Uma garota diferente

3 A morte deixa marcas


Era mais um dia chato e comum na vida de uma adolescente de 15 anos, acordei cedo, e minha vó fez um café da manhã para mim, depois me arrumei coloquei o uniforme e fui para a escola. Chegando lá, sentei na primeira fileira do lado da janelo, em uma das ultimas carteiras, como sempre. A primeira aula entediante de historia, depois, veio a de sociologia, recreio, mas quando era a 4ª aula, algo mudou, após cinco minutos desta ter começado, a diretora da escola me chamou para conversar, retirei-me da sala pedindo licença, como sempre. A mulher me disse com essas mesmas palavras:

– Sua avó foi desmaiada para o pronto socorro. Você que ve-la?

Olhei para ela com cara de assustada e respondi abaixando a cabeça, escondendo meu sentimento de medo.

– Quero.

A mulher me levou até lá, e me deixou na sala de espera até que o medico chegasse. Após trinta minutos de espera, este chega com a notícia que abalaria minha vida eternamente:

– Desculpe, fizemos tudo o possível, acreditamos que foi uma morte natural, a mulher já tinha 83 anos de idade, nesses casos não temos muito o que fazer, eu lamento.

Abaixei minha cabeça, coloquei minhas mão sobre esta, eu estava em desespero, não sabia o que fazer, sentei, encostei meu rosto no joelho, e cobri minha cabeça com minhas mãos, comecei a chorar e soluçar de desespero, mas tudo isso sem fazer o mínimo de barulho. Outro homem chegou a mim e disse:

– O corpo será velado hoje atarde, e enterrado por volta da meia noite.

Balancei a cabeça sem mostrar meu rosto. Eu ainda estava na mesma posição. Levantei me ainda de cabeça baixa. E caminhei até em casa. Esta estava vazia, o clima nela parecia de morte, andei passando a mão nos móveis, lembrando de tudo que ela fez por mim, cada gargalhada, cada consolação, tudo... entre no chuveiro, tomei um banho longo e demorando, as lagrimas caíam no chão junto com as gotas da agua, eu não conseguia me concentrar em nada, e nem pensar em outra coisa a não ser na única pessoa que me amava que eu acabei de perder. Desliguei o chuveiro, coloquei a toalha e encaminhei-me para meu quarto vermelho e preto. Coloquei meu moletom preto que tinha touca. Me vesti com a calça mais escura que eu tinha. Passei lápis de olho preto, e um batom vermelho café. Penteei meus cabelos acinzentados e vesti meu tênis. Coloquei a touca na cabeça e sai de casa. Fui a té o velório, quando cheguei lá, este estava vazio, ali só se via o corpo de minha avó dentro de um caixão bege. O caixão estava fechado, debrucei-me sobre ele, e novamente borrei minha maquiagem com lagrimas da dor da perda. Comecei a dizer baixinho em meio ao silencio da sala, tudo que não fui capaz de dizer enquanto ela vivia.

– Me perdoa... me perdoa por eu ser tão rebelde... me perdoa por sempre te perguntar o por que de minha aparência... me perdoa por ter te ignorado naquela noite que me mandou ficar em casa... me perdoa por ter feito você perder tanto tempo me consolando... eu nunca mereci você... você sempre foi boa de mais pra mim... me perdoa por nunca ter te dito o quanto eu te amava... por não ser boa o suficiente... me perdoa pela minha natureza má.... me perdoa.... ME PERDOA...

Enquanto eu chorava muito.... comecei a lembrar e então cantar a musica que ela sempre cantou e me fez sentir bem:

– Quem é essa garotinha... com olhos com de graminha... cabelinhos lisos e cinzas... pelezinha linda e rosinha... esta é minha bebezinha... minha Princesa Milla... – respirei fundo, e disse ao corpo morto de minha avó- Me perdoe vovó, mas eu não posso ficar em casa, não posso voltar para o orfanato, não posso ficar nesse mundo, já decidi, eu vou embora, vou pegar minhas coisas e vou sair de lá, não sou forte o suficiente pra suportar mais essa dor, adeus vó... eu não vou voltar.

Levantei me de onde estava debruçada, o caixão agora estava manchado de lagrimas negras de minha maquiagem, coloquei minhas mãos no bolso, a touca em minha cabeça e fui em direção as ruas chuvosas da cidade.

Notas finais
Pessoal se gostaram da historia pessoa que favoritem e comentem ela! Pra vocês leitores um simples comentário pode não ter importância, mas para nós, autores, nos mostra que alguém gostou da nossa historia, e isso nos trás uma alegria imensurável! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.