Notas iniciais
Espero que goste, boa leitura.

Uma bijuteria se apaixona por um anel de ouro

O amava sem receios, reluzindo luz e nenhuma dignidade.

Com desprezo desse amor, o anel de ouro partiu. E a bijuteria derramou-se em lágrimas. Em seus pensamentos não ecoavam palavras próprias, a sua voz mal reposta já havia sido esquecida.

Sua insignificante bijuteria!

Sou sua insignificante bijuteria.

Era?

Não tendo nobreza alguma, seu âmago e todo o resto são iguais. Sua beleza não é eterna, mas prende a atenção por alguns instantes, estes suficientes para uma deriva desgastante e gradual.

Contudo, ignora que se apaixonar tampouco a enrubesceu, a morte era inevitável porque existir te corroía. Nessa lentidão de encerramento, as memórias desmoronam com um novo valor: aquele inoxidável sorriso e seus encantos não eram o bastante para aceitar tanta culpa e constrangimento. A tolice foi entregar-se depois a tal herança dourada, quente e destrutiva.

Num secreto e amargo consolo, sabe que por dentro eram semelhantes, pois ser maciço em ouro nunca escondeu a solidão, o orgulho ou a angústia de ninguém.

Notas finais
Obrigada por ler! P.s.: O amor não te faz enferrujar, quem te corrói não está apaixonado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!