Uma Nova Vida

7 O monstro interior de Caius


Notas iniciais
Espero que se alguém estiver lendo isso goste. Esse cap é o inicio de uma transição que vai ocorrer na historia.

Faltava apenas uma semana pro baile e até agora eu não tinha arrumado um par. Era detestável ver que todos os meus amigos já tinham se arrumado, menos eu. Pete acabou chamando Jess pra ir ao baile com ele, Matt iria com Nina e Jake com July.

— Cara, eu odeio ficar de castigo! — Jake bradou quando se sentou na cadeira logo pela manha, pouco antes da aula começar naquela quinta feira. — Meus pais não vão me deixar ir ao baile, que droga!

— Meus pêsames grandão. — Matt disse dando dois tapinhas nas costas de Jake.

— Uhhh, quem vai com a bela loira July agora que seu príncipe meio-gigante vai ficar preso na masmorra? — Pete disse em tom de deboche pra variar um pouco.

— Cala boca Pete! Eu ainda nem falei com ela sobre isso. — Jake disse desanimado.

— Ei, sabe que eu tive uma idéia brilhante Jake. — Eu disse animado. — Que tal se eu levar a July ao baile no seu lugar? Prometo que não tento nada, vai?

— Eu num tenho nada com a July Caius, se quiser levar ela você tem que perguntar pra ela e não pra mim. — Jake estava meio irritado com a idéia, mas ela ainda me parecia boa.

— Uhhhhh, vejamos se Caius pode se tornar o príncipe encantado da nossa bela donzela! — Pete disse rindo da cara irritada de Jake.

— Vai pro inferno Pete! — Ele disse se levantando e indo falar com July que acabara de entrar na sala junto com Jess.

•••

Durante o intervalo nos recolhemos nas arquibancadas da quadra da escola como sempre.

— Ei, japa. — July me tirou do meio da conversa que eu estava tendo com Pete. — O Jake te contou que ele vai ficar de castigo no dia do baile né?

— Conto sim July, porque?

— Assim, você ainda não arrumou um par não é?

— É... — eu disse desanimado.

— Que tal a gente ir junto?

— É claro, eu adoraria ir com você! — Eu falei afoito.

— Ta, mas não se empolga ok? Eu só to te convidando porque eu realmente quero ir e o Jake não vai poder.

— Ok! Te vejo no sábado então?

— Ta ok então. — Ela disse se virando pra conversar com Jess.

— Milla, e ai, como tão as coisas com o Mike? — Eu perguntei aproveitando que ela acabara de chegar e ainda não tinha dado tempo de entrar na conversa das meninas.

— Ah, vai tudo ótimo Caius. Eu tava agora mesmo terminando de combinar as coisas de sábado com ele. Acredita que o panaca queria colocar uma garrafa de Vodka na minha bolsa?

— Oh, jura? — Eu disse falsamente. — Todo mundo sabe que ele é um bêbado!

— Você julga ele muito errado sabia? O Mike é um cara bacana, só tem algumas más influencias por perto. Eu não vou deixar ele fazer nenhuma besteira sábado.

— Duvido! — Agora era Pete que se intrometia em nossa conversa — Mike Newler e Festa na mesma frase são um sinônimo pra excesso de álcool no sangue! Não se iluda Milla, não vai ser você a deixar aquele cara sóbrio no baile.

— Vamos apostar então Pete! Se eu conseguir fazer o Mike se comportar na noite de sábado você vai ter que se declarar pra esnobe da Claire na frente de toda a escola!

— E se eu ganhar você vira minha escrava pessoal até as férias! — Pete disse animado. — E fique sabendo que eu sempre ganho minha apostas, minha cara amiga. — O tom de deboche sempre presente na voz de Pete.

— Vamos ver então babaca. — Ela disse irritada. July e Jess seguiram Milla na direção do pátio da escola, afastando-se de nós.

— Cara, você tem noção de que se a Milla ganhar essa aposta você vai viver a situação mais constrangedora de toda a sua vida? — Matt disse.

— Tenho. Mas eu não vou perder. Oras, você conhece Mike, o cara é um pinguço! É só eu arrumar uma garrafa pra ele que o cara vai ficar pior que um gambá. — Pete disse feliz. — Você tem noção do quanto eu preciso de alguém inteligente igual a Milla fazendo minhas tarefas de casa?

— Você não tem coração cara. Vai fazer a menina se desiludir do carinha que ela ta afim só porque ta com notas baixas. — Jake disse desaprovando a atitude de Pete.

— Não é bem assim. Se ela ficar com o babaca do Mike vai ser pior pra ela. É melhor uma decepção agora do que depois que os dois ficarem juntos de fato.

— Ela não vai ficar com o Mike, mesmo que ele fique sóbrio o resto do ano! — Eu disse indignado.

— Não se iluda japa, se Mike chamou a Milla pra ir nesse baile estúpido com ele é porque as intenções dele para com ela não são nem um pouco inocentes. E alem do mais, ninguém resiste ao cara. Nem a Milla coração de pedra consegue essa proeza. — Pete disse debochado.

— Para de falar besteira Pete! — Ele já estava me deixando irritado com aquela conversa.

— Ok, ok japinha. Vamos mudar de assunto já que esse não lhe agrada. — Pete disse me lançando um olhar que me deu certeza de que ele ia falar alguma grande besteira. — Então você vai com a donzela do Jake pro baile né?

— Ela não é nada alem de minha amiga Pete, para de falar essas asneiras vai. Você viu que foi ela quem chamou o Caius, a gente não tem nada a ver com essa historia, os dois que sabem o que querem da vida.

— Olha Jake, eu só vou no baile com a July porque ela me chamou e quer muito ir e tal. Eu não gosto dela nem nada, então nem fica grilado.

— Eu não to grilado com nada japa, o Pete ta mais preocupado com essa historia do que eu.

— Bom, já que a gente ta falando das nossas companhias pro baile, o Pete, o que deu na sua cabeça pra chamar aquela maluca estranha da Jess? — Matt disse, delicado como sempre.

— Oras, eu não ia pro baile sozinho. E todas as garotas legais já tinham par. Se eu soube-se que a July ia ficar disponível eu não teria chamado a Jess. — Pete disse fazendo pouco caso.

Nós fomos pra nossa sala após o intervalo. Eu era bom em matemática, mas passei tal aula com a atenção presa na garota que se sentava na frente do professor. Aquela fascinação que eu tinha por Milla as vezes me assustava. Eu tinha me tornado amigo dela, mas mesmo assim nosso nível de intimidade ainda era pequeno, e isso me incomodava.

Depois do dia em que ela me contará sobre os problemas com sua família nós nunca mais conversamos sobre o assunto. Não que eu não quisesse saber como estavam as coisas com ela, mas o momento certo pra tocar no assunto simplesmente não surgiu.

Quando as aulas acabaram eu fui pro treino com os caras, July e Milla tendo ficado nos observando na arquibancada como de costume. Quando tudo terminou nós fomos tomar banho enquanto as meninas esperavam. Eu terminei mais rápido do que o costume, eu tinha que arrumar uma chance de conversar sobre aquele assunto com Milla hoje, estava ficando incomodado com a quietude da garota.

Quando eu sai do vestiário vi uma cena que me deixou com a pulga atrás da orelha. Lá estava Mike conversando com Milla, a MINHA Milla. E eles estavam próximos de mais, na minha opinião. July não estava ali, e Milla sorria de tudo que o babaca falava. Aquilo me incomodou de uma forma absurda. Um monstro dentro de mim me mandava chegar lá e bater a cabeça de Mike no chão até aquele sorrisinho sumir do rosto dele.

O bom senso me mandava ser educado e entrar na conversa dos dois. Era menos, como explicar, agressivo dessa forma. Ok, eu tenho ciúmes mesmo. Quem ele pensa que é pra ficar de conversinha com ela hein?

Ta, parei. Vou até lá e serei educado com ele. Maldita educação que mamãe me deu!

— Ei, Mike. Milla. Tão conversando sobre o que? — Eu me aproximei falando, tentando soar o mais calmo possível.

— Ah, fala ai meu WR favorito! Eu tava combinando com a Milla aqui umas coisinhas pra sábado. — Ele disse sorrindo sacana na direção da garota. Aquele sorriso fez o monstro dentro de mim gritar alto.

— Oh, Mike, se você não for tomar banho logo o servente vai trancar o vestiário e você vai ter que ir fedido pra casa, cara. — Matt se aproximou de nós falando. Isso me tirou do meu transe mental, onde eu imaginava Mike sendo atropelado por um caminhão enquanto atravessava a rua.

— Valeu pelo aviso Matt, vo indo lá. Tchau galerinha. — Ele disse se despedindo de nós. — Até mais linda. — ele disse dando um beijo na bochecha de Milla. Se teve um momento na minha vida em que eu quis fazer uma besteira muito grande, foi esse. Eu podia sentir a fumaça saindo de meus ouvidos como nos desenhos animados. Cerrei os dentes e os punhos na tentativa de conter a raiva que eu sentia naquele momento. Fechei os olhos e contei até dez na tentativa de não empurrar Mike dali de cima.

— Ta tudo bem com você Caius? — A voz de Milla me acordou do transe.

— Tudo ótimo, — Eu respondi ríspido. — Vamos? To morrendo de fome. — Eu disse me virando e descendo a arquibancada.

— Espera o Jake japa. Ele ta no vestiário ainda. — Matt me alertou.

— Ta. Vou beber um pouco de água, encontro vocês lá no portão da escola. — Eu disse me afastando, ainda de costas. Eu ainda estava com raiva. De Milla, por dar bola pra um babaca como o Mike. Do Mike, simplesmente por ele existir. De tudo ao meu redor, eu só queria ter alguma coisa pra socar naquele instante.

— ARGH! — Eu gritei depois de socar a parede do corredor que levava a escola.

— Japa, você ta bem? — July veio correndo em minha direção. — Que aconteceu?

— To ótimo, eu só tive um desentendimento com a parede. — Eu disse sorrindo e tentando esconder meu nervosismo naquele momento. Tudo que eu menos precisava era alguém entendendo o que se passava ali.

— Você socou a parede? Ta maluco Caius? — Ela disse levantando minha mão na altura dos olhos.

— Relaxa, ta tudo bem. — Eu disse puxando a mão — Eu só precisava descontar um pouco da minha frustração em alguma coisa. Aconteceu de a parede estar no lugar errado na hora errada.

— Descontar a raiva por que? Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou preocupada.

— Não aconteceu nada. Agora esquece isso, ta bom? Eu não queria que ninguém ficasse sabendo que eu soco paredes por ai.

— Tudo bem, eu não vou contar pra ninguém. Mas você vai me contar o motivo de ter feito isso.

— Uma outra hora, ok? Eles já devem estar vindo pra cá.

Dito e feito, logo em seguida Jake, Matt e Milla aparecerão virando o corredor em nossa direção.

— Ei, japa! — Matt se adiantou. — Ta tudo bem cara? Você fico estranho depois que o Mike foi embora. — Recebi um olhar suspeito de July naquele momento.

— Impressão sua, cara. Eu só tava com um pouco de sede. — Tentei disfarçar. — Vamos? O treino foi pesado hoje, to morto de fome.

No caminho de volta pra casa eu fiquei calado o máximo que a situação permitia. Fingia escutar o que Pete e Matt discutiam avidamente ao meu lado, me esquivando dos olhares preocupados, ora de July, ora de Milla.

— Ei, Caius. — Milla falou baixo ao meu lado, puxando meu braço pra que me aproxima-se dela. — E ai, quando a gente vai voltar com as aulas de violão?

— Não, sei. To de castigo ainda. — Falei seco, puxando meu braço e voltando minha atenção a conversa de meus dois amigos. Ela não tentou se aproximar durante o resto do caminho, e eu evitei todos os olhares confusos da parte dela.

•••

Eu passei a primeira parte da manha de sexta feira tentando ao máximo ignorar as conversas ao meu lado. Quando a sineta tocou eu estava guardando minhas coisas quando July apareceu.

— Japa, preciso falar com você. — Ela disse se aproximando. Eu pude ver por cima do ombro da garota o olhar gélido de Jake na minha direção.

— Ta.

— A sós, por favor? — Ela disse me puxando pela mão. — Eu preciso resolver uns detalhes de amanha com ele. — Ela falou quando percebeu Pete, Matt e Jake a olhando curiosos. Ela me levou até a entrada do prédio onde ficava a biblioteca.

— Aqui é sossegado, podemos conversar sem correr o risco de aparecer alguém pra atrapalhar.

— Olha, sobre ontem, eu tava com a cabeça quente atoa. Você não precisa se preocupar com uma bobeira dessas.

— Preciso sim, porque seja lá o que for que tenha acontecido tem feito você tratar a Milla muito mal. E alem do mais eu já tenho quase certeza do que foi. — Ela disse abrindo um sorriso que não me inspirou ser boa coisa.

— Você não contou pra Milla que eu soquei a parede, contou? — Perguntei preocupado.

— Não, apesar de vontade não ter faltado. Ela não entendeu nada porque é mesmo muito lerda, mas eu não sou. E diga-me se não é uma baita coincidência você ter tido sua crise de ódio depois de ver Mike Newler dar em cima de Milla descaradamente na sua frente, hein?

— Você nem tava lá, como sabe que foi isso que aconteceu? — Eu perguntei, o medo percorrendo meu corpo inteiro.

— Porque a Milla me contou que foi isso que o Mike fez, e que você saiu logo depois dele, e mais ainda, que você parecia estar passando mal. Sabe que ela ficou preocupada com você? Ate você ter dado aquele corte nela na volta. Admita Caius, você ta caidinho por ela, não ta?

— D-o-o q-uee vo-ocê ta-ta falando? — Eu perguntei, mais vermelho do que eu me lembrava ter ficado em toda a minha vida.

— Disso! — Ela apontou pra mim. — Você ficou mais vermelho do que eu tenha visto até hoje só de eu mencionar a possibilidade. E agora não consegue mais falar! Ta na cara que você gosta dela, para de fingir que não.

— O-ok. Por favor não conta isso pra ninguém. Eu to te implorando July. — Eu disse desesperado.

— Eu não ia contar, não se preocupe. Eu só não entendo por que você não chamou ela antes do babacão do Mike.

— Eu tinha esquecido do baile, quando eu me lembrei dele a Milla já tinha aceitado ir com aquele cara. — Eu disse cabisbaixo.

— Bom, a sua sorte é que eu também não gosto dele. O cara é muito babaca pra Milla. Por isso eu vou te ajudar, se você quiser é obvio. — Ela disse sorrindo.

— Me ajudar? Com o que? — Perguntei, sinceramente confuso.

— A conquistar a Milla seu palerma! — Ela disse ficando irritada comigo.

— Ah! Mas como você vai fazer isso?

— Simples. A Milla é minha melhor amiga, logo, eu sei as coisas que agradam ela. Logo eu vou transformar você no cara perfeito pra ela. De quebra eu ainda me livro do idiota do Newler. Acredita que ontem ele me expulsou da arquibancada pra poder falar com ela? — Ela falou em tom ofendido. Eu estava começando a achar que talvez essa fosse uma boa idéia.

— Ta bom então. E quando você vai começar a me ajudar então, senhorita sabe tudo?

— Agora! Você vai procurar a Milla e vai pedir desculpas por ter sido groso com ela ontem. — Ela falava enquanto me empurrava na direção da escola. — Eu sei que ela falou com você sobre a situação da família dela, então você vai perguntar como andam as coisas por lá. Converse com ela, tente se aproximar de novo, ela vai ficar um pouco arredia depois do modo como você tratou ela ontem. E é bom que você faça isso longe de qualquer um dos rapazes, principalmente o Jake.

— Porque principalmente o Jake? — Perguntei confuso.

— Porque assim como você, ele também sente ciúmes, e nesse momento ele deve estar louco pra te dar uma surra por ter sumido comigo. Logo, se você for esperto vai sumir da vista dele.

— É, você tem razão.

— E você não vai contar pra ela de forma alguma que ficou com ciúmes do Mike, nem inventar nenhuma historia mirabolante. Você simplesmente não vai contar o motivo, deixe ela curiosa, ok? E mantenha contato físico durante toda a conversa, assim. — Ela disse segurando minha mão entre as suas.

— Pra que isso?

— As mulheres são seres que reagem melhor com o contato corporal, meu caro amigo oriental. Ao contrario dos homens que evitam contato o máximo possível, nós mulheres nos sentimos mais confortáveis tocando a pessoa com quem conversamos. É uma forma de se expressar. Tenta isso, e você vai ver como ela vai ficar menos arredia nas conversas com você.

Eu e July nos separamos quando voltamos pro pátio principal. Eu encontrei Milla sentada conversando com Jess em um banco no meio do lugar.

— Milla, posso falar com você um minutinho? — Eu disse meio constrangido. Era óbvio pela expressão da garota que ela estava chateada pela forma que eu a tinha tratado ontem. Ótimo.

— Que foi japa? — Ela perguntou ríspida.

— Vem comigo, rapidinho. — Eu me aproximei reunindo força pra pegar a garota pela mão e levá-la pro mesmo lugar onde eu tinha ficado conversando com July.

— Agora você resolveu voltar a falar comigo? — Ela falou, seu olhar me ferindo de uma forma lancinante.

— De-e-ssculpa por ontem Milla. — Eu acabei gaguejando enquanto falava, seu olhar ainda era o mesmo sobre mim. — Eu só tava um pouco irritado e acabei descontando em você. A culpa não foi sua, eu não devia ter feito o que fiz.

— Não sei se você merece que eu te perdoe. — Ela disse virando o rosto pro lado.

— Me desculpa vai? — Eu disse apertando a mão da garota entre as minhas, da forma como July tinha demonstrado mais cedo.

— Ta bem... — Ela falou olhando pra mim. Não é que a July estava certa. — Mas me prometa nunca mais ficar assim comigo atoa, como você mesmo disse, eu não fiz nada!

— Eu sei que não fez, mas eu sou meio idiota às vezes. — Eu disse sincero. — Eu prometo que não faço isso com você nunca mais, ta bom assim? — Eu disse sorrindo pra ela, que correspondeu imediatamente, me puxando pra um abraço apertado, Meu coração ficou acelerado instantaneamente, como se fosse fugir do peito. A respiração ofegante por ter prendido o ar sem sequer perceber. Deus, um dia essa garota ainda me mata!

Quando Milla me soltou nós ficamos ali encarando um ao outro por alguns segundos. Eu fiquei analisando a bela face da garota. Como podia alguém ser tão perfeito assim?

— Ei, Milla. Sabe eu fiquei preocupado com você depois que me contou sobre a sua família, mas eu não tive oportunidade de perguntar como andam as coisas por lá desde então.

— Ah, isso. Bom, minha mãe deu uma melhorada, mas com relação a parte financeira nós ainda continuamos zerados. Eu só vou no baile por que eu dei sorte da July vestir o mesmo número que eu... — Ela disse cabisbaixa.

— Não fica assim! — Eu disse afoito. — Pelo menos a sua mãe teve uma melhora.

— É, hoje eu vou passar a tarde tomando conta dela lá em casa. Ela acaba ficando muito triste de ter que ficar em casa parada sozinha.

— Sabe, meus pais falaram que eu não podia levar ninguém lá em casa, mas não falaram nada sobre eu ir na casa dos outros. Que tal se eu alugar um filme e a gente assistir com a sua mãe hoje? A gente pode jogar baralho depois. — Eu disse me animando.

— Não sei Caius. A minha casa é muito humilde comparada a sua, e ela está toda bagunçada.

— Prometo pra você que eu não ligo. Você já teve o desprazer de conhecer a bagunça do meu quarto, não pode ficar pior do que aquilo.

— Olha, ta bom, mas eu vou ter que pedir permissão pra minha mãe antes. Eu vou ligar pra ela depois da aula.

— Excelente! — Eu disse feliz por ela ter aceito a minha idéia.

Nós ficamos ali conversando amenidades até o momento em que a sineta tocou anunciando o final do intervalo. Pouco antes de entrar na sala de aula eu vi July me chamando.

— E ai japa, como foi? — Ela perguntou, a curiosidade presente em sua expresão.

— Tudo certo. As dicas que você me deu funcionaram perfeitamente, valeu por me ensinar aquele negocio da mão.

— Eu disse pra você confiar em mim! — Ela disse feliz.

— Eu me convidei pra ir na casa dela hoje. Que você acha disso?

— Hum, foi uma boa jogada, mas toma cuidado pra não falar nada errado pra dona Cirin, ela é legal mas adora pegar no pé dos outros.

— A mãe da Milla?

— Essa mesma.

— Ta certo, vo tentar não fazer nada errado. — A garota fez menção de se dirigir pra sala de aula. — Ei, perai. Você conversou com o Jake?

— Sobre?

— Não ta rolando nada entre a gente e você só estar me ajudando.

— Não, ele não perguntou, só fez cara feia o tempo todo. Deixa assim, é bom que se ele se sentir ameaçado ele deixa de ser bocó e me pede em namoro logo. — Ela disse voltando pra sala.

O resto da aula foi monótono como sempre, Jake parecia ressentido comigo. O gigante não direcionou a palavra a mim em nenhum momento, nem quando a professora de literatura nos fez formar grupos para debater o livro que ela tinha nos mandado ler.