Notas iniciais
GENTEEE mil perdões por ter sumido, mas minha vida ta impossível, de verdade, to concluindo as apresentações de teatro e to quase surtando...mas enfim postando esse hoje e já deixei pronto o de amanhã que passarei aqui pra postar...tem fortíssimas emoções vindo por ai, só posso adiantar uma coisa: vocês vão chorar! Mas para isso continuem acompanhando. Amo os comentários de vocês, sorry por não responder, mas terminado a apresentação de amanhã serei uma nova pessoa, além de formada, começarei a ter minha vida em ordem... Beijinhos e boa leitura!

CAPÍTULO 23

KARINA

"Posso ter medo?"

Ser mãe. Uma única palavra, mil significados, uma mistura de sensações e sentimentos. Enquanto penso a respeito do ser mãe, estou meio deitada na minha cama, recostada sobre umas dez almofadas, mais travesseiros, hoje estou entrando na 35ª semana de gestação, minha barriga esta definitivamente gigante e eu consigo ver os movimentos apertados que minha filha faz mesmo através da pele de minha barriga, o que é muito natural visto que ontem descobri que ela já esta com 46cm e 2300g e sobrevivendo nesse meu corpo minúsculo. Nas ultimas semanas a correria tem sido intensa a começar pelo chá de bebê que minha irmã e boadrasta organizaram, que apesar de eu achar que iria odiar, eu amei, foi incrível, eu e a Nininha ganhamos muita coisa e nos divertimos bastante, assim no plural mesmo, já que ainda falo por ela. Depois o Pê inventou que deveríamos morar juntos e meu pai quase teve um troço, alegando, corretamente, que não me deixaria ficar sozinha de forma alguma em razão de Pedro viajar muito, além de que eu não daria conta da Nininha sozinha, dessa vez eu não pude defender meu namorado, meu pai tinha e tem razão nesse assunto, o Pê não gostou muito disso, mas depois entendeu e então começamos a organizar o quartinho dela junto com o meu mesmo, já que agora durmo sozinha pois a Bi mora perto do Projac. Mesmo improvisado ficou uma graça, o berçinho bem próximo da minha cama, tudo lindo. No inicio da 30ª semana eu tive um pequeno susto, como minha barriga estava crescendo muito e eu ainda não tinha aprendido a andar com tanto peso na frente acabei caindo na praça quando voltava do Perfeitão, mas fui socorrida imediatamente por Delma e Marcelo e levada ao hospital, senti dores na barriga por quase duas semanas e fiquei sem levantar da cama por dois dias, mas então passou, graças a Deus, e eu comecei a ter cuidado redobrado.

Levando em conta meu histórico médico a doutora Carla marcou minha cesárea para um dia antes de eu completar 38 semanas, o que me faz lembrar que em 14 dias terei minha filha em meus braços. Eu não pensava em ser mãe, e mesmo depois de ter engravidado eu ainda sentia isso distante, mas na noite em que eu caí na praça e fiquei em observação no hospital eu sonhei com a minha mãe com Nininha e foi a coisa mais linda, mais real e emocionante que eu já vi na vida: minha mãe vindo em minha direção segurando um saquinho rosinha no colo e então quando para ao meu lado ela me entrega o bebe, a minha filha. Depois desse sonho eu passei a sonhar todas as noites com ela, a imaginá-la e a conversar com ela sobre como ela é. Pedro esta cada dia mais bobo, ele sempre volta da viagem com algum presente para ela e com MUITOS presentes dos fás que já apelidaram nossa filha de Bebê Perina e criam hashtags para ela, desfrutando de um bom tempo livre eu sempre aproveito para ler as cartinhas que eles nos mandam, confesso que algumas me emocionam bastante, e claro que isso não ter nada a ver com ultimamente eu chorar até quando minha família me deseja um bom dia depois de tomarem café da manhã e irem cuidar de suas vidas.

Cansada de permanecer na mesma posição e impossibilitada disso, decido caminhar um pouco e desço até a academia de meu pai, andando bem devagar e me apoiando no corrimão da escada, quem disse que é fácil carregar um bebê, e pensar que ainda tem quase três semanas, até o dia do nascimento vou precisar de um guindaste para me rebocar lá de cima. Demoro quase dez minutos para descer os vinte e três degraus que não há muito tempo eu descia em segundos.

– Quase derrubando a barriga menina? – dona Dalva pergunta gritando quando eu começo a atravessar a praça devagar.

– Quase mesmo dona Dalva. –respondo e caminho até ela.

– O minha filha você esta linda assim, toda rechonchudinha, com o rostinho corado, já fico até imaginando como será essa princesa. – a senhora diz fofa. Me sento na cadeira ao lado dela respirando fundo, andar do meu quarto até ali já era o suficiente para eu me cansar. – Aqui o seu doce. – ela fala me entregando um doce de pasta de amendoim com caramelo que eu vinha comer na banca dela todos os dias desde meu quarto mês de gestação. – Conseguiu se organizar no seu quarto para a chegada dela? – pergunta sobre eu e a Bi termos discutido por meses a arrumação do quarto, que no final das contas vai dar para recebê-la.

– Consegui sim, ficou uma graça. – digo saboreando meu doce.

– Você come esse doce com uma vontade que depois que ela nascer não vai nem conseguir olhar para ele.

– Será?

– Comigo e com a minha filha foi assim. Na minha gestação eu me matava de comer banana, coisa que até hoje não suporto e minha filha na gravidez do Alan comia cenoura até crua e na do Duca era pipoca, todo santo dia só pipoca, igual você com esse doce.

– Vish. – falo lambendo os dedos. – Olha dona Dalva eu vou precisar ir, porque tenho que falar com meu pai na academia e depois ir ver meus sogros, não vou lá há dois dias.

– Tudo bem minha filha, mas seu guitarrista pop star chega hoje?

– Ele ainda não sabe, mas tomara que sim hoje faz seis dias que estamos separados.

– Tchau Karina.

– Tchau dona Dalva, obrigado por mais esse doce. – agradeço voltando aos meus passinhos de tartaruga até a academia.

– Mais alto esse chute Eric. – ouço meu pai gritando com seu mais novo menino prodígio no ringue. – Soca com vontade Letícia, quer me enganar me da jujuba. – ele incentiva. Fico observando a aula deles com uma saudade de treinar e acariciando minha enorme barriga, em poucos meses eu poderia voltar ao tatame.

– Com saudade referência? – Wallace chega falando por trás de mim, com a saída do Panda ele tinha assumido o lugar dele e agora era o segundo professor oficial, já que Duca se tornou profissional.

– Muita. – respondo fazendo com que meu pai percebesse minha presença.

– Karina! O que você esta fazendo aqui? – pergunta bravo. – Não me diga que desceu a escada sozinha, de novo, e com esse barrigão.

– Ai pai não torra. – falo me sentando na lateral do ringue.

– Ai meu saco! O que eu faço com essa menina?- resmunga.

–I o que ta acontecendo heim? – Dandara pergunta da escada.

–Meu pai surtando pra variar um pouquinho. – comento.

– Ela desceu sozinha.

– E ainda passei na dona Dalva e comi meu doce. – provoco.

– Karina, Karina. Eu sei que você fica cansada na mesma posição, mas não pode exagerar não. – fala se aproximando da minha barriga e fazendo carinho nela. – Ela ta quietinha?

– Agora ta, acho que dormiu, mas até uns minutos atrás tava lutando aqui dentro. – comento passando a mão nas minhas costas que definitivamente deixaram de existir, pois a dor é tanta que agora é quase um formigamento.

– Sabe que eu pensei K? – Dandara pergunta sentando ao meu lado no ringue, enquanto meu pai e Wallace voltam para suas aulas.

– I lá vem você. – resmungo rindo, se antes da gestação eu já tinha relação de cumplicidade com Dandara, agora nem sei classificar o que somos. Ela se transformou na mãe que eu nunca tive.

– É que essa madrugada eu fui dar uma olhadinha em você pra ver se estava tudo bem e ai eu lembrei que você não fez um buque.

– Um monte de fotos, assim, toda inchada. – reclamo.

– Como você vai lembrar desse período? E quando a Nininha perguntar o que vai mostrar a ela? Não era você mesma que estava perguntando ao seu pai como ficou a barriga de sua mãe?

– Ai Dandara, você e esse seu poder de persuasão.

– Você topa K? – pergunta batendo palminhas, como uma criança.

– Aceito. – me rendo.

– Eba minha linda.

– Quando vai ser, precisa ver se vai bater com a agenda do Pê.

– Vai ser domingo e com a agenda do Pedrinho não se preocupe, já falei com ele. – pisca para mim.

– Como assim? Vocês tramaram isso?

– Mais ou menos, mas você não vai ficar brava, não é? – faz biquinho.

– Não com você, mas deixa o Pê chegar.

Ficamos o resto das aulas assim: conversando, todo o pessoal me paparicando, fazendo carinho na minha barriga. Meu pai toda a hora vendo se eu não estava fazendo nada perigoso, me alimentando, cuidando de mim. Quando as aulas terminam:

– Ai amiga sua barriga ta muito, mais muito linda. – Fabi fala passando a mão. – Será que ela chuta pra mim?

– Ela chuta toda a hora, mas espontaneamente só para o pai dela.

– A sério que ela já é toda puxa saco do pai dela?

– Mais ele se supera né, porque essas declarações todas que ele faz nos shows ta em todo lugar. – Priscila comenta.

– Ele é um fofo mesmo, eu tive sorte. – respiro fundo.

– Pesa muito amiga? – Fabi pergunta se sentando na cadeira em frente a mesa do escritório do meu pai onde nós estávamos.

– Um pouco, na verdade pesa bastante, só que como as costas vão parar lá trás quem sofre é ela.

– E o nome? Todo mundo só chama de Nininha. – Pri pergunta.

– Hum...surpresa. – faço suspense.

– Olá. – Bi entra no escritório falando e vindo em minha direção. – Como esta minha barrigudinha mais linda e minha sobrinha mais amada? – pergunta beijando minha barriga e minha cabeça.

– Muito bem tia Bi. – falo com voz de criança.

– Tudo bem meninas? – se dirige a Fabi e Pri.

– Tudo. – Pri responde.

– Bianca, você poderia tirar uma foto comigo? – Fabi pede sem graça.

– Claro que sim. – Bi responde e se aproxima dela para uma selfie, desde que Bi começou a fazer sucesso na novela, era normal as pessoas sempre quererem fotos com ela.

– Valeu Bianca. – agradece. – K já vamos indo. Tchau. – Fabi fala e vai embora seguida de Pri.

– A estrela da TV Bianca Duarte de folga numa sexta-feira a noite? Isso é um milagre ou um pressagio? – dramatizo.

– Ta engraçadinha ou isso é uma forma de dizer que esta sentindo minha falta?

– Adorei sua cena de ontem com aquele gato do Rodrigo. – comento sobre o ator que contracena com ela na novela.

– Nem me fale no Rodrigo, o Duca ta todo bravinho porque segundo ele agora eu fico grudada no Digo.

– E não fica?

– Mais ou menos, ele é meu parceiro de cena, gravamos uma montoeira de cenas todos os dias, é normal ficarmos juntos para passarmos cena, gravarmos, conversarmos com os fãs e tal.

– Mas se coloca no lugar do Duca Bi. Você fica beijando outro homem, com musiquinha romântica de fundo e todo mundo torcendo por vocês, é normal que ele fique com ciúmes e se fosse ao contrário você também ficaria.

– Nossa K, quando foi que ficou tão madura?

– Será que foi quando eu descobri que agora tem uma mini eu chegando por ai que em meses vai estar me chamando de mãe?!

– Pois é K. – começa se aproximando de mim. – Você ta feliz?

– É claro que eu to. Tudo bem que ser mãe sempre me assustou muito, mas agora que essa possibilidade é mais do que real, sei lá eu to feliz. Tenho que confessar também que ver o Pê todo babão, você, o papai, a Dandara, enfim, todo mundo, babando, me paparicando, a eu não poderia estar mais feliz sabe, eu não to lutando, mas to cuidando dela, da minha filha. – coloco a mão sobre meu ventre a acaricio devagarzinho.

– Sabe que eu te amo, não é, que sempre te apoiei em tudo, que sempre impliquei...

– E como sei. – a corto.

– Mas eu to muito, mas muito orgulhosa de te ver toda sorridente, mesmo sem lutar a meses e com toda essa barriga. – deposita um beijo na minha cabeça. – Te amo. Você e a minha sobrinha mais linda do mundo.

– Eu também te amo Bi. – falo emocionada.

– Chorando K?

– Esses hormônios desgraçados, to chorando até em anuncio de carro, acredite.

– Vamos conversar com eles. – aponta meu pai, Dandara, Duca, João e Wallace.

– Barriguda. – João me zoa, curtindo o mais novo apelido que tinha me dado.

– Oi K. – Duca me cumprimenta e vem em minha direção beijar minha barriga. – Como esta a princesinha do tio?

– Cada dia maior. – respondo sorrindo e me seguro em Duca para sentar na cadeira que Wallace me trás. – Valeu. – agradeço.

– Fico só imaginando a filha da referência aqui com o guitarrista, vai ser uma fera. – Wallace comenta fazendo carinho na minha barriga.

– Fera nada vai ser uma bomba mesmo. Uma explosão nuclear irreparável. – João começa com mais um de seus monólogos dramáticos. – Vai ser a responsável por estourar a Terceira Guerra Mundial.

– Ai que exagero João. — Bianca

– Desnecessário filho.- Dandara.

– Não tinha mais aula de games hoje não? – meu pai pergunta a respeito das aulas da faculdade de João. – Ta tudo bem filha, não esta com fome, cansada? -seu Gael pergunta se aproximando de mim.

– Não seu Gael, eu estou bem. Aquele hambúrguer que a Tomtom me trouxe me encheu.

– Boa noite galera! – Pedro entra gritando na academia.

– Pê! – digo surpresa.

– Oi minha linda. – vem na minha direção. – Agora os marmanjos ficam passando a mão na minha namorada e na minha filha antes dela nascer? – pergunta a Wallace e Duca que passavam a mão na minha barriga.

– Fala moleque solto. – negão o cumprimenta, seguido por Duca: — E aê guitarrista, de boa?

– De boa cunhado. – Pê respondo rindo e para me olhando. – Senti saudade.

– Não mais do que nós. – respondo colocando a mão em minha barriga e falando por Nininha. Pê se agacha e me dá um beijo e então levanta minha blusa, como sempre, já que segundo ele o contato é mais intenso, e distribui beijos pela minha pele. – Oi filha. – fala fazendo como que num passe de mágica que Nininha começasse a se mexer e a chutar.

– Caramba meu, achei que a K tivesse zoando quando disse que ela se mexia e dava pra ver.

– Mais é só quando o pai dela conversa com ela. – Bi fala abraçando Duca. – Pra mim ela nunca mexeu.

– Fica triste não Bi, eu também nunca ganhei chutinhos. – Dandara comenta.

– E eu que sou o avô também não.

– Pessoais vocês têm que entender que a minha anjinha já ama o paizão aqui. – Pedro se gaba.

– Mais ta metido esse moleque. – Duca se manifesta.

– Quero ver esse animo todo pra trocar fralda, balançar. Limpar vomito. – João se intromete.

– E qual foi Jhonny. – Pê se levanta. – Ta com ciúmes porque eu não te dei um beijinho, fica triste não, eu do. – fala abraçando o amigo. – Saudade né?

– E minha pretinha Pedro?

– Foi direto pra Marechal cara, queria te fazer uma surpresa.

– E você não me falou isso antes?

– Não sabia que você queria saber.

– Qual é moleque solto? E partiu gente, boa noite pra todo mundo, vou atrás da minha pretinha, amanhã pode deixar que eu abro a academia mestre.

– To morrendo de fome. – Bi resmunga.

– Que tal Perfeitão? – Dandara sugere.

– Partiu! – Duca puxa a fila e então seguimos todos encerrar a sexta-feira no restaurante.

– O meu filho que saudade. – Delma fala abraçando Pedro.

– Também estava mãe, mais e ai, cuidou bem das minhas gatinhas?

– Fiz o possível.

– Até parece. –me intrometo. – Eles estão empenhados em me engordar amor.

– E a Tomtom e o pai? – meu guitarrista os procura com os olhos.

– Estão lá em cima, mas eu já mandei um whats para a Tomtom descer.

– Ta mãe, vou sentar com a minha esquentadinha então. – dá um beijo estralado na bochecha da minha sogra, que sorri com isso.

Jantamos em família, entre sorrisos, abraços, conversas agradáveis, paparicos em cima de mim, como uma típica e grande família feliz, tornando impossível não amar esse momento e fazendo me suscitar um sentimento angustiante: será que essa felicidade corria riscos, será que eu estaria aqui para sorrir assim juntamente com eles e minha filha?

Medo, escorre entre os meus dedos

Entre os meus dedos

Eu lambo os dedos

E saboreio meu próprio medo

Medo, escorre entre os meus dedos

Entre os meus dedos

Eu lambo os dedos

E saboreio meu próprio medo

Notas finais
E aí?? Preparados para os próximos??