Uma Surpresa de Natal — ShortFic.
3 Capítulo III. – O fantasma do Natal Presente.
Notas iniciais
O fantasma do natal presente ou... Angela?
A colchão se mexeu suavemente ao meu lado, e eu imaginei que fosse o próximo fantasma. Forcei meus olhos a se abrirem e minha mente a acordar, eu nem mesmo me lembrava quando dormira. Mas sei que foi em algum momento em que pensava em Bella, meus olhos se abriram e para a minha surpresa Angie estava a minha frente.
Um pouco – muito – fantasmagórica mas ainda assim, era Angela.
– Angela? – Arrisquei por via das dúvidas, e ela assentiu séria.
– Levante Edward, não temos a noite toda. Aliás, você realmente não tem muito tempo. – Completou com a voz sem emoção, assim como o rosto. Era estranho ver Angela tão séria, ela parecia realmente... um fantasma. – Você deve saber, sou o fantasma do natal presente. E agora nós vamos ver os natais das pessoas mais próximas da sua vida, ou o máximo que elas podem se aproximar de você. – Completou com um sorrisinho sarcástico.
Ih, uma fantasma mal amada. Era só o que faltava.
Eu assenti em silêncio, e segui ao lado dela. Fechei os olhos sentindo o não costumeiro puxão no estômago e em seguida o som de risadas invadiu meus ouvidos, encarei atordoado o lugar ao meu redor, era um lugar irreconhecível para mim, porém, depois de alguns minutos de minucia, percebi que era o RH da Cullen's, eu passara aqui uma ou duas vezes nos últimos anos. Várias pessoas, provavelmente funcionários festejavam com suas taças de champanhe, brindavam e riam entre si. Havia um karaokê em um palco improvisado, e uma garota baixinha e gordinha se arriscava em uma música da Rihanna em cima dele.
– Como eu não soube disso? – Perguntei levemente ofendido para Angela.
Ela deu de ombros sem demonstrar reação. — Eles não gostavam de você.
— O que? Claro que eles gostavam de mim, eu era o chefe deles! — Ri debochado e Angela arqueou uma sobrancelha, apontando com a cabeça para um lado da parede.
Arregalei os olhos lentamente, estava chocado. Realmente, era um quadro com uma foto minha de jornal, forrada de dardos, e alguns ainda se arriscavam querendo ser o próximo.
— Isso é absurdo! Mas que abuso, estão despedidos! Que bando de inúteis! — Gritei irritado e Angela cruzou os braços me encarando como se eu fosse idiota.
Tudo bem, eles não podiam me ouvir. Eu sabia disso.
— Realmente absurdo Edward? — Perguntou ela, e eu assenti ainda irritado. Como eles podiam? Eu era o melhor chefe da cidade, era praticamente uma honra trabalhar para mim. — Você é um ditador Edward.
— Isso... Está errado. — Contestei Angela.
— Não está não. — Respondeu displicentemente, balançando a cabeça levemente. — Ninguém gosta de você nessa empresa, só estão aqui, porque precisam do trabalho.
— Eu não os obriguei a trabalhar na véspera de Natal. — Resmunguei.
Angela suspirou e caminhou até uma das mesas, me entregando uma ficha.
— Na verdade... Você obrigou, Edward.
— Do que está falando? — Tomei o papel das suas mãos e encarei a ficha, uma ficha escrita por mim mesmo onde eu distribuía vários processos atrasados e dizia querê-los em minha mesa até sexta feira. E como hoje era quarta feira, véspera de natal, provavelmente eles não tiveram saída a trabalhar durante o pré-feriado. — Eu... Não me lembrava de ter escrito isso.
— É muito fácil esquecer quando não é você quem está sofrendo as consequências. — Ela deu de ombros e puxou o papel das minhas mãos. — Vamos, feche os olhos Cullen.
Fiz o que ela mandou e dois segundos depois estávamos em um lugar mais silencioso que o escritório, um lugar onde tocava uma simples música baixa, desses discos de vinil, pude notar. Era um ambiente simples, porém aconchegante e com certo nível de sofisticação. Era uma sala de estar, com uma estante cheia de livros e uma enorme televisão no centro, uma mesinha simples de vidro, cheia de biscoitos natalinos, e duas poltronas marrons. Em cima da estante, havia um porta-retrato. Era Mike e a senhora Newton, a mãe dele. Me perguntei porque estávamos na casa de Mike, quando Angela chamou minha atenção.
— Mike Newton, desde que o pai morreu, quando ele tinha sete anos, dança com a mãe nas noites de Natal. — Ela não expressou sua opinião, mas a admiração por Mike estava evidente. Notei o mesmo sentimento em mim, assim que ele saiu da porta da cozinha de braços dados com a senhora Newton, como um cavalheiro. Ela vestia um leve vestido de gala, cor rosa bebê, os cabelos loiros caiam em cachos, e apesar das rugas, a senhora Newton estava muito bem. Exibia um sorriso amoroso em direção ao filho, o qual era retribuído, Mike olhava para a mãe com devoção. Vestido em um terno branco, ele a rodopiou pela sala e ela riu suavemente.
— Isso é... — Comecei.
— Surpreendente não é? — Angela perguntou ao meu lado, enquanto a senhora Newton apoiava a cabeça ao ombro do filho, e ele a embalava. — Quem diria que o garoto mais baladeiro da sua rodinha de amizades seria esse tipo de pessoa? — Ela inclinou a cabeça levemente.
Eu me limitei ao silêncio, não tinha realmente o que dizer. Nada bom o bastante sairia da minha boca.
— Hora de ir. — Anunciou.
— Quem veremos agora?
— Feche os olhos. — Mandou novamente e eu obedeci dessa vez. Era a primeira vez que eu obedecia Angela mais de uma vez. — Abra.
Eu acatei sua ordem e abri os olhos me deparando com um apartamento luxuoso e bastante impessoal, parecido com o meu, atravessei o cômodo encontrando duas garotas jogadas no sofá, envolta delas haviam biscoitos, salgadinhos, chocolates e sorvetes, fora algumas garrafas de vodca e uísque. Franzi o cenho para a cena, mas logo em seguida reconheci as duas garotas, eram Tanya e Irina. Estavam descabeladas, com o nariz vermelho e olhos inchados. Isso também era culpa minha?
— Tany... — Começou Irina chorosa outra vez.
— Eu sei... Me desculpe. Eu não queria brigar com você. E ainda mais por causa dele. — Tanya respondeu entre soluços altos.
É, era mesmo por minha culpa.
— Edward é um idiota, não acredito que caí na dele. Eu sou tão burra! — Murmurou.
— Náo é, ele é frio e sem coração... Aposto que nunca amou ninguém na vida. Nem mesmo visita os pais, ou tem uma namorada. Por Deus, ele já tem 30 anos e nenhum filho, vai morrer sozinho como o velho Masen. — Pronunciou baixinho como se fosse segredo.
— Eu tenho pena dele. — Começou Irina.
— Pois, eu não. — Tanya bradou irritada. — Ele é um idiota Nana, merece ficar sozinho mesmo. Nenhuma boa garota o iria querer.
Bella me veio a mente, mas rapidamente eu a afastei.
— Ele é só um coitado...
Grunhi irritado mais uma vez. — Tudo bem, entendi. Vamos embora? — Me virei irritado para Angela.
— Feche os olhos. — Ela deu de ombros.
Mais uma vez eu obedeci, surpreendido por não sentir a sensação estranha. Estávamos em um quarto escuro, havia uma cama e uma estante, notei que era o meu quarto de adolescente. Alguns posters ainda estavam pregados na parede e as roupas de cama cheiravam a lavanda. O que me dizia que Esme havia mantido a limpeza do quarto. Sobre a cama, haviam inúmeras cestas, todas elas vazias, exceto uma. A que eu havia mandado essa manhã, mas especificamente, feito Angela mandar. Um choro baixo chamou minha atenção, eu voltei meus olhos para a poltrona ao pé da cama, e suspirei pesadamente. Era Esme, ela estava linda, mesmo com a maquiagem borrada e as maças do rosto vermelhas pelo choro. Meu coração de tornou pequeno para todo o meu pesar e arrependimento. Ela estava chorando, minha mãe estava chorando e eu sabia que a culpa era minha. Me ajoelhei a sua frente, pedindo para que ela me notasse, mas sabia que era em vão. Mamãe fungou mais uma vez encarando as cestas.
— Mamãe, desculpe. — Murmurei baixinho. — Me perdoe.
Foi inútil, claro. Esme pegou um lenço e passou sobre os olhos e o nariz, e então pousou as mãos no colo novamente. Uma fresta de luz invadiu o quarto e a porta se abriu relevando Bella.
Meu coração parou momentaneamente com a visão.
Bella estava espetacular. Não havia palavra melhor para defini-lá.
Usava um vestido preto e justo, um pouco acima dos joelhos, não havia decote, porém o vestido deixava visível suas curvas perfeitas e arredondadas. Os cabelos, estavam castanhos avermelhados e soltos em cascatas por suas costas. Ela vestia um salto altíssimo, que eu nunca imaginei Bella usando. Arqueei uma sobrancelha incrédulo para a cena. Onde estava a Bella desastrada? Que foi na formatura vestindo allstars por baixo do vestido?
— Tia Esme? — Perguntou docemente, se aproximando em passos lentos. A voz me trouxe de volta da realidade e eu saí do transe em que Bella me colocara. Ela se abaixou em frente a Esme, e eu saí do caminho rapidamente. — Oh titia. Não fique assim. Ele voltará. — Bella segurou as mãos de Esme e eu me aproximei dela reparando em cada detalhe. Os cílios estavam maiores, e os lábios avermelhados. Porém, exatamente como eu me lembrava, as maças do rosto, as pequenas e imperceptíveis sardas na ponta do nariz arrebitado. Um brinco delicado pousava em sua orelha, e uma pulseira de pingentes na mão esquerda, assim como uma aliança dourada. Franzi o cenho para isso, Bella estava noiva? Ou namorando?
— Oh Bella. — Esme entortou a cabeça levemente, encarando a Bella com um olhar carinhoso. — Você tem tanta fé em Edward. Acho que ainda é a única dessa família... — Ela suspirou.
O fato me chocou, Bella me defendia para a família? Era por isso que ela mandava os doces? Eu a magoei tanto, e ela ainda se importava. Como Bella conseguia?
— Edward se perdeu, Esme. Em algum lugar do caminho dele, ele entrou na rua errada. Mas ele voltará, eu sei disso. — Ela murmurou, com um sorriso pequeno. Ainda de mãos dadas com a mamãe.
— Querida... Você é tão boa. Seria a minha felicidade tê-la como nora sabia? — Esme sorriu, e Bella riu baixinho.
— Não pode ser como sobrinha postiça? — Uniu as sobrancelhas ficando com uma expressão mais que linda.
— Acho que terei que me contentar com isso. — Esme deu de ombros. — E morrer de inveja dos Lahote.
Lahote?
Bella riu mais uma vez.
— Vem tia Esme, a festa está linda. Estamos todos lá embaixo. — Ela se levantou estendendo a mão para a mamãe, e as duas saíram do quarto.
Eu dei um passo em direção as duas, mas parei olhando para Angela, ela confirmou e eu atravessei o corredor até o andar de baixo. Estava tudo lindo, a decoração de natal estava enorme, e muitas pessoas participavam da festa. Emm e Rosalie abraçados, mamãe e papai em outro canto, abraçados também trocando sorrisos e recebendo elogios, Alice e Jasper sentados, Alie estava no colo de Jasper e notei a enorme barriga de Alie, que ela acariciava distraidamente enquanto conversava. Clarisse ao lado deles balançava os pesinhos enquanto se lambuzada com biscoitos de chocolate.
— Bella! — Alice gemeu e eu redirecionei meu olhar na mesma direção que Alice olhava. Bella entrava elegantemente na sala, ao lado de um homem alto e aparentemente da mesma idade que ela. Ele vestia roupas casuais, assim como todos na sala. E me peguei pensando que fazia tempo que eu não vestia algo diferente de um Armani. — Não acredito que trouxe esses doces, olha só para a Clary agora...
— Alie, são só bombons. Além do mais, você não pode manter a menina em constante regime. — Bella revirou os olhos e se abaixou em frente a Clary, limpando suas mãozinhas com um lenço. — Não é Clary? Por isso que você ama mais a tia Bella não é?
— É! — Clary sorriu brilhantemente. — Tia Bella me leva na Veie!
— La Vie, Clary. O nome da doceria da sua tia é La Vie!
— Veie! Foi o que eu disse mamãe! — Ela colocou as mãos na cintura, e em seguida saiu marchando em direção as outras crianças, eu encarei fascinado Bella se levantar com um sorriso.
— Ela é linda. — Suspirou. E eu concordei com Bella, a filha de Alice era simplesmente perfeita, me arrependi de ter perdido o nascimento e crescimento de Clary. Definitivamente, minha lista de arrependimentos crescia cada dia mais.
— Já está na hora de ter os seus, Bella. — Rosalie se aproximou da minha morena com um sorriso, e eu trinquei os dentes ao vê-la sorrir discretamente em direção ao Lahote.
— Paul e eu estamos esperando. — Declarou constrangida.
Rose bateu os pés no chão.
— Esperando seus óvulos envelhecerem e criarem teias de aranha, Bella?
Bella fez um gesto de descaso com as mãos, e Rose bufou, mas em seguida sorriram uma para a outra. Bella pegou uma taça de champanhe e deu duas batidinhas na mesma, todos na sala se calaram e viraram para prestar atenção no que ela diria. Inclusive eu.
Charlie e Renné que até então eu não havia notado, sorriram um para o outro e encararam a filha com um orgulho estampado no olhar.
— Bom, eu queria dizer uma palavras... — Ela começou envergonhada. — Todos sabem que eu sou péssima nisso, mas eu tentarei. — Ela sorriu em direção aos pais. — Quero dizer que eu estou imensamente feliz por estar passando mais um fim de ano ao lado dos meus pais, eu não sei quem ou o que eu seria sem vocês, mamãe, papai... Eu amo vocês.
Renné limpou uma lágrima, e eu sorri diante da delicadeza de Bella.
— Alice, Jasper, Emmett e Rosalie... Vocês são incríveis, os melhores amigos e primos, quase irmãos que eu poderia ter. Obrigado por me amarem e cuidarem de mim toda a vida.
Os quatro ergueram as taças com um sorriso, e Alice fungou quase chorando. Eu sorri diante da cena, Alice era mesmo uma chorona, grávida então?
— Esme... Carlisle. — Mamãe e papai sorriram emocionados em direção a Bella, mamãe pousava a mão no coração como se a qualquer momento, ele fosse sair correndo do peito. — Eu amo vocês, tanto quanto amo meus próprios pais. Espero um dia, ser tão feliz como vocês quatro são em seus casamentos, espero ter sempre a sabedoria de Carlisle... Ou quase. — Ela riu suavemente. — E a bondade de Esme. Obrigada por me acolherem como parte da família, eu aprendi tanto com vocês, que simplesmente não seria eu, se não fosse vocês em minha vida.
— Oh Bella... — Esme suspirou.
— Amamos você Bella. — Carlisle sorriu carinhoso e satisfeito. Um Q de orgulho brotou em seus olhos, e também nos meus.
Bella havia se tornado uma grande mulher.
— E Edward, sei que ele jamais vai saber como nós nos sentimos, mas gosto de acreditar que um dia ele voltará. — Ela sorriu tristemente. — Só esperamos que ele esteja bem e feliz, onde quer que ele esteja. Certo?
— Certo. — Todos concordaram em coro, emocionados. E eu travei onde estava, não podia acreditar. Como Bella ainda pensava em mim? Como ela conseguia ser tão... boa?
— Jake! — Bella riu. — Obrigada por me salvar dos porres da faculdade.
Jacob fez um joinha com a mão, e eu grunhi contrariado. Bella tomava porres?
— E por me apresentar meu atual noivo, e amor... Paul, você é...
Eu ignorei suas próximas palavras e saí andando para qualquer lugar com Angela ainda me seguindo. As palavras de Bella ainda me atormentavam, como ela podia se preocupar tanto? Ser tão carinhosa e amável, quando eu havia dito coisas tão horríveis para ela? Eu havia sido tão mesquinho, e ela ainda se preocupava tanto. Como ela conseguia?
Eu pisquei e logo estávamos ao meu quarto novamente, e eu estava sozinho. Angela havia ido embora sem se despedir, ou deixar um enigma no ar como Sunnie fez.
Por um longo momento, antes de adormecer, eu senti falta do calor, das risadas e da animação da casa dos meus pais. E principalmente, uma falta absurda de Bella, nunca em minha vida eu havia sentido tanta inveja de um homem, por ter uma mulher.
Mas eu sentira, me corroendo, uma inveja terrível de Lahote por estar com minha morena.
Eu havia a perdido, e até agora, não tinha me arrependido disso.
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