhecesse, mas sei que no fundo esta rindo de mim. Da idiota, iludida, estúpida.
Não achei ninguém que eu pudesse gostar. Você era, de longe, perfeito. ERA. Sentia algo forte quando via você aparecer, abrir a porta e me beijar. Ah.. Seu beijo era de longe o mais doce e suave que já provei. Como fui me apaixonar por alguém como você?
Éramos diferentes. Eu gostava de Tom Odell. Você preferia ouvir Heavy Metal. Eu lia Alan Poe, você preferia não ler. Mas sempre sorria, mostrando aquela covinha em suas bochechas, quando me via mergulhando em um livro. Parecia se entreter ao me ouvir falando por horas sobre as aventuras dos personagens. Talvez você nunca lesse por minha causa, já que eu sempre te contava os finais de livros.
Só tínhamos uma coisa em comum. Preferíamos a DC. Foi como nos conhecemos, por causa das HQ's, lembra? Comprando a ultima HQ da Vilania Eterna que tinha na loja. Lembro que você me deixou ficar com ela, e logo depois disso me chamou para tomar um chá. Te disse que odiava chá, então fomos para uma lanchonete dessas onde o hambúrguer é caseiro.
Começamos a conversar, trocamos nossos números, você me ligou dois dias depois, me chamou para ver o novo filme dos X-Men. Um mês depois, me pediu em namoro.
Foi maravilhoso tudo aquilo, até aquele ultimo dia. Quando você quis me trocar por aquela garota loira, mais alta, mais velha, mais bonita que eu. Aliás, cadê ela hoje em dia? Te largou? Tenho pena de gente como você...
Queria saber o que está fazendo hoje em dia. Eu consegui aquele emprego como jornalista no New York Times. Aquele que eu recusei porquê você não podia me acompanhar até Nova York, não queria deixar o Brasil, então fiquei, com você, por você. Maior erro da minha vida, se quer saber minha opinião.
Eu sei que deveria te odiar pelo o que você me fez. Mas aqui estou eu, sentada em uma mesa da cafeteria onde íamos toda tarde, tomando um cappuccino enquanto leio aquele livro que você me deu ano passado, que nunca me interessei em ler. Os garçons perguntam sobre você.
Respondo com cinco palavras. "Ele está morto para mim".
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