Uma Seleção Diferente

13 Lembranças - Katherine


Notas iniciais
Nesse cap, Katherine e George vão começar a brigar mais serio. Espero q gostem!!

Uma semana se passara desde a fuga de Alice e Cárter. George me avisara da fuga e ficamos sem nos falar durante essa semana. Sabia que o rei devia ter ficado furioso. Ele não deixou a notícia da traição se espalhar. Todas pensavam que George tinha expulsado Alice durante a noite.

No Salão das Mulheres, o ar já estava ficando carregado sem Alice. George eliminara todas as Quatro e Cinco, só restava eu.

Celeste e Ashley faziam de tudo para deixar minha permanência insuportável.

Estava prestes a sair do Salão das Mulheres, quando a rainha entrou.

– Majestade — fiz uma reverência.

Ela sorriu e perguntou:

– Estava pensando em sair? Por quê?

Olhei para as meninas que haviam mudado rapidamente a postura.

– Ah, sei. Entendo — a rainha disse com ternura — Mas eu gostaria muito de ter uma conversa com você.

Paralisei. A rainha me olhou com um sorriso calmo e me conduziu a uma das mesas. Pediu que uma criada trouxesse chá e biscoitos, depois voltou-se as Selecionadas.

– Podem voltar ao que estavam fazendo, senhoritas. Só quero conversar um pouco com a senhorita Katherine.

Aos poucos, as meninas voltaram as suas respectivas conversas, deixando-nos à vontade.

– O que a senhora quer comigo, Majestade? Fiz algo de errado? perguntei, apreensiva.

A rainha apenas sorriu.

– Você percebeu que é a única Cinco neste Salão não é?

Assenti. Onde ela estava querendo chegar?

– Eu não sei o que você fez, mas tenho que lhe dar os parabéns.

– Pelo o quê, Majestade? — agora eu estava mais do que confusa.

– Por mudar o meu filho. — meu queixo caiu — Ele está diferente agora. Tentei por 19 anos mudar seu jeito de pensar e você com apenas um mês conseguiu esse feito. Meus parabéns

– Majestade, eu não fiz nada — falei — Eu só tento provar para o seu filho o meu amor.

– E isso é muito, querida. George não sabia o que era amor verdadeiro. E agora tenho certeza que sabe. Graças a você. — ela abriu mais um sorriso.

– Majestade, me desculpe te decepcionar mas... Acho que o príncipe não me ama.

Ela manteve o sorriso no rosto.

– Se ele não te amasse, você não estaria aqui. Acredite.

Pensei. Eu era a única Cinco no Palácio. George ainda não me mandara embora, nem me castigara quando eu lhe dei um tapa. Ameaçou Jason porque ele tentara me beijar e depois, renunciou essa ameaça por mim. Talvez...

– Não tenho permissão para dizer isso — rainha Amberly continuou — Mas minha torcida é para você.

Ela piscou para mim.

– Obrigada, Majestade — abaixei a cabeça, agradecida.

Depois da conversa com a rainha, sai do Salão das Mulher a procura de George. Queria saber se a rainha estava certa. Queria pôr George em uma prova.
Fui até o quarto dele. Sabia que era proibido. Mas eu precisava.

Bati na porta. Nada. Tomei coragem e abri.

Seu quarto era lindo. A decoração esplêndida. Parecia que ele tinha feito cada detalhe.

Fui até sua cama, perfeitamente arrumada. No seu criado-mudo havia um pequeno boneco de pano. Apanhei. Por que será que ele o tinha?

– O que faz aqui? — Gelei.

Virei-me e vi um George Schreave furioso. Pegou o boneco da minha mão e agarrou meu braço com força.

– Quem te deu o direito de entrar aqui?! Esse lugar é proibido! — George gritava.

– Me... Me... Me desculpe — murmurava, assustada. — Por favor. Me perdoe.
Olhei nos seus olhos, ele estava duro, impassível.

– Eu precisava... — seu aperto estava mais forte — Conversar... Aaah

Ele me soltou quando eu gritei. Cai no chão aos seus pés.

– Você sabe que não pode vim aqui Katherine! Então por que veio? E quem te deu o direito de mexer nas minhas coisas?

Me levantei e disse:

– Eu não mexi nada. Só peguei esse boneco. Espera. Se você ficou com tanta raiva é porque... O que faz esse boneco tão especial, George?

– Isso não é da sua conta! — ele respondeu áspero.

Toquei seu ombro e seu olhar se suavizou.

– Achei que tivéssemos melhorado a nossa relação. Pode me contar.

Ele deu uma risada sem alegria.

– Katherine, não é só porque eu passei três dias com a sua família e levei seu irmão para um jogo que a nossa relação vai melhorar. Você ainda é Cinco. Nunca vai acontecer nada.

Meus olhos marejaram. Talvez a rainha Amberly estivesse enganada.

– Desculpe. Eu só achei... Me enganei.

Cheguei na porta, quando George me puxou. Ele me envolveu num abraço, mas me desvencilhei.

– Chega George! Quem você pensa que eu sou? Um brinquedinho que você pode usar quando estiver triste? Você pisa em mim e depois me abraça como se nada tivesse acontecido? Chega! Pra mim acabou! Por favor, me deixe ir. Por favor, eu não aguento mais.

Segurei minhas lágrimas ao máximo. Ele se aproximou e eu recuei.

– Você deixa bem claro todos os dias que eu nunca terei chance. Então por que eu ainda estou aqui? Eu não quero mais! Eu não aguento mais! Eu mereço mais do que isso! Mereço alguém que me ame justamente pelo o que sou! Mereço estar num lugar em que as pessoas a minha volta me queiram! Você faz ideia de como tem sido difícil entrar no Salão das Mulheres e ver todas as garotas me encarando, todas elas me humilhando? Depois que Alice foi embora, eu fiquei sozinha! Sozinha, George! Eu quero sair! Eu não te quero mais!

George se aproximou com ferocidade e me beijou. Tentei resistir, mas não pude. Eu queria aquele beijo. E o pior, gostava.

Quando finalmente dei por mim, afastei George com força e lhe dei um tapa.

– De novo? O que eu fiz agora? — ele perguntou com as mãos no rosto.

– Repita mentalmente as palavras e você saberá.

– Katherine, você sempre soube que não temos chance. Por que está irritada logo agora?

Minha raiva só crescia.

– Porque eu cansei de você brincar com os meus sentimentos. Simplesmente cansei. Estou cansada de tudo isso. Por favor, estou te implorando que me mande embora — supliquei.

Ele me encarou.

– Não quero você longe.

– Dá para você parar de ser egoísta uma só vez?! — explodi — Eu não quero mais isso! Eu não quero mais você!

Finalmente chorei. Chorei de raiva, de mágoa, de tristeza, de frustração.

– Eu te coloquei num pedestal. Sempre foi assim. Eu sempre te admirei, sempre te amei. Meu pai e Jason diziam que eu era boba, tonta por te amar. Brigava com eles por isso. Mas agora vejo que eles tinham razão. Eu perdi praticamente toda minha adolescência te amando. Vários meninos já me convidaram para sair e eu sempre recusava. Sempre. Poderia agora estar noiva de um cara legal, mas em vez disso estou aqui sofrendo por um idiota que não me merece!

Chorei mais. Me encolhi no chão de tanto chorar. George se abaixou ao meu lado e passou o braço pelo meu ombro.

– Katherine... Eu... — ele engoliu em seco — Você... É importante...

Uma nova pausa, até que enfim tomou coragem e continuou.

– Para mim.

– Para de mentir.

– Não estou mentindo. Custei a entender o que eu sinto. Queria que déssemos certo. Realmente. Mas... Talvez. Talvez possamos...

Olhei para ele. Seu olhar não denunciava mentira.

Nos beijamos novamente. Um beijo calmo, terno e cheio de carinho.

Nos levantamos e sentamos em sua cama. Ele me deu o boneco de pano e falou:

– Foi uma das minhas babás que fez para mim. Ela estava com minha mãe desde que eu nasci. Ela era uma segunda mãe para mim. Pensei que ela me amasse. Então, quando eu tinha seis anos, ela simplesmente me deixou para fugir com um soldado.

Ele deu uma risada sem alegria. Toquei sua mão.

– Sinto muito.

Ele me olhou e me beijou novamente, talvez querendo apagar a lembrança ruim que acendeu em sua mente.

– Sabe, queria saber como era você criança. Você já brincou alguma vez de pique-esconde? — provoquei.

Ele riu.

– Desde pequeno fui treinado para ser rei. Não tinha tempo para isso. E nem com quem brincar.

– Nossa, que triste — falei, sincera.

– E você? — ele mudou o rumo da conversa de repente — Do que você já brincou quando criança?

Abri um enorme sorriso.

– Muita coisa.

Começamos a contar feitos de quando éramos crianças e o tempo voou. Não descemos para almoçar e nem para jantar.

Estava deitada no colo de George, quando o rei irrompeu pelo quarto.

– George, eu preciso... — ele parou quando me viu.

Me levantei mais que depressa.

– Majestade — saudei.

– O que ela faz aqui? — perguntou para o filho.

– Nós estávamos conversando pai. — George parecia nervoso.

– Ótimo! A conversa acabou! — o rei nem sequer olhou para mim. Fuzilava George com o olhar.

– Eu vou me retirar. Boa noite. — sai depressa do quarto de George e corri para o meu.

Tive sonhos bons essa noite. Sonhava que George me pedia em casamento e eu prontamente aceitava.

* * *

Não o vi no café da manhã. Nem tampouco no almoço. Estava começando a me preocupar. O que acontecera?

Por volta das 16:00, o encontrei deixando Kriss Ambers no quarto dela, depositando um beijo em sua mão.

– Ei! — chamei — Te procurei o dia todo. Onde esteve?

– Não é da sua conta! — respondeu, áspero.

– George, o que aconteceu? — perguntei, tocando seu ombro.

Ele se desvencilhou.

– Você sempre acredita em mim, não é? Sempre acredita que você é importante. Já tá mais do que na hora de cair na real.

Senti meu rosto queimar. Lágrimas brotaram dos meus olhos. Olhei para ele, não acreditando em suas palavras. Seu olhar permanecia duro e impassível. Mas ele cerrava os dentes como se controlasse o choro. Ele se virou para ir embora, quando uma pedra atingiu a janela próxima.

Me abaixei e ele fez o mesmo.

Mais pedras. Os rebeldes estavam entrando no Palácio.

– Venha! — ele me segurou — Temos que sair daqui!

Estava acompanhando, quando tive uma ideia. Essa era minha chance. Minha chance de escapar do sofrimento.

Me soltei do seu aperto e corri em direção das janelas. Ninguém notaria minha ausência. Não nesse caos.

– Katherine! — George gritou — O que está fazendo? Volte para cá!

Tarde demais. Saltei da janela quebrada e corri.

Notas finais
Então, o q acharam da atitude de Katherine??? E a mudança repentina de George?? Acham q Clarkson tem alguma coisa a ver??? Comentem!!! Beijos