Uma armadilha de memórias
1 Prólogo
Notas iniciais
Aqui vai um breve relato pessoal do porque decidi escrever essa história. Se você me acompanha pelas minhas histórias do Queen, deve também saber que o Universo de Pelo Olhar de Chrissie me ajudou a enfrentar uma fase da minha vida muito complicada. Consegui sair dela, mas agora estou enfrentando outra, mas dessa vez, com um pouco mais de força e sabedoria para lidar com as dificuldades.
Depois de passar um mês de julho complicadíssimo no meu trabalho, fui assistir Elvis no cinema, instigada pelo trailer do filme que vi no cinema pela primeira vez antes de assistir Thor, e gente, foi como ver Bo Rhap outra vez. Motivada em ver por ser fã de música, mas encantada com a história do protagonista. Aceitar tomar um salto de fé foi uma das lições que tirei do filme, se arriscar para conseguir coisas melhores. Se em Bo Rhap, me apaixonei por Brian May, em Elvis tenho o protagonista mais como um amigo, um irmão, alguém que precisa de ajuda e descanso, algo que talvez no momento, é o que eu precise também, que agora as coisas vão ser um pouco mais devagar, mas para o meu bem. É daí que vem a ideia dessa história, o descanso, misturada a uma velha teoria dos fãs do Elvis e o meu lado romântico. Veremos mais da relação de Elvis e Priscilla e o seu lado mais humano, e o quanto é importante levar a vida de um jeito mais simples e normal.
DEDICAT?“RIA
Dedico essa história à minha irmã, que também está lidando com seu próprio turbilhão de emoções, que sempre foi uma companhia constante, uma grande admiradora de Priscilla Presley e especuladora de uma das principais inspirações de "Uma armadilha de memórias".
Encontrar-se com ela e contemplá-la naquele estado parecia quase como se olhar no espelho, se espelhos pudessem refletir emoções, além da aparência melancólica visível.
Talvez a tristeza fosse a única coisa que compartilhavam no momento. Ele sabia o que sentia a mais que ela, vergonha, remorso, falta de coragem de olhar nos olhos dela e lhe pedir perdão. Ela tinha razão, tinha se tornado um fantasma e parecia que a única coisa certa a se fazer, ou ao menos o que lhe restava, era continuar se apresentando.
Conseguiu balbuciar respostas quietas a Priscilla, mas o sentimento de ardor e até uma pequena faísca de vida surgiu dentro dele ao tocar sua mão. Ela usou palavras de afeição, sugeriu uma solução para toda aquela loucura. E Elvis conseguiu captar e sentir mais emoções, uma chama de amor reviveu e o remorso, o arrependimento de não tê-la valorizado antes.
"Prometa, prometa, prometa..." a voz dela ecoava no meio de suas reflexões, tentando decidir o que fazer. Não podia ignorar o amor que sentia por ela. Sabia o quanto a tinha decepcionado, e não queria errar com ela outra vez.
Não tinha mais palavras para dizer, queria que Priscilla ficasse ali com ele, não queria que ela partisse, mas teve que deixá-la ir mais uma vez. Era isso, não podia deixar a oportunidade passar sem dizer o que realmente sentia.
"Eu sempre vou te amar" sussurrou para ela, esperando que ela acreditasse na verdade de suas palavras.
Ainda tinha uma missão a cumprir naquela noite, mas antes que isso acontecesse, Elvis tinha tempo de sobra para pensar sobre o que a ex esposa lhe havia proposto. Tinha que recompensá-la por todo mal que tinha feito e, francamente, ele precisava descansar. Apesar da adrenalina e energia dos palcos, parecia que nada mais daquilo tinha o mínimo sentido.
Ele cumpriu sua missão, performando e deixando a plateia alucinada. Porém, depois de tudo aquilo, contatou Jerry, pedindo que colocasse o plano de Priscilla em ação. Sentiu outro tipo de adrenalina, enquanto acompanhava Jerry até o avião, fugindo de onde quer que o Coronel estivesse no momento. Tinha que ser rápido e discreto, só encontrou alívio ao se sentar na cadeira do avião e senti-lo zarpar pelos ares. Era hora de deixar tudo pra trás e encontrar a paz e o sossego que tanto procurava.
A vista da clínica parecia pacífica, o prédio antigo e o gramado verde se destacavam no horizonte. Depois de desembarcarem, tudo foi realmente rápido e já estava mesmo arranjado. Seu nome de paciente era "John Burrows" e mais ninguém ali, além de um médico de confiança sabia da sua verdadeira identidade.
A primeira coisa que Elvis fez foi tirar um cochilo, algo que durou muito mais tempo do que o normal. Deixou-se vencer pela exaustão, não pensando em mais nada, muito menos sonhando. A única coisa que o acompanhava era o desejo de poder ver Priscilla outra vez.
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Mal pôde abrir os olhos ante a claridade do quarto. Tinha acordado de repente, sem sustos ou ordens de que se apressasse para que estivesse pronto em segundos, sem seringas ou doses do que fosse que lhe desse energia. Demorou um pouco para se ajustar e se lembrar de onde estava.
Podia ser um lugar completamente novo e diferente, mas o cheiro que sentiu lhe era familiar. Uma boa comida caseira, era só o que precisava no momento para recuperar suas forças. Comeu com certo afobamento no início, um desespero natural por ter fome, mas depois pensou que poderia muito bem se alimentar mais lentamente. Estava aí um hábito simples que tinha perdido, poder coner uma refeição decente em paz, sem pressa, sem loucura, sem demandas.
Depois de se sentir satisfeito, pensou se não seria má ideia dar uma volta por ali, uma breve caminhada talvez seria bom para esticar as pernas. No entanto, não sabia se tinha autorização para isso. Apenas se levantou lentamente, procurando alguma comunicação externa. A janela estava fechada, com as cortinas abertas. Decidiu que não faria mal sentir um pouco do ar fresco. Abriu as janelas com certa dificuldade e deu um longo suspiro, procurando todo o ar fresco que poderia encontrar. O gesto simples o fez se sentir vivo, grato por pensar que era justamente o que precisava naquele momento.
Olhou pela janela, havia pacientes e enfermeiros do lado de fora, conversando ou apenas contemplando os arredores. Talvez Elvis nunca teve uma calmaria daquelas desde que era criança, sempre inquieto, correndo pra lá e pra cá, as preocupações e incertezas da vida adulta logo depois. Sua opinião era que paz e calma eram algo bom, um verdadeiro remédio.
Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, uma enfermeira veio checar como ele estava.
—Que bom que está acordado sr. Burrows, vejo que está bem melhor e se alimentou — ela notou, contente pela clara melhora do paciente.
—Obrigado por tudo que fizeram por mim — ele logo agradeceu — mas será que eu poderia pedir mais um favor?
—Sim, se estiver ao meu alcance — ela concedeu.
—Não tem problema eu dar uma volta lá fora, não é? — ele quis saber.
—Não, claro que não — ela riu — depois de alguns exames, vai estar liberado pra isso.
—Obrigado — ele agradeceu de novo e se deixou passar pelos procedimentos médicos.
Como prometido, Elvis pôde dar sua desejada caminhada, sem nenhuma histeria ou loucura o perseguindo enquanto fazia isso. Concluiu com certa contradição, era um alívio poder estar livre disso.
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