Uma Nova Semideusa: A Reviravolta - Hiatus
12 Capítulo 11
Notas iniciais
(POV Nico)
Lily adormece deitado no meu ombro enquanto eu brincava com os cachos perfeitos dela. O seu sono era mais que merecido, fazia horas que ela não dormia, estava ficando preocupado.
Botei meu casaco como um cobertor nela e fiquei atento na entrada do ônibus, aguardando a entrada da Lena, da Kate e da Annie.
Quando elas entram, assovio para Christopher e Meggie. Eles logo percebem o que eu queria dizer.
Meggie botou o capuz do casaco e botou um óculos escuros. Christopher abriu uma revista que estava jogada no chão e começou a lê-la de uma maneira que não dava para ver seu rosto.
Eu levantei mais um pouco meu casaco, para que ele escondesse mais Lily, e virei meu rosto para a janela, como se estivesse dormindo. Geralmente as pessoas não reparam muito em mim, então não via motivos para fazer tantos esforços para me esconder.
Era evidente que a chance de sermos descobertos era grande. Afinal, eram duas filhas de Atena. Mas, por pura sorte, elas sentaram três fileiras a nossa frente.
Parei de fingir que estava dormindo, assim como Meggie, mas Christopher continuou lendo. Uma vez filho de Atena, sempre filho de Atena.
A viagem estava muito boa, o que me preocupava e muito. Veja bem, apenas neste ônibus estavam sete semideuses, sendo que três deles são filhos dos três grandes. Era impossível que algo desse certo.
Mas claro, para que eu fui pensar nisso? Uma mulher meio serpente se levanta da sua cadeira na primeira fileira e sibila, com sua língua bifurcada.
– Semideuses! Vou pegá-los!
Meggie me olha, desesperada. Porém só consigo pensar em proteger Lily. Ela estava totalmente indefesa, dormindo no lado do corredor de onde a equidna avançava rapidamente.
Annabeth, Kate e Lena se levantam com armas em punho. Eu puxo Lily mais para perto da janela e a deixo o máximo possível fora do alcance dos monstros.
Não sabia se levantava e ajudava as meninas ou ficava parado, salvando meu disfarce. Estava prestes a decidir ficar ali parado, quando a equidna encurralou Lena.
A arma de Lena tinha caído e estava muito longe dela, era impossível Lena recuar por causa da sua localização. A equidna abriu a boca, mostrando suas enormes presas, estava prestes a avançar contra Lena, quando eu peguei minha espada e, em velocidade recorde, eu me botei na frente de minha meia-irmã, encarei os olhos verdes do monstro como se dissesse “nunca mais toque na minha irmã” e acertei um golpe fatal na sua garganta escamosa.
Inicialmente, Lena suspirou, aliviada, levando a mão ao coração. Porém, depois que ela se recuperou do susto, ela segurou meus ombros e me virou em direção a ela, me empurrando logo depois:
– VOCÊ ESTÁ MALUCO?! – Ela gritou me empurrando com força. – O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? ESTA MISSÃO É MINHA! NÃO SUA, NÃO PRECISO DE VOCÊ AQUI!
A cada frase que ela completava, ela me dava um empurrão, o último foi tão forte que eu acabei caindo no chão. Olhei para ela, surpreso, mas foi impossível de falar algo, pois Kate entra correndo no ônibus, gritando:
– Lena, temos que correr! O ônibus vai explodir!
Foi só nesse momento que eu percebi que não havia apenas um monstro. Fora do ônibus, havia dezenas deles. Inclusive um Hecatônqueires, que tacava bolas de fogo – que pareciam muito com bolas de queimado – na direção do ônibus. O fogo estava quase chegando na gasolina que acabou sendo espalhada pelo chão.
Lena pegou minha mão e começou a me puxar para o lado de fora. Nem deu tempo de Kate me ver, ela estava desesperada demais.
Eu agilmente puxei minha mão e corri para o interior do ônibus.
– LENA VAI! PRECISO PEGAR ALGO! – Gritei.
Vi que ela não queria me deixar aqui, mas ela viu, pela urgência da minha voz, que era importante.
Corri até Lily, que já estava acordada, peguei nossas mochilas e falei, quase gritando:
– Temos que sair daqui! Antes que o ônibus exploda!
Segurei a mão de Lily e corri, junto com ela para a saída por trás do ônibus. Todos conseguiram sair de lá, mas isso não era o bastante. Tínhamos que correr para longe da explosão.
Olhei para trás. Não conseguiremos correr longe o suficiente, pensei, vamos morrer. Eu podia ter apertado a mão da Lily e viajado pelas sombras com ela, mas sabia que ela nunca ia me perdoar se deixássemos Christopher e Meggie assim. Portanto, continuei a correr. Pensei em olhar para trás de novo, para procurar pelos outros, mas decidi prestar atenção em uma coisa de cada vez.
E então o ônibus explode, e com ela, nós somos lançados no ar. Aperto forte a mão da Lily, para que não nos perdêssemos. O que não acontece, porque ela também aumentou o aperto.
Eu e ela caímos e cara num asfalto. Lily larga minha mão e começa a tossir. Ao nosso redor apenas dava para ver fumaça muito densa e chamas, devido ao ônibus. Ela começa a procurar pelos outros. Christopher logo aparece, mancando e com a mão no tórax, mas, fora isso, bem.
– Eu não vejo Meggie em lugar algum – diz Lily, preocupada.
Começamos a procurá-la. Passamos cinco minutos assim. Mas a fumaça era muito densa, tinha muitos mortais ali. Era muito difícil.
– MEGGIE! – Lily não parava de gritar desesperada.
– Vamos encontrá-la, Lily – falei, para acalmá-la. – Não se preocupe.
Eu a abracei e ela, agradecida, se aconchegou nos meus braços. E então continuamos nossa busca. Lily abriu a boca para gritar o nome de Meggie mais uma vez, mas sua voz saiu como um sussurro lamentoso:
– Meggie...
(POV Leo)
Eu já tinha vivido muitas coisas horríveis. Minha mãe morreu nem incêndio pelo qual eu me culpei por anos, Gaia brincou de gato e rato comigo e vivi sozinho por muitos anos. Mas acho que essa foi o pior momento e a pior notícia de toda minha vida.
Tinha acabado de acordar, estava me arrumando, tentando achar uma roupa que não estivesse chamuscada para encontrar com Meggie. Sabia que ela merecia algo melhor que eu, alguém mais bonito e mais romântico, que soubesse lhe dar com as pessoas, e soubesse o que fazer para deixar a namorada feliz e encantada. Eu me sentia um egoísta por estar a prendendo, não falando para ela tudo isso. Mas a necessidade de tê-la ao meu lado era mais forte.
Já estava quase pronto. Só faltava calçar meu tênis e minha meia, quando Lizie, minha meia-irmã, entrou no chalé correndo, e continuou correndo até mim. Eu consegui ver pena no seu olhar.
– Leo... – Ela suspirou, o que fosse que ela falaria, doeria. Ela suspirou, tomando coragem, enquanto eu perdia a minha, e continuou. – Leo, é a Meggie... Estão chamando você lá no chalé de Afrodite.
Não esperei por mais nada. Saí correndo do chalé sem sequer calçar uma meia. Corri descalço pela área dos chalés até o de Afrodite.
Eu nunca gostei do chalé de Afrodite, mas depois de Meggie passei a quase gostar de lá. É claro, nunca vou amar o lugar. Era estranho demais, rosa demais. Agora estava voltando a detestar o lugar, pois cada vez que chegava mais perto, as batidas do meu coração aumentavam. Estava muito nervoso, o que poderia ter acontecido com Meggie?
Os últimos passos foram agoniastes. Mas, do mesmo jeito, apertei o passo para chegar logo ao chalé. Precisava saber de uma vez o que tinha acontecido com minha filha de Afrodite.
Quando eu entrei – sem ao menos bater na porta – Piper estava no centro do chalé, olhando acusadoramente para o restante. Parecia estar dando uma bronca em seus meios-irmãos que fungavam e lacrimejavam. Piper percebeu minha presença e se virou. Logo que ela o fez, pude perceber que ela não estava pior que as outras crias de Afrodite, mas ela estava no controle da situação. Ela precisava ser forte.
Piper segurava uma carta. Ela olhou para mim e eu vi que ela estava com medo, com pena de mim e preocupada. Piper correu até mim e me abraçou forte, repeti seu gesto e dei um beijo em sua cabeça.
– O que aconteceu? – Perguntei com medo.
A garota saiu do abraço e me entregou a carta.
Não queria ler ali, com todos me olhando. Acabei recuando involuntariamente.
– Meggie deixou para você – Piper avisou. – Ela falou que você que devia ler. Só você. Não leia aqui, sei que isso te deixa desconfortável. Mas, se tiver algo importante na carta, vai ter que nos contar, ok?
Eu assenti e sai do chalé. Fui correndo para a floresta, para onde eu geralmente ficava com Meggie. Lá era como o paraíso para mim.
Chegando lá, sentei no tronco quebrado que eu costumava sentar e coloquei a carta no colo. Estava escrito “para o Leo, somente para ele”. Abri-la lenta e cuidadosamente, com medo do conteúdo.
Leo,
Imagino que se você está lendo esta carta eu devo já estar longe... Mais longe do que eu queria estar. Lembra quando você me falou que eu não seria imprudente de fugir? Pois é, na verdade, você estava certo. Nunca teria fugido, pelo menos, não sozinha. Lily veio falar comigo, foi por ela que eu vim. Não fique bravo com ela, ok? Afinal, não era isso que você queria? Que sua namorada e sua melhor amiga se aproximassem? Então, é isso que estamos fazendo.
Quero que você saiba que não te contei pessoalmente porque sou uma covarde e não conseguiria fazê-lo.
Desculpe-me.
Leo, eu não sei se vou sobreviver a esta missão. Quero provar meu valor. Vou mostrar que sou mais que uma filha de Afrodite. Por isso, se o pior acontecer, quero que saiba que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Meu companheiro. Meu idiota. Meu amigo. Meu Filho de Hefesto. Meu namorado. Meu amor. Lembra quando nos beijamos no Lago de Canoagem? Era de manhã bem cedinho, a luz do sol refletia na água e fazia com que seu sorriso brincalhão brilhasse ainda mais. Lembra como Percy ficou bravo naquele dia? Lembra como eu sussurrei que nosso amor ia sempre superar tudo quando ele quase te matou? E quando você me pediu em namoro e eu pensei que você era uma das únicas coisas que realmente importavam na minha vida. Você é pilar da minha vida. Eu te amo, Leo. Eu te amo e sempre amarei. Quando fecho os olhos, apenas consigo sonhar com um futuro onde nós dois estamos juntos. Um futuro, que a partir de agora pode nem sequer existir.
Desculpe-me.
Queria dizer que nesse exato momento em que você lê esta carta, eu estou pensando em você. Porque meus pensamentos sempre estão voltados para você. Queria estar com você, te abraçando e beijando no Acampamento Meio-Sangue, nosso lar, mas isso é impossível. Então proteja nosso lar. Proteja-o por mim.
Você deve estar achando que se apaixonou por uma louca que só pensa em amor e suicídio. Não é assim. É que eu preciso salvar Percy. Foi ele que me salvou quando estava sozinha neste mundo, antes de você aparecer. Por mais que outras pessoas possam fazer isso, não consegui ficar parada. Foi por ele que eu resisti quando era humilhada e agora ele pode morrer. E, além disso tudo, quero também me salvar, salvar-me da pré-rotulação de uma filha de Afrodite, acabar de uma vez por todas com esse pensamento pré definido das filhas de Afrodite. Quer ficar conhecida como a garota corajosa, que deixou o coração em casa, com o amor de sua vida, enquanto partia para uma batalha incerta. Soa bem, não?
Agora já é tarde da noite. Estou escrevendo esta carta sobre a coberta do meu beliche no chalé de Afrodite com uma lanterna, um caderno e uma caneta. E eu não consigo deixar de me perguntar: estou sendo como minhas meias-irmãs fúteis? Pensando apenas em amor? Eu espero que não.
Leo, como já disse, não sei se vou voltar a te ver, mas, se isso não acontecer, não perca sua vida por mim. Siga em frente. Saiba que onde quer que eu esteja, vou estar cuidando de você e você, Leo Valdez, vai sempre estar comigo, no meu coração. Então prometa que, mesmo seguindo em frente, você nunca vai me esquecer? Leo, se eu sobreviver a isso tudo, eu prometo que vou voltar para você. Enquanto eu estiver viva, vou sempre voltar para você, não importa o quão longe você esteja.
Meggie.
A carta caiu das minhas mãos e eu levei-as a minha cabeça. Apoiei mina testa nas mãos. Isso não podia estar acontecendo. Não posso perder Meggie. Ela é a coisa mais importante em toda minha vida, sem ela, não consigo viver.
Lágrimas começaram a cair pelo meu olho. Ela pode não sobreviver. Ela pode nunca mais voltar para mim.
De repente algo me chama atenção. Saindo do envelope do chão estava uma corrente de ouro. Eu me abaixei e puxei a corrente. E o colar que Meggie sempre usava. “Prometa que nunca vai se esquecer de mim” ela pedira. Tudo bem, Meggie, eu pensei, nunca iria te esquecer. Sendo assim, botei o colar no meu pescoço e coloquei-o debaixo da blusa.
Notas finais
Mas o que acharam? Ficou muito "ahh... que capítulo chato, vou morrer de tédio no meio do caminho"? Foi bom deixar o drama e essas partes melosas?
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