Uma Nova Semideusa: A Reviravolta - Hiatus
15 Capítulo 14
Notas iniciais
(POV Lily)
Acordo escutando vozes e passos no corredor. A primeira voz, que eu acho que é Meggie, fala:
– Não faz isso! Você não pode simplesmente invadir o quarto deles! Ainda mais nas circunstancias que eles estão...
Então batidas na porta me despertam ainda mais. Porém não eram batidas comuns, eram tão fortes que parecia que um rinoceronte queria arrombar a porta. Depois de alguns segundos, alguém abre a porta num estrondo, fazendo com que eu e Nico déssemos eu pulo e nos cobríssemos ainda mais com o lençol.
– Jura? – Perguntou Lena. – Vocês nem se deram ao trabalho de trancar a porta?
– Lena, o que é... – Nico começa a falar, mas Lena o interrompe.
– Nico, não reclama porque se fosse eu e o Travis, você teria arrombado a porta há muito tempo. Agora, Lily, vista-se. Precisamos falar com você.
E foi aí que eu percebi. Meggie estava toda vermelha de tão envergonhada, um pouco atrás da Lena.
– Hum... Vocês podem, sabe? Virar de cos...
– Estamos esperando no corredor – concluiu Lena.
Elas saíram do quarto, e eu deitei em cima de Nico.
– Bom dia – ele falou sorrindo e botando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
– Bom dia – respondi. – Então... – estava morrendo de vergonha, mas tinha que perguntar – se eu perguntar uma coisa, promete que vai falar a verdade?
– Prometo.
– Você já tinha... sabe, feito aquilo, com a Annabeth?
Ele negou com a cabeça e me beijou.
– Não. Minha primeira vez foi com você. Eu sei que pode soar estranho, mas... nunca me interessei por ninguém, a não ser você. Minha vida era solitária demais para eu pensar em amor. Mas você apareceu, então, assim que te vi, me apaixonei e, bem, a partir daí, você já sabe a história.
Sorri, satisfeita com a resposta. Dei um selinho nele e saí correndo para me arrumar. Botei qualquer roupa e corri para o corredor.
– Queriam falar comigo? – Perguntei.
– Na verdade, Lena quer – avisou Meggie, lançando um olhar encorajador para Lena.
Eu comecei a ficar preocupada. Meggie volta para o quarto antes que eu ou Lena falássemos algo. A filha de Hades me olha e pergunta:
– Podemos conversar lá fora?
– Claro.
Eu e Lena fomos andando calmamente pelo saguão do hotel, porém podia ver que ela estava nervosa. E isso me preocupava.
Assim que saímos do hotel, ela se direcionou a um banco, sentando-se ali logo em seguida. Rapidamente eu me sento ao seu lado. À princípio ela não falou nada, então, para incentivá-la, eu falei:
– Então... queria falar comigo?
– Queria, é que... bem... é complicado. Nem sei por onde começar.
– Pelo começo, talvez? – Sugeri, rindo e tentando quebrar o clima tenso. Mas não funcionou. Lena continuou séria.
Ela suspirou fundo e pareceu estar procurando as melhores palavras. Por fim desistiu, e acabou sendo o mais direta possível:
– Lily, eu estou grávida.
– VOCÊ O QUE?! – Gritei, levantando-me do banco.
Lena arregalou os olhos, com medo que alguém ouvisse. Ela tentou me puxar de volta para o banco, mas eu recuei.
– Lily, fica calma. Olha, não foi minha culpa! Quer dizer, não inteiramente minha.
Comecei a andar de um lado para outro tentando raciocinar. Ela ficou ali, apenas esperando que eu me acalmasse. Quando finalmente consegui processar tudo aquilo, voltei me sentar ao lado dela.
– Lena, como isso aconteceu? – Perguntei suspirando.
– Foi só uma vez, juro! Foi logo no dia que voltamos ao Acampamento, estávamos com tantas saudades um do outro! Durante o ano, nós mal nos vimos e quando conseguíamos ficar juntos, Nico sempre atrapalhava! Então, quando finalmente arranjamos um tempo para nós dois... a saudade era tão grande que não conseguimos nos controlar.
Apoiei meus cotovelos no meu joelho e minha cabeça na minha mão.
– Como você descobriu? – Perguntei.
– Bem, estava muito enjoada, e o enjôo não parava. Então Meggie perguntou se não tinha a possibilidade de eu estar grávida. A princípio ri da possibilidade, mas então lembrei que era uma hipótese bem possível... Então viajei pelas sombras até a farmácia mais próxima, peguei um teste de gravidez e voltei para o hotel. Então eu fiz o teste, e deu positivo. Você é a primeira pessoa a saber. Queria que fosse a primeira. Você é a melhor amiga de Travis, e... bem... a minha também. Quer dizer, gosto de Meggie, Kate e da Annabeth, mas não sou tão próxima delas.
Fiquei feliz por ela me considerar tanto e por ser a primeira a saber. Mas tinham coisas mais importantes para resolver agora.
– Lena, você tem que voltar para o Acampamento – falei, olhando diretamente para os olhos dela.
Ela começou a negar freneticamente com a cabeça.
– Não posso, Lily! Você não entende, eu preciso de Travis! Mais do que nunca, estou apavorada, com o que Nico vai fazer, com que Hades vai fazer! Com tudo! Eu preciso dele!
Então lágrimas começaram a surgir dos olhos escuros da filha de Hades. Eu imediatamente a abracei e beijei seus cabelos.
– Vai ficar tudo bem, Lena. Mas não adianta você arriscar a vida do seu filho. Eu salvo Travis, ok? Todos estão aqui para salvá-lo, então, por favor, vá para casa. Imagina o que Travis ia pensar, se soubesse que estaria arriscando a vida do filho de vocês por isso!
– Não, Lily! Não dá, você tem que entender! A única coisa que me segurou em pé quando eu vi “positivo” foi Travis. Penar que, apesar de tudo, ele estaria lá comigo. Seriamos nós dois contra o mundo. Não posso ficar no Acampamento de braços cruzados, esperando que vocês o resgatem.
Eu levantei do banco e me ajoelhei em frente à Lena. Segurei sua mão e disse, olhando em seus olhos:
– Eu sei que, não importa o que eu diga, nada vai fazer com que você mude de opinião. Então, tudo bem, pode continuar com a gente na missão, mas vai ter que me prometer uma coisa.
– Qualquer coisa! – Respondeu Lena, desesperada.
– Você não poderá se arriscar em nenhum combate, e com nada. Não vai ficar fingindo que ainda pode continuar, quando não pode. Vai ter que fazer exatamente o que eu disser. Se eu falar “corra”, você vai correr o mais rápido possível, se eu falar “fuja”, você vai fugir para o mais longe que der, se eu falar “viaje pelas sombras para o Acampamento” você vai fazer. Outra coisa, você não vai lutar, apenas se for extremamente necessário. Eu e Nico vamos te proteger durante as lutas. E nada de espadas, ou armas de curo alcance. A partir de agora você só vai usar o arco e flecha, para não se arriscar demais. Ah, é! Também vai ter que contar e obedecer a ele.
Lena suspirou.
– No fundo, já esperava por isso.
Eu voltei para o banco e a abracei de lado.
– Sabe, acho que nas suas condições, também faria a mesma coisa. Nós duas somos muito teimosas, não somos? – Perguntei.
– Com certeza. Um dia Nico ainda fica louco com nós duas – concordou Lena rindo.
– Falando nele, precisamos arranjar um jeito de contar para ele – lembrei.
Lena fez uma careta.
– Pensamos nisso mais tarde, ok? – Ela perguntou. – Mas agora acho melhor voltarmos.
Concordei e me levantei, ajudando Lena se levantar logo em seguida. Seguimos, juntas, até o corredor dos quartos e, quando fui me despedir dela, dei um beijo na testa dela e a abracei, sussurrando no seu ouvido:
– Conte para Meggie, ela vai te ajudar como ninguém.
Não sei exatamente como eu sabia daquilo, mas tinha certeza que Meggie a ajudaria.
(POV Lena)
Entrei no meu quarto e Meggie estava sentada na cama dela, olhando para seus pés. Assim que eu bati a porta ela levantou o olhar.
Lembrei do que Lily havia dito e pensei que não era justo esconder segredo dela, justo ela que tinha me ajudado!
Lentamente, andei até ela e me sentei ao seu lado. Tirei o teste de gravidez que eu tinha guardado no bolso e entreguei a ela.
Meggie abriu um sorriso e me abraçou. Reação completamente diferente da de Lily, que tinha ficado preocupada comigo.
– Parabéns, Lena! Você vai ser mãe! – Ela gritou.
– Quieta! – Gritei também. – Só você e a Lily sabem! Mas tarde conto para todos.
– Ah... certo. Desculpe.
– Não foi nada, apena vamos arrumar as coisas. Daqui a pouco temos que sair do hotel e continuar a missão.
(POV Lily)
– O que Lena queria? – Perguntou Nico, assim que eu entrei no quarto.
– Ah, nada demais. Queria discutir sobre a missão – menti.
Nico se levantou da cama, agora já vestido.
– Então você se levantou e passou todo esse tempo longe de mim para isso? – Ele perguntou enquanto enlaçava minha cintura e me dava um beijo.
Sorri antes mesmo que acabasse o beijo.
– Você é muito idiota, Nico di Angelo! – Falei, ainda sorrindo.
– Só quando estou perto de você – ele disse, me fazendo revirar os olhos e sorrir ao mesmo tempo.
– Tem certeza? – Perguntei sarcástica.
– Absoluta.
Ele me beijou de novo.
– Está muito romântico hoje, senhor di Angelo – comentei.
– Será que é porque ontem eu tive a melhor noite da minha vida? – Perguntou e logo em seguida beijou minha bochecha. – Agora, vamos arrumar as nossas coisas.
Arrumamos tudo e ficamos esperando na recepção. Assim que todos chegaram, Annabeth foi pagar o hotel e depois voltou a se juntar a nós.
– Vamos? – Ela perguntou.
Todos se levantaram e saímos, finalmente, do hotel. Como já havíamos decidido, iríamos tentar pegar outro ônibus, mas por uma curta distância.
Eu queria conversar com Lena, urgentemente. Mas Nico não saia do meu lado! Minutos depois, consegui despistá-lo, fui falar com ela.
– E aí? Contou para Meggie? – Perguntei.
Antes mesmo de ela responder, Meggie apareceu ao lado da Lena.
– Temos que arranjar um jeito de contar para o Nico, sem que ele fique uma fera.
Sorri. Era bom Lena ter mais alguém para poder contar.
– Isso vai ser complicado – comentou Lena.
– Podemos contar para todo mundo ao mesmo tempo, ele não poderia brigar com você na frente de todos, pelo menos, não vai poder fazer um escândalo imenso – opinei.
– Não. Tenho que falar primeiro com ele. Nico merece que eu, e apenas eu, conte para ele.
Ficamos todas caladas. Sabíamos que quando Nico soubesse, ele iria até Centralia, salvaria Travis e o mataria depois, apenas para ter o prazer de ter matado com as próprias mãos.
– Enquanto vocês pensam em algo, vou arranjar um arco para você, Lena – disse.
Eu comecei a andar em direção a Annabeth. Ela estava com Kate e as duas pareciam discutir algo.
– Annabeth – chamei –, preciso de um arco.
– Aqui – ela me deu um arco e voltou a conversar com Kate. Pelo visto, o assunto era importante, porque ela esqueceu das flechas.
– Annabeth... Você se esqueceu das flechas.
– Ah... desculpa – ela me deu uma almeja de flechas.
Saí apressadamente dali porque não queria atrapalhar as duas. Voltei para o lado de Lena e dei o arco e a almeja para ela.
– Resolveram algo? – Perguntei.
– Mais ou menos – respondeu Lena. – Acho melhor contar de uma vez para ele. É como tirar o curativo, se arrancar de uma vez, dói, mas passa rápido.
– Tudo bem – concordei. – Apenas saiba que eu e Meggie estamos aqui.
– Obrigada, de verdade – falou Lena.
Meggie a abraçou de lado e eu segui seu exemplo.
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Já tínhamos pegado o ônibus. Nosso plano atual seria andar pouco nele, por causa do último ocorrido, mas a viagem estava, por incrível que pareça, tão tranquila que andamos até Stroudsburg, já na Pensilvânia. A viagem foi longa. Uma hora e meia, mais ou menos. Tudo ocorreu muito bem, Lena vomitou apenas três vezes. Tudo estava muito bem.
Era noite e resolvermos que era melhor descansar. Annabeth, é claro, sabia o lugar perfeito.
– Têm uma área de lazer, com arvorismo, chalés, como uma área verde, porém habitada, aqui na cidade. Essa hora a parte mais do laser já está fechada, só tem os campistas. Pocono Valley Resort, é o nome. Podemos ir para lá e entrar na floresta. Ninguém vai nos achar.
– Por mim tudo bem – concordou Meggie.
Assim que chegamos lá, começou a chover. Chris tinha falado, mais cedo, que achava que a chuva viria cedo ou tarde. Para mim, isso não era problema. Como filha de Poseidon, nem me molhava. Agora para os outros era diferente.
Decidimos que era melhor ficar ali mesmo. Não daria tempo de ir para outro lugar. Adentramos bastante na floresta, com a esperança de que a floresta ficasse mais densa e que impedisse da água passar. Não foi muito difícil, nós nos instalamos debaixo de uma árvore enorme.
Fizemos uma fogueira e começamos a comer o que tínhamos trazido nas mochilas. A chuva não dava trégua, estava sentada ao lado de Nico, quase dormindo com a cabeça encostada no ombro dele, quando Chris me chama:
– Lily, posso falar com você?
– Pode, sim. O que houve? – Perguntei.
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