Uma Nova Vida
5 problemas
Nos dias seguintes eu e Milla andávamos mais próximos do que antes. Ela agora passava todos os intervalos comigo, Jake, Matt, Pete e July. E eu adorava a oportunidade de ficar com ela por perto. Jess aparecia pra passar algum tempo conosco as vezes, mas ela não era uma parte fixa do grupo, fosse por que a menina era extremamente anti-social e preferir passar seu tempo livre na biblioteca estudando, ou mesmo por todos nós a acharmos um tanto quanto estranha.
Jake e July se mostraram apenas grandes amigos, ao contrario do que todos nós desconfiávamos. Era óbvio pra todos ao redor deles que não era bem amizade o que um queria com o outro, mas aparentemente eles ainda não tinham percebido tal fato.
Os treinos de Futebol foram ficando mais pesados conforme o jogo ia se aproximando, coach Baissen cada dia mais cruel conosco. Eu treinava duro cada dia mais, não queria deixar o nervosismo me vencer novamente durante o próximo jogo, como ocorrera anteriormente. Já começava a dar pra ver meus músculos se desenvolvendo graças a todo o esforço na academia e nos treinos. Eu ainda não era tão forte como Jake ou Matt, mas já começava a ficar melhor do que quando entrei pro time, 3 meses atrás.
Cada dia que se passava eu perdia mais a cabeça com o tal do Jason Atwood, o garoto não se enxergava e fazia questão de encher a nossa paciência sempre que tinha uma brecha.
•••
Hoje, Quinta feira, a aula terminou faz uns 2 minutos, e pra variar, eu estou todo enrolado com meu fichário e minha mochila. Provavelmente vou me atrasar pro maldito treino de novo. Qualquer dia desses o coach me deixa surdo com todos aqueles berros por eu chegar atrasado.
— Ei, Dashwood! — Jason caminhava em minha direção, um sorriso cínico em seu rosto. Boa coisa não devia ser.
— que foi Atwood? To atrasado, então fala logo.
— Dexa de ser retardado e me escuta, você ta parecendo aquele imbecil do Black.
— Vai falar ou você ta achando que eu tenho a manha inteira pra desperdiçar com você panaca? — eu disse, já irritado com a petulância do imbecil.
— Ok, eu falo. Então, você ficou sabendo do baile do centenário da escola?
— Baile? To sabendo de nada não cara.
— Bom, que seja, eu só queria saber, porque a um tempo atrás eu vi você saindo junto com a Mac e tal. Você não pretende chamar ela pra ir com você não né? Porque eu queria convidar ela e tal... — ele disse, o tom preocupado tomando sua voz.
— Nem precisa se preocupar, dessa garota eu só quero distancia! Mas, me explica essa parada do baile ai, por favor.
— A sim — ele disse fazendo cara de aliviado — o colégio meridiano vai fazer 100 anos de existência no mês que vem, graças a isso nós teremos a festa do centenário, junto com o baile beneficente. As noticias ainda não foram totalmente liberadas, mas como papai é o diretor ele já me adiantou certos detalhes. Sabe, como é um baile todos vão em pares, entendeu ou isso é muita coisa pra sua cabeça gigante? — ele disse, recuperando o costumeiro tom de deboche.
— Ok imbecil, eu entendi. Agora sai da frente por que eu já to atrasado pro treino.
Meu atraso rendeu 8 minutos a mais de corrida em volta do campo pro time inteiro, não preciso nem dizer o quanto todos ficaram felizes comigo. Sexta feira nós teríamos nosso segundo jogo no campeonato, daí em diante todas as semanas que se seguissem teriam jogos pra gente. Amanha eu teria a chance de mostrar pra todos que eu tinha superado meu nervosismo depois do primeiro jogo, e dessa vez meus pais e meu irmão tinham prometido ir me assistir em campo, não que isso me deixa-se mais calmo, mas era bom saber que eles estariam lá por mim.
No final do treino encontrei Milla esperando por mim e o resto da manada. Hoje eu tinha mais uma das aulas de violão que ela me prometera. A essa altura do campeonato eu já estava ficando bom no negocio, tocar violão era extremamente divertido e relaxante.
— Ei, japa! — Milla chamou minha atenção — vai demorar muito ainda, to morrendo de fome cara.
— Deixa de ser reclamona, a gente só vai tomar um banho rápido no vestiário e depois a gente vai.
15 minutos depois quando eu, Jake e Matt saímos do vestiário encontramos uma Milla extremamente entediada nas arquibancadas esperando por nós.
— Cade a sua fiel companheira hein? — perguntou Matt, notando a falta de July ao lado da morena.
— Foi resolver uns problemas pro pai dela e me deixou aqui mofando no dia da minha folga. — disse ela com a cara emburrada.
— Vamo então Sra. Desanimo. — eu disse levantando a garota com um puxão no braço.
Nós fomos pra minha casa a pé, junto com a manada. Milla estava desanimada por todo o caminho, não me parecia ser só a falta de July pra lhe fazer companhia que a tinha deixado naquele estado. Geralmente Milla era alegre, adorava tirar sarro da cara dos amigos. Apesar da aparência séria, Milla era uma pessoa extremamente amável e boba, ela sabia a hora de ser séria e deixar as brincadeiras de lado, mas mesmo assim não se tornava uma pessoa chata e mal humorada. Hoje ela estava pra baixo, desanimada com alguma coisa, um pouco rabugenta até.
— Milla, aconteceu alguma coisa? — eu perguntei quando nos despedimos de Jake e entramos no meu prédio.
— Nada de mais, se preocupa não japa. — ela disse, forçando um sorriso que nem de longe me convenceu.
— Esse seu sorriso falso não me convence garota, desembucha logo. Sou seu amigo pra você poder desabafar quando precisar, não precisa se conter perto de mim não Milla, to aqui pra te ajudar mesmo. — eu disse sério, começando a me preocupar de verdade com a garota.
— Valeu por tudo japinha, mas eu não quero te preocupar com as minhas nóias. Mesmo assim, muito obrigada pela consideração. — ela disse me abraçando. Nesse instante meu coração foi a mil por hora. Como ela cheirava bem! Eu fiquei ali embasbacado, sentindo o suave aroma dos cabelos de Milla, até o momento em que ela rompeu o abraço e nós entramos no elevador.
Minha mãe já tinha começado a fazer o almoço quando chegamos.
— Bom dia dona Yume! — Milla disse forçando seu sorriso o mais verdadeiro o possível.
— Oh, Milla minha querida! — mamãe veio cumprimentar Milla. — Sabe que eu adoro as visitas que você me faz, meus filhos são tão chatos comigo. — mamãe disse fazendo drama.
— Deixa de bobeira mãe, vai que ela acredita? — eu disse sorrindo, recebendo um caloroso abraço de minha mãe. Às vezes eu me esquecia da falta de tamanho dela, o topo de sua cabeça roçava no meu queixo.
— O almoço está quase pronto meus queridos, vão lavar as mãos que eu já já ponho tudo na mesa.
Nós fizemos como ela pediu e ficamos na mesa esperando pelo almoço. Tudo transcorrerá tranqüilo durante a refeição, Milla até parecia um pouco mais animada agora que conversava com minha mãe. Passamos o almoço falando o meu grande jogo de amanha.
— Então, eu acho que dessa vez o japinha aqui consegue ficar o jogo inteiro, contanto que ele não trema tanto que deixe a bola cair como aconteceu da ultima vez. — Milla disse rindo.
— Eu não deixei ela cair por que eu tava tremendo! — respondi indignado — Foi o QB que lançou ela muito forte em cima de mim, ela acabou batendo com muita força e caindo no chão.
— Não se preocupe filinho, tenho certeza que suas tremedeiras não vão te atrapalhar amanha. —mamãe disse em tom de deboche.
— eu não tenho tremedeiras! — disse já ficando vermelho, as duas inescrupulosas rindo da minha reação.
Quando terminamos o almoço, Milla e eu ajudamos minha mãe a lavar a louça. Ela se despediu de nós voltou para o escritório. Milla agora já me passava exercícios mais avançados de técnicas de violão, eu vinha melhorando muito naquilo.
— Muito bom japa! — ela disse orgulhosa do meu progresso — você já ta pegando rápido as musicas, só tem que aumentar a velocidade dos seus dedos na hora de trocar as notas. É só continuar com aquele exercício que eu te passei e tudo resolvido. — Milla disse sorrindo e me dando um tapinha no ombro.
— Mas então Milla, agora que você se animou um pouquinho, me conta o que te deixou tão pra baixo hoje cedo. Por favor, vai? — eu disse em tom de suplica, deixando o violão de lado.
— Ah caius, tem certeza que você quer ouvir isso? — ela disse, o sorriso sumindo de sua face.
— Tenho. Você ta com algum problema, ta ruim ao ponto de te deixar pra baixo. É bom desabafar nessas horas, prometo que ninguém vai ficar sabendo o que você me disser, ok?
—Como eu posso te explicar isso? — ela disse abaixando a cabeça. — sabe, eu te contei que minha mãe tem andando muito doente, certo?
— Sim, eu me lembro de você ter falado isso logo que a gente se conheceu.
— Então, ultimamente a única pessoa que tem trabalhado lá em casa é o papai. Meu irmão tem tentado arrumar um emprego e tal, mas é difícil quando não se tem experiência. Acontece que a situação financeira ta complicadíssima, meu pai ta correndo o risco de perder o escritório dele e tudo mais.
— Putz, mas porque tudo isso? — eu disse assustado.
— É que o tratamento da mamãe é caríssimo, e ainda tem todo o material que o colégio exige. A bolsa que eu ganhei não cobre os gastos com as apostilas, só a mensalidade mesmo.
— Nossa Milla, mas desde quando a situação ta feia assim?
— Desde quando mamãe ficou doente e teve que parar de trabalhar. Isso já tem uns 2 anos. Ultimamente meu pai tem pegado uma porção de empréstimos pra pagar as contas, mas a situação só tem piorado e dessa vez ele acha que não vai conseguir pegar outro. E pra piorar tudo a minha mãe só tem piorado nos últimos meses, ela está cada dia mais frágil. — Milla tinha lagrimas escorregando por sua face enquanto falava. Não me contive e quando percebi já estava abraçado a garota, sua cabeça encostada em meu ombro.
— Se acalma vai. Tenho certeza de que daqui a pouco tudo vai se resolver. Aposto que o seu pai vai arrumar um jeito de resolver os problemas financeiros, não é você quem vive dizendo que ele é o cara mais inteligente que você conhece? Então, de algum crédito à ele. E a sua mãe vai melhorar, tenho certeza. Ela tem vocês ao lado dela apoiando e dando força pra ela melhorar. Você tem que se animar um pouco e não ficar se mostrando abatida pros seus pais, isso só vai deixar eles desanimados. — eu disse segurando o rosto da menina em minhas mãos, olhando no fundo de seus olhos enquanto falava.
— Obrigada Caius. — ela disse me mostrando um esboço de sorriso.
— Sabe o que vai te animar? Ver seu amigo aqui fazer dezenas de touchdowns em cima daqueles otários de New Hudge amanha. — eu disse fazendo posse quando ela se afastou de mim.
— dezenas é? Quero só ver, quando começar a tremer nem a bola você vai conseguir segurar japa. Aposto que o Baissem vai te por no banco de novo. — ela disse enxugando as lagrimas e rindo da minha cara de bravo.
— Ei, para de me desanimar! Sua função é torcer por mim, o grande herói do meridiam Falcons! — eu disse pondo as duas mãos na minha cintura e estufando o peito. Milla teve crises de riso da minha cara.
— Ok, ok. Você me convenceu OH grande herói! — ela disse ainda rindo.
Eu fiz questão de deixar ela mais animada durante todo o resto do tempo que ficamos ali, apenas conversando bobagens aleatórias.depois que Milla foi embora eu passei o resto da noite pensando em tudo o que ela tinha me dito sobre a família dela. Eu fico me perguntando como alguém agüenta tanta pressão, eu no lugar dela já teria pirado. Minhas notas não seriam tão altas se eu tivesse a mesma quantidade de preocupações que ela.
Pouco antes de ir dormir, eu tomei a decisão de que sempre que estivesse com Milla eu a faria esquecer tais problemas. Não era justo com ela tudo que acontecia ao seu redor. Milla era uma das pessoas mais maduras que eu conhecia, ela levava seus estudos mais a sério do que qualquer um que eu conhecesse. Alem de estudiosa ela era extremamente responsável com tudo.
Desde que passei a conhecer melhor a garota, mais eu me apaixonei por ela. Sua atitude madura e responsável contrastava com o jeito brincalhão e amável da menina. Cada dia eu me sentia mais atraído por ela, e me arrependia amargamente pelo envolvimento que tivera com Claire. Essa se mostrava cada dia pior do que eu imaginava. Tratava a todos ao seu redor da pior forma possível, alem de ser mimada e metida de mais pra lembrar que não era a ultima garota do mundo. O pior era ver que Pete de fato era perdidamente apaixonado por ela. O pobre coitado levava fora atrás de fora da garota.
Jess havia me contado que tinha ouvido de uma amiga que Claire ainda estava perdidamente apaixonada por mim. Fiquei meio chocado com isso, afinal, eu não dera mais bola pra garota desde o incidente no corredor da escola, quando ela gritara comigo e July. Eu queria a maior distancia possível da menina temperamental que ela tinha mostrado ser.
•••
Quando o dia amanheceu, eu me preparei pra ir a escola, meu estomago parecia rodar dentro meu corpo. O nervosismo pro jogo mais tarde começara cedo, isso era um péssimo sinal. Tomei o café da manha com meu pai, minha mãe e meu irmão me lembrando a cada instante que eles estariam lá dessa vez pra me ver jogar. Ótima forma de me deixar mais tranqüilo.
No caminho pra escola tive que ouvir Pete me lembrando a cada instante que eu ia ter outro ataque de tremedeira e deixar a bola cair. Ele adorava ressaltar o quão engraçado isso tinha sido da ultima vez.
— Ta bom Pete, a gente já sabe que o japinha aqui fica nervoso e deixa as coisas caírem. Agora Cala a boca, se não eu vou tomar as dores dele! — disse um Mat já tão irritado quanto eu com as afirmações de Peter.
— Ohhh, tadinho do japa, precisa colocar seus amigos anões pra tomarem conta dos fãs! — ele disse afinando a voz e fazendo cara de deboche.
— Chega dessa palhaçada! — Jake bradou empurrando Matt que se preparava pra pular no pescoço de Pete. — ou vocês dois param, ou eu é quem vou bater em alguém atoa hoje! — Pete e Matt param no mesmo instante. Ninguém queria ver Jacob irritado ali, ele podia derrubar os três presentes sem nenhum esforço.
— Ok grandão, você ganhou. Vamos mudar de assunto então. O que vocês acham.... — pete não conseguiu terminar sua sentença.
— ei, vocês ouviram falar do baile do centenário de colégio meridiano? — Matt perguntou cortando a fala de Pete.
— Eu ouvi o Atwood comentando alguma coisa esses dias.
— Pois é, a gente tem começar a procurar pares japa.
— Mas é só daqui a um mês! — eu disse assustado.
— Eu sei, mas se a gente deixar pra ultima hora só os tribufus vão estar sem companhia. — Matt disse. — O que você acha grandão? Já pensou em quem levar?
— Eu já convidei a July pra ir comigo. — Jake disse sem muita emoção.
— Mas já? Putz cara, você foi mais rápido que eu nessa. Eu tinha pensado em chamar ela, mas já que você foi mais rápido vou ter que procurar outra. Eu gosto de loiras e tal, mas eu prefiro mesmo as ruivas.
— Hei, japa, você já decidiu quem vai chamar pra ir com você? — Pete disse com uma voz séria. — eu tava pensando em chamar a Mac, mas se você quiser ir com ela eu procuro outra pessoa.
— Ela é toda sua Pete, eu quero distancia daquela lunática. Mas se eu fosse você eu corria, porque o Atwood me fez essa mesma pergunta que você acabou de fazer ontem. Ele deve conversar com ela hoje, então se apresse e chama antes dele. — eu disse pondo a mão no ombro do meu amigo.
— O Atwood? Aquele nerdzinho de araque? Eu duvido que a Mac vá dar alguma bola pra um cara daqueles. — disse Matt confiante dando um sonoro tapa nas costas de Pete. — Vai lá e chama ela garanhão, aposto que ela vai preferir o astro da equipe de baseball ao presidente do clube de xadrez.
— Astro? Achei que você era reserva no time. — eu disse confuso.
— reserva? Ta maluco japa? Você nunca foi me ver jogar, por isso ta falando uma asneira dessas! — Pete disse mostrando seu costumeiro sorriso de deboche. — eu sou considerado o melhor rebatedor da liga colegial, seu Mané!
— sério? — fiquei surpreso com a afirmação de Pete. Realmente, eu nunca tinha se quer me dado ao trabalho de ir assistir ele treinar, como eu ia adivinhar que ele era bom naquilo?
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