A torre não era muito longe dali, decidimos ir de a pé mesmo, andamos um ao lado do outro, Crysthopher contando acontecimentos engraçados sobre seu trabalho, como ele dizia “são ossos do oficio”, e quando menos esperávamos, já estávamos lá, aos pés da torre, no gramado verde e bem nutrido, a torre era bem mais bonita e iluminada do que nos filmes, deitei sobre a grama, em seguia deitou-se Jane a minha esquerda,quando Crysthopher ia deitar-se, seu celular tocou, ele pediu licença e se retirou, Jane me deu a mão, há olhei nos olhos, ela sorriu, eu olhei pro céu, olhei pras estrelas a procura da resposta que papai disse que encontraríamos, então fechei os olhos e relembrei de quando, eu, mamãe, e papai fazíamos isso no jardim de casa, dizia ele que “as estrelas nos leva aonde queríamos” meu pai adorava as estrelas, ele dizia que tínhamos que brilhar como elas, ele lia um livro para mim, quando era pequena, todo noite antes de dormir, que se chamava, “ as estrelas da pequena italiana “, contava a história...

– Marry?

Meu devaneio foi interrompido por Jane me chamando.

– que foi Jane? Alguma coisa de errado?

– não... Só que... O que foi que você disse mesmo?

– eu disse? Quando?

– agora mesmo Marry! Estava sussurrando algo sobre “ as estrelas nos levam aonde queremos, as estrelas da pequena italiana...

Sem perceber, eu pensava alto demais, Jane estava acompanhando todo o meu devaneio.

– papai costumava me dizer isto “as estrelas nos levam aonde queremos”, e “ as estrelas da pequena italiana” ...

Fui interrompida por Jane.

– é um livro, ele lia para mim também! Já saquei tudo Marry.

– saco é?

– sim, papai me colocou no curso de língua italiana aos 15 anos, sempre me disse que precisava saber mais de um idioma, eu o perguntava por que o italiano, ele me dizia que eu iria usar muito ainda... A respeito das estrelas, “elas no leva aonde queremos”, papai sabia que eu sou louca pra conhecer a Itália e o João Martine, um cara que eu conheci na internet, ele é italiano, e pra reforço, e não nos deixar falhar, ele sabia que olhando pras estrelas lembraríamos do livro “ as estrelas da pequena italiana”, italiana* saco Marry?

Impressionante, Jane era rápida no gatilho.

– calma Jane, to processando o raciocínio – risos – sim, eu entendi, mas e agora?

Crysthopher voltou, e disse:

– hora de ir pra casa meninas.

Não estávamos ali pra receber ordens, mas Crysthopher era o mais velho de nós duas, tinha 30 anos, eu com meus 25, e minha irmã aos 17, nos submetemos a obedecer, e pela expressão dele, ele não estava brincando, parecia sério, nos levantamos, pegamos um taxi, e voltamos para casa. Ao chegarmos, Crysthopher correu pra biblioteca com o celular na mão, eu e Jane fomos pra sala de estar, ao chegarmos lá, notamos um bilhete em cima da mesa de centro, ficamos perplexas, como aquele bilhete havia chegado ali? Olhei pra Jane.

– mas com... ?

– alguém... Os caseiros talvez, não sei Marry, pegue e leia logo.

Peguei, abri e lá estava escrito:

“ Minhas lindas princesas, tenho certeza absoluta que descobriram a pista, que tal Jane? Ir conhecer o João Martine?

As passagens estão nos criados mudos de cada uma, e do detetive também, boa viajem meninas, até a próxima.

Com amor, papai”

Olhei para Jane, ela estava sorrindo, como nunca sorriu, desde o dia em que a conheci.

– vamos descansar amanhã o dia vai ser longo, que tal uma ultima volta pela cidade antes do próximo voo.

– ok! Vamos descansar.