Uma Nova Chance
2 Nem Tudo É O Que Parece Ser
Notas iniciais
Em menos de meia hora, eles já estavam da praça. A praça não ficava muito longe do Escala, o apartamento de Christian, então ele decidiu que iriam andando. Durante todo o caminho, Sophie não parou de falar.
— Papai, eu vou brincar no parquinho.
— Tudo bem, filha. Vai lá. Mas fique onde eu possa te ver.
— Não papai, venha comigo. Preciso que alguém me ajude no balanço!
Christian olhou para Leila. — Você quer ir, Leila?
— Não, vai você. — Christian assente e vai brincar com Sophie.
Depois de quinze minutos, Christian percebeu que Leila não estava sozinha. Quando Leila percebeu que Christian a observava, ela fez um sinal para que ele fosse até ela, e assim ele fez.
— Oi, Christian. — Susana, a amiga de Christian e Leila, o cumprimentou.
— Oi, Susana, como está? — perguntou ele educadamente.
Christian conhecia Susana desde a época da faculdade, foi ela que o apresentou para Leila. Ele não sabia dizer o porquê, mas depois que ele se casou com Leila, Susana passou a ter um comportamento estranho, talvez até mesmo sombrio. Mas talvez isso seja coisa de sua cabeça, nem ele mesmo conseguia explicar o que sentia, e por isso sempre ignorou todas suas intuições.
— Eu estou bem, aliás, muito bem. — ela deu um sorriso.
— Christian, você se incômoda se eu der uma saidinha com a Susana? Ela precisa falar comigo, é urgente.
Christian bufou, era para serem somente eles três. — Não Leila, eu não me incomodo.
Leila concordou, depois de se despedir com um beijo, Leila resolve ir com Susana em alguma lancheteria, talvez apenas para comerem um lanche, ainda eram cinco da tarde.
(...)
— Então Leila, eu te chamei aqui, pois eu trouxe a prova. — falou Susana, assim que elas fizeram seus pedidos.
— Prova? — perguntou Leila, claramente confusa. — Provas de que?
— A prova que Christian anda de traindo, você esqueceu?
— Ah, claro que não! Amostre-me longo.
Susana pegou seu celular, e quando abriu na foto que desejava, amostrou a foto para Leila.
— Foi você quem tirou a foto? — indagou, Susana apenas concordou com a cabeça. — Quando foi isso?
— Há dois dias. Quando eu estava para entrar em um restaurante, e eu acabei me esbarrando com ele, ele estava com os braços em volta do pescoço da garota, ele rapidamente se soltou dela, e fingiu que nem a conhecia quando me viu. Mas quando eles saíram do restaurante, já achando que eu estava já dentro do restaurante, ele voltou a abraçá-la. Foi aí que eu tirei a foto. — explicou Susana.
Leila não estava acreditando no que estava ouvindo e nem vendo. Na foto, qualquer um que visse, perceberia que era o Christian abraçado com outra garota, mas infelizmente não dava para ver o rosto da garota.
Quando Susana contou que Christian estava traindo Leila, ela não acreditou. De jeito nenhum Christian iria a trair. A cima de tudo, ele tinha caráter. Leila pediu provas, não iria acreditar em algo assim, sem ao menos ter como provar. Mas agora, vendo essa foto, ela já não sabe em quem acreditar. Já tinha pedido para Christian ser sincero com ela, já tinha dado chances para ele confessar, mas sempre negava. Agora como ele negaria com essas provas? E o pior, é que há dois dias, Christian chegou tarde do trabalho.
Leila pegou seu celular, e passou a foto para ele. — Como ela é? Quero detalhes.
Antes que Susana começasse a falar, os pedidos delas. Mas assim que o garçom deixou a mesa delas, Susana começou a falar, dar detalhes da moça, e a cada palavra que Susana pronunciava, Leila sentia que seu ódio crescia mais, e mais. Christian já tinha ligado para saber se ela iria demorar, pois Sophie já estava cansada e eles queriam voltar para casa, Leila foi curta e grossa ao avisar que eles poderiam ir embora. Assim que desligou o telefone, Susana voltou a dar cada detalhe da noite que vi Christian com outra, e em outros momentos.
Assim que Susana se deu por satisfeita, falou que já estava tarde para ela, e que deveria voltar para casa. Leila se despediu dela com um abraço, mas antes de ir embora, Susana reforçou.
— Amiga, você sabe que eu só faço isso para o seu bem. Eu me preocupo com você, e se Christian realmente está te traindo, é melhor você tomar medidas drásticas.
Leila concordou com um sorriso, que foi retribuído por Susana. Para Leila, o sorriso de Susana era de compreensão, mas para qualquer um que visse aquele sorriso, poderia arriscar que foi um dos sorrisos mais falsos que já tinha visto.
(...)
Christian já estava preocupado com Leila, já eram dez horas da noite, já fazia exatos cinco horas, que a Leila tinha saído com Susana. Era para ser uma programação em família, mas Leila tinha que ter saído com ela. O que poderia ser tão importante assim, que Susana não poderia esperar?
— Papai, vamos dormir. — Sophie apareceu na sala. Para Christian, aquela era a visão mais fofa que já tinha visto. Com um lindo pijama de ursinho, com seu cachorrinho de pelúcia sendo abraçado com apenas uma mão, enquanto a outra casava seu olho, ela esperava a resposta de seu pai.
— Posso saber o que a senhorita está fazendo aqui? Pensei que estivesse dormindo.
— Eu estava, mas por que não está dormindo, papai?
Antes que Christian pudesse responder, o barulho da porta ser aberta com força, assustando Sophie, fazendo com que se encolhesse nos braços do pai, até mesmo Christian se assustou, mas quando seus olhos foram para porta, Leila entrou na sala, enfurecida. Depois que Susana foi embora, Leila voltou para casa caminhando, mas parou na praça onde eles estavam mais cedo, e ficou pensando no que faria quando chegasse em casa. Cada vez que Leila olhava aquela maldita foto, a raiva subia mais ainda. Aquela dor de ser trocada, de ser enganada, fazia com que sua raiva aumentasse. Talvez fosse esse o motivo da negação de sexo, e ele só usava a desculpa de que tinha uma criança em casa, para se safar. Ainda era um canalha maior, por usar o nome de Sophie. Esses eram os pensamentos que se voltava contra ela, enquanto caminhava de volta para casa. Ela não queria acreditar que estava sendo traída, mas na real, ela estava.
— Christian, se eu tivesse uma raiva, e quantos tiros mostrassem o quão puta eu estou com você, você não sairia vivo, dessa porra! — foi à primeira coisa, que Leila gritou, ao olhar para Christian.
Mesmo confuso, ele a repreendeu. — Leila olha seu vocabulário. Sophie está aqui.
— Sophie, vai para o seu quarto, agora. Eu preciso ter uma conversa com seu pai.
Sem questionar, ela subiu as escadas, correndo. Sabia que aquilo iria render uma boa discussão entre os dois, e odiava ver quando seus pais brigavam.
— Agora você pode me explicar o que está acontecendo? — perguntou Christian, enquanto cruzava os braços.
— Sou eu quem pergunta: o que está acontecendo? — perguntou ela, se aproximando dele. — Como é que você teve coragem de tal coisa, seu filho da puta? Você... Você me traiu. Você sabe o quão baixo isso é?
— O que Leila? Do que está falando? De novo esse assunto?
— Do que eu estou falando? Da porra dessa foto, me explique agora! — Leila tacou o celular na cara dele, que por pouco não caiu no chão. Christian fez uma careta ele se lembrava dessa foto, já tinha visto em algum lugar.
— Quem tirou essa foto? — Christian perguntou sem entender, queria ter certeza se era Mia na foto.
— Não interessa quem foi, responde logo. Quem é a vadia?
— Leila, preste bem atenção. Eu não estou te traindo, e nem te trai. Essa foto, além de ser antiga, eu estava com Mia.
— Pare de ser mentiroso, eu sei muito bem que você anda se esfregando com uma qualquer, Christian. Agora meter sua irmã no meio, é mais golpe baixo ainda!
— Quem é que fica colocando essas merdas na sua cabeça? Por acaso é a Susana? Foi por isso que vocês foram conversar? — perguntou ela já impaciente.
Sem responder, Leila deixou a sala e foi para o quarto. Em menos de cinco minutos, ela voltou carregando um edredom e um travesseiro.
— Agora você vai dormir aqui. — disse Leila, ao jogar o que carregava no sofá da sala.
— Como é que é? — indagou sem acreditar no que ouvia.
— Isso mesmo que você ouviu, Christian. Tenha uma boa noite. — falou antes de ir para o quarto, e trancar a porta. Enquanto Christian encarava a porta do quarto.
(...)
Um Mês Depois.
Christian olhou mais uma vez, impaciente, o relógio em seu pulso, já eram dez da noite, e de acordo com as contas deles, eles já estavam naquele mercado desde as nove e meia.
Depois da briga que Christian teve com Leila, ainda em seu apartamento, ele pensou no que faria, e tinha uma resposta. No dia seguinte, ele contatou o seu piloto, que em um mês, ele iria viajar para Aspen junto com sua família. Já fazia um bom tempo que ele não tirava férias. E esse era um ótimo momento para botar as ideias em ordens.
Depois de uns cinco dias, sendo ignorado por Leila, eles acabaram fazendo as pazes, da melhor forma que sabiam. Mas depois de quinze dias, ela começou a ficar estranha, às vezes estava a fim de bater em Christian e outras, ela estava amorosa, ele até a viu brincando com Sophie. Para qualquer um, isso seria normal, mas não no caso de Leila, a última vez que vira brincando com Sophia, a pequena tinha apenas dois anos, Leila só a ensinava a desenhar, isso era uma coisa que Leila gostava. Mas ele não sabia se isso era bom ou pior.
— Não acredito que você não tem chocolate! — exclama Leila, tentando se decidir qual dos chocolates vai levar.
— Dá pra parar de reclamar por um minuto, Leila, que tal? Olha que ideia maravilhosa. — ironiza Christian, e Leila o olha como se fosse capaz de matá-lo. — Eu já te trouxe aqui para comprar essas merdas de chocolates, então não reclame mais ou eu te levo embora pelos cabelos. Quem é que tem vontade de comer chocolate às dez horas da noite?
Rebate Christian já irritado, não só pelo fato de Leila estar testando sua paciência desde que chegaram a Aspen, mas também por ele ter saído de casa às dez horas da noite, só para fazer um dos caprichos de sua esposa. Ainda por cima, por ter deixado Sophie em casa.
Ele poderia mandar o seu segurança Taylor fazer isso, mas Leila insistia que ele fosse com ela.
— Fique um pouco mais calmo. Eu tenho que escolher qual chocolate levar. — Repetiu ela, pela terceira vez, enquanto olhava a mesma embalagem de chocolate, que olhara minutos atrás.
— Mas deixamos a Sophie sozinha!
— Christian, ela está dormindo. Além do mais, ela não está sozinha. A Senhora. Beatley está lá!
— Você sabe como sua filha é.
Christian se referiu pelo acaso de Sophia acordar no meio da noite, e perceber que seus pais não estão ao seu lado, ou ir para o quarto dos dois e não encontrá-los lá, ela entrará em desespero. Leila não respondeu, mas bufou. Para Leila, não era só porque seu nome se encontrava na certidão de Sophie, como mãe, significava que ela era mãe.
Sophia foi adotada depois que Leila disse que não poderia ter filhos. Claro que aquilo não era verdade, porém ela é uma pessoa muito egoísta e fútil. Não aceitaria engordar por que Christian queria que ela tivesse um filho! Ela até tentou dizer que não estava preparada para ser mãe, mas ele insistia. “Sem” muitas alternativas, ela arrumou um atestado medico, onde dizia que ela era incapaz de ter um filho. Mas Christian queria de qualquer jeito um filho, e foi assim que eles acabaram em um orfanato.
Em algumas situações, Leila parecia não gostar de Sophie, mas qualquer um que dissesse isso estava errado. Ela gostava sim de Sophie, mas nunca iria admitir. O “problema” de Leila com a pequena é o ciúmes. Ela sente ciúmes quando Christian dá mais atenção a Sophie do que ela, e às vezes, sem querer, descontava suas frustrações na garota.
— Leila, eu vou procurar um vinho, não aguento mais te esperar. — Christian não esperou Leila responde, pois também ela não deu muita atenção.
Quando por fim acabou de pegar algumas barras, ela resolve ir para o caixa esperar por Christian.
(...)
Assim que Christian e Leila chegaram em casa, a primeira parada, foi ir no quarto onde Sophie estava. Sem fazer muito barulho, ele se aproximou da cama, e ela dormia tranquilamente, antes de sair do quarto, ele deu um beijo na testa de sua filha e foi para seu quarto, onde Leila já estava dormindo.
(...)
Leila estava decidida, iria para casa de Ana.
Já fazia três dias que estava em Aspen, e ainda não tinha conseguido se comunicar com a Ana. Aliás, ela não conseguia falar com Ana a mais de cinco anos. A última vez que a viu, foi em um momento muito triste para Ana, o enterro de sua mãe. Mesmo Carla, mãe de Ana, não gostando muito dela, ela ficou bastante triste com a notícia, até por que, foi à morte da mãe de sua melhor amiga. E quando isso aconteceu, Ana tinha dezessete anos e Leila dezenove, elas manterão contato por um ano, mas depois Leila nunca mais conseguiu falar com Ana. Agora Leila estava indo atrás de Ana para saber o que estava acontecendo, para que ela sumisse mais de cinco anos, e também para dividir seus problemas. Ana é uma era a sua conselheira, a única que confiara seus segredos.
A casa de Ana, não ficava muito longe da casa de Christian. Ela lembrava-se muito bem o caminho. Enquanto ela andava, distraidamente. Uma garota trombou com Leila, fazendo com que a única mochila, que a garota carregava, caísse.
— Olhe por onde anda! — rosnou Leila, irritada. Ela se levantou e sacudiu um pouco suas mãos na roupa, para tirar a neve.
— Me desculpe. — disse a garota, de cabeça baixa, e recolhendo sua mochila.
— Anastasia?
— Leila? Oh, meu Deus. Leila é você mesmo? — Ana perguntou sem acreditar. Até que em fim alguém que ela poderia contar.
Continua...
Fale com o autor