Uma Selecionada?!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O Salão onde fazíamos as refeições era provavelmente um dos cômodos mais lindos do palácio. Era de um incrível mármore branco, um pouco gasto pelo tempo. Grandes pilares se estendiam pelo local, com detalhes dourados e o símbolo principal da família real. Na grande mesa que se estendia pelo Salão, se encontrava meu pai e minha mãe, um na frente do outro. Asim que entrei, fiz uma breve reverência e me sentei.
"Bom dia minha querida.Dormiu bem?!"
Soltei um ruído
"Pai, por favor não..."
"Me chame de querida?" ele e minha mãe riram "Eu sei filha. Acho que isso é coisa dos Singer..."
Minha mãe deu uma piscadela para mim, e eu dei um sorriso em retribuição.
"Queriam falar comigo?" disse, delicadamente
"Sim, filha." minha mãe assentiu. Seu coque lateral continha apenas uma mecha caindo na têmpora, combinava com ela "Você logo completará vinte anos, precisa achar um marido, que possa governar com você após nosso reinado..."
"Isso é mesmo necessário?" falei, lembrando-me do acontecido com Peter "Eu não quero casar, não com alguém que eu tenha que conhecer obrigatoriamente."
Minha mãe deitou a cabeça no ombro. Ela era linda, de uma forma que eu nunca seria. Acho que era por isso que eu não me sentia uma princesa. Minha auto-estima não era das melhores. Quer dizer, eu amava os elementos em mim, mas não o conjunto: não tinha nem metade da delicadeza e graciosidade de minha mãe, atenção e superioridade de meu pai. Eu sou desligada e desfocada, vivo sonhando acordada, com o que nunca irá acontecer.Por isso o Peter me entendia. Ele era tão focado, ligado no que acontecia ao seu redor, como se o mundo fosse um grande jogo, e o principal objetivo era ganhar. Nós éramos o equilibro perfeito....
Nossa, eu estou realmente ficando louca.
"Filha, todos temos problemas nessa idade. Eu não tinha muitos amigos..."
"Pois é pai. Aliás, devo lhes dizer uma coisa. A vida no palácio é tão solitária quanto uma prisão, e eu não tenho um marido, nem uma amiga para me fazer companhia. O único amigo que tenho é o Peter, e vocês querem me afastar dele! Não entendem? O Peter é tudo o que tenho. Por favor, não me afastem dele. Vocês, mais do que ninguém sabem que não esconderia nada de vocês, e se algo tivesse acontecido entre nós, vocês saberiam..."
"Filha nós..." meu pai balbuciou
"Tem razão. Ela tem razão Maxon. Não podemos afastá-la do único amigo dela."
"Mas querida, o rei da Itália..."
"Quem?" perguntei, lembrando-me que o assunto se tratava de mim.
Automaticamente me lembrei do sujeito do assunto. Felipe era seu nome. O sujeito de quem meu pai falava. Quer dizer, o rei chamava-se Felipe, seu filho...
Raphael. O príncipe da Itália chamava-se Raphael. Conhecido por ser o homem mais mulherengo de todos os reinos. Inclusive, este deu em cima de mim. Eu era amiga de Peter na época. Nós estávamos no jardim, eu tinha acabado de fazer dezoito, e o Peter, 20. Ríamos e conversávamos, então ele chegou: bêbado, por conta da minha grande festa de aniversário. Ele chegou perto de mim, tinha cheiro de álcool e festa.
"Olha só, a aniversariante está aqui!" Raphael disse, cambaleando um pouco.
"Sim, estou" disse secamente "O que você quer?"
"Nossa gata, não precisa disso. Só achei que precisava de alguém realmente bom para você."
"Exato" falei, ignorando o olhar abismado de Peter "Por isso estou aqui, com Peter. E quero que se retire daqui, agora" eu disse, o mais educadamente que pude.
"Eu?! Por favor, princesa" ele disse, num tom de desdém "você está aqui, com este mero funcionário, que nada faz além de se matar para proteger alguém. Você é linda, jovem, merece um rei, lindo como eu"
Peter o encarou, irritado. Me lançou um olhar que claramente dizia "controle-se, ele não me atinge". Um pouco tarde.
"Escute aqui. VOCÊ não é nada além de um príncipe."
"Um rei" ele disse, analisando as unhas.
"Dá. Na. Mesma. Eu também serei Rainha. Mas e daí? Valorizo muito mais alguém com o caráter e honestidade deste homem" disse apontando para o Peter, que me analisava. Ignorei o olhar dele novamente. Este não era só lindo, também me prendiam como cordas. ", do que de você seu moleque infeliz. Você fica com várias meninas, pensa que isso o faz forte e feliz, mas isso o deixa mal, triste, te mata por dentro. Você é sozinho e infeliz, então por favor, mantenha-se longe de mim, e de Peter, que não só um simples Guarda, ele é o meu melhor amigo e eu o amo por isso."
Olhei para Peter. Ele sorria, como se ninguém tivesse falado mal dele, á dez minutos.
Os olhos de Raphael escureceram rapidamente. Sua mãos se fecharam em punhos. Ele foi rápido, avançou e me jogou no chão. Tentei empurrá-lo para longe, tentei dar socos ou chutes, mas foi inútil. Ele rasgou meu vestido, e eu gritei. Nisso Peter, que já fazia o curso de guarda havia alguns meses, se jogou em cima dele. Ele gritava coisas em italiano que eu não conseguia entender. Outros guardas chegaram em segundos, seguidos pela minha mãe. Seu coque havia se desfeito, e seus cabelos estavam jogados nos ombros.
"Filha! Você está bem?" ela gritou correndo para me abraçar. Eu a abracei e sorri com aquilo. Meu pai chegou, correndo. Me pediu desculpas, disse que não pode vir antes porque estava falando com o pai deste "rapaz".
Rapaz! Aquilo é um monstro. Bom, o fim da história é digamos, um tanto previsível: ele se revoltou, disse que me encontrou abraçando "afetuosamente" o Peter. Disse mais! Que eu falei que o amava. Bom eu falei, mas não dessa forma, quer dizer...
Me tirando das minhas memórias, uma criada me chamou.
"Senhorita?! Você está bem?! Seus pais já se retiraram, pensei que talvez a senhora já tivesse terminado..."
"Ai nossa!" disse assustada "É verdade! Fiquei tão distraída com uns pensamentos alheios que me esqueci do café da manhã!" comi rapidamente o resto da torta de morango em meu prato e me levantei "Muito obrigada Célia!"
Me direcionando á porta, ouvi um sussurro.
"A senhorita sabe o meu nome..."
"Célia?!"
A menina virou-se. Nunca pensei que um dia veria uma jovem como ela trabalhando no palácio, ainda mais chamando-se dessa forma. Ela era linda, eu já tinha visto ela andando por aqui. Seus olhos eram azuis esverdeados, e o cabelo era dourado, caído nos ombros. Era tão delicada como uma rosa, apesar de suas mãos terem cicatrizes.
"Sim, senhorita!"
"Eu sei seu nome. Como não me lembrar de uma jovem tão linda como você?!"
Ela soltou um riso tímido
"Linda? Eu?"
Assenti sorrindo. Seus olhos brilharam, e ficaram mais lindos do que já estavam.
"Nunca se esqueça disso. Sei o nome de muitos funcionários do palácio, e gostaria de saber o nome de todos. Vocês fazem tudo por mim, por nós, a 'família real' " fiz o gesto com as mãos "Ah! Não precisa me chamar de senhorita. Certo?"
Ela assentiu, com lágrimas nos olhos. Lhe dei um abraço, agradeci pela comida, e me retirei, feliz da vida. Poderia me encontrar com Peter de novo! Poderíamos ser amigos! Grandes amigos, como era antigamente. E mais: tinha feito uma amiga. Depois que falei com ela, percebi o quão fofa ela aparentava ser. Mas quem sabe?!
Verifiquei o corredor, e me certifiquei de que ninguém estava lá.
Saí saltitando, como uma bailarina.
Fale com o autor