Notas iniciais
OLÁ MEUS AMORES!!!! Não demorei dessa vez né? É porque fiquei muito contente com seus comentários, mesmo sentindo falta de algumas pessoas. Mas obrigada de verdade a todas que comentaram!!! Esse é o meu capítulo favorito, espero que vocês gostem também!! Está um pouco mais extenso que o normal, mas eu quero muito que vocês leiam, porque eu gostei muito de escrevê-lo. Obrigada por tudo, amo vocês ! Boa Leitura!!

Eu estou no meu quarto, olhando o meu reflexo no espelho, vendo o quando o tempo parecia correr, e eu não podia fazer nada para detê-lo. E quando começo a pensar nisso, fico com medo. Medo de não ter tempo suficiente de mostrar quem posso ser, de não poder fazer tudo o que eu sonho. Medo de desperdiçar momentos que não podem ser desperdiçados. Meus olhos se encheram de lágrimas. Estou apertando com força a correntinha que papai me deu, para carregar comigo para sempre a imagem de minha mãe, para nunca, jamais, esquecê-la. Não posso chorar, pelo menos não agora, não quero e nem posso borrar a maquiagem. Ergui o queixo e suspirei tentando me acalmar. É, depois desse casamento que as coisas vão mudar, e por isso o meu medo. Nada mais será como antes. Não sei o que está por vim, mas tenho que ser forte, por mim.

Olhei pela segunda vez o meu vestido. Ele era azul claro, com pequenos detalhes em branco. Angie que escolheu para mim, porque nas últimas semanas não tinha como pensar nisso, não com a minha cabeça trabalhando a mil. O vestido era lindo, não posso negar. Era longo, com uma alça apenas, e de uma leveza impressionante. Angie tinha bom gosto. Meu cabelo estava solto, com cachos nas pontas, feito pelo incrível cabeleireiro da Angie, o Sam. Minha maquiagem estava leve, o que combinava comigo, porque eu não era muito fã de maquiagens pesadas mesmo, ainda mais nessa ocasião.

— Você está linda.

Olhei para trás, encontrando o meu pai, todo trabalhado na elegância. Ele abriu a porta de meu quarto e eu nem ouvi? Estou bem dispersa mesmo. Não pude deixar de sorrir quando vi seus olhos brilhando de emoção. Ele veio até mim em passos lentos, e logo me envolveu em um abraço apertado, deixando a bengala cair no chão. Suspirei fechando os olhos aliviados por estar ali com ele. Parecia que ele sabia que tudo que eu precisava nesse momento era um abraço, para mostrar que estava tudo bem. Senti seu perfume, o mesmo que ele usava desde que eu era criança e sorri, eu estou em casa. Lágrimas silenciosas escaparam de meus olhos enquanto eu sentia o carinho de meu pai.

— O que houve? – ele perguntou vendo que eu suspirei um pouco alto demais. – Está chorando? – se afastou com a voz cautelosa. – O que aconteceu filha?

— Só estou sentindo a sua falta. – murmurei com um sorriso, enquanto o mesmo limpava com os dedos as lágrimas que molhavam a minha bochecha.

— Mas eu estou bem aqui. – ele parecia não entender. – Nunca te deixaria sozinha.

— Eu sei pai. – abracei-o de novo, encostando minha cabeça em seu peito, sentindo seu coração bater, e ele envolveu seus braços em mim novamente, me fazendo sentir protegida.

— O que o León vai pensar se te ver toda triste assim? – ele disse afagando meus cabelos, eu soltei um riso. – Ele está aqui em baixo, te esperando.

— Ele já está aqui? – me afastei dele rapidamente, correndo para o espelho imediatamente para arrumar a maquiagem borrada com um lencinho.

— Eu sempre abominei o momento em que chegasse um garoto que se fizesse mais importante do que eu na sua vida. – papai disse pegando com dificuldade sua bengala. – Porém, eu nunca pensei que fosse ficar tão feliz, por ele te fazer feliz. – continuou, com uma voz calma, que aquecia o meu coração, como fogo em um dia frio.

— Ele não é mais importante que você, papai. – respondi com um sorriso, voltando a olhá-lo. – Vocês dois são importantes para mim, cada um tem um papel diferente dentro da minha felicidade. – complementei e ele secou uma lágrima que caiu de seus olhos. Papai emocionado me corta o coração.

— Você viveria bem sem mim? – perguntou com a voz rouca e meu coração apertou.

— É claro que não. – falei sentindo que as lágrimas voltariam novamente. – Que tipo de pergunta é essa, pai?

— Viveria bem sem León? – perguntou de novo, sem me dar resposta.

Pensei um pouco. Tenho quase dezoito anos, e só tive um garoto no qual eu amei de verdade. León era importante para mim, importante demais. Em alguns momentos não podia pensar em León estar me deixando, que já sentia o meu coração se quebrar em mil pedacinhos. Ele foi o meu apoio tantas vezes, que eu acho que não. Eu não viveria sem o León. Sem dúvidas, ele era parte de mim, não tinha como viver sem ele.

— Não, não viveria. – minha voz saiu baixa.

— Seu namorado ficou aflito quando fiz essa pergunta. – disse quando eu o respondi. – Pensou que nunca mais fosse te ver, e falou diversas vezes e desesperadamente que não imaginava a vida dele sem você. – papai riu antes de continuar. – Tivemos uma conversa séria. Acho que ele jamais irá esquecer. – segurou meus ombros. – Eu sou seu pai, e acho que nenhum pai aceita totalmente a ideia de entregar a filha para um rapaz, mas ele te ama, e eu não posso impedir se você o ama também.

— Por que isso agora? – perguntei com um nó na garganta.

— Você cresceu mais rápido do que eu imaginava. Isso dói aos meus olhos. O tempo passa, a vida passa, e eu só quero ter certeza se você é feliz. Eu vou me casar, com uma mulher que você não aceitou a princípio, mas que me faz muito feliz. Eu estou seguindo meu caminho, e quero ter certeza que você está seguindo o seu, e sendo feliz com suas escolhas. – respondeu.

— Ai pai... – sorri segurando as lágrimas. – Eu estou feliz. E eu amo você por se preocupar comigo, mas agora eu quero que você foque apenas em você, na Angie, e na felicidade de vocês. Eu estou bem, acredite. León me faz muito feliz, bem mais do que eu mereça talvez.

— Você merece tudo. – beijou minha testa. – Te amo.

— Eu também.

— Agora desça, seu namorado está te esperando.

— Já estou indo, mas antes vou ver como Angie está.

— Tudo bem, vou conversar mais um pouco com León. – disse rindo.

— Não fique o assustando. – pedi e ele deu uma piscadinha travessa, antes de sair do meu quarto.

Suspirei me sentindo leve. Conversar com o meu pai me deixou mais relaxada. Dei mais uma olhadinha no espelho e sorri feliz comigo mesma. Agora sim estava tudo certo. Hora de dar uma olhadinha na Angie.

Saí do quarto e fui vagarosamente até o quarto do papai e da Angie, no qual o meu pai estava proibido de entrar, já que a Angie disse que traria azar se a visse antes de entrar na igreja. De cima, vi meu pai e León conversando normalmente, ambos sentados no sofá e sorri. Os dois homens da minha vida são lindos demais. Assim que cheguei à porta do quarto dos pombinhos, bati três vezes, e de dentro ouvi uma voz masculina, mas meio feminina gritar, me fazendo revirar os olhos:

— Se for o senhor Castillo pode dar meia volta e ir embora!

— É a filha dele! – gritei de volta.

Em menos de dez segundos a tranca foi destravada e o Yan, o cara que tinha gritado que também era o estilista que tinha desenhado o vestido da Angie, abriu a porta para mim, com um sorriso gigantesco nos lábios.

— Entra logo mocinha, não podemos correr o risco de o seu pai ver esta noiva magnífica! – disse todo exagerado me puxando para dentro do quarto, me fazendo dar risada do seu jeito engraçado.

Parei de rir assim que dei de cara com a Angie. Meu queixo caiu quando eu vi o quanto que aquela mulher estava deslumbrante. Papai realmente é um homem de sorte, sem dúvidas. Ela estava com um sorriso lindo no rosto. O vestido era longo, rodado e sem mangas. Era branco e na barra tinha pequenos detalhes em dourado, assim como no busto, nada exagerado, apenas pequenos, pequenos mesmo, detalhes. O penteado de seu cabelo era simples, apenas uma trança, e seus cabelos estavam um pouco mais curtos do que antes. Sorri para ela que me encarava em um estado total de felicidade.

— Você está maravilhosa, Angie. A noiva mais linda que eu já vi. – falei a verdade vendo seu sorriso se alargar ainda mais.

— Ai Vilu! – ela disse levantando a barra do vestido, e correndo para me abraçar, apenas conseguir rir. – Eu estou tão nervosa e ansiosa.

— Eu que o diga. – um cara de cabelos grandes, preso em um coque se pronunciou. – Quase reboquei o rosto de sua madrasta, ela não dormiu nada e estava com olheiras enormes! – disse me fazendo gargalhar enquanto Angie fazia uma careta.

— Você arrasou na maquiagem. – falei para o cara, e ele deu uma piscadinha. – Está bem natural, combinou com você Angie.

— Ainda bem. – Angie sorriu. – Como o seu pai está?

— Ele está bem, um pouco emocionado demais, mas está tudo sob controle. – falei acalmando-a.

— Você está linda também. Fiz a escolha certa com o vestido. – me olhou de cima a baixo.

— Fez mesmo. – sorri. – Bom, agora tenho que descer para falar com o León, só passei aqui para saber como você estava mesmo.

— Espera. – ela disse segurando meu braço. – Preciso conversar com você. – sua expressão era séria. – Gente, vocês podem me dar um minuto, ou dois? – ela perguntou para as mulheres e homens que a estavam produzindo. Todos assentiram e saíram do quarto, nos deixando a sós em poucos segundos.

— O que foi Angie? Tá me deixando preocupada.

Ela rapidamente foi até a bolsa azul que estava sobre a cama e tirou um envelope branco de lá. Olhou para mim, e entregou. A olhei sem entender e a mesma quase que inaudível me mandoueu abrir. Fiz o que ela pediu e rasguei o envelope. Corri meus olhos pela folha e arregalei os olhos quando entendi do que se tratava. Isso só podia ser sonho.

— Você tá grávida? – foi à primeira coisa que me veio à mente, quando horrorizada terminei de ler o resultado daquele exame. Com as bochechas vermelhas, Angie assentiu com um sorriso pequeno nos lábios. – De quanto tempo?

— Quatro semanas, está escrito aí. – respondeu calma.

— Meu Deus. – murmurei e de repente sorri. – Parabéns.

— Sério? – ela perguntou não entendo algo.

— Sério o que? – não entendi também.

— Pensei que você agiria diferente quando soubesse. Mas confesso que estou aliviada de você não ter ficado brava comigo.

— Não posso ficar brava com isso Angie. – ri. – É uma criança que está por vir, temos que agradecer. – guardei o exame no envelope. – Além do mais, eu sabia que cedo ou tarde você e meu pai construiriam uma família juntos.

— Você é incrível, Vilu. – me abraçou. – Obrigada por entender, me deixa muito contente. E, por favor, não conte ao seu pai sobre isso, descobri ontem, quero contar quando estivermos a sós, não quero que ele surte. – falou e nós rimos.

— Não contarei, prometo. – ela sorriu. – Eu gosto de você Angie. – falei quando nos afastamos. – Me desculpa se algum dia eu agi ao contrário do que estou falando agora, mas é que eu não queria ninguém com meu pai, achava que todas iriam ser como Jade, mas você é diferente, e eu gosto disso. E sei que você vai fazer o meu pai muito feliz, como já anda fazendo.

— Desse jeito você me faz chorar. – murmurou secando com cuidado as lágrimas que se aglomeravam em seus olhos. – Eu também gosto muito de você. Gosto não, amo, como se fosse minha própria filha.

— Isso me deixa muito feliz. – sorri emocionada também. – Agora me deixe ver León antes que eu estrague a minha e a sua maquiagem com lágrimas. – rimos. – Obrigada por tudo Angie.

— Obrigada você. – sorriu amigável.

Saí do quarto de Angie me sentindo melhor do que já estava. Certamente ela e papai farão um bom casal, e seriam bons pais para essa criança que viria. E eu nem acredito que terei um irmão ou irmã, isso me deixa mega feliz, sem contar que o papai não vai sofrer quando eu sair de casa, já que ele vai ter alguém para cuidar.

Desci as escadas, fazendo com que papai e León parassem de conversar para ver quem é que estava descendo. León me olhou de cima a baixo sem disfarçar, arrancando um olhar enciumado de meu pai, o que me fez dar risada. Terminei de descer e León se levantou para me cumprimentar.

— Você... – enlaçou minha cintura e me deu um selinho demorado, que foi interrompido por uma tosse proposital de papai. – está maravilhosa. – me olhou com adoração me fazendo sorrir encantada. O dia está cheio de sorrisos não é mesmo?

— Você também. – dei uma conferida no meu namorado de smoking. – Eu amo você. – beijei seus lábios mais uma vez, mesmo sob o olhar repreensivo do meu pai.

— Eu amo você. – repetiu com os lábios nos meus.

— Bom... Meninos. – papai tossiu mais uma vez, fazendo com que León risse. – Tenho que ir para igreja. – falou. – Vocês vão comigo, certo?

— Vamos sim. – falei.

— Ok. Vou só pegar umas coisas antes. – papai disse indo até o escritório.

— O que vocês conversaram? – perguntei curiosa, assim que meu pai saiu da sala.

— Coisa de sogro e genro. – León disse coçando a nuca. – Nada que você precise saber.

— Resposta errada. É óbvio que eu preciso saber.

— Não precisa não, acredite. – riu me roubando mais um selinho.

— Acredita que meu pai me fez chorar a essa altura do campeonato? – perguntei e ele riu ainda mais. – Sério. Ele falou coisas lindas, coisas que eu nunca pensei que falaria para mim.

— As pessoas mudam Violetta. – acariciou minha bochecha.

— Meu pai é prova viva de que isso é verdade. – sorri.

— Ouvi alguma coisa relacionada a mim? — meu pai perguntou surgindo novamente na sala. Nem o escutei sair do escritório.

— Nada não pai. – sorri docemente e ele sorriu de volta.

— Bom, vamos? Estou nervoso. – ele disse ajeitando a flor de seu terno e eu ri.

— Vamos sim.

***

— Onde nós sentamos? – León perguntou totalmente perdido, assim que chegamos à igreja, que por sinal estava lotada, sem brincadeira. A família e os amigos de Angie ocupavam boa parte dos assentos.

— No primeiro banco. – murmurei segurando sua mão firme, por estar um pouco constrangida com o tanto de pessoas desconhecidas que ali estavam.

León pegou minha mão, e caminhamos pelo tapete vermelho onde Angie passaria lindamente até chegar ao meu pai. Suspirei imaginando como seria quando eu casasse. De preferência que isso acontecesse com León né? Sentamos ao lado de um senhor, de idade avançada, e se eu não me engano, era o tio de Angie. Papai estava inquieto no altar, conversando com a mãe da Angie que pedia para o mesmo se acalmar a cada minuto que se passava.

Depois de meia hora, não muito mais do que isso nem muito menos, ouvimos a melodia e a batida da música de entrada, sinalizando que a noiva havia chegado. Todos que estavam ali se levantaram, e olharam em direção a porta onde Angie entrava lindamente acompanhada de seu pai. Sorri e olhei para o meu pai que estava com os olhos avermelhados e cheios de lágrimas, certamente ele estava muito feliz.

Angie chegou ao altar em questão de segundos, mas pareceu ser uma eternidade. O pai dela entregou-a para meu pai, e foi para o lado da esposa. Ela e meu pai só sorriam para o outro, mas pude ver que ela chorava silenciosamente, e não posso negar que essas coisas me emocionam demais.

— Daqui a pouco você estará chorando mais do que a noiva. – León brincou e eu lhe dei uma leve cotovelada, fazendo o mesmo rir. – Um dia será nós dois ali. – disse apontando para o altar, e meu coração se encheu de esperança.

— Promete? – perguntei fragilizada olhando aqueles olhos que eu amava tanto.

— Prometo. – beijou minha testa.

***

— E assim eu voz declaro marido e mulher.

Eu estava em um estado de emoção total, quando ouvi as palavras finais do padre. Foi o casamento mais lindo que eu já vi em toda a minha vida. Claro que o da Mel também foi lindo, mas eu estava brigada com o León, nem aproveitei muito. Angie estava chorando com um sorriso de felicidade completa no rosto, e papai também, acho que nunca vi meu pai tão emocionado como hoje, ele realmente deve amar a Angie.

Eles passaram pelo tapete saindo da igreja, enquanto eram aplaudidos e pó de arroz voava em direção a eles. León pegou na minha mão e beijou minha bochecha, eu sei que ele também está emocionado, mas homem sempre tem dessas de segurar as emoções. Até que o León demonstrava às vezes, mas eram poucas.

— Vamos para a festa? – perguntei a León.

— Claro. – ele sorriu.

— Hoje eu quero esquecer todos os problemas e curtir a festa ao seu lado. – o abracei forte, sentindo seu perfume, me sentindo embalada de carinho.

— É tudo o que eu mais quero também.

***

Eu e León estávamos sentados em uma mesa observando os convidados chegarem. León estava entretido com a taça de champanhe nas mãos. Eu estava bebendo água mesmo, sou menor de idade, e não tenho vontade de beber essas coisas ainda.

— Seu pai chegou. – León disse olhando para a entrada do salão com um sorriso imenso no rosto, onde meu pai e Angie entravam sendo aplaudidos pelos convidados e fotografados.

— To começando a achar que você adora casamentos. – falei vendo o quanto ele parecia alegre em ver os noivos.

— Eu não via muita graça, mas depois que a minha irmã casou, sei lá, fiquei um pouco mais ligado nessas coisas.

— Falando na sua irmã... Eu ainda tenho que dar os parabéns para ela. – falei me lembrando.

— Ela vai estar no aeroporto, quando eu estiver indo embora. – colocou o braço em meus ombros, enquanto observava papai e Angie caminharem pelo salão.

— Nem me lembre dessa viagem.

— Prometo não falar mais nada. – riu me dando um selinho.

— Vamos ver papai e Angie, daqui a pouco começa a valsa dos noivos.

— Calma amor, ainda tem o bolo.

Revirei os olhos rindo. E nós nos levantamos da mesa para ver papai e Angie. Eles entravam enquanto eram aplaudidos por todos. Angie estava com os olhos vermelhos, parecia que tinha chorado bastante no caminho para cá. Papai tinha o maior sorriso do mundo no rosto. Finalmente ele havia encontrado motivo para completar sua felicidade. Angie é a mulher da vida dele. Eu sinto isso.

Papai e Angie cortaram o bolo e foram aplaudidos mais uma vez. Logo após isso, o som da valsa soou no salão. Hora da valsa oficial dos noivos. Papai e Angie se posicionaram no centro do salão e começaram a dançar. Angie parecia uma princesa. E me lembrou muito o filme a Bela e a Fera. Papai com certeza era a Fera, Angie fez uma mudança maravilhosa na vida dele. Papai passou a ser mais compreensivo e mais amável com a chegada dela na vida dele.

Meus olhos se encheram de água. Eu estou tão feliz por ele. E sei que a felicidade dele vai aumentar ainda mais quando descobrir que Angie está grávida, e que ele vai ter mais um filho para cuidar e amar. León percebendo minha emoção me abraçou apertado, e ficamos assim, até a dança dos noivos terminarem.

Quando a valsa terminou, papai veio em minha direção, me tirando dos braços de meu namorado, começando a dançar comigo, olhei para León que tinha um sorriso feliz no rosto. Angie dançava com o seu pai, enquanto chorava de alegria. Voltei meu olhar para meu pai que me fitava encantado.

— O que foi? – perguntei rindo.

— O que achou da cerimônia?

— Não tenho o que falar. Foi tudo muito lindo. E desejo tudo de bom para você e para a Angie. – falei e papai me rodou pelo salão.

— Obrigada filha. – beijou minha bochecha. – Falando em Angie, ela está mais emotiva que o normal. Não parou de chorar desde que disse sim para mim.

— Ah papai, é normal ela ficar mais sensível nessa situação em que ela se encontra. – falei sem pensar.

— Que situação? – franziu a testa.

— Hm... Essa situação ué. – dei de ombros, tentando distraí-lo. – Qualquer noiva fica assim no dia do casamento, não é?

— Acho que sim. – deu de ombro também.

— Está feliz? – perguntei já sabendo a resposta.

— Com certeza, esse é o meu segundo melhor momento de felicidade. – disse sorrindo para mim.

— E qual o primeiro?

— O dia em que você nasceu. – papai beijou minha testa. – Eu te amo Violetta.

— Eu também papai.

Terminamos a valsa e eu estava feliz demais. Papai se realizou e eu também. A música terminou, e eu olhei para León que conversava com uma senhora. Ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. O mesmo terminou o que estava falando, e começou a vir em minha direção. Eu estava louca para dançar com o meu namorado. Porém uma voz rouca me dispersou.

— Me concede uma dança?

— Quem é você? – perguntei ao me virar e dar de cara com um garoto dos olhos castanhos, com algumas sardas nas bochechas, alto como León, porém com um pouco menos de musculosos.

— Leandro, primo de Angie. – disse estendendo a mão. – E adoraria dançar com você.

— Não sei se é uma boa ideia. – murmurei vendo León me olhar de longe.

— Apenas uma dança e prometo não te incomodar mais. – Leandro disse enlaçando minha cintura com um dos braços, enquanto mantinha seus olhos nos meus.

Olhe para trás encontrando León parado me olhando com os braços cruzados. Sussurrei um “Espere um pouco” e o mesmo assentiu me dando um sorrisinho, o que me tranquilizou um pouco. Talvez ele não estivesse muito zangado.

— Apenas um dança.

— Apenas. – repetiu com um sorriso nos lábios.

Começamos a nos mover pelo salão e até que ele dançava bem, dançava muito bem, ainda bem que eu sei dançar, por conta do balé, mas poderia até arriscar que ele era algum dançarino profissional.

— Você dança bem. – falei quando o mesmo me girou pelo salão.

— Você também.

— Sou bailarina. – falei rindo.

— Sou... Bom, eu não sou nada por enquanto, estou no terceiro ano do ensino médio, e ainda não sei o que fazer.

— Eu também estou. – respondi. – Mora aqui em Buenos Aires?

— Não, não. Minha família mora em Londres, estamos aqui só para prestigiar Angie.

— Gostou da cidade.

— Adorei. – sorriu. – Se me permite qual o seu nome?

— Violetta, filha do marido da sua prima. – respondi e ele arregalou os olhos me fazendo dar risada.

— Uau. Bem que eu reparei que você é a cara do Germán.

— Somos um pouco parecidos.

— Você é linda.

— Hm... Obrigada. – agradeci um pouco incomodada.

— O que acha de sairmos depois do casamento? Ainda tenho mais uma semana aqui em Buenos Aires.

— Não acho que será possível.

— Por quê?

— Acho que meu namorado não vai gostar. – falei e logo vi suas bochechas avermelharem.

— Você namora? – ele perguntou parecendo não acreditar.

— Sim. – eu respondi com um sorriso, mostrando minha mão, onde a aliança prateada brilhava no meu dedo anelar.

— Me desculpe. – ele pareceu um pouco confuso.

— Não tem problema.

Voltamos a dançar, mas agora sem conversas. Ele pareceu ficar totalmente desconfortável comigo e preferiu ficar calado. Terminamos a música e ele abriu a boca para falar algo, porém fomos interrompidos.

— Posso conduzir a belíssima dama? – escutei a voz de León soar e rapidamente olhei para trás dando de cara com o meu namorado sorrindo com um dos sorrisos mais encantadores que ele tinha.

O primo de Angie assentiu com as bochechas avermelhadas – muito constrangido – me soltou rapidamente, sumindo de nossas vistas em segundos. Leandro é um cara legal, mas nada melhor do que dançar agarradinha com o meu namorado, enquanto sentia seus carinhos sobre mim.

León encaixou uma de suas mãos em minha cintura e pegou minhas mãos levando-as até os seus ombros. Começamos uma dança lenta e calma. Olhos nos olhos. Nós estávamos transbordando de amor, e eu sentia que todos que estavam presentes naquele casamento sentiam isso também.

— Vim te salvar do Leandro. – León disse sarcástico, eu dei risada.

— Estou sentindo que alguém ficou com ciúmes. – falei risonha.

— Só estou cuidando do que é meu. – beijou o canto da minha boca.

— Eu sou sua? Desde quando? – perguntei rindo por ele sentir ciúmes tão facilmente.

— Desde aquela noite no hotel, na Califórnia. – sussurrou com a boca próxima a minha orelha, fazendo com que eu parasse de rir na hora. Não esperava que ele dissesse isso.

— León. – repreendi-o.

— Estou mentindo?

— Está. – resolvi brincar também.

— Então quando foi?

— Quando eu finalmente olhei pra você, e descobri: Vai ser pra sempre.

— E quando você descobriu isso? – perguntou me olhando apaixonado.

— Quando você disse que me amava ué. – respondi e ele riu.

— E eu amo você.

— Eu também amo você.

— Muito?

— Mais do que tudo.

Notas finais
E aí?? Gostaram??? To ansiosa pra saber o que vocês acharam hahaha O último capítulo está chegando hein E estou pensando na proposta de algumas leitoras em fazer a terceira temporada, sim. Mas tenho que me planejar para ela acontecer, ok? Enquanto trabalho para o último capítulo sair do jeitinho que imaginei, vou pensando em como seria uma terceira temporada, pode ser? Fiquem com Deus, e beijos no core meus amores, até breve !!