Uma chance para recomeçar
27 Capítulo 27
Notas iniciais
CAPÍTULO 27
Pedro
Medo, dor, desespero, angustia...era uma mistura de sentimentos que invadiam o peito do guitarrista. Ele abriria mão de sua carreira, seus shows, seus milhões de fãs. Ele desistiria de qualquer coisa, até de sua própria via, para não vê-la ali, quase morta, cheia de tubos. Seu coração não agüentou chorou. Lagrimas grossas inundaram seu rosto enquanto suas mão tremiam sobre a pele gelada dela.
– Ela ta...- não conseguiu terminar a frase. Isso era um pesadelo.
– Não. Ela ta viva. Esta em coma, não tem consciência do que esta ocorrendo aqui.
– E como ela vai sair daqui?
– Isso nós ainda não sabemos.
– Me diz que ela vai ficar boa doutora, eu não posso viver sem ela, não posso criar nossa filha sozinho. Não consigo.
– Faça-a ficar.
– Como? – pergunta sem entender nada.
– Nós médicos dizemos que pacientes em coma ficam inconscientes do mundo, mas existem estudos que provam que eles de alguma forma possuem um pouco de consciência.
– Isso quer dizer que ela pode me ouvir?
– Talvez Pedro. Eu não sei, juro que se soubesse te falaria. O que eu posso te dizer é: não a deixe morrer. Eu lutei por ela no centro cirúrgico, agora é sua vez de lutar, é sua vez de fazê-la ficar. – a doutora avisa e perdendo o controle de suas emoções se retira da sala. Não se envolvia assim com seus pacientes, mas eles eram diferentes, desde o primeiro dia ela se apaixonará pela história deles, pelo amor deles e pela forma que mostravam isso.
– Amor eu conheci nossa filha. – Pedro começa a relatar emocionado, sentado na beirada da cama dela, acariciando sua testa e cabelos. – Ela é linda! É a sua cara, como eu disse que seria. Tem seus olhos, seus cabelos loirinhos e uma bochecha, uma bochecha deliciosa. Na hora que eu vi me lembrei que você disse que adorava bebês bochechudos e que queria muito que ela fosse, pois ela é amor. É a coisa mais linda que já fizemos. Tão pequena, mas tão esperta, estava com os olhões arregalados para mim, reconheceu minha voz e agarrou no meu dedo e não soltou mais. – não importava o que a medicina ou os estudos diziam, ele iria conversar com ela e de alguma forma ele sabia que ela o ouvia. – Obrigado esquentadinha por esse presente. Eu te amo. – deposita um beijo na testa dela, em razão dos lábios estarem tampados pelo tubo de oxigênio. – Você vai sair daqui amor e nós três vamos para casa felizes.
– Precisamos ir. – doutora Carla fala entrando na sala recomposta.
– Amanhã bem cedinho estarei aqui. Fica bem e não se preocupe com a Nininha, eu vou cuidar dela. Te amo meu amor! – distribui beijos sobre os cabelos dela. Começa a andar de costas para a porta, sem tirar os olhos dela, clamando para que ela o ouvisse e ficasse bem. – Boa noite linda. – fala saindo do quarto, a deixando para trás. Não era pra ser assim, era para estarem admirando a filha deles juntos, mas a vida não quis assim.
– Como elas estão Pedro? – Bianca pergunta sem respirar para falar quando vê Pedro passar pela porta da sala.
– A K vai ficar bem. – ele fala confiante, respirando fundo. – E a Nininha é uma anjinha. A cara da K. – se emociona novamente e é abraçado por Bianca, também emocionada.
– Ela vai ficar bem mesmo? – a atriz pergunta receosa.
– Ela não vai me abandonar, não vai deixar nossa filha. – Pedro beija o topo da cabeça da cunhada.
No resto da madrugado Dandara, Bianca e Duca conseguiram convencer Gael de que ele tinha que ir para casa e que poderia voltar na manhã do dia seguinte. Sol e Wallace foram embora avisando os fã-clube da banda que ainda precisariam orar, rezar e torcer muito para que Karina também ficasse bem. Marcelo e Delma levaram Tomtom para dormir em casa e Pedro garantiu a João que ficaria bem e que o nerd poderia ir para casa descansar.
Descansar, dormir, não era bem isso que Pedro conseguiria fazer nessa madrugada, alias essas horas eram crucias para sua gatinhas. Tudo que acontece nesses momentos seria determinante para o que viria depois e ele precisava ficar sozinho.
Caminhou a pé mesmo, sentindo as lagrimas escorrerem pelo seu rosto, elas precisavam ficar bem. Sua pequena ele tinha certeza que ficaria bem, mas e sua esquentadinha, ele não seria um Gael, não saberia ficar sem aqueles olhinhos bem fechados, sem aquela risada, sem aquela voz, aquele sorriso. Eles tinham uma história, tinham vivido um amor, intenso, que poderia ser contado num livro, mas ele nunca fora fãs de livros e filmes justamente por causa dos finais tristes, mas a história deles não poderia ser assim. Sua pequena precisaria de alguém lhe ensinando a lutar. Ele sonhou tanto com o momento em que veria sua linda como mãe. Ela arrasaria, como em tudo o que faz. Quando chega na praia, corre em direção ao mar e se joga nas ondas. Precisava se molhar, se lavar. Vai indo mais fundo no mar, queria sentir a água lhe cobrir até a cabeça e foi isso que fez.
– Ta tudo bem ai cara? – um homem forte pergunta se aproximando dele.
– Ta sim. – ele responde ao perceber que o caro, aparentemente, só havia ficado preocupado. – Só estava precisando relaxar.
– A uma e meia da madrugada? Enfim, entendo, eu surfo esse horário por causa da falta de movimento. – o rapaz comenta. – Sou Léo e você? – pergunta quando eles começam a caminhar para fora do mar.
– Pedro. – o guitarrista responde somente.
– E pelo visto a barra peso pro seu lado...- comenta o surfista, que ajeita sua prancha quando chegam a praia.
– Minha nam...mulher acabou de ter nossa filha e entrou em coma. – sem saber porque fala ao surfista.
–Putz cara, que droga heim. Sinto muito, de verdade, melhoras para ela.
– Valeu.
– É desculpa seu eu estiver perturbando, mas você é famoso não é, eu tenho impressão de já ter te visto.
– Vai ver né. Bom valeu ai cara, vo nessa. – Pedro se levanta batendo a areia de sua roupa encharcada.
– Pô cara, vou torcer de verdade pela sua mulher, tudo de bom para vocês.
– Obrigado.- Pedro fala e sai da praia, começa a caminhar pela orla, até ser parado por fãs.
– Mãe é o Pedro Ramos, caramba é você mesmo?! – uma garota pergunta desesperada ao me ver.
– Hoje pode ser apenas autografo? – pergunto sem clima algum para foto.
– Claro,me desculpe, eu estou sabendo sobre a Karina, desculpa mesmo, quero te dizer que todo o fandom perina deseja que ela fique boa o mais rápido possível. – ela fala como se conhecesse a K há anos. Amo meus fãs por isso, eles possuem um amor incondicional, um amor puro.
– Valeu mesmo. – falo assinando a camiseta mesmo e parando o primeiro taxi. Vou para casa, tomo banho, troco de roupa e deito, rolo na cama por longos minutos e então durmo, ou melhor tento, fecho os olhos e apago, mas não da forma correta. Tenho pesadelos, vejo elas indo embora, vejo apenas minha linda embora, depois vejo nosso sonho acabando.
– Chega! – grito acordando assustado.
– O que foi Pê? – Tomtom pergunta entrando no meu quarto.
– Que horas são?
– Sete horas.
– To atrasado.- me levanto correndo, coloco uma roupa e saio correndo com um banana na mão.
Chego no hospital e me deparo com Gael, Dandara, Bianca e Duca.
– Oi Pedrinho, ta mais calmo? – Dandara me pergunto.
– Suportando tia, mas e a doutora? Já veio aqui?
– Veio sim, ela vai levar o mestre e a Bianca para ver as duas. – Duca me responde.
– Bom dia papai, tudo bem? – a médica me pergunta quando volta a sala.
– Bem sim doutora e elas como estão? – pergunto ansioso por boas noticias.
– Tenho boas notícias. – ela fala sorridente. – A Nininha já esta no berçário, devidamente vestida com as roupas que você trouxe Bianca e vocês já poderão vê-la. Vamos fazer assim: o pai entra primeiro, depois volto buscar o vovô e ai a titia. Vamos Pedro?
Diferente da UTI neonatal, o berçário era um local mais alegre, mais cheio de vida, sem barulho de maquinas, apenas com chorinhos e ruídos de bebes.
– Olha quem esta aqui papai. – a doutora para em frente a Nininha, que estava vestida com o primeiro bodie que ele deu a Karina, aquele onde estava escrito “Essa pessoa aqui foi feita com MUITO amor! e com uma pequena calça de moletom rosa, uma tiarinha na cabeça de flor, bem típico de Bianca arrumar mesmo. Estava linda.
– Hoje você pode pegar.- a doutora fala ao guitarrista que sorri bobo com a noticia e se dirige para a filha.
– Partiu colo do papai meu amorzinho? – pergunta a bebe e a pega no colo. Pela primeira vez. Tão pequena, tão frágil. Poderia segurá-la apenas com a palma da mão, se tivesse pratica, mas a segurava com os dois braços. Agora ela era seu mais novo mundinho. – Oi Ana. Minha linda. – fala beijando a bebe. – Coisa linda do papai, você é perfeita filha. A mamãe vai babar em você quando te vir, aliás todos vão. Anjinha. – baba pelo pinguinho de gente no seu colo.
Quando Gael atravessou a porta do berçário, não conseguiu não se lembrar de dezenove anos antes, quando fizera o mesmo percurso para ver Karina bebezinha e agora estava indo ver a filha dela. Sua neta. Quase não conseguia acreditar nisso. – É ela.- a doutora fala parando em frente a uma bebezinha com uma das mãozinhas na boca. Os olhos dele se enchem de lagrimas quando eu a vê. Loirinha, olhos azuis, como a filha dele, mas com pintinhas pequenas no pescoço e duas no rosto, como Pedro, pensou rindo.
– Oi lindinha. – se abaixa falando com ela, que fixa os olhões nele. – Oi, é o vovô, tudo bem? Hã? Como ta a bebe do vovô? – ele pergunta bobo, com voz de bebe a ela.
– Ta mesmo tudo bem com ela doutora? – o mestre pergunta preocupado.
– Ta sim vovô babão, o senhor pode inclusive pegá-la se quiser.
– I será que o vovô ainda sabe fazer isso? O ultimo bebê que peguei no colo foi sua mãe. – o mestre fala pegando a pequena que resmunga um pouquinho. – Ei, o que foi? É só o vovô princesa. – aninha a pequena em seu colo e não consegue conter as lágrimas.
Na vez de Bianca ir ver a sobrinha, ela já faz o percurso chorando, queria muito ver sua afilhada, mas queria ainda mais que K também a visse.
– Oi Nininha. – fala emocionada, quando para em frente a pequena. – Você é tão linda.- pega na mãozinha da bebê. – Tão igual sua mãe. Uma anjinha, a anjinha da tia. Eu te amo meu amorzinho. Você é nossa princesa. – pega a bebe no colo. – Ei sua linda. Pedacinho de gente. Sua mamãe vai ficar boa, ouviu? E você, ela e seu papai vão foi formar uma linda família, porque vocês merecem.- beija o narizinho, a testa e a mãozinha de Nininha. – Boneca. Minha boneca mais linda.
Ver e pegar Nininha tinha sido emocionante para os três, mas o que viria em seguida era muito pior e ciente disso, doutora Carla decide começar com Gael para ver Karina.
Você não pode ir,
eu preciso de você.
– O senhor por favor fique calmo, pois ela esta entubada, mas esta bem, esta melhorando. –avisa na porta do quarto e então a abre, dando passagem para o homem que caminha até a filha. Respira fundo e pega na mão gelada dela. – Oi filha. – deposita um beijo na testa dela. – Eu to aqui, como eu disse que sempre estaria. – fecha os olhos deixando as lagrimas terem passagem liberada. – Acabei de conhecer a Nininha, ela é linda, igualzinha a você, mas tem as pintinhas do Pedro. Acorda meu amor, por favor, sua filha precisa de você, o Pedro, eu, todos nós. Nós te amamos. Não faz isso com seu pai, lute! Como você sempre fez. Você é uma campeã, lembra? Luta meu amor, por nós. – chora compulsivamente sobre a mão dela. O que pode doer mais num pai do que ver sua filha sofrer e não poder arrancar a dor dela e pegar para si?
Lute meu amor,
encare isso como uma luta,
repita seus gestos do ringue.
– Por favor mantenha a calma Bianca, ela esta entubada, mas esta melhor do que ontem.- a doutora a alerta sabendo que o que estava atrás da porta assustaria a jovem atriz.
– K?! – Bi a chama indignada quando a vê imóvel sobre a maca. – Irmãzinha. – coloca sua cabeça no peito da lutadora. – Acorda K, por favor. – fala chorando. – Você precisa viver irmã, sua filha precisa de você. Ela é tão linda, tão igual a você. Não faço isso conosco, acorde.- balbucia soluçando. – Eu te amo irmã, não posso ficar aqui sem você. – Bianca se desespera: — Acorda K, acorda K! Por favor, não vá embora, eu não suportaria, o papai também não. A mamãe te deu a vida dela, lute por favor. Eu te amo, preciso de você!
– Bianca. – a doutora entra no quarto puxando a menina de cima de Karina. – Vamos deixá-la descansar. – puxa a atriz que chorava incontrolavelmente.
– Ela vai ficar bem, não vai doutora? Diz que a minha irmã vai sair dessa, por favor.- implora entre os soluções e as lagrimas. A médica precisava sentá-la numa cadeira e lhe dar um copo de água para acalmá-la, ver a irmã naquela situação tinha mexido demais com ela.
E se você ficar,
eu estarei aqui:
te esperando.
– Nós retiramos o respirador dela. Ela já pode fazer isso sozinha e o coração também esta bem, na verdade tudo ta bem e pra ela acordar agora é uma questão de tempo, é ela quem vai decidir quando fazer isso. – o doutor Paulo avisa a família, em seu consultório.
– Então ela pode abrir os olhos a qualquer momento? – Bianca se anima.
– Pode sim.- o doutor balança a cabeça, fazendo Gael e Pedro soltarem um inspiro mais tranquilo.
– Vou fazer plantão no quarto dela, depois que eu voltar das gravações na verdade. – a atriz comenta.
– Calma que a K não vai sair daqui. – Dandara fala.
– Obrigado doutor. – Gael fala se levantando e é seguido pelos outros três.
– Bom gente eu vou ter que ir gravar, mas depois volto pra cá. Me liga se qualquer coisa acontecer Pedro. – a atriz fala e se vai para o Projac.
– Nós também precisamos ir amor. – Dandara lembra seu lutador.
– Pedro, se qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, acontecer, me liga no mesmo instante, decorou?
– Sem estresse mestre sogrão. – o tranqüiliza e sobe para o berçário, babar em sua filha. Hoje ela estava completando sete dias de nascido e era sem duvida a bebe mais linda e esperta do berçário, além de ser a mais mimada também.
– Boa dia Pedro. – Raquel, uma das enfermeiras do berçário o cumprimenta. Sabendo da situação de Karina e com Pedro decidiu apenas retirar a pequena Ana do hospital junto da mãe, todo o pessoal do berçário já conhecia o papai babão e o ajudavam a cuidar da pequena e deixavam que ele a levasse para ficar com a mãe.
– Bom dia Raquel, como esta minha anjinha hoje?
– Como sempre linda e sapeca, ta rindo a toa hoje. – a senhora, que não gostava de ser chamada de senhora, lhe fala.
– Puxou o pai. – se gaba, pegando a pequena no colo. – Bom dia meu amor. -deposita um beijo na bochecha dela. –Se comportou não foi, não deu trabalho para ninguém, não é? Papai morreu de saudades. – se aninha com ela. – A chuquinha ta pronta? – todos os dias era ele quem se sentava na cadeira da amamentação e alimentava sua pequena, o que chamava bastante atenção das outras mãe e fazia com que a história deles se divagasse pelos corredores, mas ele não ligava, apesar de acabar sempre posando para alguma selfie, que as mães insistiam em tirar ou os autógrafos que levariam para algum conhecido.
– Ela dormiu Raquel. Vou ver a K e volto aqui para dar o lanche dela. – avisa a enfermeira chefe e vai em direção ao quarto de sua esquentadinha.
– Bom dia meu amor. – deseja assim que entra no quarto dela, abrindo as persianas para iluminar o quarto. – Tão bom te ver respirando sozinha linda. – fala e deposita um delicado selinho sobre os lábios dela. – Acredita que a Nininha já engordou 214 gramas amor? Depois vou trazê-la aqui para você vê-la. – conversa com ela e então se senta no sofá, abrindo seu tablet para ver o que estava acontecendo no mundo lá fora. – Se você visse quantos fã-clube montaram para nossa Ana amor. – o guitarrista comenta concentrado no aparelho eletrônico e não percebe quando a lutadora revela seus olhos azuis ao mundo e quando suas mãos e pernas começam a se mexer quase que involuntariamente.
Sem entender nada Karina abre os olhos e ouve a voz de Pedro, mas esta perdida. Sua cabeça dói, seus olhos pesam, seu corpo dói como se um carro tivesse passado em cima dela. Sua visão esta turva e então ela balbucia:- Pê.
Pedro não acredita em seu ouvidos, derruba o tablet no chão e pula ao lado dela, que esta olhando para o nada, com os olhos abertos, com mãos se mexendo e com os lábios dizendo: — Pê.
But no, way, out from the inside of trains, wreck.
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