Uma Nova Etapa
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Acordei por volta das cinco e meia, mas eu só tinha que estar no colégio às sete. A verdade é que eu ouvi um barulho. Era o Lucas chegando. Ele se jogou na cama, e como sempre apagou. E eu perdi o sono por isso. Meu sono estava muito leve hoje.
Peguei meu celular, e fiquei vendo minhas notificações, eu não era muito de fazer isso, já que eu quase não mexia nas redes sociais, apenas quando a Violetta insistia para que eu visse as coisas que interessavam a ela, caso contrário, nem ligava.
“Priminho online essa hora?”
Ludmila enviou uma mensagem pelo chat e eu não sabia o que ela estava fazendo acordada uma hora dessas.
E você? Não é muito cedo pra tá acordada? – perguntei achando estranho.
“Você é burro ou se faz? Esqueceu que existe uma diferença de horários entre a Argentina e os Estados Unidos? Aqui não é tão cedo quanto parece. Mas mudando esse assunto, que horas é o seu vôo?”
De tarde, chego aí amanhã de manhã ou se atrasar, depois do meio-dia.
“Ótimo, vou preparar a surpresa o quanto antes.”
Não é necessário, sério, a Violetta ficaria mais vermelha, do que quando eu a elogio quando estamos sozinhos.
“Hahah, imagino, mas não vou deixar de preparar a surpresinha da Luh, então não esquente com nada, e nem comente com a Violetta.”
O que você vai fazer hein pirralha?
Ela não me respondeu e desligou o chat.
Por Violetta *
Acordei sete e meia, muito atrasada. Meu celular não despertou, e eu já havia perdido o primeiro tempo. Entrei no banheiro, escovei meu dente, e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, daqui uns tempos eu viraria Rapunzel, precisava cortar ele.
Coloquei uma calça preta justa, e uma blusa com a manga caída branca. Pus meu tênis e peguei minha mochila. Já estava pronta. Francesca dormia como pedra, não acordaria tão cedo. Dá próxima vez o Marco vai às festas, assim ela não perde o foco pra bebida.
Saí do dormitório muito apressada. Desci as escadas correndo, não vendo nada a minha frente, só precisava chegar ao meu destino.
_Violetta Castillo. – a monitora que passava me chamou e eu contei até três suspirando.
_Oi.
_Você sabe que está horrivelmente atrasada, não sabe? – perguntou e eu assenti com o olhar baixo. – E por ser seu ultimo dia aqui na escola, já que você ficará, duas semanas, fora eu serei obrigada a te dar uma punição. – gelei. – Assim que voltar de viagem vai ter que me entregar um relatório de como os alunos se comportam diante dos horários que eles devem cumprir mais não cumprem. – senti que aquilo foi uma indireta bem direta.
_Vale nota? – tive a ousadia de perguntar. Ela abriu um sorriso vitorioso e me disse:
_Não. – bufei. – Mas garanto que se não me entregar, sou capaz de te repetir o ano, e você sabe muito bem disso. – assenti com certo medo. – Agora vá para aula, caso contrario, te arrasto pra minha sala.
Assenti novamente e saí quase correndo em direção a minha sala. Ela era muito exigente, socorro! Entrei na sala, e tudo estava uma zona. O professor parecia estar atrasado também.
Encontrei León, e quase sorri se não tivesse encontrado Kate em cima dele sentada na mesa dele, com uma das mãos no ombro do mesmo, enquanto ambos conversavam e riam sem parar. Meu sangue ferveu mil graus e eu poderia até derreter naquele segundo.
Seu olhar cruzou o meu, e ele ficou sério de repente. Nessas horas eu penso: “O amor desmaiou dando um pouco de espaço para o ódio.” Fingi que estava tudo bem, o que ele sabia claramente que não estava, e fui em direção às garotas cumprimentando-as.
***
_Amor, para de graça e fala comigo. – León disse puxando o meu braço com certa força. – Se continuar me ignorando serei capaz de tomar medidas drásticas.
_Ai que medo. – ironizei sabendo que ele não conseguiria fazer nada para me deter além de me beijar. – Não estou a fim de papo com você Vargas.
_Não me chama de Vargas, por favor. – pediu quase choramingando. – Eu preciso te explicar que eu e a Kate só estávamos conversando, senhorita ciumentinha.
_Não é ciúmes, é questão de preocupação. Ou você acha que é fácil ver seu namorado com uma vadi... – ele não me deixou terminar, já estava nervosa demais.
_Ei, Ei calma aí irritadinha. – tapou minha boca com a mão. – Ela tá mudada ok? E nós só estávamos conversando.
_Eu sei o que significa conversar para garotas como ela. – murmurei.
_E o que é então?
_Significa seduzir os garotos com uma única palavra e gesto. E parece que o senhor já está enfeitiçado, ou você acha que eu sou idiota? – perguntei brava.
_Olha só... – pegou em meu queixo, erguendo minha cabeça. – Seduzir a mim, só uma pessoa tem esse poder. – roçou nossos narizes. – E te garanto que essa pessoa, é pequena e bem brava sabe?
_Não sei do que está falando. – tentei me manter segura, o que era meio impossível, devido às borboletas que estavam brotando no meu estomago.
_Vou beijar ela agora, quem sabe você não percebe.
Dito isso, ele me beijou. E não foi calmo ou delicado, o que eu deveria estranhar, mas até que estava gostando. Suas mãos saíram de meu rosto, indo em direção a minha cintura, me puxando para ele. Minha mão estava apoiada em sua cintura, enquanto a outra acariciava o seu cabelo.
_Eu te amo. – sussurrou sem ar, e eu não estava em condições de responder, pois ofegava demais. – Vou considerar essa respiração pesada e esse seu coração batendo aceleradamente como um: “Eu também te amo”. – rimos.
_Ele está batendo assim por você. – falei baixo, assim que recuperei o fôlego, com vergonha das palavras que soltei por impulso.
_Eu sei. – beijou minha testa. – E espero que ele sempre bata assim por mim.
_É, eu também, mas eu acho que sempre irá bater. – soltei um suspiro.
_E você acha isso ruim? – perguntou olhando dentro de meus olhos.
_Não... Só tenho medo sabe? Somos muito jovens pra sentir isso um pelo outro.
_Não precisa ter medo, garanto que eu não vou te decepcionar, e que nós iremos viver juntos para sempre, nem que seja a última coisa que eu faça.
_Não é bem assim León. – murmurei saindo de seus braços. – A gente se cansa, e enjoa das coisas e das pessoas, então não me diga que é pra sempre, se não vai ser.
_Ei, que papo é esse agora? – perguntou com a face séria. – Não quero nem saber do que você está falando. – suspirou. – Só esquece o que eu fiz e o que eu disse. – continuou se afastando de mim.
_Não precisa ficar chateado. – falei baixo.
_Precisa sim. Não sei mais o que está acontecendo com você. – me olhou de cima a baixo. – Não é mais a mesma garota de antes.
_A garota de antes cresceu. – respondi simples, cruzando os braços. – Você que não é mais o mesmo. Não é mais a aquele cara que costumava a me proteger dos problemas, ou me salvar das coisas erradas.
_Isso porque você anda sempre na defensiva. Tudo que eu falo ou faço, você reclama ou me trata mal. Eu posso ser idiota, mas você abusa né Violetta?
_Não abuso nada, eu sempre fui assim, não mudei isso. – me estressei. – E sabe o que eu acho? Isso se chama desgaste de relacionamento. – falei impulsivamente e vi seu semblante mudar de sério para preocupado.
Ficamos um tempo em silêncio. Soltei aquilo sem querer, sem pensar. Tinha vezes que eu era um pouco, muito, impulsiva.
_Te busco as sete para irmos ao aeroporto. – falou me dando as costas sem dizer mais nada.
_León! – exclamei irritada.
Ele não me atendeu, e se foi, me ignorando.
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