Era como se o vento acariciasse o rosto da jovem garota. Aliás, um gesto que ela não recebia há tempos. O mesmo sopro de vento mexeu nas folhas das árvores e em seus galhos mais finos. O ambiente estava em harmonia com a garota; e ela estava em harmonia com o ambiente, mas não com ela mesma.

O cheiro da grama molhada lhe causava nostalgia. De tempos bons; da infância. Naquele momento ela não era obrigada a se culpar pelo que sentia dentro de si. Ela queria se prender eternamente naquilo, mas não podia.

A chuva caiu sobre a marca em seu rosto; a marca de uma mão. Um hematoma horrível, que representava a morte crescendo cada vez mais dentro de si.

A garota abriu seus olhos e viu o desespero das pessoas, que estavam correndo para baixo de seus guarda-chuvas. "Um anseio tão medíocre... Assim como eu.", pensou ela. Estava se rendendo às palavras ditas pela sua mãe. Esse foi seu maior erro.

Tudo de horrível falado pelos seus pais lhe veio atona. Ela se sentiu um monstro. Um monstro horrivelmente despedaçado. Um monstro sofrendo. O monstro queria acabar com seu sofrimento.

Sua bolsa fora aberta, e um armamento foi retirado pelas suas mãos frias. Carregada. Apontada para sua cabeça; uma cabeça com tanta dor e histórias que nunca seriam ouvidas.

Um barulho estrondoso fora ouvido, silenciando todos. Silenciando a chuva. Nesse momento a harmonia foi quebrada. E uma flor danificada juntou-se à água da chuva.

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