Notas iniciais
MENINAS, oi, oi, oi, olha só quem voltou? Bom, essa história é uma das minhas favoritas, foi a segunda história que eu escrevi, e acho que tinha uns treze anos quando isso aconteceu. Espero que gostem dessa adaptação de Cinquenta Tons, Boa Leitura amores.

Seguro sua camisa em desespero enquanto os soluços saem descontroladamente pela minha garganta. Fungo novamente na tentativa de pegar ar para poder falar, mas as palavras simplesmente não saem. Seu olhar frio está me destruindo, e eu não posso acreditar que ele está fazendo isso comigo.

—Por favor, não faz isso. —Imploro novamente, mas ele apenas vira o rosto. —Você não pode. Isso é tudo para mim. Aquela banda... é... é a minha vida.

—Não garota estúpida. —Suas mãos agarram meus pulsos empurrando-me para longe do seu corpo. —Eu nem queria fazer parte disso isso, essa banda é ridícula, assim como você. Sua vida não é isso. Está na hora de parar de sonhar. Sua vida começar agora.

Sinto como se suas palavras desferissem um tapa contra meu rosto, e talvez essa seja a dor que eu esteja sentindo, e tudo se torna pior. Sem dizer adeus, ele se vira, e sai andando, pouco a pouco, até sua silhueta ser apenas uma sombra borrada contra o sol que se põe no oriente.

Minhas pernas fraquejam e eu caio de joelhos sobre o píer. Eu disse que não iria acontecer de novo, mas novamente estou sendo cortada pela dor. Então ele tem razão. Ele sempre teve. Isso nunca foi real, e nunca vai ser. Era importante para mim, mas somente para mim.

Ah, Anastásia, como você foi tola.

Respiro fundo tentando conter a dor e seco minhas lágrimas com as costas da mão. Levanto-me devagar e olho para o sol, e é nesse momento que me permito chorar, só hoje, só nesse momento. E então tudo se cessa. Ninguém mais vai pisar em mim ou me fazer chorar. Nunca mais!

Quatorze anos mais tarde...

Anastásia Steele

A corretora abre a porta do apartamento dando espaço para que eu e Ethan possamos entrar. Suspiro pesadamente e entro olhando o grande espaço vazio. A sala é enorme, com um bar a direita. Um balcão para uma cozinha, uma escada para o outro andar e um corredor ao lado.

—É grande aqui. —Ethan murmura olhando em volta e a corretora, Gia, sorri de forma sugestiva para ele. Reviro os olhos e suspiro fundo. —Parece confortável.

—Ah, é sim! —Exclama Gia. —São três suítes, uma no andar de baixo, duas no de cima, mais quatro quartos espaçosos. Cozinha, dispensa com adega. Área de serviço, escritório, seis banheiros. Ala para os empregados, e mais alguns cômodos a serem adaptados.

—Eu não sei não... —Murmuro envolvendo meus braços ao redor do meu corpo. —É muito grande, e eu vou estar aqui sozinha.

—Maninha... —Ethan se aproxima e segura meus braços. —É ótimo para você. Espaço amplo, você vai montar seu estúdio, criar o que você gosta. É ótimo para um recomeço.

Suspiro pesadamente e olho em volta pela ampla sala. Caminho até a parede de vidro que revela a grande vista de Seattle, toca o vidro com as pontas dos dedos e sinto uma energia estranha atravessar todo meu corpo. Afasto minha mão. Uau! Já faz tanto tempo que não me sinto assim... Dois anos para ser mais especifica. Exatamente há dois anos quando meu marido e minha filha morreram em um acidente de carro eu deixei de sentir qualquer coisa.

Tenho uma sensação estranha de alguém me olhando e me viro de súbito me deparando com uma criaturinha na porta. Ela deve ter uns dois anos, é branquinha, cabelos loiros até os ombros, grandes olhos azuis e bochechas vermelhas. A pequena está usando uma blusa de listras preta e branca, calça jeans, tênis e bandana.

Caminho em direção a menina e ela joga a cabeça para o lado sorrindo para mim. Ethan sorri quando passo por ele encorajando-me a ir falar com ela, e quando paro em sua frente, ela levanta a mão revelando uma flor. A flor é roxa – minha cor favorita – ela está um pouco murcha, mas parece tão linda.

—Oi. —Diz a pequena sorrindo.

—Oi... —Sussurro abaixando em sua frente.

—Pla você. —Ela diz de forma sapeca e abre um sorriso gigantesco revelando lindas covinhas. —Bem-vinda.

—Obrigada! —Exclamo confusa.

A menina sorri e me entrega a flor, depois sai correndo e entra na porta da frente. Pelo que eu entendi eu tenho um vizinho, são duas coberturas amplas em um prédio só. Vai ser a primeira vez com vizinhos desde a morte de Richard. Quando ele se foi eu passei a morar em uma casa no campo, sem ninguém por perto. Abandonei minha carreira e me isolei do mundo, mas eu preciso voltar a vida, e talvez meus irmãos tenham razão, esse lugar pode ser uma boa.

Encaro a flor na minha mão e levanto segurando-a com cuidado. Viro-me para Ethan e Gia e ambos me olham com expectativa.

—Tudo bem. Eu adorei o lugar. —Sussurro encolhendo os ombros.

—Ah, que ótimo Srta. Steele, eu aposto que vai ser ótimo morar aqui. —Gia diz confiante.

—Espero que sim. —Digo dando um sorriso forjado. —Quem era a menina?

—Uma das filhas do vizinho. Não se preocupe, elas são bem-comportadas.

—Uma das?

—Sim. Ele tem cinco filhas.

—Uau... —Ethan e eu sussurramos juntos.

—Ok. Minha empresária vai resolver tudo com você. —Declaro aproximando-me de Ethan. —Eu quero comprar o lugar, e quero ele para a mudança o mais rápido possível.

—Ok Srta. Steele, você pode se mudar quando quiser. —Gia diz me entregando as chaves.

—Ótimo. —Murmuro pegando a chave.

Uma nova vida, não é mesmo? Só espero que tudo isso dê, eu não posso cair de novo, e nem quero. A dor já me consumiu o suficiente, e agora, eu quero viver novamente.

Dias depois...

—Você vai ficar bem aqui sozinha? —Katherine pergunta segurando meus ombros. —Você sabe que eu me preocupe.

—Kate, eu já disse que vou ficar bem. —Falo revirando os olhos.

—Relaxa maninha. —Ethan diz rindo. —Você sabe com a Katherine é pirada.

—Ethan Kavanagh Steele, não ouse me chamar de pirada. —Katherine diz brava. —Eu me importo com a nossa irmãzinha.

—Sua irmãzinha já tem 22 anos e sabe se cuidar. —Digo revirando os olhos. —Agora vocês já podem ir. Você tem plantão no hospital e você, Delegado Kavanagh, tem que ir para a delegacia.

—Tudo bem. —Os dois dizem juntos.

—Tragam as crianças para ficar comigo depois. Eu estou com saudades. —Falo enquanto encaminho meus irmãos super protetores para a porta. —Eu vou tentar fazer algo, um jantar na quarta, e aí vocês poderiam vir.

—Nós vamos adorar. —Ethan fala e depois dá um beijo na minha testa. —Se cuida, qualquer coisa nos ligue, e isso é uma ordem.

—Ok pai. —Falo levantando as mãos. —Amo vocês.

—Nós também te amamos. —Katherine diz me abraçando. —Até logo querida.

—Até. —Sorrio e fecho a porta. Recosto-me sobre a mesma e, suspiro aliviada.

Ethan e Katherine cuidam de mim desde que nossa mãe morreu. Eu tinha sete anos e não lembro muito bem o que aconteceu, mas eles têm cuidado de mim desde então. Eu nunca conheci meu pai. Minha mãe dizia que ele tinha a deixado quando descobriu sobre a gravidez, e o Dr. Robert, pai da Katherine e Ethan, é um grande homem. Ele sempre me ajudou, e me incentivou a seguir minha carreira. É claro que eu não o chamo de pai ou coisa do tipo. Eu nunca fui muito aberta em questão de sentimentos. As vezes é tão difícil dizer só um ‘eu te amo’ para os meus irmãos... tudo isso graças ao meu grande azar! Vez ou outra, eu costumo pensar que a vida não foi feita para qualquer um. Com certeza não.

Respiro fundo e caminho até a estante de livros que fica na sala. Eu escolhi alguns livros para ficar aqui e outros no meu quarto, e o restante... bom... estão seguros na biblioteca. Percorro meus dedos pelos livros até achar a edição de “Quatro Vidas De Um Cachorro”. Era o livro favorito da minha filha... não! Eu não vou pensar nela. Eu não posso voltar para esse mundo de dor. Eu preciso seguir em frente.

Abro o livro e encontro a flor que a pequena menina me entregou aquele dia. É estranho. Ela me desejou boas-vindas como se soubesse que eu fosse ficar aqui. Que loucura. Suspiro enquanto percorro as pontas dos dedos pela flor amaçada pelas páginas. É tão simples e tão... linda. O melhor presente de boas-vindas.

Sorrio e fecho o livro balançando a cabeça, caminho até meu quarto e pego meu violão ao lado da cama. Pego meu caderno de composições e decido que realmente está na hora de recomeçar. Vamos lá Anastásia. Você consegue!

Notas finais
Comentem e me digam o que acharam ♥