Jane estava lá fora me esperando, já havia chamado o taxi, só estava mesmo a minha espera, quando nossos olhos se encontraram, ela abriu aquele mesmo sorriso desconfiado e debochoso que havia dado na cozinha, que me desconsertava.

- o que foi Jane? Tire esse sorriso debochado do rosto, e vamos embora!

Ela riu.

- que sorriso? Debochado? Coisa da sua cabeça...

- eu já disse que chega Jane!

- okay, okay! Vamos nessa.

Entramos no taxi, e nada foi pronunciado até que tenhamos chegado ao centro da cidade, o dia foi longo e fizemos tudo juntas, fomos ao shopping, fizemos compras, fomos ao cinema. Jane era uma garota esperta, inteligente, com ótimas ideias e sonhos pro futuro, não muito diferente de mim, decidida, determinada, e muito segura de si, era doce, e só lhe faltava experiência, uma garota apaixonante, e eu de certa forma já tinha me acostumado com a sua presença, ela já não me era mais estranha, e sim da família, o resto de família que havia me restado, era assim que eu via Jane agora, a herança que meu pai havia me deixado .

Terminamos o dia em um café, os olhos dela brilhavam, e ela parecia feliz, sentamos, fizemos os nossos pedidos, tagarelávamos como loucas sobre as compras feitas na tarde, até nisso Jane se parecia comigo, era consumista. O assunto acabou, e os nossos pedidos ainda não havia chegado, então houve o silêncio, e eu fui obrigada a corta-lo.

- Jane, já contou ao João que pega um voo há daqui dois dias para a Itália?

- Sim Marry, já! Ele pareceu um pouco surpreso, mas disse que não vê a hora de me ver.

Ela abriu aquele sorriso radiante. E eu me senti preocupada, Jane era inocente, não queria que sofresse.

- gosta mesmo dele não é?

- sim Marry, podem pensar que é besteira, pois nunca o vi antes, mas eu não sei como explicar o que sinto por ele...

Ela sorriu, abaixou o olhar, parecia sem graça, ou até mesmo envergonhada, afinal não éramos tão intimas assim pra falar de sentimentos. Fiquei em silêncio, não sabia o que dizer.

- e você e o Crysthopher, Marry?

- eu? E quem?

- rimos –

- isso mesmo, você e o Crysthopher, sei lá, vocês dois...

- nós dois? – mais risos – Pare com isso Jane, ele é apenas... Pra falar a verdade nem eu sei o que ele é, digamos assim que é um detetive amigo, — risos- sei lá, ele se propôs a me ajudar com essa história, e se tornou um amigo, só isso, entendeu? Só isso, nada mais do que uma amizade.

Jane e eu rimos, ela da minha cara, e eu? Não sei do que exatamente ria me sentia sem jeito, e isso era estranho.

- okay Marry, não esta mais aqui quem falo.

Ela sorriu, e eu me senti um pouco nervosa com tanto deboche na voz de Jane, eu já havia dito, “eu e Crysthopher não tínhamos nada” e realmente não tínhamos, porque ela desconfiava tanto? . Os nossos pedidos haviam chegado, e quando me permiti da um gole no meu chá, o meu celular tocou, pedi licença para Jane, me levantei e fui atender a ligação. Olhei e era Crystohpher, atendi.

- oi Crys, algum problema?

- não Marry, só queria saber se esta tudo bem, já escureceu e vocês ainda não voltaram.

- não se preocupe Crys, esta tudo bem, estamos indo pra casa, só paramos pra comer e tomar alguma coisa...

- sem problemas, sem pressa, só queria saber se está tudo bem..

- está tudo sim – risos –

- então, tudo bem, tchau!

- tchau Crys! Crys...

- fala Marry

- Brigado por se preocupar!

- que isso Marry...

- tenho que desligar, tchau!

- tchau Marry!