Uma chance para recomeçar
30 Último Capítulo
Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO
8 de Dezembro de 2018
“Mãos trêmulas, corpo suando e coração acelerado. É assim que eu estou nesse momento, quando espero minha esquentadinha chegar a igreja.
– Calma moleque, a esquentadinha não vai fugir. – João tenta me acalmar.
– É Pedrão se preocupa não, a K deve ta chegando. – Duca fala batendo no meu ombro e eu apenas respiro fundo, afinal hoje é o dia do meu casamento e apesar de cinco anos de relacionamento com a Karina eu estou tremendo de medo de sei lá, ela não aparecer, por exemplo, não que eu ache que isso vá acontecer, mas sabe acho que no fundo é apenas a preocupação típica dos noivos.
– Pê a K chegou. – Tomtom atravessa a igreja com seu celular na mão para me avisar e se posiciona ao lado de seu namorado, algo que eu vou ter que ignorar nesse momento. Arrumo meu terno e sorrio para a porta de onde surge minha Anjinha toda vestida como uma princesa e carregando uma cestinha de onde ela joga pétalas pelo caminho. Conforme ela caminha pelo tapete vermelho com seu sorriso sapeca, ela encanta a todos que a fotografam e comentam sua fofura, ao chegar ao altar ela vai direto na direção de Bianca e Duca, conforme ensaiado. Quando as portas da igreja se fecharam novamente, um piano começou a tocar suavemente a marcha nupcial, e então todas as atenções se voltaram para a porta da igreja e meus olhos marejaram. Ao lado do meu sogrão lá estava ela, simplesmente perfeita, com um vestido lindo, uma maquiagem que a deixava ainda mais deslumbrante, mas o que mais me chamava atenção era seu sorriso, que sorriso. Ela estava feliz, e eu era o motivo, o nosso amor, nossa união, nosso casamento e eu não conseguia não me emocionar com isso. Caminhando em minha direção estava o amor da minha vida, a única mulher que quero ter em minha cama para o resto dos meus dias. Caminhei até eles, abracei seu Gael, que com a voz embargada disse:
– Continue a fazendo feliz. – ele disse e foi para o lado de Dandara, enquanto eu beijei a testa da K e disse:
– Você esta perfeita amor. – entrelaçamos nossos braços e seguimos para o altar, diante do Padre, que começou seu discurso dizendo:
– Estamos aqui hoje, no dia 8 de dezembro de 2018, para celebrar o casamento de Pedro Ramos e Karina Duarte, jovens que já foram unidos pelo amor que sentem um pelo outro, ensiná-los o que é o amor seria como ensinar um pássaro a voar, pois eles já possuem uma filha e nos últimos anos tem provado da forma mais bonita e real seu amor.
O padre continuou falando por mais alguns minutos, enquanto eu aproveitei para olhar para meu lado direito onde vi meus pais sorrindo, Tomtom e o namorado dela, o pé no saco do Gabriel e João e Alice, sua namorada. Do lado direito seu Gael, Dandara, Duca, Bianca e minha Nininha formavam os padrinhos de K.
– O casal já pode fazer seus votos. – ele fala e eu e ela nos viramos de frente um para o outro e então eu decido começar a proferir meus votos, ao som da doce voz da Sol cantando baixinho.
– Então amor, hoje é o dia mais feliz da minha vida, porque eu estou provando a nossas famílias, a nossa filha, aos nossos amigos e ao mundo, que o que eu senti por você sempre foi verdade, que o nosso amor não foi um namorico de adolescentes, mas um sentimento mágico que nos uniu desde o primeiro momento em que eu te vi e tive certeza que te amaria. Sabe nós somos muito diferentes, mas somos diferentes de uma forma perfeita, porque nos completamos, porque nos encaixamos. Eu achava que o certo era estar com uma pessoa que me amasse do jeito eu era, mas aí eu passei a te amar e descobri que você me fazia ser muito melhor do que eu era e que o certo, na verdade, era estar com você que me faz ser um homem, um pai, uma pessoa melhor, a cada dia, a cada minuto. Eu prometo estar ao seu lado, te amando, te protegendo e te cuidando cada segundo das nossas vidas e não se preocupe minha esquentadinha, não existe a menor possibilidade de eu deixar de te amar ou de não te fazer feliz, porque eu nasci pra te amar e não sei viver sem fazer isso, você é parte que nasceu faltando em mim e eu simplesmente não posso, não sei e não quero viver sem você. – termino de falar emocionado e vendo lágrimas escorrerem pelo rosto da minha princesa. Entrego o microfone a ela, que respira fundo e então começa a dizer:
– Bem, eu fiquei pensando no que te dizer, porque eu sabia que o que você iria me dizer ia ser lindo e me fazer chorar, como foi, mas é muito difícil dizer a pessoa que você mais ama, diante de tantas pessoas o porque você a ama e aí eu comecei me lembrar de cada momento nosso nesses cinco anos, de cada declaração apaixonada, de cada olhar cheio de amor, de cada vez que nos sentimos completos por ter um ao outro e cheguei a conclusão de que tudo que eu podia te dizer é obrigado. Obrigado por ter aguentado levar tantos socos, por ter se apaixonado por mim quando eu não sabia o que era paixão, por ter depositado em mim toda sua alegria e amor. Obrigado por ser o melhor pai do mundo pra nossa filha e por me fazer lembrar todos os dias do porque eu me apaixonei por você. Obrigado por me dar a vida que eu nunca imaginei ter, pelo amor que eu nunca imaginei ser capaz de sentir, por despertar em mim os sentimentos mais puros e sinceros e por ter me dado uma família e uma razão para amar. Obrigado! – ela termina de falar me fazendo chorar, sob os aplausos de todas as pessoas da igreja e então eu não resisto e a beijo apaixonadamente, até ouvir o padre nos lembrando de que o casamento ainda não tinha acabado e a risada de todos os presentes. Nos viramos novamente ao padre que pede as alianças, que Bianca dá na almofadinha para que nossa Nininha entregue ao padre e então trocamos as alianças ouvindo a Sol cantar Quase Sem Querer.
– Então Karina Duarte aceita se casar com Pedro Ramos? — o padre finalmente pergunta e ela se vira sorrindo pra mim e diz:
– Sim. — ela diz.
– E você Pedro Ramos aceita Karina Duarte como sua esposa?
– Olha seu padre eu já a aceitei como esposa há quatro anos, mas sim, é claro que sim! – falo e a puxo pela cintura, tomando seus lábios num beijo de felicidade e paixão, antes mesmo do padre autorizar, mas fazer o que eu não podia esperar mais. Partimos o beijo quando o ar nos falta ouvindo os aplausos de todos. – Eu te amo! – falo com a testa grudada na dela.
– Eu sei. – ela responde convencida e da um beijo casto no meu nariz.
– Papai, mamãe. – Nininha chama puxando minha calça do terno, a pego no colo e ela fala toda sapeca. – Eu amo vocês!
– Ô minha princesa. – falo a enchendo de beijo junto de Karina e então com Nininha no meu colo começamos a trilhar o caminho da saída da igreja, pela primeira vez casados, dividindo não só o amor, mas o sobrenome e o teto.”
8 de novembro de 2022
– Deus, por favor, não deixa nada de errado acontecer com a minha mulher e meu filho. – Pedro balbuciava desesperado na capela do hospital, depois de tudo que acontecerá no parto de Karina para ter a Nininha ela havia descoberto que não seria aconselhável engravidar novamente por conta dos riscos, mas o casal perina acabou sendo surpreendidos por uma gestação surpresa e apesar dos riscos ficaram muito felizes, quando descobrirão ser um garotão então a felicidade não cabia neles, mas agora enquanto esperava mais um parto difícil de Karina, no mesmo hospital, Pedro só sabia chorar e implorar para que Deus não permitisse que sua família se acabasse.
– E aê cara. – João fala dando um tapinha nas costas do amigo, ao adentrar a capela. – Fica assim não cara, a K é forte, já fez isso antes, vai dar tudo certo.
– E se não der?
– Porque não daria?
– Sabe, na nossa turnê pela Europa do mês passado quando o show acabou em Amsterdã eu liguei pra casa, falei com a K e com a Nininha e tinha um segurança me acompanhando e ele era brasileiro e ouviu toda nossa conversa e quando eu acabei de falar ele estava com lagrimas nos olhos e eu perguntei porque e ai ele me disse que há alguns ele também tinha uma família, mas um acidente fez com que ele perdesse a mulher e o casal de filhos. – ele faz um pausa e respiro fundo. – O olhar dele era tão triste, tão perdido, quando eu cheguei no meu quarto eu beijei meu retrato com elas e agradeci a Deus por tê-las comigo e me senti muito feliz porque ao contrário dele eu tinha a minha família, mas agora eu fico aqui pensando que e se. – ele deixa as lágrimas rolarem pelo seu rosto.
– Pô Pedroso isso não vai acontecer. – João fala tentando o consolar.
– Cada vez que eu fico fora e ai eu chego em casa e o Simba já vem pulando em mim e a Nininha vem logo atrás correndo me contar tudo que aconteceu e então eu vejo a K, quase sempre, parada na porta, com aqueles olhos azuis maravilhosos me olhando e sorrindo e ai eu a abraço e a Nininha e o Simba se juntam a nós dois e damos um abraço família. – eles riem com isso. – Ali eu me sinto completo, eu me sinto realizado.
– Ela vai ficar bem, porque você não se concentra no seu filho?! Não pensa em como vai ensiná-lo a tocar guitarra, a pegar as garotas, a se livrar dos golpes da Nininha, porque a garota ta afiada em, que temperamento, a Karina era difícil, mas a Nininha, pobre do garoto que se aproximar. Pensa que você vai ensinar ele a andar de skate, a bater uma boinha. Você vai ser pai de um garoto cara, foca nisso. -João fala abraçando o amigo
– Obrigado por estar aqui. – Pedro agradece o abraçando.
Nossa História
(Cd Galera da Ribalta, faixa 10)
Era quase de tarde
Quando você apareceu
Eu estava de costas
Mas amei a sua voz
E foi naquele primeiro olhar
Que tudo em mim acendeu
e eu fiquei louco pra te amar.
Na sala de espera Bianca e Duca estavam abraçados torcendo por uma noticia positiva, enquanto Dandara tinha as mãos unidas as de Gael, que possuía o olhar distante e não sabia o que sentir, se medo, se dor, se raiva, se vontade de sumir, de socar, era tão difícil estar ali novamente, primeiro foi no parto da Bianca a quase vinte nove anos, depois no da Karina a vinte e seis anos, depois no da Nininha a seis anos e agora no de seu netinho, seu primeiro netinho, visto que Bianca também havia lhe dado uma netinha, a pequena Manuela de três anos, mas diferente de Karina ela não havia passado por nenhuma complicação no parto.
– Vai dar tudo certo amor. — Dandara falo beijando seu pescoço carinhosamente.
– Já faz oito horas que ela esta lá dentro. – Bianca fala olhando conferindo o relógio preocupada.
– Daqui a pouco alguém traz noticias. – Duca fala beijando o topo da cabeça da esposa.
– Eu to com tanto medo Duca, só consigo pensar no pior.
– Não vai acontecer o pior, a K já passou por isso antes e conseguiu, ela vai conseguir novamente. Você acha que a K, do jeito que é, toda protetora e uma super mãe não lutar para ficar com os filhos e com o Pedro?!
– Você tem razão, mas sabe é tão difícil ficar aqui, nessa sala de espera de novo.
– Com licença, familiares de Karina Ramos?
– Sim, somos nós. – Gael fala.
– A Doutora Carla pediu para avisar que o parto acabou e que ela já virá aqui.
– E como minha irmã e meu sobrinho estão? – Bianca questiona aflita.
– Ocorreu tudo bem, mas só quem pode dar maiores informações é a doutora. – a enfermeira avisa.
– Graças a Deus! – Dandara comenta aliviada.
Entre jabs e beijos tudo aconteceu
Te pedi em namoro e você aceitou
Pelos motivos errados então,
Tudo começou.
– Tem certeza que ela disse isso? – Pedro pergunta desesperado, sobre a enfermeira ter trazido boas noticias.
– Sim Pedrinho, ela disse que eles estão bem e que a doutora Carla logo vem trazer noticias, fica calmo, ela já deve estar chegando. – Dandara fala tentando o acalmar.
– A Tomtom acabou de ligar, disse que ta difícil controlar a Nininha, que ela quer vir aqui de qualquer jeito. – Duca comenta mudando de assunto.
– Mais ta tudo bem com ela? – Pedro pergunta.
– Tirando o desespero sua irmã disse que esta sim.
– Com licença. – doutora Carla fala sorrindo.
– Como eles estão doutora?- Pedro é o primeiro a se manifestar.
– Deu tudo certo, não é doutora? – Bianca também pergunta.
– Acalmem-se, porque o novo membro da família nasceu com 4,100kg e 51cm, é um meninão, lindo e forte. – ela fala fazendo todos se abraçarem e suspirarem aliviados.
– E minha mulher?
– Bom, foi um parto muito difícil e com muitos riscos, mas nós conseguimos controlar a pressão dela e do bebê e agora ele já foi para o berçário, mas a Karina vai dormir pelas próximas quatorze horas, no mínimo.
– Eu posso vê-los?
– Pode sim.
– E nós? – Dandara pergunta.
– Ao berçário todos vocês podem ir, mas ver a Karina eu peço que apenas o Pedro hoje, mas amanhã todos podem ir. Vamos ao berçário? – ela pergunta e todos a seguem para conhecer o garoto. – Ali esta ele. – ela aponta para um bebe bem em frente ao vidro, branquinho, com pintinhas no rosto, cabelinho preto e liso e olhos azuis e abertos, observando todo o ambiente.
– A moleque olha ai seu meninão. – João fala batendo nas costas do amigo, que esta emocionado.
– Ele é muito lindo. – Bianca baba, toda sorridente.
– Com esses olhos ai não vai precisar falar nada para as gatinhas, apenas piscar. – Duca comenta sorrindo.
– Meu primeiro neto. – Gael fala orgulhoso.
– Quando ele vai para o quarto doutora? – Dandara pergunta olhando emocionada para o bebê a sua frente.
– Quando a Karina acordar.
– Posso ir vê-la? – Pedro pergunta.
– Claro, eu te levo até ela.
– Vai lá cara, vamos ficar aqui babando no seu garoto. – Duca fala abraçado a esposa.
– Beija minha filha por mim, por favor, e obrigado por mais esse presente. – o mestre fala emocionado e abraça o genro.
– Não precisa agradecer não sogrão. – Pedro o responde e segue a doutora Carla para ver sua esquentadinha.
O caminho até o quarto foi terrível e o fez suar frio, era como se fosse o mesmo de seis anos atrás e ele temia encontrar o mesmo atrás da porta – sua esposa pálida e intubada, numa cama de hospital -, o que os médicos chamam de estar bem, não é exatamente o que ele entende de estar bem. A doutora Carla para em frente a porta e abre, ele tem respira fundo e adentra o quarto, encontrando sua Karina dormindo tranquilamente sobre a cama, ela não possuía um monte de aparelhos ligados a ela, na verdade não possuía nada ligado a ela e não estava pálida ou gélida, estava norma, apenas dormindo, então ele sorriu, dirigiu-se até ela e beijou sua testa demoradamente, fez carinho pela extensão de seu rosto e pescoço e pegando sua mão e a beijando. Deus havia sido generoso com ele, ali estava o grande amor de sua vida, com vida.
Era apenas um lance, mas virou amor
Do dia pra noite teu sorriso me tomou
Teu jeito moleca, teus beijos com fogo
e a primeira vez rolou.
Existem momentos importantes em nossas vidas, existem momentos inesquecíveis, mas existem momentos em que tudo perde e ganha sentido, em que o mundo para de girar e parece que nos tornamos palco de sete bilhões de pessoas, onde é como se tudo, absolutamente tudo tivesse acontecido para chegar a esse momento. Quando a enfermeira trouxe uma bolinha em volta em uma mantinha azul para dentro do quarto os olhos de Nininha se iluminaram. A enfermeira colocou ele nos braços da Karina, que sorria emocionada para nosso filho e disse:
– Já decidiram o nome? – olhamos uns para os outros e então Nininha falou:
– Posso segurá-lo?
– Claro filha, senta aqui na poltrona que o papai vai colocá-lo nos seus braços, mas segura forte ta bom?
– Vou segurar igual você segurou mamãe. – a garotinha fala se sentando, arrumando sua saia. Pedro pega seu filho, deposita um beijo delicado em sua testa e com todo cuidado o coloca nos braços de Ana.
– Olá irmãozinho, como você é lindo. – ela fala olhando diretamente para ele, que olha fixo para ela. – Você tem os olhos iguais os meus e os da mamãe, as pintinhas iguais as minhas e as do papai, o cabelo preto dos nossos avós, o nariz do papai e esse jeito de enrugar a testa é igual do vovô Gael. – ela fala e ele leva um das mãozinhas até o rosto da irmã, enquanto Pedro e Karina se abraçam emocionados assistindo o primeiro contato de seus filhos. – Olha não se preocupe a nossa família é meio...diferente, o papai é um guitarrista famoso, tem uma banda famosa junto com outros tios loucos que temos, mas vou deixar para apresentá-los depois, a mamãe é professora de muay-thai na academia do vovô Gael, que é o pai dela e da tia Bianca que atriz de TV e do tio Duca que é lutador profissional, e eles tem uma filha,a Manu, ela tem três anos, em frente a academia do vovô é o Perfeitão, o restaurante do vovô Marcelo e da vovó Delma, pais do papai e da tia Tomtom, que é jornalista e casada com o tio Caíque que é professor de inglês e palhaço nas horas vagas, eles não são oficialmente casados, sabe na igreja, eles apenas moram juntos e por isso que ele e o papai vivem se brigando, mas nada que a mamãe não resolva. Tudo é meio louco, mas a coisa mais importante que você precisa entender que no meio de tudo isso existe amor, muito amor. Nós somos uma grande família feliz. – ela fala arrancando lágrimas de seus pais. – Seja bem vindo Miguel! – ela fala beijando a testa do irmão.
– Miguel?- Karina pergunta secando as lágrimas com as mãos.
– É, Miguel é nome de anjo e ele parece um anjo e Miguel combina com Ana, ele tem cara de Miguel, não é Miguelzinho?
– Então Miguel? – Karina pergunta a Pedro.
– Miguel Duarte Ramos. – ele fala beijando a esposa.
Não consigo esquecer porque me apaixonei, mas
Ainda não entendo como aconteceu
Você esquentadinha e eu todo bobo,
Você toda linda e eu todo torto
Eu não merecia, mas você me amou.
E eu te amo desde aquele dia
Eu não sei foram os socos, eu só sei que me apaixonei
Perdidamente
E eternamente
É só em você que eu me encontro
e entendo o porque de amar.
Aos três anos de idade Nininha encontrou o piano da Ribalta e começou a dedilhá-lo, quando Dandara a viu gravou o que ela tocava e insistiu com Karina e Pedro para que a colocassem numa aula de piano e eles a colocaram e cada dia mais ela se desenvolvia com perfeição, todos os seus professores afirmavam que ela era um talento da música e que seria uma grande pianista se continuasse na carreira e como seu talento e esforço eram notáveis ela foi escolhida para apresentar um solo no teatro do Rio de Janeiro na véspera do Natal. A pequena Nininha convocou a todos para a assistirem, treinou exaustivamente sua canção e perdeu noites de sono, nervosa com a apresentação. Pedro conversou e ensaiou com ela diversas vezes para que ela se acalmasse, mas isso era quase impossível. Karina, por sua vez, acabava sempre encontrando a filha acordada, na sala de música, nas madrugadas que levantava para dar de mama ao pequeno Miguel, que agora já tinha completado três meses.
¶
– Filha olha para a mamãe. – Karina pede para uma Nininha ansiosa, enquanto arrumava os longos cabelos loiros da pequena. – Vai dar tudo certo.
– Como posso ter certeza? – ela pergunta mordendo os lábios.
– O meu amor, nós nunca temos de certeza de nada, nós apenas nos garantimos de que fizemos o melhor, por exemplo, você ensaiou?
– Ensaie.
– Pouco ou muito?
– Acho que muito.
– É isso que importa, quando se sabe uma coisa, e se ensaia ela exaustivamente, você só pode confiar nisso, quando você subir no palco vai estar amparada pelo seu talento e por sua dedicação.
– Você confia em mim mamãe, acha que eu sou boa o suficiente? – ela pergunta com seus olhinhos azuis marejados.
– Ei, minha princesa é claro que eu confio e você não é apenas boa, é ótima, e essa é apenas a primeira de muitas, muitas apresentações e eu e seu pai estaremos lá, em todas, nisso você pode confiar.
– E se eu errar?
– Você tem esse direito, só tem seis anos e uma vida toda pela frente para aprender, mas se eu bem conheço minha menininha você não vai errar.
– Obrigado mamãe.
– Eu te amo filha!
– Eu também! – ela fala abraçando sua mãe.
– Já que as meninas se reuniram para conversar, eu e meu garotão aqui também conversamos e ele me garantiu que vai ficar quietinho, não é filhão? – Pedro entra no quarto com Miguel no colo.
– Abaixa ele para eu dar um beijinho nele papai?
– Vem princesa. – Pedro fala ficando sobre um joelho, para que ela alcançasse o bebê.
– Ele ta cada dia mais gordo. – ela fala o beijando.
– Não é gordura, é excesso de gostosura mana. – Pedro fala com voz de bebê arrancando sorrisos de suas mulheres.
– O trio será que podemos ir? A estrela não pode chegar atrasada. – K fala pegando a bolsa de Miguel.
¶
No Teatro Municipal do Rio de Janeiro estavam reunidas muitas pessoas para assistirem o concerto de Natal e entre eles os convidados da pequena Ana: Gael, Dandara, João e Sara (esposa do João), Duca, Bianca e Manu, Delma, Marcelo, Tomtom, Caíque (namorido da Tomtom), Sol, Wallace, Lucas e Vitor (filhos de Sol e Wallace), Bete e Aroldo (esposo da Bete), Jeff, Mari, Henrique, (filho de Jeff e Mari), Nando, Luca e Amanda ( esposa do Luca), Rominho e Maria (namorada de Rominho), Doutora Carla e seu esposo Doutor William, Sandra (empresária da Banda da Galera da Ribalta), Zilú, Dália e Selma (mulheres que trabalham na casa de Pedro e Karina), Renata e Augusto (professores da escola de Nininha), e Sérgio e Lara, pais de Davi, o namoradinho de Nininha, e claro Karina, Pedro e o pequeno Miguel, que dormia profundamente no colo de seu pai.
– Até aqui Tomtom? – Amanda pergunta sobre a jornalista estar fotografando todo o evento.
– Você acha que eu iria perder de fazer uma matéria sobre a primeira apresentação da filha do casal perina? E que por sua vez é minha sobrinha? – ela pergunta conferindo as fotos, até ser puxada pelo namorado para um beijo.
– Ê, ê, pode parando com isso. – Pedro, que esta sentado seis poltronas depois implica. – Tem menores no ambiente.
– Deixa a menina viver Pedroso. – Nando fala.
– Eles já são até casados gente, deixa disso brother. – João comenta fazendo carinho na barriga de sete meses de gestação de sua esposa.
– São casados coisíssima nenhuma, apenas moram juntos e contra a minha vontade, é claro.
– Filho chega. – Delma intervém, enquanto Tomtom e Caíque continuam se beijando.
– Deixa gente, o Pedro acha que me manda, eu achei que quando o Miguel nascesse ele ia ficar mais ocupado e deixar a gente em paz, mas to vendo que a Karina vai ter que engravidar novamente. – Tomtom comenta.
– Sem chance, já avisei o casal ai que eu me recuso a ficar novamente numa sala de espera enquanto minha irmã quase morre, a fabrica deles fechou Tomtom. – Bianca fala.
– Agora é a Bianquinha que decide quantos filhos você vai ter Pedro? – João pergunta jogando fogo na fogueira.
– Pior que dessa vez eu vou ter que concordar com a minha cunhadinha brother, nós já fechamos a fábrica, até porque a Nininha e o Miguelsito aqui, valem por umas dez crianças.
– Não exagera amor. – Karina intervém.
– Isso não é exagero, não vai me dizer que você não concorda que nossos anjinhos são na verdade pestinhas?
– O casal silêncio que vai começar o concerto. – Jeff fala.
O concerto começa e várias músicas são apresentadas em conjunto e alguns solos de violino, harpa e flauta, até que o mestre de cerimônias pega o microfone e diz: — A música é o que existe de mais lindo nesse mundo, é a única forma de expressar o que sentimos com beleza, mesmo que isso seja rude ou grosseiro, a música é capaz de transformar em belo, em algo emocionante. Mas o mais curioso da música, é que ela é um dom que não é dado a todos, que não se compra ou negocio, ela um dom com o qual se nasce ou não e é por isso que a música não tem idade, apenas emoção e comoção, por isso eu quero que todos recebam nossa mais jovem e talentosa pianista, a pequena Ana, de seis anos de idade. – ele fala e a garotinha adentra ao palco aplaudida pela platéia, senta-se em seu piano e começa a tocar O Holy Night. Conforme ela dedilha as notas as pessoas começam se emocionar por ver uma criança tocar com tanta delicadeza e profissionalismo.
– Obrigado por isso. – Pedro fala beijando os lábios de Karina.
– Ela ta tão linda. – a lutadora fala emocionada. — Nem acredito que a poucos dias era apenas meu bebezinho.
– Ela puxou a você.
– Não, puxou seu talento, sua sensibilidade e todo seu carisma.
– Concordo com os últimos dois, mas o talento ela herdou de nós dois.
– Se você diz... – fala e beija o rosto de seu esposo.
Quando Ana termina de tocar a música todos da platéia a aplaudem de pé, ovacionando-a por sue linda apresentação.
¶
Depois da apresentação Karina preparou um jantar em sua casa para comemoração do Natal e da apresentação de Nininha.
Após o jantar Pedro colocou Nininha para dormir, enquanto Karina amamentou Miguel e o colocou para dormir em seu berço.
– Ele dormiu? – Pedro pergunta quando K adentra o quarto deles.
– Como uma pedra e a Ana?
– Dormiu da forma que dormia antes de começar a ficar ansiosa com a apresentação.
– Ai Pê to acabada, hoje foi puxado. – a lutadora fala tirando sua roupa e vestindo uma camisola de seda azul.
– Eu também to cansadaço, mas to muito feliz.
– Aé, e por quê?
– Porque eu tenho tudo que preciso, que quero e que sonhei.
– Sabe, ás vezes eu olho pra minha vida hoje, sendo mãe, professora, esposa, cuidando de uma casa, tendo uma vida, e não acredito, todo dia é uma correria, mas é uma correria boa, uma correria gostosa e eu me sinto completa assim, com vocês, com essa vida louca que levamos e não trocaria por nada.
– Nem por uma carreira como lutadora?
– Nothing! – ela responde e Pedro toma os lábios dela num beijo cheio de paixão. – Eu amo você!
– Obrigado. – ele fala enterrando o rosto no vão do pescoço de sua esquentadinha.
– Pelo que?
– Por ter me dado uma chance para recomeçar. – ele responde e ela o encara confusa, sem entender o que ele havia dito. – Quando você descobriu sobre meu acordo com a Bianca e depois sobre seu pai não ser seu pai, lembra? Nosso encontro na academia, você disse que estava muito magoada e aí eu te pedi uma chance para recomeçar e você me deu. E aqui estamos nós oito anos depois felizes e realizados, criando dois filhos e dividindo uma vida.
– Não é você que tem que me agradecer, sou eu, por você nunca ter desistido de mim e me presenteado com um casamento maravilhoso e dois filhos lindos.
– Para provar que você esta enganada mandei fazer algo para você. – ele fala levando seu braço até o criado-mudo e pegando uma caixinha.
– O que é isso?
– Curiosa heim. – ele fala retirando um colar da caixinha.
– Eu fiquei pensando um tempão no que te dar, só que eu queria algo que fosse bem significativo e aí surgiu uma ideia. – ele fala entregando o colar com pingente em formato de coração, onde de um lado estava escrito: “Moleque+Esquentadinha=Ana e Miguel” e do outro “Perina”.
– Que lindo amor. – ela fala emocionada.
– Posso por? – ele pergunta e ela lhe entrega o colar e puxa seu cabelo para frente. Ele prende o pingente e se vira de frente para ela, a beijando. – Como eu não sou muito de colares, mas também queria andar com vocês no meu corpo, decide fazer algo. – ele fala e retira sua camisa e fica de costas revelando uma tatuagem escrita “Perina”.
– Quando você fez isso que eu não vi?
– Semana retrasada quando viajei com banda para o Chile.
– Como eu não vi?
– Porque tomei o cuidado de só ficar sem camisa perto de você a noite, quando as luzes estavam apagadas e você bastante concentrada em gemer.
– Pê! – ela fala lhe dando um tapa. – Obrigado.
– Não era justo eu ter apenas o nome dos meus filhos. – ele fala se referindo as tatuagens que tinha em ambos os braços com o nome de seus filhos.
– Já te disse hoje que te amo.
– Já, mais tudo bem dizer de Nov Sra. Ramos.
– Sra. Ramos é? – ela fala dando uma mordidinha na orelha dele, que aperta a bunda dela em resposta. – Aconselho-te a ser rápido, Sr. Ramos, pois seu filho via requerer meus peitos daqui a mais ou menos uma hora e meia, duas horas. – fala acentuando o Sr.Ramos.
– Não tenha pressa esquentadinha, em duas horas posso te levar ao céu e ao inferno diversas vezes.
– Sinta se a vontade moleque.
E então eles se amam como se fosse a primeira e a última vez, com uma emoção que só quem ama e é amado sabe o que é, seus corpos se unem até se tornarem apenas um, suas bocas se fundem uma na outra, como seus corações eram, desde a primeira vez que se tocaram, desde o dia em que uma garota insegura se entregou a um moleque irresponsável e então um amor, uma sintonia única invadiu o peito de ambos e eles se entregaram ao que sentiam e provaram isso todos os dias um ao outro, dividindo não apenas o sentimento que os unia, não apenas seus corpos e a cama, mas suas vidas, seus sonhos e frustrações, seus filhos e a educação deles e todos os seus anos, que passariam e revelariam o cansaço, as rugas, os filhos de seus filhos e grandeza do amor deles, pois ainda estariam juntos, ainda uniriam suas mãos para caminhar, seus corpos para dormir e suas bocas para dizer um ao outro:
– Te amo Pedro!
– Não mais do que eu te amo Karina!
A Melhor Parte de Mim
(Cd Galera da Ribalta, faixa 3)
E então para sempre eu sussurrarei em seu ouvido:
Te amo amor
Você é a minha melhor escolha.
A melhor parte de mim.
“E o que era lindo, mágico e perfeito...permanece, para sempre.”
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