Uma Selecionada?!
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Olhei para o relógio pela sétima vez, eu acho. O tempo não passava, ou os selecionados que não chegavam. Tirei algumas fotos, mas nenhuma ficava boa. Até que tirei uma foto minha, e percebi que minha trança escama de peixe tinha se soltado. Como eu não sabia arrumá-la, a soltei, e meu cabelo ficou com uma ondulação incrível. Botei uma fivela, e antes mesmo que pudesse tirar outra foto, minha mãe bateu na porta.
"Entre!" exclamei, tirando a foto.
Ela riu ao me ver com a câmera apontada pra mim mesma. Sorri pra ela, e disse, alegre:
"Vamos mãe! Venha tirar uma foto comigo!"
Ela assentiu sorrindo, e tiramos a foto. Assim que o pequeno pedaço de filme saiu da câmera, minha mãe o pegou rapidamente. Para que eu pudesse ver melhor, inclinei levemente o corpo para o lado:
"E aí? Gostou da foto?" ao perceber a falta de resposta, falei "Pode ficar se quiser, tenho tantas fotos em meu mural e..."
Ela tinha lágrimas nos olhos.
"Ei, você está bem?" falei, preocupada.
"Você está tão crescida, e tão linda!" ela disse, tirando uma mecha teimosa do meu rosto "Não acredito que passará pela Seleção, parece que foi ontem que seu pai te deu essa câmera, no seu aniversário de doze anos! Ah, você estava uma graça aquele dia..." ela disse, olhando para o além, sorrindo, como se tivesse acabado de abrir um baú com muitas e muitas memórias: desde pequenos sapatinhos de bebê, a um grande porta retrato. Ela abriu um enorme sorriso "Com um vestidinho azul bebê, o cabelo preso num alto rabo de cavalo, brincos com as suas iniciais" mamãe falou, ao perceber que eu os usava agora. "E uma fita azul. Ah! Você e Peter brincavam, nem lembro do quê, quando seu pai chegou com uma enorme caixa. Claro, Anna" ela disse, voltando seu olhar pra mim ", você ficou louca! Queria mais do que tudo abrir o presente! E abriu, e quando abriu, ficou louca, tirou foto de tudo! Com Peter, comigo, com seu pai, sozinha, da árvore de natal... Agora vejo você aqui, linda novamente, e nunca deixou de gostar da arte da fotografia! Igual ao seu pai!"
Ela me deu um beijo na testa, e se levantou. Seu vestido era tão lindo quanto o meu: Era creme, um pouco abaixo dos joelhos, com saltos altos e alças grossas, de rendas. Seu cabelo ruivo estava preso num coque, elegantemente lindo. Usava um colar com uma pequena pedra vermelha — ela não gostava de coisas muito chamativas.
O meu era um pouco mais simples, pois as minhas criadas me disseram que eu não precisava ficar muito arrumada. Era azul marinho, com mangas longas, um pouco acima do joelho. As mangas eram de uma fina renda, e eu usaria saltos, não muito altos, com apenas três centímetros, beges. Meu cabelos, que antes estavam presos numa trança, agora estavam soltos, como eu gostava.
"Grande dia, não?" ela disse, animada, secando as lágrimas dos olhos. Sorri e falei, dando de ombros:
"Já tive melhores..."
Ela riu e falou:
"Não julgue um desafio pelo seu tamanho, e sim pelo seu conteúdo"
Revirei os olhos e falei:
"Estava nervosa no seu primeiro dia?" falei, passando minhas sobre o vestido. Ela pegou minha mão e me levantou. "A situação é diferente, Anna, eu era selecionada. E estava vindo para o palácio contra a minha vontade... Eu ainda gostava de Aspen e..."
"Ah, tem razão" falei, e relendo a frase em minha mente, palavra por palavra, me virei para minha mãe, com os olhos arregalados "Espere um momento: apaixonada por ASPEN?" falei, me forçando para não gritar. Aspen? Tio Aspen? Me imaginei sendo irmã de Peter e estremeci.
"Anna, isso pertence a outros tempos..." ela disse, olhando para minhas fotos "Você, seu pai, nada fazia parte dos meus planos..."
"Mas agora fazemos, não fazemos?" eu disse, nervosa.
"Não, não fazem" ela disse, e eu olhei para ela "Vocês são meus planos. São tudo o que tenho. O mais importante pra mim"
Ri e falei:
"Todo mundo me ama!"
Na porta, ela se virou e disse:
"Isso" apontando para mim "Não deixa de ser verdade, mocinha!"
A porta se fechou, e eu fiquei novamente sozinha. Ótimo.
Tinha muita coisa pra pensar.
***
"Anna, os selecionados estão á sua espera!"
Eu estava na varando quando Juliet entrou no quarto, desesperadamente. Ao ouvir a porta bater, entrei novamente no local, e o olhei uma última vez. Tudo nele lembrava eu, e isso era incrível. Olhando para a foto minha e da minha mãe, peguei um de meus imãs e a botei em meu mural. Não podia negar, nós duas estávamos lindas nas fotografias: os olhos dela brilhavam como dois diamantes, e os meus estavam claros como um pote de mel transparente.
Suspirei, e saí do local, fechando a porta. Desci as escadas lentamente, lembrando de como eu e Peter brincávamos por aqui. Descíamos os corrimões, brincávamos de esconde esconde, pega pega... Era tão bom.
E agora, pensando bem, lembrei da nossa adolescência, reparando em fatos que antes não eram importantes pra mim. Como eu tinha botado um vestido na minha festa de dezesseis anos, e ele não parava de me olhar, e como ele estava lindo em sua comemoração de novo soldado, e eu só conseguia sentir inveja de como ele conversava com uma menina, filha do coronel. A gente se gostava, e ele tinha percebido isso, mas eu não. Como ele pegava minha mão, como se fossa a única coisa que o mantivesse vivo...
Pensando nisso, cheguei no fim da escada e abri a enorme porta do Salão.
E a primeira coisa que se passou pela minha mente era quantos meninos haviam naquela sala. Não, não haviam apenas trinta e cinco garotos lá, não mesmo. E também reparei como haviam mais meninos lindos do que eu pensei, e a grande maioria nem percebeu que eu cheguei, até eu falar, com graça e postura:
"Boa tarde, selecionados" fiz uma breve reverência, da qual eu havia me esquecido no começo.
Os meninos se viraram. Alguns arregalaram os olhos, outros mexeram no cabelo, e um deles, o mais babaca, assentiu, satisfeito. Qual era seu nome? Lembro-me de ter visto ele em uma foto, e este me chamou a atenção... Ah! Josh. Eles ainda não haviam ganhado seus broches, usavam roupas de suas casas, então tive que forçar a memória...
Conti o impulso de revirar os olhos. Segundo minha mãe, aquele era um hábito feio, apesar de muito eficaz. Os meninos fizeram uma reverência, as bem executadas, obviamente, dos guardas. Soltei um sorriso, e cheguei a conclusão de que aquela seria uma Seleção um tanto... Divertida.
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