Uma Nova Vida
2 e a vida continua...
Notas iniciais
Era o dia do teste no time de futebol. Depois da aula, no campo do time. Lá estava eu, no auge dos meus 1,78m e 65 kg tentando entra num time de futebol americano. Eu ia ser massacrado pelos caras maiores. Eu tinha certeza disso. Nesse momento eu fico na duvida do porque de ter resolvido fazer isso, eu nunca tinha jogado antes. Agora já não me parecia uma boa idéia.
As aulas passaram como um relâmpago, quando eu menos esperava mat estava me puxando.
—ei, japa, vamo logo antes que você se atrase pro seu teste.
Meu teste. Argh. Isso não soava tão bem aos meus ouvidos agora.
— erh... já to indo. Vai na frente, eu ainda tenho que guardar meu material aqui. — eu disse apontando pro meu fichário ainda aberto em cima da mesa, meus materiais totalmente desorganizados em cima da mesa. Meu estomago revirando.
— aff, você é muito enrolado cara. Anda logo a gente vai te esperar lá em baixo então. — mat disse isso saindo do meu campo de visão com Jacob em seu encalço. Peter estava ali ainda.
— você não vai desistir agora não, né? Sempre tem o time de baseball em qualquer caso — Pete disse isso com o um sorriso debochado no rosto
— claro que não Pete. Eu to só arrumando minhas coisas, vai ver se eu to na esquina, vai. — eu disse no tom mais revoltado que eu consegui achar.
Pete foi caminhando na minha frente, rindo da minha revolta. Eu fiquei ali arrumando meus materiais lentamente. Joguei minha mochila por cima do ombro e fui caminhando, quando eu notei que ainda tinha alguém na sala também. Era ela. Meu estomago girou mais ainda. Ela estava parada ao lado da mesa do professor tirando uma duvida, sua amiga loira ao lado, prestando atenção ao que o professor falava. Eu fui andando devagar, quem sabe eu conseguia uma oportunidade de puxar assunto com ela.
Ela se virou fechando o caderno. Ela me viu e cumprimentou. Eu balancei a cabeça de volta em um gesto automático.
— oi — sua voz era linda, e ela estava sorrindo, olhando pra mim. Eu me virei, pra ter certeza de que era comigo, é claro. Ela agora sorria da minha reação.
— o-oi. — eu respondi, me condenando intimamente por ter gaguejado.
— é caius, certo? — ela sabia meu nome, oh deus, ela sabia meu nome. Se acalma cara, se acalma.
— é sim.
— você por um acaso sabe como se chega na universidade de hardshore? — era sua amiga loira quem falava agora.
— erh... não muito bem. Eu meio que me mudei pra cidade a pouco tempo. Vocês também não são daqui? — eu perguntei intrigado
— somos, mas a gente meio que nunca teve que ir a faculdade.
— a ta. — eu disse coçando a cabeça
— mas tudo bem, a gente pergunta pra outra pessoa.
— calma ai, eu acho que tenho uma idéia de como chegar lá. Meu irmão vai de ônibus pra lá todo dia. Deixa só eu lembrar, rapidinho. — eu disse afoito, gesticulando com meus braços, tentando a todo custo lembrar qual ônibus meu irmão pegava de manhã.
— calma, a gente não vai fugir. —Milla falava agora de novo, ela estava rindo do meu desespero. Droga. Eu estava púrpura de novo.
— deixa pra lá, eu não consigo lembrar. É melhor vocês perguntarem pra outra pessoa. — eu abaixei a cabeça enquanto falava, não queria que elas vissem meu rosto vermelho.
Milla gargalhava agora — relaxa caius, por falar nisso, meu nome é Milla e essa é July. Você é engraçado, nunca vi ninguém ficar vermelho tão fácil. Acho que os japoneses são mais sensíveis.
— tadinho dele Milla, para de rir.— July falou, tentando segurar a risada.
— erh... desculpa, mas eu to atrasado. Com licença.
Eu sai praticamente correndo em direção ao campo de futebol. Ela tinha rido de mim. Isso foi vergonhoso, eu fiquei vermelho só por ela ter falado comigo. E ela tinha rido de mim. Arrrggggghhhhhh
O teste pro time foi muito cansativo. Eu descobri que corria mais do que a maioria dos caras ali, o técnico me disse que eu era realmente rápido. Isso foi uma surpresa pra mim, eu nunca tinha reparado que eu conseguia correr tanto, e tão bem. Eu deixei muitos caras comendo poeira.
Os resultados ainda não tinham saído, mas jake e mat ficaram impressionados comigo em campo.
— Putz japa, você nunca disse pra gente que corria tanto cara. Você ta quase conseguindo superar a minha marca nas 40 jardas. — mat disse sorrindo e me dando um soco no ombro.
— Nem eu sabia que corria tanto. Fiquei impressionado com isso tanto quanto vocês.
— eu acho que você ta dentro do time já, não que vá ser titular logo de cara, mas pelo menos no banco você fica. — Jacob disse olhando pra mim, mat concordando com a cabeça.
Pete já tinha ido embora, ele não queria ficar lá mofando olhando o teste. Eu, jake e mat voltávamos sozinhos hoje. Quando paramos pra nos despedir de mat, eu vi, Milla e July descendo de um ônibus, no ponto logo a frente. Eu quis me esconder atrás de jake, mas minhas pernas congelaram. De repente a visão da cena na sala de aula hoje cedo voltou a minha cabeça, me fazendo corar automaticamente.
“Não olhem pra traz. Não olhem pra traz.” Eu repetia o mantra em minha cabeça. Mat me olhando confuso. E então, elas olharam.
Elas acenaram em minha direção. Eu acenei, balançando a cabeça levemente.
Elas vieram até nós. Eu estava púrpura. De novo.
— oi japinha — era Milla, com o riso debochado de sempre no rosto.
— oi caius
— o-oi— eu tinha que gaguejar de novo?
Milla riu, mais alto agora.
— não vai nos apresentar seus amigos, não? — July perguntava
— a sim... esse é o Jacob e esse é o mat — eu apresentei apontando os dois com a cabeça.
Mat disse um sonoro oi, jake balançou a cabeça.
— pra que lado vocês vão? — July perguntou
— eu e jake vamos pra hardmore, o mat vai pra indago.
— legal, nós vamos hardmore, eu tenho uma tia que mora lá. Podemos ir com vocês? — July perguntou.
— é claro. — eu respondi rapidamente, minha cabeça se aliviando imediatamente. Eu iria andar com Milla, isso significava conversar com ela. Eu já nem lembrava porque eu estava sem graça a dois minutos atrás.
Mat se despediu da gente e seguiu o caminho pra sua casa.
— vocês ainda estavam na escola? — Milla perguntou curiosa.
— o japinha aqui tava fazendo o teste pro time de futebol americano da escola, ai a gente fico até tarde lá. Vocês não estavam vindo de lá, tavam?
— não, não. A gente foi na universidade de hardshore pegar um livro pra minha tia. Ela nos convidou pra almoçar na casa dela.
— você, jogando Futebol? Num ta meio magrelo pra isso não? — Milla perguntou, no mesmo tom de sempre. Meu rosto estava muito vermelho.
— Eu fui só fazer o teste, nem sei se vou passar mesmo. — respondi sem graça. Porque ela tinha que ficar rindo de mim o tempo todo?
— eu tenho certeza que ele passou. — jake veio em minha defesa— o japinha aqui corre feito um raio em campo, muita gente ficou comendo poeira hoje. — ele disse isso dando um sonoro tapa nas minhas costas, eu quase cai no chão com isso. Incrivel como ele tinha ficado falante do nada.
— quem diria hein? Afinal você não deve ser tão frágil quanto aparenta então. — July disse. Eu parecia frágil?
— ehr... obrigado? — eu falei inseguro.
Todos gargalharam, inclusive jake, aquele traidor. Nós andamos até a casa da tia de July com as meninas, a conversa menos constrangedora depois que eles pararam de tentar me deixar sem graça.
•••
Os dias se passaram, eu havia de fato passado no teste pro time. Fazia três semanas já que estava no time. Agora eu passava parte das minhas tardes na quadra treinando, eu havia descoberto o quanto o jogo podia ser divertido, minha meta agora era passar o tempo de Mat nas 40 jardas. Ele era o jogador mais rápido do time, era também o menor. Se eu passasse a velocidade dele, eu seria titular mais rápido do que eu imaginava.
Com o passar das semanas eu fiquei mais amigo das meninas. Já nem ficava tão sem graça na frente de Milla e July, eu estava me acostumando a presença delas sempre por perto, me acostumando facilmente com o sarcasmo sempre presente de Milla. Eu tinha prometido pra mim mesmo que não ia ficar babando em Milla, não a olhos vistos. Eu havia me aproximado muito dela, queria ser amigo dela mais do que tudo nesse momento. Ela vivia cheia de segredos, não gostava muito de contar as coisas pra mim. Eu queria entender ela, e pra isso eu tinha que me aproximar. Eu duvidava que isso acontecesse se ela percebesse o que eu sentia por ela. Era melhor ser amigo dela do que não ser nada.
Eu percebi que jake havia sentido algo muito parecido com o que eu sentia por Milla, só que pela July. O caso dele parecia pior que o meu, ele não disfarçava tão bem. Eu imaginava se isso daria certo.
Eu tinha conhecido outras pessoas da minha sala agora. Havia um cara que se sentava na frente, perto de mais de Milla na minha opnião. Seu nome era Jason, ele estava no clube de xadrez da escola. Ele conseguia parecer mais nerd do que eu. Me sentia aliviado perto dele. E ele não parecia gostar muito de mim.
Tinha uma outra menina que tinha entrado no nosso grupo também, seu nome era Jessica. Ela era razoavelmente baixa, devia ser tão baixa quanto minha mãe. Cabelos negros lisos caindo sobre o rosto, olhos muito verdes. Eu diria que ela pareceria bonita, mas eu estava fascinado demais pra achar outra garota alem de Milla bonita. Jessica era meio calada, estava sempre colada em July, como se fosse um tipo de parasita.
Eu estava indo pro treino junto com mat, jake e Pete, que tinha treino de baseball ao lado do nosso campo hoje. Eu vi Jason vindo em nossa direção, ele esbarrou em mat com tudo, fazendo o capacete que ele trazia cair no chão.
— seu imbecil, olha por onde anda!!! — mat gritou, seu rosto vermelho de raiva
— cala boca seu anão, eu não tenho culpa que você fica abaixo da minha linha de visão —a essa altura eu já estava entre os dois, jake segurando mat pelas costas e Pete na frente do menor impedindo que ele fosse pra cima de Jason. A altura era um ponto sensível pra Mat.
— acalmem os ânimos caras, foi só uma trombada. Jason, some daqui antes que a gente solte o mat em cima de você, dá próxima vez que ficar com esse ar arrogante pra cima da gente eu mesmo quebro a sua cara. — Pete falou em tom autoritário.
— só porque vocês são em maior numero tão achando que vão me botar medo? Eu vou onde eu quiser seu babaca!! — agora eu segurava Pete e jake tinha problemas com mat se debatendo.
— dá pra parar de provocar, por favor. Eu não quero levar detenção por causa de vocês— eu disse fazendo força pra segurar Pete.
Jason passou por nós, debochado. Eu tive ímpetos de quebrar a cara dele, assim como meus amigos. Sorte dele que eu era controlado.
— porque você não deixou eu bater nele? — mat perguntava revoltado à Jacob.
— você não vai querer mexer com esse idiota, ele é sobrinho do diretor. Ou você já se esqueceu desse detalhe? — jake disse em tom calmo.
— Ele é? — eu perguntei surpreso.
— ninguém nunca te disse isso não? — Pete perguntou surpreso.
— ehr... não?
— que coisa, acho que a gente deve ter deixado de mencionar isso pra você. — Pete falou, bem mais calmo agora— Jason é filho do senhor Harris, o diretor da escola. Desde que eu entrei nessa escola eu sou da sala dele, o cara acha que é imune as regras da escola só porque seu pai tem um cargo alto aqui dentro.
— ele é imune as regras da escola — mat falou, ainda irritado — Nunca acontece nada com ele, ele é o único cara que consegue se livrar das punições dos professores. Todo mundo tem medo de mexer com ele. Aposto que as notas altas dele também são culpa do pai, ele deve subornar os professores do filho.
— deixa de ser imbecil mat. As notas do Jason são altas porque o cara é inteligente, nada acontece com ele porque ele nunca faz nada. Ele é o cara mais certinho da escola, o fato dele ser um pé no saco não significa que ele é burro. — Jacob defendeu.
— Ahh, deixa de ser puxa saco jake. A gente nunca viu ele fazendo nada, não quer dizer que ele nunca fez. É impossível que a ficha dele seja tão limpa assim. — Mat disse isso enquanto pegava seu capacete, caminhando em direção ao campo. — vamos logo manada, eu to morrendo de vontade de bater em alguém agora!
A frase de Mat fez meu estomago revirar, geralmente eu era o alvo favorito dele na hora de treinar os tackles. Mat era um cara realmente forte, seu tamanho não mudava o fato de que ele era um dos jogadores mais fortes do time. Graças a ele eu estava agora malhando mais do que nunca na academia destinada aos atletas da escola, eu não queria ficar apanhando dele pelo resto da minha vida.
No final do treino eu percebi uma pessoa estranha na arquibancada nos esperando. Era July, Milla logo ao seu lado, as duas conversavam distraidamente quando eu me aproximei.
— oi caius! — eu recebi um enorme sorriso de Milla, me alegrando imediatamente.
— oi. O que vocês duas tão fazendo aqui ainda?
— a gente tava esperando vocês, vamos almoçar na casa da tia da July de novo.
— caramba caius, você ta fedendo cara! — July disse tapando o nariz. Milla riu quando eu corei com a frase de sua amiga.
— desculpa, mas eu acabei de passar uma hora e meia correndo, num dá pra ficar cheiroso depois do treino. — eu disse abaixando a cabeça
— Vai tomar banho logo então pra gente ir. Cadê o resto dos meninos? — July perguntou enquanto observava o campo atrás de mim.
— Mat e jake saíram mais cedo, eles tinha ido pra enfermaria levar um cara que se machucou e não voltaram mais. O treino do Pete acabou bem antes do meu, então ele já deve estar em casa a essa hora. — o rosto de July parecia um pouco decepcionado, eu fico imaginando o porque.
— Hmmmmm, a gente espera você então, vai tomar banho logo vai. — Milla disse.
Eu corri pro vestiário tomando o banho o mais rápido que eu consegui. Minha mente em Milla agora. Eu ia voltar com ela, sem a presença dos caras enchendo a paciência e me deixando sem graça a cada dois minutos. Se não fossem as borboletas girando em minha barriga, eu estaria muito mais feliz.
Elas estavam na porta do vestiário me esperando quando eu sai.
— vamos então? — eu disse jogando a mochila nas costas.
— agora que você ta parecendo gente dá pra ir sim. — Milla disse rindo, July gargalhando ao lado dela. Eu fiz língua pras duas, puxando elas em direção a saída.
Nós andamos o caminho todo conversando animadamente sobre coisas aleatórias. Eu descobri que Milla morava num bairro muito longe da escola, muito mais pobre do que o lugar onde eu morava. Hardmore, que era onde eu morava, era o bairro mais nobre da pequena cidade. Milla morava em Gory, um dos bairros de classe média-baixa ao sul da cidade. July morava no bairro vizinho, New gory, tão ou mais pobre que o bairro de Milla.
—Eu costumo almoçar na casa da minha tia, é mais próximo do que voltar pra minha casa, sabe— July me explicou
—É legal lá, a tia da July tem uma biblioteca grotescamente gigante— Milla me explicou
—Porque diabos ela tem tantos livros dentro de casa?— perguntei curioso
—Minha tia é professora daquela faculdade particular em Viruan, ela dá aulas de historia por lá.
— Que legal. Mas porque vocês não almoçam por lá sempre então?
—Eu almoço lá sempre que dá, mas ao contrario da inútil da July, eu trabalho por isso nem sempre posso ir pra lá.
— Você trabalha?
—É. Meu pai tem um escritório de contabilidade perto do centro, sempre que dá eu vou lá ajudar ele. Sai muito caro pagar uma secretaria, então eu quebro o galho pra ele. Tem dias, como hoje, em que ele me dá uma folga.
— que coisa, minha mãe trabalha em um escritório no centro também.
— Ela faz o que por lá?— perguntou July
— É advogada.
— Nossa, ela deve ganhar muito bem então.— July concluiu
— Sei lá, nunca tive a curiosidade de perguntar isso pra ela. Mas quem paga as contas lá em casa mesmo é o meu pai, ele trabalha em uma empresa de minérios, é um dos executivos mais valorizados de lá.
— Putz, seu pai trabalha na PROTOBEL? — July me olhou curiosa
— Acho que é esse o nome mesmo. — As duas olhavam pra mim agora com uma cara abismada, será que eu falei besteira?
— Legal, a gente tem um amigo milionário, uhu. — Milla falou em tom de deboche, rindo da cara de pastel que eu fiz.
— Eu não sou milionário!— falei indignado
— Aham, sei. Seu pai é um dos maiores executivos de uma das maiores mineradoras do pais, sua mãe é advogada de um escritório no centro da cidade e você é pobre, claaarooooo— falou Milla, enquanto July se contorcia de tanto rir.
— Ta, eu não sou pobre, mas falar que eu sou milionário já é exagero também.
Elas foram rindo de mim o resto do caminho, pra variar um pouco. Eu tinha descoberto que Milla estudava ali com uma bolsa de estudos. Os pais de july trabalhavam e não tinham empregada pra fazer o almoço, então ao invés de ir pra casa e fazer o próprio almoço, July preferia ir pra casa da tia. Sempre que podia Milla ia com ela.
Elas me contaram mais sobre a enorme biblioteca que a tia de July possuía. Elas costumavam pegar livros emprestados com ela sempre.
A cada dia que passava eu ficava mais fascinado ainda com Milla. Eu ficava intrigado por conhecer ela, cada dia descobrindo algo novo. Eu queria ficar ao seu lado sempre, mas continha esse impulso com medo de que ela descobrisse o que eu sentia. Nós acabamos nos aproximando muito com o passar dos dias naquela escola.
Fale com o autor