Uma Nova História
2 Raiva
Notas iniciais
Nandaaxx
Todos olham para Carmem, espantados. Até que depois de alguns segundos, Magali diz alguma coisa:
- Como assim, Carmem?
- Resolvi fazer mais uma festa na minha casa... Só que desta vez, vai ser diferente.
- Oh my good! Estou rosa chiclete com essa noticia! Baile amiga? Por que não nos contou antes? – Disse Denise com um sorriso na orelha.
- Eu ia contar mas, achei melhor esperar um pouco. Assim, eu tava pensando em fazer algo do tipo, um baile de máscaras...
- Baile de máscaras? – Pergunta Xaveco sem entender.
- É, fofo, é tipo um baile mas você vai com uma máscara no rosto, pra a pessoa não te reconhecer.
- Nossa... adorei a novidade, e nós estamos convidados? – Pergunta Aninha sorrindo.
- Claro! – Respondeu Carmem.
- Perai? E agente também tá? – Perguntou Cascão.
- Obvio né? Já viu algum baile de máscaras, só com garotas?
- Ai não... – Disse ele colocando as duas mãos na cabeça.
- Mas se não quiserem ir, não tem problema. – Disse Mônica.
- Não? – Cascão olha pra ela assustado, e ao mesmo tempo feliz da vida.
- É claro que não... afinal, se vocês não quiserem ir, é só agente arrumar outro par, o que não falta é garotos nesse bairro. Não é meninas? – Disse Cascuda piscando para elas.
- Er... pensando bem... – Cascão diz sem graça.
- Mas pra que dia é isso Carmem? – Perguntou Marina colocando os braços de Franja em torno do seu ombro.
- Daqui a uma semana. Já estamos providenciando as coisas da festa.
- Daqui a uma semana?! – Perguntou Mônica com os olhos arregalados.
- É sim, por quê?
No começo Mônica pensa em não dizer o motivo, apenas responder que não era nada. Pois sabia que as meninas iam achar graça, mas preferiu dizer logo ali, naquele momento por que queria mesmo que o Cebola ouvisse.
- Eu não tenho par...
Naquele momento Cebola engole em seco, e fecha as duas mãos se segurando para não gritar “eu vou com você!!” . Mas infelizmente não teve coragem suficiente para dizer isso e ficou na sua. Mônica percebendo que ele não tinha sequer se movido, abaixou um pouco o olhar para não mostrar o quanto estava com raiva dele.
- Ué, você arranja... afinal como a Cascuda disse, o que não falta é garoto nesse bairro. – Disse Carmem.
- A Carmem tem razão, Mônica. E tá assim de garotos querendo sair com você a um tempão, só não te convidam por causa do... – Magali ao perceber que havia dito besteira se engasgou na ultima palavra. Olhou para Cebola e depois para Mônica, que a olhou com muita fúria nos olhos.
- Er... por causa do... por causa... do... do seu pai!! É isso! Por causa do seu pai! Eles tem medo do seu pai. – Magali volta a ficar quieta. E Mônica respira fundo.
- É... eles tem muito medo do meu pai... — Disse ela com um sorriso amarelo.
A conversa continuou, mas Mônica, não estava muito “dentro” da conversa, nem muito animada depois daquilo. Ela apenas virou o rosto para outro lugar e ficou olhando para janela, já Cebola estava participando bastante da conversa. Fazendo Mônica ficar mais chateada ainda, pois sabia que ele nem tava ligando pra ela.
O garçom chega e atende o pedido de todos. Duas horas depois, cada um vai para sua casa. Apenas os quatro amigos vão conversando no caminho.
- Esse tal baile de máscaras, não é muito minha cara. – Disse Cascão.
- Pois vai se acostumando, por que até gravata você vai ter que usar. – Disse Magali rindo.
- Aii não... gravata de novo não! Já me basta ter usado aqueles sapatos apertados na festa de 15 anos da Marina, no ano passado... – Lamentou ele.
- Hihihi, é verdade e... – Magali ao perceber que Mônica nem Cebola estava dentro da conversa para de falar e olha para trás. Pois ela e Cascão eram os únicos que estavam na frente.
- Ei, vocês dois... vão ficar andando igual a lesmas, ou vão andar logo? Já tá de noite meus amores, agente tem que chegar em casa hoje!
Mônica olha para o lado, e vê Cebola olhando para frente com as duas mãos no bolso. Ela fica com a esperança que ele dissesse alguma coisa... Mas ele continua calado. Ela solta um suspiro de impaciência, raiva e desapontamento e anda mais rápido indo atrás de Magali. Ele vê, e anda rápido também. Elas vão conversando até que chegam na porta de Magali.
- Magá... posso ficar um tempinho ai na sua casa? — Mônica diz em um tom bem baixo de tão triste que estava.
- Claro Mô, que pergunta... – Magali se vira para Cebola e Cascão. – Tchau meninos, agente se vê amanhã.
- Tchau Magá, tchau Mô. – Disse Cascão.
- Tchau Magali... Tchau Mônica... – Foi à vez de Cebola se despedir.
Mônica para um segundo, e fica calada... olha para baixo e em seguida olha para eles.
- Tchau Cas... – Ela dá um sorriso e entra. Magali franze a testa e olha para Cebola como se estivesse perguntando “o que foi isso?” ele apenas dá de ombros e ela entra.
- Cara, que clima entre vocês dois hein? – Disse Cascão assim que Magali fecha a porta.
- Nem me fala cara. – Cebola começa a andar em direção a sua casa, que não ficava muito longe dali.
- Por que não chamou a garota?
Cebola solta um suspiro e balança a cabeça.
- Ai, quer vê o novo vídeo-game que meu pai comprou pra mim? – Perguntou Cebola sorrindo.
- Ô, só se for agora! – Cascão corre atrás dele e eles entram na casa de Cebola.
***
- Amiga... não quer me contar o que aconteceu? – Perguntou Magali para Mônica, que estava de barriga pra cima lendo uma das revista de fofoca de Magali.
- Não tenho nada pra contar...
- É claro que a senhorita tem! – Disse Magali tirando a revista das mãos de Mônica.
- Ei! Eu to lendo! – Disse ela se levantando irritada.
- Eu te devolvo... Mas só se você me contar o que tá acontecendo entre você e o Cê.
- Não tem nada acontecendo entre mim e ele...
- Mônica! Eu te conheço! Não tente mentir pra mim que não vai funcionar...
- Droga! Por que você tinha quer ser minha melhor amiga? – Disse ela olhando pra baixo.
Magali ri e fala:
- Anda! Me conta!
Mônica respira fundo e começa:
- Tá... Bom, depois daquele nosso papo na lanchonete de par, eu fiquei chateada com o Cebola...
- E por quê?
- Por que ele não teve nem a decência de me chamar para ser o par dele no baile.
- Ah Mônica, só isso?
- Como assim “só isso”? — Perguntou Mônica levemente irritada.
- Amiga, pensa comigo... se o Cebola não falou nada lá na lanchonete, é que talvez ele tenha ficado com vergonha... pra mim ele está esperando o momento certo pra te convidar.
- Será? – Mônica volta a se deitar na cama de barriga para cima olhando para o teto.
- Só pode né... – Magali deita ao seu lado e as duas ficam caladas por algum tempo.
Até que Mônica se lembra de uma coisa e se levanta.
- Se é isso, então eu tenho que tá linda nesse baile.
- O baile é daqui a uma semana Mônica...
- E daí? Nós somos garotas, uma semana é muito, e pior... o tempo voa!
- Verdade. – Magali se levanta também, um pouco preocupada.
- Então... vamos ficar aqui sem fazer nada?
- Não mesmo! – Magali abre um sorriso e Mônica puxa a sua mão, e elas começam a se adiantar.
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