Uma folga para mamãe
2 Primeiro fim de semana
Notas iniciais
Ken e Miyako dormiram sem os filhos no quarto, isso e o espaço livre deixaram a violacea feliz, nenhuma criança agarrada nos seus cabelos, ou com os dedinhos brincando com seu nariz, aquela manhã nem Ken estava na cama, a violacea foi procurar o marido e viu ele no quarto do filho caçula trocando a fralda.
— Meu amor, madrugou foi? Pergunta Miyako. — Ah foi você que acordou a casa? Miyako brinca com o filho.
— Da próxima vez coloca o seu irmão para trocar a fralda. Reclama Ken.
— Não vai ter a próxima, esse vai ficar de castigo por tempo indeterminado, né meu docinho… O titio é doidinho, a primeira vez que fica com você e já acontece isso. Miyako beija os pézinhos de Takuji.
— E então pensou? Pergunta Ken.
— Ken você tem certeza que pode com essas crianças por duas semanas? Pergunta receosa Miyako.
— Eu sou pai de três Miya, não sou novato na paternidade. Afirma Ken.
— Não estou duvidando de você, mas não é fácil assim…
— Miya-Chan, pelo seu grau de estresse eu já imagino, mas esse tempo vai te fazer bem, vai ser um dia das mães diferente, até para as crianças… Ken beija a esposa.
— Quantas vezes eu vou ter essa chance, uma folga!
— Fica tranquila, eu tenho as coisas sob total controle.
— Se alguma coisa acontecer você…
— Xiii… Miya-Chan, eu não sou pai de primeira viagem, estaremos aqui morrendo de saudades. Declara o detetive.
— De primeira não, mas com certeza parou nele, fala para o papai que você não vai passar o posto de caçula. Miyako brinca com o filho.
— Papai, que história é essa de folga? Perguntou Mai, aparecendo atrás de Ken quando ele ia descendo as escadas.
— Mai-Chan, o dia das mães vai ser um pouco diferente aqui, o papai deu um presente diferente para mãe de vocês. Explica Ken.
— Diferente? O que foi? Um vestido? Pergunta Mai.
— Não! Você lembra o que aconteceu ontem aqui não lembra? Pergunta Ken.
— A mamãe pirou! Mai gira o indicador na cabeça e Ken ri daquilo.
— Ela ta cansada Mai, pra não brigar com vocês ela preferiu descontar no Mantarou, e eu e sua tia Mamoe demos uma folga para ela, eu vou pegar férias hoje.
— Você vai ficar em casa todos os dias? Pergunta a garota pulando nas costas do pai abraçando.
— Vou sim, um mês todo, mas durante duas semanas seremos somente nós sem a mamãe. Conta Ken surpreendendo a filha e Takuji o encara.
—Mas é dia das mães.
— Eu sei filha, vocês dão o presente na volta, por hora é isso, cadê o Toushin? Pergunta Ken.
— Olha pra cima, o menino aranha não sai dali, eu to morrendo de fome. A pequena coloca os óculos o qual vinha segurando e desce para o café.
— Mai não corre nas escadas, pra cima de onde? Pergunta Ken olhando para o filho no colo e se tocando da brincadeira nas teias de Minomon.
— O que foi papai? Parece que ta assustado. Toushin olha para baixo.
— O que foi? Você ainda me pergunta? Anda desce dai antes que quebre o braço. Ken solta o bebê que engatinha para o banheiro.
—Eu não vou quebrar o braço, não sou bobo papai e confio bastante no Minomon assim como o senhor no Wormmon. — Nunca brincou em cima das teias do Wormmon? Devia ser divertido…
— Takuji.
— Ah o Takuji foi pra lá oh. Aponta o violáceo e corre para o banheiro junto com Ken.
Ken demorou para conseguir descer já que precisou ficar atrás dos filhos.
— O que aconteceu? Pergunta Miyako.
— Nada não, estávamos brincando Miya. Ken disfarçou colocando o bebê no cadeirão.
— Papai o senhor não tem medo de subir nas teias não? Pergunta Mai.
— Teias? Ken tenta arrumar alguma brincadeira que vocês não terminem no hospital. Miyako bronqueia.
— Lembra Miya, relaxa… Estamos bem e estaremos bem quando voltar. Garante Ken.
— Eu acredito, mas me promete… Parou essa palhaçada de andar nas teias, olha o seu tamanho Ken, ta achando que tem a idade dos seus filhos.
— O que é isso Miya, eu não… Tenho consciência dos meus trinta. Ken olha para Toushin e não desmente o que a esposa entendeu, ficou por isso mesmo.
O pequeno violáceo pega uma torrada e se encolhe.
— Me promete Toushin, as teias do Minomon assim como as do Wormmon não são para levar humanos, elas arrebentam fácil com um puxão ou peso. Miyako encara o marido.
— Ta bom, eu só estava brincando. Justifica Toushin.
— Brinca no chão por favor. Pede Miyako.
— Nem dentro de casa. O violáceo soa teimoso levando uma encarada da mãe.
— Ele não vai fazer. Não é Toushin-Kun. Garante Wormmon.
Miyako P.O.V
Começava ali, a nossa reunião, me despedi da minha família, no momento o caçula estava adormecido e quando despertasse estaria com seu pai e os irmãos, seja o que deus quiser, eu entrei no táxi e iria encontrar as meninas no aeroporto,
Mesmo com o passar dos anos uma das coisas que não se perdeu foi os gritos, meu kami acho que os funcionários ficaram bem incomodados.
Entramos no carro alugado pela Mimi, e lembramos muito da nossa adolescência, ligamos o som, no ultimo volume, eu ainda ouvia música em casa, só que se você entende, a casa muitas vezes ganha outra trilha sonora, com canções infantis, ensinando o alfabeto, algumas até o Ken julgava como retardo, mas as crianças não nascem com o gosto musical formado e eu escutava passeando com o Takuji, mas com os três juntos ficava complicado, a atenção precisava ficar em cima deles, mas agora, naquele momento recordar e viver, muitas daquelas músicas cantamos a tarde toda, repetidas vezes, estivemos em shows dessas bandas, e agora olha para nós, mulheres adultas cantando como um bando de adolescentes loucas.
Fiquei com o coração na mão em deixar principalmente meu caçula com o pai, mas a ordem aqui é deixar os papais experimentar a companhia dos anjinhos deles, “não pode ser tão difícil”. Temo o meu marido quebrar a cara com essa, ri com o pensamento.
Conversamos sobre tudo o que não falamos em anos, a viagem, as decisões como a Sora que finalmente ficou com o namoradinho de infância, Taichi, olha é difícil ver que tantos anos já se passaram, que nossos caçulas da turma já são pais, eu ri lembrando do Hida Iori, Takeru, esse arrumou as malas em um passeio de férias que ganhou do pai de presente de formatura e esqueceu o rumo de casa, desde o último volta logo no aeroporto de Tóquio, os anos passaram, as crianças nasceram e o que soubemos dele foi que através da mídia, o escritor Takaishi Takeru, bom se ele estiver feliz nada contra, mas dar um oi vez e outra para os ex vizinhos, para o irmão, não mata, não arranca pedaço e na nossa frente estava a educadora infantil que estava soltando os longos cabelos castanhos e penteando a franja com a mão. Hikari foi mãe antes mesmo da Sora, antes mesmo da Mimi-Chan, ela e o Daisuke pararam com o joguinho de gato e rato, e a Hikari parou de zombar do pastel, e se entregou, pra ela olhar tanto o celular, devia estar sentindo falta do marido e principalmente dos meninos.
Confesso essas férias não podiam estar melhores, até a câmera a Hikari trouxe, se essa der certo quem sabe podemos repetir.
Umas horas mais tarde da nossa chegada ao hotel, tivemos uma surpresa, um festival, nossa como faz tempo, puxa eu vou aos festivais em Odaiba ainda, mas é diferente com filhos, estamos somente nós, como antigamente, na época em que fazíamos isso eu e o Ken nem falávamos de sexo, e confesso que quando eu falava era pra ver aquele rostinho branco ficar dar cor de pimenta, quase saia fumaça pelas golas da camisa, o Ken era envergonhado quando o assunto era sexo, mas melhorou com os anos de convivência com a turma, me lembro até que a Mimi inventou de apostar qual das meninas perderia a pureza primeiro e qual seria a última.
Nossas apostas sempre foram um capítulo a parte, era cada uma que so deus na causa.
Você imagina a cara do meu marido no alto dos quatorze aninhos, assoprando as velhinhas chega a Mimi e pergunta para ele se era essa noite que ele sairia do beijinho e ia marcar território, naquele dia ele não viu graça, mas hoje ele já sabe que essa americana é da pá virada, ele sabe o quão podemos ser indiscretas e ri daquilo.
— Garotas. Mimi nos chamou erguendo uma taça de champanhe.
— Lá vem coisa! Sora prevê colocando mão na testa.
— Quer ficar na espreguiçadeira sem fazer nada. Reclama Mimi.
— Pensei que tinha sido esse o propósito da viagem. Hikari indagou.
— Meninas eu proponho um joguinho. Mimi desafiou apontando para nós.
— Meu kami la vamos nós. Eu mesmo não resisti, eu sabia que nada que preste ia sair disso, mas senti uma falta dessa louca.
— Que tal se… Mimi tirou sua aliança, não éramos velhas conservadoras, mas aquilo espantou sim. — O que foi com essas caras? É apenas um pedaço de ferro no dedo. Ralha a mais velha.
— Mimi-Chan o que foi você não ta bem com o Yamato-San? Perguntou a ruiva.
— Meu kami Sorinha. Mimi atirou uma almofada e acerta de cheio. —Eu falei em divórcio aqui? Gente é apenas uma brincadeirinha, já que estamos de férias da bagaça toda vamos liberar geral.
— O quê? Ok eu também me espantei.
— Vamos meninas não vamos perder essa chance, é só colocar sua aliança aqui na taça, só assim eu conto o resto. Pentelhou. Ah como eu tinha raiva dessa mania da Mimi, a gente nunca sabia o que esperar. Tiramos temendo arranjarmos problemas, aquilo era apenas uma folga, não era divórcio em massa, eu fiquei muito curiosa e fui a primeira em tirar meu anel.
—Sabia que eu podia contar com você!
Pouco a pouco as outras digiescolhidas cederam a curiosidade enquanto Mimi não podia estar mais radiante, parecia que ela tinha seus quinze aninhos novamente.
— O desafio é ver quem dá mais fora.
— Mimi-Chan, como assim, o que você quer…
— Sorinha se acalma, a gente não vai pra cama com eles, nós estamos de folga, e o tempo só nos fez bem, anda ruiva, o que foi perdeu o fogo foi? Perguntou Mimi.
— Mimi-Chan, nós temos maridos e olha que se eles souberem ou sonharem que estamos nos mostrando para outros eu não quero imaginar o tamanho da confusão. Adverte Hikari, se arrependendo de tirar a aliança.
Sempre sensata, teríamos o Kaiser, o louco do Yamato, o Taichi que diga-se de passagem não era flor que se cheire, e o Daisuke que tinha um pavio tão curto quanto os outros dois, imaginar isso tava me fazendo quase correr até o copo, eu disse quase.
— Meu pai amando, loucas, eu não disse vamos ver com quantos dormimos neste hotel. Gritou Mimi, e a gente que é louca. Meninas o desafio é quem dá mais FORA, entendeu, os getinhos podem dar em cima, podem cantar, pagar bebida, mas quem der mais fora ganha sei lá o prêmio a vencedora escolhe.
A louca ainda é a gente né?
Após muita conversa, nós topamos, colocamos uma roupinha de banho, nada exagerado, não queríamos que os caras risse da nossa cara, até porque não sabíamos qual seria a reação, ou na pior das hipóteses, esse loucos gostasse e quisesse algo além.
O resultado não podia ser outro, estávamos lindas, e produzidas, e os garotos, kami tinha cara ali com um olhar de predador, um cochichava com o outro e dava a piscadinha no nosso rumo.
— Se acanha não Hikari, anda vai anjinha… Mimi apertou as bochechas da Hikari que a encarou emburrada. — É só fazer com eles o que você fazia com o Daisuke quase o ginásio todo. Pentelha Mimi.
— Mimi-Chan… Hikari ficou vermelha. — E eu não fazia aquilo pra machucar o Dai, acha que é assim a gente bate o olho no primeiro e já quer casar?
— B-Bom pode não ser pra você, mas eu acho que o Daisuke já tinha se decidido a anos naquela época, e temos a Miya como exemplo, idolatrava o Ken, tinha posters e hoje ta ai casada com o primeiro amor dela, só por essa a primeira vai ser você oitava digiescolhida. Mimi praticamente empurrou a coitada da professora para a areia.
Eu me escondi atrás da Takenouchi pra poder rir, o que eu podia esperar?
Não demorou muito para o resgate chegar, um jogador de volêi ali viu a Hikari tropeçando e foi ao resgate, oferecendo os musculosos braços para segurar a anjinha, eu pude perceber que ele pegou as mãos dela, acho que eu saquei a do espertinho ele estava a procura de informação, presa fácil, na cabeça masculina, sozinha, parecia perdida, e “não era casada”, o cara achou que estava com a professora no papo, mas essa deu uma lição no dom ruan que nem a gente esperava que fosse tão rápida, a noite estava com uma atmosfera pra lá de cômica, eu ganhei um drink do dj todo saidinho, o cara ainda vira para mimi e diz que eu com meus vinte e dois aninhos não devia sair sozinha na pista, e que ele seria o que não ia permitir que isso acontecesse, pois passaria a noite sintonizado em mim, eu queria saber se esse idiota pensa que sou uma deslumbrada, irracional, primeiro muito obrigada pelos vinte, ah saudades, mas tenhos meus trinta e um muito bem vividos, e esperei mais algumas músicas para desintonizar o dj da minha cola, não precisei dizer nada sobre ser casada com detetive, passou muito longe, eu apenas venci dentro do campo.
A Mimi era bem… A Mimi, enquanto o Yamato tava em casa perdido em fraldas, leite e tentando fazer o menino dormir, bom a gaita nem sempre funcionava, enfim a mulher dele estava com a galera, voltou com flores, que logo foram jogadas na lixeira, a música alta junto com o álcool os fazia se exibir, e isso estava nos divertindo, quando recebíamos do garçon bebidas caras, enfeitadas e com bilhetinhos bregas, fizemos questão de devolver para o dono, foi dessa maneira quase toda noite.
Sabe, houve um momento naquela noite que me bateu saudades dos meus bebês, e um intensa curiosidade de saber como será que o Ken estava se saindo com eles, obviamente que ele não seria tão pirado quanto o Mantarou, mas ainda queria saber o que estão fazendo?
Ken P.O.V. On
Era hora da verdade, aquelas semanas seriam somente eu e as crianças, com o Takuji não me preocupo tanto, apesar de ele estar na fase em que ele ta descobrindo os cômodos da casa, eu e a Miyako já adquirimos experiência com os mais velhos, sabiamos que a porta do banheiro precisava do portão de segurança se não ele iria brincar no vaso, com o papel higiênico, mas os outros dois mais velhos, esses são a verdadeira preocupação, estão explorando, e com exploração eu quero dizer virando a casa do avesso, pela manhã era tranquilo, pois até o meio da tarde eles estavam no colégio, mesmo em atividades extras parecem ter uma fonte extra, arrumavam tempo para correr, derrubar quadros, ainda juntavam as forças com seus parceiros digimons com o meu e o da Miyako, o que eu podia esperar na hora de dormir, sossego? Agora entendi o motivo do surto da minha esposa, lá vamos nós de novo, mais uma noite e todos no mesmo quarto, o Takuji aos prantos querendo mamar, a Mai e o Poromon apostando quem pulava mais alto, e o Toushin, a Miyako já tinha advertido sobre as teias, mas nem ele e nem os digimons obedeceram, parece que o lema ali foi “mamãe não ta vendo”.
— Takuji, aqui o mama esfriou. Ofereci a mamadeira, mas ele se debateu com as duas mãos sob a mamadeira. — Meu filho, eu sei que não é o que quer, mas agora precisa se acostumar. Tentei de todo jeito dar a mamadeira, mas houve um momento que ele esperneou tanto nos meus braços que eu quase joguei a mamadeira longe, vou ter que esquentar de novo o leite, pois já ta frio, dá pra acreditar que depois dessa luta toda ele agarrou no digitama e simplesmente adormeceu, eu não ia cutucar, uma hora ele ia pegar o bico, e no momento estava seco e limpo.
— Papai, amanhã… Ah, isso vai ser um pouquinho estranho. Mai da uma estrela no chão.
— Mai-Chan, será que você consegue falar parada? Perguntei e a encarei o que ela queria dizer com vai ser estranho.
— Você ta com cara de que não tem a menor noção do que tem amanhã não é? A pestinha me pegou.
— Pode me dizer? Perguntei.
— Papai, isso vai ser estranho… A mamãe sempre se reúne aos sábados com outras mães no parque, o senhor tem certeza que vai? Perguntou Mai.
— Minha filha para mim uma promessa sempre teve peso, porque você acha que eu não posso ir, aliás eu sempre fui ao parque com vocês quando podia.
— Eh… Bom, mas os homens não gostam de um monte de mulheres todas juntas, e todas só falam dos filhos, olha lá onde ta se metendo. Mai colocou as mãos na cintura, se pondo de pé sob a cama, era como ver a Miyako na minha frente.
— Mai-Chan, você pode confiar no seu pai, não faço o estilo japonês clássico, o nosso trabalho com vocês é dividido, e bom eu cresci entre as digiescolhidas e sei mais ou menos o que esperar. Garante o detetive. — Vamos tentar dormir, se não não vai ter parque amanhã. Já dizia a Miyako, doce ilusão, o Takuji despertou a casa toda a meia noite, custou mais ele pegou o bico, vencido pela fome, e a gente pelo cheiro, e lá estávamos após assistir Tinker Bell, Carros, encantada, o rei leão arrancou lágrimas da minha princesa, é tão emotiva quanto eu e a Miyako-Chan éramos, me lembro que a Miya e a Hikari choraram durante uma estreia de um filme a uns anos, e reclamaram um monte, pois eu terminei adormecendo o filme todo e o Motomiya, belo amigo, disse que ia ao banheiro e evaporou, me fala quem vai ao banheiro por duas horas e meia, enfim chega eu não posso mais com aquilo e fui o primeiro a começar a dar sinais de sono, dormi com todas as crianças no quarto, é de novo.
Na manhã seguinte, despertei com os olhos amendoados me encarando sorrindo e com o indicador tocando meu rosto.
— Eu avisei que ele odiava filme de fadinha. A voz do Toushin se fez presente, quando eu olhei a janela estava aberta e o sol brilhava.
—Toushin-Kun, o que sua mãe disse antes de ir?
— Tchau, fiquem bem! O pestinha se fez de bobo se jogando da rede na cama.
— As redes, Wormmon você não ajuda muito montando essas redes pelo quarto, para você e o Minomon não vejo problema, mas não enche o quarto delas.
— Ele se diverte tanto Kenzinho. Wormmon brinca.
— Anda, mas pelo chão, você tem dois pés, e Wormmon eu sei que vocês se divertem badernando com as crianças, mas dá pra fazer isso sem arriscar quebrar ossos?
— Tudo bem Kenzinho! Concorda a lagartinha. — Nós vamos brincar no parque não é? Wormmon ainda continua o mesmo, se bem que não acho que gostaria que mudasse, aprendi a me divertir junto, eu gosto do modo puro que ele encara a vida, mesmo em meio a polícia ele só assumia uma postura mais rígida nas formas mais avançadas.
Eu até que me saí bem no café da manhã, menos pela parte dos cookies, isso ninguém supera a Miya, e convenhamos aquilo tava mais para uma experiência mal feita, talvez fosse melhor não sair das panquecas e ovos mesmo.
No parque…
Não compreendi as encaradas que levei, é tão fora da lei um pai levar seus filhos para se divertir em uma manhã de sábado? As amigas da Miya… é isso mesmo, eu me lembro como as amigas, as de sempre, as digiescolhidas, mas era um grupo de mães que estava me achando um esquisito, com um bebê preso no canguru e levando a bolsa, os mais velhos cumprimentaram gentilmente.
O que notei ao redor era que os digimons não precisavam mais se esconder, brincavam livremente com as crianças.
— Me lembro que quando passávamos aqui precisávamos do nosso disfarce ultra secreto, você ainda se lembra como fazia Wormmon? Hawkmon perguntou nostálgico.
— Claro que sim, Wormmon assume a postura de um ursinho de pelúcia e Hawkmon copia, eu ri daquilo, pois até eu viajei no tempo com aquilo, desde os confrontos finais, onde finalmente o governo compreendeu que nossos parceiros não estavam aqui para criar destruição, nunca mais os vimos fingindo ser uma pelúcia, ele cumprimentam como qualquer um.
Eu ainda era uma estranha presença no meio das mulheres que estavam cochichando algo, era meu instinto de detetive ou elas estavam mesmo com um certo ar indiscreto me encarando e medindo os meus filhos, não que fosse da minha conta, mas olhavam principalmente para os mais novos, até que as brincadeiras seguiam normais, uma delas, que estava guardando algo embaixo do carrinho, levantou e colocou a mão de lado, me fez lembrar até minha antiga vizinha, só faltava começarem com essa história de comparar os meninos um com o outro, eu me sentei um poco distante, não consegui ao certo ouvir, mas uma bola de terra veio em direção a cabeça dela, atingindo em cheio, as crianças ao redor riram, e bem eu acabei ficando sem jeito, pois lá atrás de nós, estava a Mai… Sua franja voava no vento e a cara não estava para brincadeira, seus óculos com o reflexo da luz e os dentes semi serrados . O que deu nessa menina? Ela nunca havia faltado com respeito assim, com ninguém. Me levantei em direção a ela, que soltou a outra bola de terra já preparada.
— Papai.
— Vamos embora Mai. Só consegui dizer aquilo, me doeu ser seco daquela forma, peguei as crianças e sai puxando eles.
— Papai eu…
— Você me ouviu? Mai-Chan com que frequência você faz isso? Perguntei, minha filha emburrou, nunca jamais tínhamos apelado para castigos físicos, mas naquele momento eu perdi mesmo as estribeiras com a Mai, eu perguntava ela emburrava e não me respondeu, foi com muita dor no meu peito que a Mai ficou trancada o resto da tarde no quarto.
É isso, a Miya passa por isso todas as vezes? A Mai não me parece ser o tipo de criança que simplesmente quer pirraçar as pessoas e joga objetos e terra, por vezes eu quis ir ao quarto e dar colo, ok eu admito eu termino exagerando no mimo com eles, creio que por isso a Miyako já me chamou atenção, eu não queria que eles tivessem o tipo de criação como a minha.
Aquilo no parque foi a gota d’água, ela nem se quer quis me contar o que tinha acontecido, e as mulheres parecem que gostaram quando eu tirei eles do dali, eu sei lá se eu tomei a melhor decisão, entendam que eu nunca estive em meio de um grupo de mães, para mim a Miyako não precisa disso, tem alguma coisa errada com essas amigas e eu vou descobrir, será que somente estranharam um homem no meio delas? Eu só pensava o quão duro eu fui com a minha filha, no momento em que eu estava para subir no quarto dela e amolecer o castigo o meu celular tocou, só faltava a Miyako me ligar e querer saber o que tava acontecendo, eu não ia estragar as férias dela, eu precisava de uma desculpa, me surpreendi quando olhei o visor Motomiya, já passava da sete, mas atendi ao telefone e ao fundo ouvi risos, e um… apito…
— Cara, você sumiu! — Daiki, não roda seu irmão na cadeira.
— Filhos? Perguntei ofegando, e observei o Toushin montando quebra cabeça com os fones, mexendo os pés e a cabeça no ritmo, enquanto o mais novo atirava os dados fora do chiqueirinho, nem brincando essas crianças param.
— Sua voz não ta das melhores. Daisuke foi direto. — Veemon e Tailmon eu falei para ajudar com os meninos não para se juntar a eles.
— Parece que não está podendo com os seus também?
— Parece? O lado bom é que o Daiki e o Hikaru não são como eu e a Jun.
— Graças a deus. Me lembrei e ri.
— Nem é pra tanto… Aquele brinquedo assassino que começava.
— Não era o que eu me lembro. Veemon gritou enquanto girava.
— Motomiya se a Mai não estivesse em pleno castigo te chamava pra cá.
— Olha Ichijouji, até entendo que esses anjos, pra não dar nome feio, às vezes precisam, mas que tal amanhã à noite, acha que até lá a arteira já pensou?
— Motomiya, acho melhor irmos na sexta feira, eu não sei o que deu na minha filha, não queria ter ficado bravo com ela, nem castigado, esse é a primeira vez dela presa no quarto…
—Não afrouxa, coração mole, olha os daqui eu to falando, eu paguei com a língua, não sei de onde sai tanta energia, então até lá podemos tentar reunir os digiescolhidos que tal? Crianças tendem a se comportar melhor com amigos, e o Daiki e a Mai assim como o Toushin e o Hikaru são colegas de classe…
— E você não aguenta mais cuidar sozinho dos seus filhos e acha que todos juntos vão ficar quietos.
— Quietos eu não sei… Mas nessa altura do campeonato qualquer tentativa valhe, e esses livros de psicologia da Hikari-Chan falam exatamente isso, a relação das crianças construindo laços pode melhorar o comportamento imperativo.
“Isso não ta me cheirando bem”. Algo me dizia.
Enquanto isso no quarto da Mai…
— Menina o que te deu? Perguntou curioso o digimon de Miyako.
— Nada Hawkmon! Respondeu a menina dos cabelos índigos penteando os cabelos.
— Nada? O que foi aquilo no parque hoje? Esporte novo? Perguntou a ave.
— Não!
— Menina, alguma coisa te incomodou, sua mãe vai voltar Mai, não gosta de ficar com o seu pai? Perguntou o digimon.
— Hawkmon, para de ser tão… Curioso… Eu gosto do meu pai, é que…
— Mai, eu sei quando você apronta porque quer, assim como eu sei quando sua mãe fazia o mesmo, só que não pareceu isso, por que jogou a bola de barro na mulher.
— Aquela boba, ela tava falando mal da minha mãe e do meu pai. Confessa a pequena.
— Falando mal? eu e o Hawkmon estávamos brincando, o que ela disse?
— Que minha mãe e o meu pai se divorciaram, que minha mãe largou a gente com meu pai por isso veriam mais o meu pai no parque.
— Menina, você é esquentada que nem a sua mamãe, você sabe da verdade por que deu atenção? A sua mãe só foi tirar uma folga, alguém precisa ficar com vocês. Pergunta Hawkmon.
— E porque deixou seu pai te dar o castigo, devia ter contado. Wormmon sobe no ombro da filha do parceiro e encosta seu rosto ao da criança.
— Wormmon, Hawkmon… Já foi, ela mereceu, mas não adianta, meu pai ta nervoso não adianta conversar com ele, agora que sabem podem me deixar ler, é trabalho pra segunda.
O digimon de Ken ia se pronunciar, mas o de Miyako convenceu de deixar a pequena contar ao pai a verdadeira história.
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