Notas iniciais
Hi meninas *---* , sei que todas vocês estão confusas com o cap passado, mas calma, tudo vai ser explicado aqui. Espero que gostem. Boa leitura ♥

Phoebe Grey

Entro no quarto de papai e ascendo a luz acordando-o. Ele me olha confuso e encara o relógio.

—O que foi agora?

—A Cassie precisa da sonda, e de insulina. —Digo encarando-o ainda com mágoa.

—Não me olhe assim. —Ele diz se levantando.

—Por quê? —Pergunto arqueando a sobrancelha. —É vergonhoso demais saber que suas quatro filhas mais novas estão doentes por sua causa? Me poupe, Christian.

—Não me chame de Christian, Phoebe. Não aja feito uma criança mimada. —Papai diz passando por mim.

Respiro fundo e tento não chorar. Já fazem três semanas desde que nós não vemos Anastásia, e tudo está... cinza. Allyson passa dias sem falar com ninguém e tudo que sabe fazer são desenhos sobre Anastásia. Jennifer arranca todas as flores do vaso e deixa na porta de Anastásia. Ivy quase reprovou o último bimestre por ter notas abaixo de cinco, e Cassie não consegue nem levantar da cama sem a ajuda de remédios.

É como quando a mamãe se foi.

Suspiro pesadamente e caminho até meu quarto. Sento-me na cama e vejo o violão rosa, que Ana me deu, encostado no cantinho da parede. Penso em pegá-lo, mas desde que fomos proibidas de ver Ana, tudo realmente não parece funcionar.

—Pheo...

Viro-me assustada e vejo Allyson parada a porta junto com Jennifer. Sorrio ao ouvi-la me chamar pelo apelido que Ana me deu. Olho para as duas e movo a mão para elas se aproximarem. Minhas pequenas correm e sobem na cama se aconchegando em meus braços.

—Pheo... nós não vamos mais ver a Ana?

—Eu não sei. —Confesso passando as mãos em seus cabelos.

—Nós não podemos visita-la?

—Não. Ela não quer nos ver.

—Por quê? —Ivy pergunta entrando no quarto. —Ela gostava de nós. Eu aposto que foi o papai que fez algo.

—Eu não sei. —Digo batendo a mão na cama e Ivy senta. —Pheo, faça algo, por favor. Você é a única que pode nos ajudar.

—Eu não sei comigo. —Sussurro triste. —Eu queria. Eu também sinto falta dela, mas ela nem quis saber de nós desde aquele dia.

—Ela nos ama. —Allyson diz e eu sinto meu coração se apertar. —Ela também está sofrendo.

—Eu acho que não, Ally. —Murmuro encolhendo os ombros.

—Ela não rega mais as plantinhas. —Jennifer diz se manifestando. —Nem pega minhas flolezinhas...

—Por favor, faça algo. —Ivy implora segurando minha mão.

—Ok. —Digo por fim. —Eu vou tentar.

—Obrigada Phoebe. —Ivy diz me abraçando.

—Ótimo. Agora as três para suas camas.

Minhas irmãzinhas descem correndo da minha cama e sai porta a fora. Sorrio e vou atrás delas para cobri-las. Primeiro Jennifer, ajeito sua manta e dou um beijo, depois repito o processo com Allyson e Ivy. Por fim passo no quarto de Cassie, e a encontro ainda acordada.

—Oi. —Murmuro sentando ao seu lado. Acaricio sua testa e ela sorri de forma fraca. —Você está bem?

Cassie balança a cabeça negativamente enquanto encara o furinho no braço dela pela insulina e mexe na sonda com os dedinhos.

—Cass, você sente falta da mamãe?

—Sim. —Ela diz fracamente, mas não demonstra emoção.

—E da Ana?

Os olhos da minha irmã marejam e ela balança a cabeça fechando os olhos.

—Eu vou tentar falar com ela, ok?

—Vai? —Cassie pergunta surpresa e vejo esperança em seus olhos. —Promete?

—Prometo. —Falo sorrindo. —Agora durma, ok?

—Ok. Boa noite.

—Boa noite.

Dou um beijo em Cassie e arrumo sua colcha. Verifico a sonda e saio do quarto fechando a porta. Respiro fundo umas cinco vezes e crio coragem indo até o quarto do meu pai. A porta está aberta e ele está sentando no chão com várias fotos a sua frente.

—Oi. —Murmuro ainda parada.

—Ei. Entra. —Papai diz e pela primeira vez em toda a minha vida noto tristeza e mágoa em sua voz. Caminho com desconfiança e sento ao seu lado olhando para as fotos. Todos são de duas crianças, e eu reconheço uma com cabelo acobreado e olhos cinza.

—É você? —Pergunto sorrindo.

—Sim.

—E quem é essa? —Pergunto olhando para a menina branquinha com sapatos vermelhos.

—Anastásia... —Papai sussurra e eu o encaro sem entender.

—O que?

—É uma longa história. —Ele confessa perdido em lembranças.

—Me conta... por favor. —Peço baixinho.

—Você vai me odiar depois. —Papai fala dando um sorriso amargo. Ele suspira e encara a parede. Eu e a Ana nos conhecemos quando ela tinha um aninho. Nós logo nos tornamos melhores amigos, e crescemos juntos. Ela sempre me apoiava, e me ajudava a não fazer besteiras..., mas um dia eu fiz.

—O que você fez? —Pergunto preocupada e surpresa com sua revelação.

—Eu tinha quinze anos, e pensei ter me apaixonado por alguém... a Ana me disse que não valia a pena, porque essa pessoa estava me destruindo. Mas eu estava tão cego. Um dia, essa menina bateu na minha porta, ela estava grávida.

—Minha mãe... —Sussurro com as lágrimas já caindo e papai apenas abaixa a cabeça.

—Eu tive que abrir mão de muita coisa, mas eu jamais negaria um filho. E foi o que o fiz, e com o tempo, eu descobri que eu era loucamente apaixonado pela Anastásia, mas eu não podia ficar com ela.

—Por que não?

—Porque eu tinha você. E sua mãe. Ela ameaçava te levar para longe de mim, então, eu fiz o que eu achei que era certo.

—O que você fez?

—Eu me afastei da Ana. —Papai solta um soluço e eu vejo suas lágrimas caindo. —Eu estava lá quando a mãe dela morreu, Phoebe, eu sabia que cantar era tudo para ela. Nós até montamos uma banda, fez muito sucesso naquela época. A Ana era muito talentosa. Cantar era tudo, então eu destruí tudo isso, e fui embora. Ela implorou para que eu não fosse, mas eu estava com tanto medo de te perder, que eu tive que olhar no fundo dos olhos dela e dizer coisas horríveis.

—Pai. —Sussurro indo para os seus braços.

—Me desculpe, eu sei o quanto vocês gostam dela, mas depois disso, de saber quem eu sou realmente...

—Tudo bem. —Falo tranquilizando. —Esquece, por favor. Está tudo bem.

♩ ♪ ♫ ♬

Anastásia Steele

—Foi um ótimo show. —Mia sussurra assim que entramos no Escala. Viro-me e a encaro.

—Foi cansativo. —Sussurro ajeitando os cabelos enquanto caminhamos para o elevador. —600 mil Pessoas?

—É. —Mia sorri de forma torta e por um segundo me lembra Christian. —Espero que os próximos shows continuem mais lotados.

—Ah, sim. E quem ninguém tente me puxar do palco de novo.

—Fama, Ana. —Ela ri e nós entramos no elevador. —Você voltou com tudo. As pessoas amam você.

—Claro. —Reviro os olhos e coloco o código da cobertura. O elevador dá um tranco suave e começa a subir, segundos depois estamos a cobertura.

Ouço uma gargalha familiar e quando saímos do elevador nos deparamos com Phoebe falando ao celular enquanto Jennifer deixa flores na minha porta. Meu coração dispara e as lágrimas tomam meus olhos.

—Ana! —Jennifer grita e Phoebe para de falar para me olhar. Seus olhos marejam e ela afasta o celular. —Aninha.

Sorrio contra a minha vontade e algumas lágrimas começam a cair. Eu senti tanta falta delas. Depois de perder minha filha essas meninas são as únicas coisas que me confortam. Jennifer bate palmas gargalhando e corre para me abraçar. Solto minha mala e me abaixo recebendo-a em um abraço apertado e cheio de saudade.

—Oi. —Jennifer diz me olhando.

—Oi. —Sussurro sorrindo e acaricio seu nariz arrebitado. —Você deveria estar na cama mocinha.

—Não. —Jennifer fala rindo e me abraça de novo.

Inalo seu cheirinho e fecho os olhos por alguns segundos, então me levanto com ela ainda em meus braços. Encaro Phoebe e ela encolhe os ombros curvando os lábios em um sorriso mínimo. Ponho Jennifer no chão e ela corre para a irmã mais velha.

—Olá, Pheo. —Sussurro e ela apenas movimenta a mão acenando.

—Ana. —Mia diz olhando no celular. —O Ethan chegou, eu já vou indo.

—Tudo bem. Te vejo amanhã? —Pergunto olhando-a com cautela.

—Sim, o produtor estará aqui comigo.

—Está bem.

—Amo você. Tchau Phoebe, Jenny.

—Tchau tia Mia. —Phoebe diz espontaneamente e Mia para surpresa.

—Hã... é. Até logo.

Mia se vira rapidamente e entra no elevador acenando antes das portas se fecharem. Uma ideia boba surge na minha cabeça, mas eu a afasto e volto a encarar Phoebe.

—Ana, nós podemos conversar? —Phoebe pede e eu balanço a cabeça um pouco receosa. Ela se abaixa e fala algo no ouvido de Jennifer que ri e corre para dentro de casa. —Vem?

—Seu pai não vai gostar de me ver aí. —Murmuro com amargura.

—Ele está viajando, nós estamos só com a nossa nova... babá. —Phoebe fala fazendo uma careta e eu acabo rindo.

—Tudo bem então. —Digo calmamente e sigo Phoebe até dentro do apartamento. Ela fecha a porta e me guia até a sala, onde vemos Jennifer pintando, de caneta permanente, o rosto da babá que está dormindo.

—Meu Deus. —Sussurro horrorizada e Phoebe apenas ri.

—Eu disse para o meu pai que não precisava de babá. —Phoebe fala indo em direção as escadas. Vou atrás dela e a vejo abrir uma porta, dar uma olhada e fechá-la, e fazer o mesmo com a seguinte. Phoebe abre uma terceira porta e sorri. —Hora de dormir.

Não ouço a resposta, mas ela continua falando. Phoebe fecha a porta por fim e me olha, ela continua andando até um dos últimos quartos e finalmente entra. Entro logo atrás e sorrio ao ver um quarto todo decorado. As paredes são brancas, mas há uma roxa com desenhos de notas musicais. Há um teclado com microfone e câmeras em um pequeno estúdio. O chão é de madeiras assim como a cama que tem um baú retangular tomando a frente. As janelas estão cobertas por cortinas pretas com desenhos de notas musicais, também. Há duas portas, uma levando ao closet e outra ao banheiro.

Há prateleiras por todas as partes, com livros, enfeites, fotos, e uma em especial me chama atenção. Caminho até a prateleira com fotos e vejo uma foto de Phoebe, ela deveria ter uns oito anos ou menos. Está sorrindo amplamente enquanto abraça um cachorro peludo e ambos estão sujos de lama.

—Ele era meu. —Phoebe diz sorrindo e noto um pouco de tristeza em sua voz. —Mas nós tivemos que doá-lo quando a Cassie ficou doente... ele acabou morrendo. O veterinário disse que poderia ser... depressão.

—Eu sinto muito. —Sussurro com pesar e me lembro de Nancy.

—Tudo bem. —Ela fala e abre um sorriso, mas algumas lágrimas contornam seu rosto.

—Pheo...

—Ana, eu sei de tudo. —Phoebe diz me impedindo de falar.

—O que você quer dizer com isso?

—Eu sei sobre você e o papai. Sei que vocês eram melhores amigos, que vocês cresceram juntos, que ele estava lá quando sua mãe morreu, que vocês tiveram uma banda juntos no colégio, com o tio Elliot e mais alguns amigos.

—Pheo, por favor...

—Não! —Ela pede chorando. —Eu preciso falar. Eu sei que você o amava, e eu sei que ele te deixou, mas você não sabe o porquê.

—Eu não preciso saber. —Sussurro encarando-a com dor por todas as lembranças.

—Me ouve!

—Phoebe. —Murmuro com tristeza. —Eu não deveria estar aqui, é melhor eu ir.

Viro-me para sair do quarto com o coração em mil pedaços. Eu realmente não preciso lembrar de tudo que eu sofri por causa de Christian. Ele escolheu ir.

—Ana, eu menti! —Phoebe diz elevando o tom e eu paro. —Minha mãe não morreu. Ela foi embora. Nos abandonou.

Viro-me e encaro Phoebe confusa.

O que?

—Minha mãe... —Ela diz e para fungando, então respira fundo. —Se chama Elena Lincoln.

Fecho meus olhos sentindo meu coração acelerar. As lágrimas começam a cair enquanto eu olho Phoebe e ouço tudo o que ela diz, tudo que eu nunca quis saber.

—Ela engravidou do meu pai quando ele tinha quinze anos, e você não sabia. Meu pai te amava mesmo estando com ela.

—O que? —Sussurro colocando a mão sobre a boca.

Christian...

Ele... ele me amava?

—Ele sempre foi louco por você e nunca pode te falar, sabe por quê?

—Não...

—Porque minha mãe disse que se ele ficasse com você, ela me tiraria dele, e ele nunca mais me veria.

Fecho meus olhos apenas deixando as lágrimas cair. Então foi isso? Durante todo esse tempo foi isso? Ele nunca me deixou porque quis, mas porque a Elena o chantageou.

—Aquele dia. —Phoebe funga. —Que ele te deixou, ele disse que foi o pior dia da vida dele, e que não teve um dia sequer... que ele não pensasse em você. Ele passou todos esses anos te procurando.

—Mas não me encontrou... —Sussurro sentindo a dor me invadir, mas não só ela, o alivio me invade.

Ele não me deixou, ele não me abandou como eu pensei. Aquilo... não foi culpa dele. Ele me amava? Como eu o amei?

—Ana, por favor, não se afaste de nós. Eu... e minhas irmãs também, o papai, nós precisamos de você. Aquilo tudo foi minha culpa, se eu não tivesse nascido...

—Phoebe, não. —Digo levantando a mão e ela se cala. —Eu preciso ir embora.

—Você vai nos deixar? —Ela pergunta chorando e eu posso ver o desespero em seu olhar.

—Não... —Sussurro me aproximando e a puxo para um abraço. —Nunca.

—Você promete?

—Prometo. Claro que sim. —Murmuro agora encarando seus olhos.

—Então fica com a gente, só hoje, por favor. Minhas irmãs todas estão mal. Elas sentem sua falta. —Phoebe implora.

—Tudo bem. —Digo ajeitando seus cabelos. —Que tal você ir tomar banho enquanto eu expulso aquela babá horrenda?

—Está bem. —Phoebe diz rindo. Ela me solta e vai para o banheiro.

Saio do quarto de Phoebe e desço as escadas, encontro Jennifer sentada em um dos sofás chorando enquanto a babá, toda suja, dá uma bronca nela.

—O que está acontecendo aqui? —Digo já sem paciência alguma.

—Mamãe. —Jennifer diz correndo para os meus braços e meu coração se aquece.

—Sra. Grey. —A mulher murmura envergonhada e eu tenho vontade de rir. —Eu sinto muito... eu...

—Saia! —Digo sem humor algum. —Vá embora e não espere receber nada!

A babá se vira envergonhada e pega sua bolsa correndo para fora do apartamento.

—Ei, está tudo bem. —Digo acariciando as costas de Jennifer que se acalma mais. —Que tal você dormir um pouquinho?

—Não... —Jennifer diz com manha.

—Ah, por favor. Você pode dormir aqui no sofá, comigo. Ok?

—Ok. —Ela fala sorrindo e eu a coloco no sofá.

Jennifer sorri e toca a bochecha com o dedinho, sorrio e me abaixo beijando sua bochecha, depois a pontinha do nariz e o outro lado da bochecha.

—Boa noite princesinha. —Sussurro acariciando seu rosto.

—Boa noite, mamãe Ana. —Ela diz sorrindo e se vira para o lado, dormindo em segundos.

Sento-me em frente ao sofá e espero mais alguns minutinhos enquanto observo Jennifer dormir. Levanto-me e pego-a em meus braços aconchegando-a com cuidado. Ela resmunga, mas não acorda. Um sorriso brota em meus lábios quando a vejo sorrir em meio ao sono. Caminho até as escadas e subo. Enquanto caminho pelos corredores percebo que todas as portas têm os nomes das meninas. Primeiro Allyson, depois Cassie, Ivy, Jennifer e por último Phoebe. Paro na porta da menorzinha e a abro.

O quarto é completamente fofo. As paredes têm papéis com desenhos de ursinhos, há um tapete rosa cobrindo todo o chão. Baús com brinquedos, prateleiras com bonecas, uma cama com protetor nas laterais. A janela é mais elevada, e tem uma cortina branca e rosa. Há ursinhos por todas as partes, e diferente do quarto de Phoebe e Cassie, aqui só há uma porta, que leva ao closet.

Caminho até a cama de Jennifer e empurro os ursinhos ajeitando-a deitada. Dou um beijo em sua testa e ligo o abajur saindo do quarto em seguida.

Paro em frente ao quarto de Allyson e abro a porta, mas ela está dormindo tranquilamente. Aproximo-me e dou um beijo em sua testa, depois acendo o abajur e saio do quarto fechando a porta. Entro no quarto de Ivy e a encontro dormindo. Aproximo-me e vejo que ela ainda está de óculos.

Sorrio e tiro seus óculos colocando sobre o criado-mudo, dou um beijo em sua testa. Quando vou me levantar vejo seu boletim e pego para olhá-lo.

Surpreendo-me ao ver todas as notas baixas e me sinto culpada.

Suspiro pesadamente e coloco no lugar, depois saio do quarto ligando o abajur e fechando a porta. Paro em frente ao quarto de Cassie e sorrio ao ver uma borboletinha desenhada em cima do seu nome. Empurro a porta e descubro Cassie ainda acordada, mas ela não me olha.

—Phoebe, eu já vou dormir. —Cassie diz encarando o livro em suas mãos. —Eu estou no último capítulo.

—Eu adoro esse livro. —Sussurro e o livro escorrega de suas mãos.

—Ana? —Cassie diz me olhando e seus olhos enchem de lágrimas.

Meu coração parte ao vê-la usando sondas e a variedades de remédios no seu criado-mudo.

—Oi. —Digo encolhendo os ombros.

—Você não vai mais embora? —Cassie pergunta chorando e eu começo a chorar.

—Não. —Sussurro balançando a cabeça. Ela estende os bracinhos e eu corro para abraça-la.

—Eu senti sua falta.

—Eu também senti a sua. —Falo acariciando seu rostinho redondo.

—Ana, eu amo você.

—Ah, eu também te amo. —Digo com uma emoção desconhecida e sorrio em meio as lágrimas. Puxo-a para um abraço novamente é só nos soltamos quando paramos de chorar.

—Tira minha sonda? —Cassie pede animada.

—Tem certeza? —Pergunto preocupada.

—Sim. Por favor.

—Tudo bem. —Digo rindo.

Tiro a parte de trás das suas orelhas e começo a puxar do seu nariz enquanto ela fecha os olhos apertados e faz expressões de dor. Termino de puxar e coloco em cima do criado-mudo. Cassie respira fundo e sorri.

—Obrigada. —Ela diz e desce da cama correndo para fora do quarto.

—Cass. —Digo rindo e me levanto indo atrás dela. Vejo-a entrar no quarto de Ivy gritando.

—Ivy, ela está aqui. Acorde! —Cassie grita.

Dez segundos depois vejo Ivy sair correndo do quarto e me dar um olhar cheio de lágrimas. Abro meus braços e ela corre e pula nos meus braços. Tenho que me equilibrar para não cair. Sorrio e abraço minha pequena de forma apertada.

—Ana, você voltou. Eu senti tanto sua falta, nada é o mesmo sem você. —Ivy diz segurando meu rosto entre suas mãos. —Me promete que nunca mais via embora?

—Claro que prometo. —Sussurro abraçando-a e sorrio.

Como eu senti falta dessas garotas.

Olho para o lado e sorrio ao ver as cinco garotas dormirem tranquilamente no amontoada de pufes, travesseiros, ursos e cobertas. Desligo a TV e me levanto com cuidado acordando Phoebe. Ela se levanta e pega Allyson no colo indo para as escadas. Acordo as gêmeas que, meio desnorteadas, vão subindo as escadas. Abaixo-me com cuidado e pego Jennifer, olho no relógio e vejo que já são seis da manhã.

Uau! O tempo ao lado delas voa.

Subo as escadas e deixo Jennifer em seu quarto. Depois passo no quarto de cada uma, ajeito as mantas, dou um beijo, e saio deixando o abajur aceso. Volto a sala e organizo as coisas, depois vou até a cozinha e preparo o café da manhã das meninas deixando sobre a mesa, deixo um bilhetinho e pego minhas coisas indo para a minha casa.

Tomo um banho demorado, mas não consigo dormir. Depois de tudo que Phoebe me disse, o que menos eu tenho é sono. Eu passei quatorze anos acreditando que Christian tinha me deixado porque não gostava de mim, e descobrir que ele me amava, muda tudo.

Olho no relógio vendo que já são quase oito horas, então decido ir comer algo, mas quando estou em direção a cozinha, ouço a campainha tocar. A primeira coisa que vejo quando abro a porta é uma cesta, e dentro uma bolinha de pelos brancos, em seguida, um belo homem de terno preto, olhos cinzas e cabelos revoltos acobreados.

—Nós podemos conversar? —Christian diz levantando a cesta com o gatinho.

Sorrio e o encaro com algo batendo forte no peito.

—Tudo bem.

Notas finais