Uma armadilha de memórias
24 Comunicado de Defesa
Tudo o que Elvis e sua família precisavam no momento era de um pouco de calma e sossego para pensar, descansar, conseguirem colocar a cabeça no lugar novamente, se isso lá fosse possível dentro de tudo que tinha acontecido.
Aos poucos, mesmo relutantes e convencidos pela policia, a multidão ensandecida que cercava Graceland deixou o local. A seguir, o museu foi fechado por tempo indeterminado. E até que as coisas se acalmassem pelo menos um pouco, Elvis, Priscilla e Lisa tiveram que lidar com as consequências de seus atos.
Ele tentava se acalmar e pensar em como faria a conferência com a imprensa com o equilíbrio que estava tentando conseguir no momento, conversando com Vanessa sobre o que fazer a seguir, já Lisa, passou por momentos de aperto, explicando ao marido e às filhas mais novas sobre o segredo de seu pai. Danny ficou irritado e deixou a casa apressado, sem conseguir processar muito bem o que tinha descoberto. Para o alívio de sua esposa, depois de um tempo sozinho de reflexão, chegou à conclusão de que a decisão que seus pais tomaram era a única que podiam ter feito e que o segredo não era exatamente dela para sair contando. No fim, as meninas entenderam o porque seu avô tinha se escondido e estavam felizes por seu velho amigo Johnny da fazenda ser o vovô que estava vivo.
Um tempo depois da família estar realmente mais calma, Vanessa retornou como prometido. Um discurso e um plano foram traçados por ela e estavam prontos para serem executados.
—Escrevi o que eu acho que seja apropriado para o senhor declarar no momento, sr. Presley — a advogada instruiu — espero que o senhor leia e aprove as palavras.
Elvis tomou o papel das mãos dela e se pôs a ler, reconhecendo as palavras que ele mesmo tinha dito a ela há quase um mês atrás, ainda concordando com cada uma delas.
—Para mim está ótimo, Vanessa, muito obrigada por tudo que fez — ele agradeceu, com um sorriso simples e sincero.
—Eu também tomei a liberdade de selecionar jornalistas e correspondentes razoavelmente confiáveis, que estariam em nosso favor se chamássemos para uma coletiva — ela prosseguiu explicando.
—Acha que a semana que vem seria uma boa data? — Priscilla sugeriu, mais para Elvis do que para Vanessa.
—Sim, se estiver bom para todos — ele concordou — acho que finalmente estou pronto para encarar tudo isso.
Com a data do comunicado decidido, a família Presley colocou o plano em ação. Graceland foi reaberta, eles retornaram para lá sem mais problemas, a mídia foi chamada e a coletiva de imprensa se deu início.
Encarar todas aquelas pessoas em busca de reposta e com tanta expectativa que se tornava quase palpável, deixou Elvis um tanto mais apreensivo do que estava. Ele decidiu olhar para eles de volta, com toda coragem que tinha no momento, mantendo a cabeça erguida, pois tinha toda consciência de que era aquela a postura que precisava mostrar.
Enquanto ele se sentava entre Priscilla e Vanessa, surgiu o burburinho dos jornalistas, pequenos suspiros surpresos que tentavam ser contidos, olhares curiosos, fixos nele, inspecionando se aquele poderia ser mesmo o grande Elvis Presley.
—Olá a todos — disse ele, despertando ainda mais a atenção de todos, chegando a captar visivelmente alguns sobressaltos deles, espantados com sua grave voz icônica bem ali ao vivo -eu agradeço de coração por ter vindo, eu... bom, creio que minha reaparição causou um tremendo alvoroço e eu pretendo esclarecer algumas coisas, de modo que cessem as perguntas à minha família. Eu estava tendo dificuldades pessoais concernentes à minha carreira e o estilo de vida que estava levando, minha vida, desde muito jovem sempre foi dedicada à música e ao público, e por mais que esse fosse o meu propósito por muito tempo, eu não conseguia mais fazer isso, foi então que decidi dar uma pausa e dentro desse tempo percebi que não haveria outro jeito de conseguir uma vida mais tranquila se não estivesse completamente fora dos holofotes, o que me fez fingir minha própria morte.
Eu sinto muitíssimo se o que fiz ofendeu a alguém pessoalmente, eu só estava tentando fazer o que era o melhor, pelas pessoas que eu amava, que eu amo. Eu também acredito que... há um tempo determinado para todas as coisas, e isso inclui a minha vida, houve um tempo em que eu usei meus talentos e minha música para me conectar com o público, e isso foi ótimo, mas teve seu limite de duração, assim como meu corpo e minha mente tiveram seus próprios limites, e eu tive que respeitá-los, assim como espero que vocês respeitem os meus limites nesse momento.
Também creio que a pergunta que não quer calar é se eu voltarei à mídia, a resposta definitivamente é não, não pretendo voltar a ser um cantor ou fazer shows, preciso do meu tempo de descanso e esse sim, creio que não tenha terminado. Eu agradeço a presença de vocês mais uma vez e espero que respeitem a minha decisão.
Elvis se levantou depois de terminar, não esperando mais nenhuma pergunta, apesar de várias que surgiram, os jornalistas falando todos ao mesmo tempo, mas com passos firmes, ele resolveu os ignorar, refugiando-se pelo segundo andar da mansão a dentro. Priscilla ficou mais um tempo ali, tentando apaziguá-los.
—Nós não daremos mais declarações sobre o assunto, tudo que queremos é paz e tranquilidade, e respeito principalmente por nossa decisão — ela disse de forma veemente e então seguiu o marido.
Vanessa ficou com o trabalho final, respondendo de forma diplomática o que mais a mídia quisesse souber, aos poucos, eles foram deixando o local, com suas autorizações para publicar o que tinham ouvido, mais as filmagens que alguns tinham feito do depoimento de Elvis.
Quanto a ele, esperava que aquilo fosse o suficiente para libertá-lo do segredo que pesava em suas costas por tanto tempo.
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