Uma Nova Vida
12 Capítulo 12
Notas iniciais
“Ela não soube o que dizer. Eu sorri, respostas mudas insistiam em tentar escapar pelos lábios de Milla, mas estes permaneciam entreabertos. Palavras lhe vinham à garganta, mas seus lábios não se moviam, não havia som. O ar entrava imperceptível nos pulmões dela, o mundo girava devagar, tudo em câmera lenta. As pontas dos meus dedos roçaram o rosto de Milla para depois irem se enroscar nos fios de seus cabelos. O cheiro dela parecia estar em todo o ar da cidade. Eu senti o rosto dela se aproximando do meu, o hálito quente roçando meus lábios, o toque suave dos dedos dela em minha nuca, arrancando-me suspiros imaginários.
Milla fechou os olhos e entregou-se àquele toque terno. Meus dedos lhe acariciaram o rosto, parando nos lábios como se eu pudesse beijá-los com as pontas dos dedos.
Eu não pôde evitar retribuir o beijo, abrindo passagem para a língua dela que ansiava pelo gosto da minha. Nós esquecemos da cidade ao redor e ativemo-nos àquele momento. Não soube dizer quanto tempo aquele beijo durou. Minhas mãos passeavam pelos cabelos de Milla, enquanto sentia o coração dela bater sob sua mão em seu peito. Eu a beijava como se nada mais importasse, e era exatamente isso que ela sentia. Nada mais importava, a não ser aquele gosto doce. Não ligava se o mundo acabasse, se o céu desabasse sobre eles, se o chão rachasse sob seus pés, se os prédios ruíssem à sua volta, nada atrapalharia aquele momento. A não ser a falta de ar.
Mesmo contra vontade, me afastei dos lábios dela, com a respiração descompassada. Eu corei como sempre. A realidade pareceu vir à tona quando abri os olhos. Minhas mãos soltaram os cabelos dela e foram parar nos bolsos. Por quê?”
Acordei subitamente, com um sorriso enorme em meus lábios. Eu tinha sonhado com ela. Um sonho verdadeiro de mais pro meu gosto. Eu ainda podia sentir o gosto doce de seus lábios imaginários sob os meus. O cheiro do perfume de Milla não saia da minha mente. Meu coração estava disparado dentro de meu peito.
Levantei indo pro banheiro tomar um banho gelado e me acalmar. Já tinha se passado quase um mês desde a morte da mãe de Milla. Eu havia cortado meu cabelo na mesma semana, July me levou em um salão careiro no shopping no centro da cidade. Meu cabelo ainda estava cumprido, menos do que antes, ele estava três dedos abaixo das orelhas, o cabeleireiro cortara ele repicado de uma forma extremamente legal. Eu parecia um daqueles roqueiros que a Milla tanto gostava, bem mais másculo eu tinha que admitir.
A garota ficara extremamente triste nos primeiros dias, mas na segunda semana ela já conseguia disfarçar melhor tudo que estava acontecendo. Ela ainda não conseguira superar, mas as coisas estavam menos tristes agora. Eu e July vínhamos nos esforçando ao máximo pra não a deixar pensando muito tempo sobre o assunto. Milla havia se tornado mais distante de nós depois do ocorrido. Eu não tinha entendido a principio, mas depois presumi que isso ocorrera por causa da perda que ela sofrera.
Eu me preocupava com a garota, mas não foi por isso que eu deixei de viver naquele ultimo mês. Eu segui os conselhos de July e levei em diante meu relacionamento com Nina. A garota era incrível, ela assim como eu e July vinha se empenhando ao máximo pra ver Milla distraída da morte da mãe.
Ela era a pessoa perfeita pra me fazer esquecer todo aquele sentimento não correspondido que eu tinha por Milla. Nina era compreensiva, alem de linda e carinhosa. Nutrir sentimentos por Milla vinha me fazendo mal, então decidi tentar esquecer-la, a contra-gosto de July que odiara minha decisão. Mesmo não gostando do que eu tinha decidido ela não falara nada para Milla, mas continuara sendo minha melhor confidente.
Os dias passaram como uma bala de revolver. Hoje era dia de mais um jogo. O ultimo dessa temporada, nós estávamos na final. A escola inteira estava torcendo por nós, coach Baissem pegando mais pesado do que eu consigo me lembrar.
Depois da briga no baile do centenário, Sanders havia sido afastado do time, assim como Pete, que não poderia jogar no time de Baseball na temporada que começaria em agosto. Alem de tudo os haviam pegado um mês inteiro de detenções com o coah.
Com Sanders fora do time nós tivemos um grande desfalque, afinal ele era o QB principal do time. Baissem colocou um novato no lugar dele, Berry Sims. Ele estava na nossa sala, mas se sentava na frente, próximo as meninas. Ele era um pouco inexperiente em campo, mas isso era superado facilmente durante os jogos. O cara tinha tudo pra ser melhor do que qualquer outro que jogasse em sua posição.
Fui pra escola andando com Jake e Pete. Meu amigo meio gigante ainda não tinha conseguido falar pra July o que sentia. Eu tinha pena do cara, pois todos sabiam que July era completamente apaixonada por ele, só ele ainda não tinha visto isso. Jake se recusava a aceitar que o que sentia pela garota era mais do que amizade.
Pete andava mais revoltado do que o costume. Alem de não poder jogar a próxima temporada de Baseball ele andava puto com as detenções do coach Baissem. As notas dele andavam bem baixas e graças a isso seus pais o colocaram em um castigo severo. Ele não podia sair pra lugar nenhum que não fosse a escola. Ele ainda ficou revoltado quando eu, July e Nina o proibimos terminantemente de tentar cobrar a aposta que ele havia feito com Milla.
Encontramos Matt já sentado em sua cadeira como de costume. Ele nunca mudava, sua vida se resumia a pensar em garotas e jogar futebol americano.
— E ai manada? Prontos pro jogo de hoje a noite? — Ele perguntou ansioso quando nos viu.
— Totalmente! — Eu disse também me animando.
— Sempre. — Jake disse se sentando em sua cadeira como de costume.
— Eu não vou nem poder ir assistir. — Pete disse miserável com a situação.
— É a vida cara. — Matt disse — Mas relaxa, daqui a pouco o seu castigo acaba. As aulas acabam mês que vem, eles não vão te deixar de castigo no verão.
— É o que eu espero. — Pete disse se sentando.
— Eu vou falar com a Nina, já volto. — Eu disse me levantando no momento em que vi a bela garota oriental entrar na sala.
Ela sorriu instantaneamente ao me ver. Eu retribui o belo sorriso da garota, abraçando ela assim que fiquei próximo o bastante.
— Bom dia. — Eu desejei, lhe dando um rápido selinho.
— Um ótimo dia pra você campeão. — Ela disse indo colocar suas coisas na carteira. — Preparado pro jogo de hoje a noite?
— To nervoso, como sempre. Você sabe como eu fico em dia de jogo. — Falei pondo as mãos nos bolsos do bermudão da escola.
— Eu te ajudo a relaxar mais tarde. — Ela disse sorrindo sapeca e me dando um selinho.
— Que gracinha, tanto amor assim logo cedo. — Milla disse irônica colocando suas coisas na cadeira ao lado da de Nina. — Qualquer dia vocês me matam de diabetes.
— Bom dia pra você também dona mau humorada! — Eu disse sorrindo.
— Bom dia Milla. — Nina disse lançando um sorriso simpático pra garota.
Nina tinha ficado muito próxima dos meus amigos no ultimo mês. Ela e Milla vinham se dando muito bem, assim como July, que agora alem de Jess, carregava Nina pra todos os lugares que ia. Ela parara de falar com Claire desde que a garota tivera um ataque histérico no meio do pátio da escola ao ver eu e Nina nos beijando.
— Bom dia pombinhos. — Milla disse sorrindo pra nós e se sentando em seu lugar. Logo após isso nossa professora de Frances entrara e eu tive que voltar pro meu lugar.
Eu vi July chegar atrasada logo depois de me sentar. As aulas do dia passaram voando, toda a expectativa do jogo de hoje a noite pairando pela escola. Assim que as aulas acabaram eu fui pra casa com Nina, nós dois parando varias vezes durante o caminho pra trocar caricias. Levei a garota em casa, nos despedimos com um beijo de tirar o fôlego.
Passei o resto da tarde estudando, afinal de contas as provas estavam chegando e tudo que eu menos queria era passar meu verão inteiro assistindo aulas de reforço. As aulas de violão com Milla aconteciam ainda, uma vez por semana como sempre. Eu já estava ficando bom naquilo. Eu já tinha comentado com Milla que eu queria aprender a guitarra, mas ela se recusara a me ensinar enquanto eu não dominasse o violão completamente.
A noite chegou e eu fui junto com o resto do time pra cidade vizinha, onde ocorreria a final do campeonato estadual. Nós ficamos aproximadamente uma hora e meia dentro do ônibus.
O jogo começou acirrado, ambos os times muito bem preparados. Ficou tudo empatado a maior parte do tempo, porem o final do jogo foi se aproximando e eles acabaram abrindo uma grande vantagem sobre a gente.
O ar estava quente, eu corria pelo campo com a bola em minhas mãos. A torcida gritava ensandecida, eu desviava dos marcadores que pulavam em minha direção desesperados. Faltavam menos de 10 segundos para o final do jogo, essa era nossa ultima descida e nós perdíamos o jogo por 5 pontos exatos. Eu tinha a chance de me tornar o herói da escola. Eu só tinha mais 15 jardas pela frente e um único marcador pra tentar me impedir de marcar os 6 pontos do toachdown. Era tudo ou nada, se eu caísse agora o meu time não teria tempo o bastante para tentar outra jogada.
Eu corri com a adrenalina pulsando em minhas veias, eu já não conseguia ouvir a multidão das arquibancadas. Agora eram só eu e o jogador a minha frente. Ele se jogou na direção das minhas pernas, a linha da end zone a menos de dois passos de mim. Eu fiz um giro em cima dele e me joguei na direção do fim do campo com os braços estendidos, com a esperança de conseguir passar a bola. A pancada que eu recebi me fez voar por cima do jogador, o impacto me jogando totalmente desengonçado em uma direção que eu não identifiquei.
Minha visão estava preta, meu capacete não estava mais em minha cabeça, eu não fazia a menor idéia do que acontecerá. A única coisa que eu sabia era que doía, doía muito. Meu corpo reclamava por inteiro, e eu realmente não queria saber meu estado nesse momento, só me importava saber se eu tinha conseguido.
Eu abri os olhos e vi o céu, as luzes dos holofotes do estádio me cegando imediatamente, o capacete de alguma forma já não estava em minha cabeça. Eu vi um Matt preocupado se ajoelhando ao meu lado.
— Você ta bem japa? — Ele dizia com os olhos arregalados.
— Eu consegui? — Minha resposta veio no sorriso que ele esboçou. Uma multidão de pessoas começou a me cercar. Um enfermeiro empurrou Matt para o lado e começou a me imobilizar.
— A pancada foi feia, se afastem nós vamos ter que tirar ele daqui! — O enfermeiro gritava. — Mais tarde quando ele sair do hospital vocês podem comemorar a maldita vitoria, mas agora ele precisa ser atendido.
Eu fechei os olhos e sorri. Eu podia até ter me machucado, mas tudo valeu à pena. Deixei-me ser levado pela exaustão e a dor, desmaiando novamente.
Acordei observando o teto totalmente branco. Eu devia estar no hospital. As memórias de eu sendo socorrido em campo vinham a minha mente naquele momento. Meu corpo inteiro parecia doer. Eu podia sentir alguma coisa presa em meu pescoço, não conseguia abaixar a cabeça pra dar uma conferida no resto do corpo.
Virei o rosto vendo minha mãe e Milla cochilando sentadas em duas cadeiras a beira de minha cama. Fiquei ali observando atentamente a garota de cabelos negros dormir como um anjo. Ela não parecia muito confortável na posição em que se encontrava. Eu podia ver a baba escorrendo de seus belos lábios. Uma vontade súbita de rir se apossou de mim. Tentei segurar o máximo possível pra não acordar as duas.
— Caius, como você ta se sentindo? — Milla levantou subitamente quando me viu rindo pra ela.
— Dolorido. E você? — Perguntei rindo.
— Para de brincadeira, você se machucou pra valer la no campo ontem a noite. — Dessa vez era minha mãe quem falava.
— Ontem? Já ta de manha? — Perguntei, perdido completamente no tempo.
— Ta de noite filho. Vou lá chamar o médico. — Mamãe disse saindo do quarto, me deixando a sós com Milla.
— Caramba. Em que hospital a gente ta Milla?
— O de Grand Ville.
— Seu pai não ta preocupado por você ainda não ter voltado? — Perguntei me preocupando com a menina.
— Não, eu avisei ele que ia voltar junto com você assim que tivesse alta do hospital. Sua mãe me convidou pra voltar com vocês quando viu que eu não ia conseguir ir pra casa com você preso nessa cama de hospital.
— Oh, mas me diz, o quão ruim foi o estrago? Porque esse troço no meu pescoço não me deixa olhar pra baixo.
— A pancada foi feia, seu capacete voou antes de você bater com a cabeça no chão, isso deixou todo mundo assustado. Mais cedo quando o médico veio falar com seus pais ele disse que você quebrou o pé esquerdo, e parece que o seu ombro tava deslocado também. Você levou alguns pontos na cabeça também. Mas a pior lesão foi a do pescoço, não teve danos muitos graves, mas se a pancada tivesse sido um pouco mais forte você teria ficado aleijado. — Ela disse soando extremamente preocupada. — Mas ele disse que você ia poder ir embora pra casa assim que acordasse.
— Caramba. Eu lembro de ter voado, mas não me lembro de ter machucado a perna. Como ficou o jogo? Nós ganhamos não é?
— Como você se preocupa com o resultado de um jogo estúpido nessas horas? — Ela falou brava. — Vocês ganharam sim, mas olha o custo disso. Agora vai ficar um mês inteiro andando de muletas! E mais uma semana com esse troço ai no pescoço!
— Calma Milla, relaxa, ta tudo bem como você mesma disse. — Eu disse ainda assustado com a reação dela.
— A ultima vez que alguém falou isso pra mim eu vi a minha mãe morrer na minha frente no dia seguinte... — Ela disse cabisbaixa. Eu me arrependi imediatamente de ter aberto a boca naquele instante.
— Desculpa. Não era minha intenção fazer você lembrar disso. Eu não vou morrer Milla, pelo menos não hoje, eu prometo. — Eu disse tentando sorrir ante a expressão triste da garota.
— Tudo bem. Desculpa ter brigado com você, eu não tenho esse direito, não sou sua namorada nem nada parecido.
— Não precisa se desculpar, você ta certa. Eu tenho que deixar de ser irresponsável.
No momento seguinte minha mãe entrou junto com meu pai e um senhor usando jaleco branco, que eu presumi ser o médico.
— Como esta se sentindo Caius? — O médico perguntou se aproximando de mim.
— Dolorido.
— Isso é normal, eu vou te passar um remédio pra dor que deve aliviar isso um pouco. O seu pescoço sofreu um dano considerável rapaz. Você deu muita sorte de não ter sofrido nada mais grave. Vai ficar com esse colar cervical durante a próxima semana, só tirando ele pra tomar banho, ok? — Eu fiz que sim com a cabeça. — O gesso do pé você vai poder tirar mês que vem. Eu aconselho que procure o hospital mais próximo da sua casa quando for tira-lo. De resto você só tem algumas escoriações, normal depois do jogo. Você ta liberado pra ser levado pra casa quando quiser. Tchau.
Ele disse saindo do quarto.
— Eu vou te ajudar a se trocar, vem meu filho. — Minha mãe disse me ajudando a levantar da cama. — Milla, você pode procurar o Marcus pra mim? Ele falou que ia comprar alguma coisa pra comer da ultima vez que eu vi ele.
Milla saiu do quarto seguida de meu pai. Minha mãe me ajudou a por a roupa que eu tinha levado dentro da minha bolsa pro jogo. Depois que eu terminei de me arrumar nós fomos pro carro, onde encontramos meu pai, Marcus e Milla já a nossa espera.
— E ai, como ta maninho? — Eu vi meu irmão me perguntar preocupado.
— Ta doendo um pouco, mas ta tudo bem. Agora me conta, como ficou a situação depois que eu desmaie? — Perguntei curioso.
— Cara, que jogada aquela ultima sua! Foi lindo de ver pequena mala. Aquele jogador do time adversário quase te impediu de entrar com a bola na end zone, mas o seu braço ficou caído com a bola dentro dela. Mano, sua queda foi umas das mais lindas que eu já vi em toda a minha vida. Todo mundo no estádio ficou em silencio quando perceberam que você não levantou. O cara que te derrubou entrou em desespero achando que tinha te matado lá. Nós entramos em pânico, de verdade.
— Nunca mais pense em fazer isso de novo, ouviu rapaz? — Meu pai disse sério. — Eu quase tive um ataque do coração quando você não levantou. A Nina queria bater nos seguranças que não deixaram ela entrar no campo pra ver como você estava. Ela só foi pra casa por que os pais dela foram relutantes em deixar ela ficar aqui conosco.
— Lembre-se de ligar pra ela assim que chegar em casa meu filho, ela estava realmente preocupada com a sua saúde. — Minha mãe disse.
O resto do caminho foi mais animado, aparentemente Marcus e Milla tinham ficado amiguinhos desde que passaram o dia inteiro no hospital esperando eu ter alta. Eles passaram a viajem inteira pegando no meu pé juntos. Meus pais deixaram Milla em casa assim que chegamos na cidade. Quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz, assim como minha mãe mandara foi ligar pra Nina e avisar que estava tudo bem.
Ela parecia realmente aliviada quando eu desliguei o telefone. Nessas horas eu me perguntava se o que eu vinha fazendo com a garota era certo. Ela estava visivelmente se apaixonando por mim, e eu tinha plena consciência que o que eu sentia por ela era só um grande carinho de amigo. Será que eu deveria terminar tudo com ela? Mas nós nem tínhamos começado a namorar.
Eu precisava falar com alguem sobre aquilo. Pensei em ligar pra Matt ou Jake, mas me lembrei que nenhum dos dois sabia dos meus sentimentos por Milla. Ia ser difícil explicar pra eles o por que de eu fazer aquilo sem contar essa parte da historia. Nesse momento me lembrei de July. Eram onze o pouca da noite, ela provavelmente já estaria dormindo a essa hora. Custava nada tentar ligar pro celular da menina.
— Alo? Quem é o puto que ta me ligando a essa hora? — Ela atendeu mal-humorada.
— Erh... sou eu, o Caius. — Respondi vacilante.
— Porque diabos você ta me ligando a uma hora dessas, seu indigente? — Ela falou, soando mais nervosa ainda quando descobriu que era eu.
— Erh... eu precisava conversar com alguem, ai eu lembrei que só você sabia tudo que ta rolando na minha vida. Desculpa por te acordar.
— Ta né, agora que eu já levantei, desembucha logo. — Ela ainda estava rabugenta, mas parecia menos nervosa.
— Olha só, eu to pensando aqui comigo, eu to começando a achar que ter continuado a ficar com Nina foi um erro.
— Jura? Que foi que eu te falei quando você teve essa idéia maravilhosa? — Ela soou irônica.
— Eu sei. O problema é que agora eu não sei mais o que fazer. Eu gosto muito dela, mas eu to vendo que ela ta se apaixonando de verdade por mim. Eu não quero magoar ela pra valer.
— Então termina agora que o dano não foi muito feio. Quanto mais tempo você adiar isso, mais ela vai sair machucada dessa historia Caius. Se você gosta dela do jeito que ta falando é bom fazer o que eu to te dizendo. A melhor solução é você terminar com ela amanha, que é domingo, assim ela tem o dia inteiro pra entender a situação. Se você fizer isso na segunda vai ser pior porque ela vai estar na escola. É menos indolor fazer isso rápido, mas faça ao vivo, nada de terminar com a garota pelo telefone. Entendeu tudo que eu falei ou precisa que eu repita?
— Claro, vo tentar me lembrar de tudo amanha. — Falei tentando gravar tudo que ela falara pra mim. — Boa noite, até segunda.
Eu falei e desliguei o telefone logo em seguida. Agora só faltava eu arrumar um jeito de falar pessoalmente com ela amanha. Assim que eu acordar vou ligar pra ela e convidar pra vir me visitar.
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