Uma Nova Ameaça.
16 A grande noite.
Passaram – se algumas semanas, e todos estavam se ajustando novamente a rotina. Ziva e Tony já estavam implicantes como sempre, Gibbs voltava a seu normal, e etc. Até que, finalmente, o dia da festa chegou, eu mal podia esperar.
- Ziva! – eu gritei da porta do quarto.
Ela nem ao menos se mexeu.
- Ziva, vamos! – Eu fui até a cama, me sentei do lado dela e a cutuquei, nada.
Levantei-me, e puxei o cobertor bem devagar, abri as janelas, e no momento que fui puxar o travesseiro, ela segurou minhas mãos e me olhou, com a maior cara de sono que eu já havia visto em toda a minha vida.
- Ok, você conseguiu – ela disse, se sentando e puxando o relógio – OITO E MEIA? Pra que acordar tão cedo Jess? – ela fez menção de se deitar de novo, mas eu comecei a falar:
- Ziva, é hoje! Temos que pegar nossos vestidos, nossos sapatos, arrumar nossos cabelos, fazer as unhas, maquiagem, milhões de coisas!
- É hoje – ela disse, bocejando e jogando o cabelo para trás – eu me esqueci completamente. Ok, a Abby vai com a gente né?
- Isso – eu disse.
Nós descemos para tomar café, e a Abby chegou um pouco depois. Resolvemos pegar nossos vestidos antes, e ir para o salão depois. Então, depois da maquiagem e tudo mais, iríamos de lá direto para o NCIS. Seria o caminho mais rápido a se fazer. Chegamos no salão e Sarah, a cabelereira, veio nos cumprimentar:
- Olá, queridas! Vejo que trouxe sua amiga – ela disse, se dirigindo a mim.
- Sim – eu meio que apresentei Ziva a ela, Abby já havia ido comigo lá muitas vezes.
- Bom, ela precisará de um certo tratamento especial, Jess – Sarah disse, dando uma volta completa em torno da Ziva, analisando – a de cima a baixo.
- Tratamento .. especial? – Ziva repetiu, confusa.
Eu a puxei de canto, e expliquei:
- Zi, ela quer dizer que quer te transformar em outra mulher. Isso inclui cabelos, unhas .. ela vai te deixar bem diferente. Você quer continuar com isso?
- Quero – ela disse, decidida.
- Se estiver fazendo isso por mim .. – comecei a dizer, mas ela me interrompeu.
- Estou fazendo por mim. Eu quero mudar Jess. Estou ansiosa por isso!
- Ok – eu disse, sorrindo e a levando até a sala do outro lado do salão.
- Vocês não vêm comigo? – ela perguntou
- Não podemos amor, você vai precisar de mais tempo e atenção, então terá um pequeno pessoal a sua disposição. Eu e Abby só iremos dar uns retoques e tal, então ficaremos separadas por um tempinho, certo?
- Certo – ela disse, com menos ânimo na voz.
Eu me sentei do lado de Abby, e ela começou a falar de um assunto que já havíamos discutido várias vezes nas ultimas semanas.
- Então, Jess ... E quanto a minha ideia?
- Abs, eu não quero um namorado agora!
- Mas ele é meu irmão! – ela disse enquanto uma das moças lavava seu cabelo.
- Eu sei! Mas tenho que me focar em meu trabalho agora! Cedo ou tarde, eu encontrarei alguém, mas não precisa ser hoje ou amanhã.
- Hoje à noite?
- Haha – eu disse, e uma das moças pegou minha mão e começou a lixar as minhas unhas.
- Estou falando sério. Ele estará lá.
Eu me levantei da cadeira, mas a moça me puxou de volta.
- Abby, você é impossível! – eu reclamei, mas no fim eu ri. Sabia que estaria com problemas maiores que um garoto esta noite.
Estava nervosa demais pensando no que as pessoas perguntariam, se elas iriam tentar me deixar nervosa, pra ver como eu reagiria. Olhei para o lado e vi Abby, de olhos fechados, enquanto a mesma moça que lavou seu cabelo agora estava secando – o. Ela estaria lá, assim como todos os meus amigos. Eu não precisava ter medo, porque não estaria sozinha.
Terminamos nossos penteados e maquiagem, e colocamos nossos vestidos para esperar pela Ziva. Estávamos nos admirando na frente do espelho quando Tony ligou, e eu atendi:
- Oi Dinozzo.
- Fala Jess, vocês estão prontas? O pessoal já está chegando!
- Estamos esperando pela Ziva, Tony.
- Ela vem? – ele disse, e pelo tom de sua voz, parecia que estava surpreso.
- Sim, ela vai.
- Como ela está?
No momento que ele me perguntou isso, eu vi, pelo reflexo do espelho, uma moça radiante, maravilhosa, com um grande sorriso no rosto. Ela estava absolutamente perfeita.
- Você terá uma surpresa – eu disse no telefone, e desliguei.
Ela estava com um vestido em um tom de roxo claro, longo e tomara que caia, que era justo até a cintura, e depois de soltava em algumas camadas, pois era o mais confortável que conseguimos para ela. A maquiagem estava perfeita, e os cabelos soltos, mas não como antigamente, quando ficavam bagunçados e pareciam descuidados, mas lindos, pendendo em cachos perfeitos, e um pequeno topete em cima. Ela estava perfeita. Eu e Abby também estávamos, sem falsa modéstia, bem bonitas. Abby usava um vestido preto com muito brilho no decote e na cintura e ao invés das famosas Maria – Chiquinhas, no cabelo ela usava um coque bem no alto, com alguns fios deixados de fora propositalmente. E eu estava usando um vestido branco perolado, curto, também tomara que caia e os cabelos soltos em cachos. Eu não queria chamar muita atenção, mas como a festa seria minha “passagem” para o NCIS, resolvi escolher uma coisa “meio termo”.
- O que acharam – ela deu uma volta e colocou a mão na cintura, sorrindo.
- Você está fabulosa! – eu disse, e sorri.
Ela arriscou dar alguns passos com os sapatos de salto que havíamos comprado pra ela, e fez perfeitamente.
- Temos que ir, meu irmão já deve estar lá – Abby disse, e sorriu para mim – talvez quando chegarmos, você possa dar um tour para ele, Jess.
- Claro – eu disse, sorrindo para ela e fazendo uma cara de “nem pensar” depois. Ela riu.
Chegamos ao NCIS 15 minutos depois. As músicas já estavam tocando, e Abby foi atrás do irmão dela.
- Jessy! – Tony apareceu atrás de mim, pegou minha mão e me fez dar uma volta, e depois outra, e então me deu um beijo no rosto. E então, parecia que ele havia visto o sol pela primeira vez.
Ele olhou para Ziva de cima a baixo, e ela olhou para baixo, e depois para ele.
- Olá – ele disse, e deu um beijo no rosto dela, meio desajeitado.
- Oi – ela disse, e riu – o que achou? – ela ajeitou o vestido e olhou para ele.
- Linda – ele disse, e depois balançou a cabeça como se estivesse tentando pensar em como agir normalmente – lindo vestido! – ele completou.
- Obrigada – ela disse.
Uma música muito animada começou a tocar, e eu comecei a dançar com os dois. Depois de um tempo, dei um jeito de sair dali e esbarrei em Vance.
- Olá! – ele disse, e apertou minha mão – está muito bonita Srta. Christina!
- Obrigada – eu disse.
- Daqui a alguns minutos, seu momento vai começar, animada?
- Muito – eu disse, com um sorriso amarelo.
- Ótimo! – ele parecia estar animado por mim e por ele.
Ótimo. Agora estava nervosa. Gibbs ainda não havia chego e eu teria que enfrentar uma comissão de perguntas. Aquilo me deixou com sede, avistei um ponche à frente e fui me servir. No momento em que eu coloquei minha mão na concha, outra mão apareceu ali, mas do outro lado. A mão imediatamente a soltou. Eu segui a mão, o braço, e finalmente vi um rosto, um belo rosto.
- Desculpe – dissemos juntos.
- Pode .. você primeiro .. er, oi – ele disse, muito envergonhado.
- Obrigada – eu sorri, enchi dois copos, dei a volta na mesa e dei um deles para ele.
- Obrigado – ele disse.
Ele tinha grandes olhos verdes, era alto, usava um terno cinza muito bonito, tinha cabelos pretos perfeitamente alinhados, poderia até mesmo dizer que era um Anthony Dinozzo. Mas este era mais jovem, e pelo que parecia, estava disponível.
- Pode me chamar de Andrew – ele disse.
- Jessica .. – eu estendi minha mão direita e ele também, depois trocou rapidamente pela esquerda e a colocou no bolso. Nós trocamos algumas palavras, conversamos um pouco, e outra música bem animada começou a tocar, e ele deu de ombros e disse:
- Essa música é bem legal, não acha?
- Eu adoro também!
Sem que houvesse um convite, começamos a dançar juntos, animadamente. De vez em quando eu olhava para os lados, Tony estava fascinado pela Ziva, mais do que antes até. E Abby e Mcgee estavam conversando bastante, mesmo com a música alta e tudo mais, eles pareciam entretidos e Abby parecia ter se esquecido de me apresentar seu irmão. Andrew não parava de sorrir pra mim, e eu, com o tempo, esquecia de verificar como Tony, Ziva e os outros estavam indo, o sorriso dele estava me distraindo ...
A música parou, e nós dois paramos e rimos. Então, uma nova música começou, mas desta vez, ela era lenta. Lenta não, lentíssima. Iris, dos Go go dolls. Minha música lenta favorita de todos os tempos.
- Você .. quer dançar esta também?
- É uma música lenta .. – eu disse – você não se importa?
- De jeito nenhum – ele disse, e deu um sorriso. Quando vi, já estava nos braços dele, e estávamos dançando perto, talvez demais, um do outro. Então a música parou, mas não havia terminado ainda. Parecia que alguém havia apertado um botão de “Pause” antes da hora, e aquilo realmente me irritou. Eu senti um braço me puxando, descolei um pouco de Andrew. Ele estava pálido. Quando vi quem estava puxando meu braço, também fiquei.
- Oi Gibbs – eu disse, soltando o garoto no exato momento e indo aonde quer que Gibbs estivesse me levando.
- Olá – ele sorriu – você está muito bonita.
- Então .. não está bravo?
- Bravo por quê? – ele dizia, ainda me puxando.
- Por .. nada. Onde estamos indo?
- Para sua segunda missão – ele disse e sorriu.
Ele me levou até uma cadeira, em frente a uma grande telona, e quando olhei pra trás, havia muitas pessoas me olhando, me encarando. Acho que ninguém sabia que a tal “agente nova” fosse tão nova assim. Andrew me olhou em dúvida, e depois se sentou e fez um sinal de “ok” com a mão. Ele estava me apoiando! Conforme todos se sentaram, pude ver Dinozzo e Ziva sentados um do lado do outro. A música lenta! Será que eles dançaram? Senti um ódio profundo de mim mesma de não ter checado quando a música parou. Onde eu estava com a cabeça? Vi Abby e Mcgee sentados há algumas cadeiras a frente de Tony e Ziva, e Gibbs estava na primeira fileira, sorrindo. Vance estava do lado do telão, e disse algumas palavras que eu realmente não me lembro, pois estava muito nervosa contando quantas pessoas estavam cochichando, quantas olhavam para mim, e quantas estavam distraídas.
Do nada, algumas imagens começaram a aparecer no telão. A primeira era Mcgee, os olhos dele. Depois, a câmera foi se afastando e focou o rosto dele, depois o de Abby. Ela dizia “Finalmente” e pegava o celular. Aquela deveria ser a primeira imagem, de quando ele havia acabado de cria – la. Depois a imagem me focou, e Tony, Ziva e todos lá gritaram e aplaudiram escandalosamente, pra quebrar a tensão. Eu sorri. E assim as imagens iam indo, contando cada passo daquela missão. No momento em que eu matei aqueles dois homens, todos suspiraram e exclamaram, como se duvidassem que uma garota da minha idade fosse capaz daquilo, mas ninguém disse nada. Assim, quando chegamos no hospital, a maioria das pessoas que estavam assistindo se levantaram e vieram me cumprimentar, só algumas permaneceram sentadas. Ziva estava sentada, Mcgee também. Eu olhei para o telão, por cima de vários ombros e cabeças, e fui acompanhando algumas cenas .. o abraço que dei no Gibbs ( a câmera ficou inteira da cor da camisa que ele usava), ou então do abraço que dei no Dinozzo .. Até que, para o meu desespero, a câmera não desligou. Eu imaginava que ela desligaria no momento que eu pisasse no hospital, que Mcgee a desligara. Mas não aconteceu, e as imagens continuaram rodando, até que entramos no avião. Eu olhei pra trás, Tony estava atrás da Ziva, ele não tinha percebido nada. Corri até Vance, que me olhou assustado.
- Vance, por favor, podemos tirar isso agora né? A missão já foi!
- Quero que a filmagem acabe no momento que você entregou a câmera para Abby, Jess. É uma coisa meio simbólica, sabe?
- Ninguém está assistindo, certo?
- Olhe por si mesma – ele disse , e para meu desespero, algumas pessoas ao verem que não havia acabado, se sentaram ali e continuaram assistindo.
Eu corri mais uma vez, mas já era tarde demais. As palavras “Você salvou a vida dela, Tony. Com certeza ela te perdoou.” Ecoaram pelo salão, já que todos agora estavam em silêncio. Tony se levantou sem que Ziva percebesse e veio falar comigo:
- Jess, isso é algum tipo de pegadinha né? Você sabe muito bem o que eu disse depois disso!
- Me desculpe! Eu não fazia idéia de que ainda estava gravando!
- Não fazia idéia, claro! – ele disse, levantando os braços para cima – eu vou embora daqui agora!
- Não vai não! – eu disse, segurando o braço dele – você vai ser homem uma vez na vida e fazer a coisa certa. Se não for agora Tony, não será nunca mais. Aproveita!
- Ela nunca mais vai falar comigo! – ele disse.
- Tony, se você não for lá explicar, ela não irá mesmo. Agora anda, vai.
Ele levantou a cabeça, e um lindo sorriso se abriu em seu rosto. Ele olhou para frente, onde estava Ziva, e o sorriso desapareceu. Ziva estava chorando, pegou o vestido de qualquer jeito e saindo do salão. Quando todos viraram para ele, ele se deu conta do que estava acontecendo. A câmera o focava enquanto ele dizia “Eu não posso estar apaixonado por ela. Jess, ela não é uma mulher comum, ela não demonstra sentimentos, é fria e independente...” Ele ficou sem reação. Eu corri atrás dela, puxando – a pelo braço, ela ainda estava chorando. A essa altura, ninguém estava olhando para o telão, ela tinha virado a atração da festa.
- Você tem que escutar o resto Ziva! Ele disse que ..
- Não, você sabia Jess! Sabia de tudo! Mas não me disse, e me fez passar essa vergonha! Ele é só mais um que quer brincar comigo, mas quer saber? Eu cansei! – enquanto dizia isso, eu vi nos olhos dela uma coisa que nunca vi antes. Ela me odiava.
Foi a minha vez de ficar sem reação.
- Ziva, eu nunca .. nunca faria nada pra te machucar, você sabe disso! – eu disse e soltei seu braço, ela continuou andando.
- ZIVA DAVID! – Dinozzo gritou no microfone, lá da onde eu estava sentada, onde as imagens, que agora já haviam acabado, estavam passando antes. Ela, assim como todos no salão, se virou novamente – Eu quero que você saiba de algumas coisas, e se depois disso ainda quiser ir embora, tudo bem.
Ela se virou, e parecia impaciente.
- Pois bem – ele continuou – você é a única mulher pra quem eu nunca menti na vida. Você é a única mulher que faz com que eu me sinta confortável o bastante para contar meus problemas mais sérios. Você é a única que me faz sorrir sem precisar tirar qualquer parte da roupa, ou falar qualquer besteira. Não sei se você percebeu, mas quando estou com você, não presto atenção em mulher alguma, não consigo. E quando estou longe, eu só consigo ficar comparando – as com você. Elas não têm seu sorriso, seus olhos, seus cabelos, sua mania de trocar as palavras e mudar o sentido de uma frase completamente. E o mais importante, elas não são você. Eu não sei por que eu sinto essa coisa diferente toda vez que te vejo, ou que falo com você. E não sei por que quero matar cada cara que te olha diferente. Eu acho ... eu acho que te amo.
Ela pareceu relaxar, e se aproximou dele. Eles andaram reto até o meio do salão, e então ela desligou o microfone, de modo que só os que estavam mais perto pudessem ouvir o que veio a seguir:
- De que filme você tirou essas coisas, Dinozzo? – ela perguntou, as lágrimas desapareceram de seu rosto.
- Por incrível que pareça, de nenhum.
- Se isso fosse um filme, o que aconteceria agora? – ela perguntou, chegando ainda mais perto dele e sorrindo.
- Se fosse uma comédia, você me daria um fora e beijaria outro na minha frente, e eu resolvo virar gay.
- Não sou muito fã de comédia – ela disse.
- Se isso fosse um drama, você me daria um fora e eu choraria até chegar em casa, onde eu tomaria todas e acabaria morrendo sozinho.
- Odeio drama – ela disse, chegando ainda mais perto.
- Se fosse um romance .. eu te beijaria e depois perguntaria se você gostaria de ser minha.
- Sua o quê? – ela disse, arregalando os olhos e sorrindo ainda mais.
- O que você quiser. Contanto que seja minha.
Então, o silêncio predominou o salão, todos haviam se amontoado para ver o que aconteceria a seguir. Abby e Mcgee estavam de mãos dadas, Gibbs estava olhando com aquela cara de quem já sabia o que iria acontecer .. todos com suas respectivas reações esperando.
Então, Ziva colocou suas mãos em torno do pescoço dele. Ele colocou suas mãos na cintura dela, eles ficaram tão próximos que quase não havia espaço entre os dois. Ela se inclinou pra cima, e finalmente aconteceu. O beijo que era tão esperado foi perfeito. O jeito que eles se completavam, havia tanta química ali que parecia que os dois eram pra ser. E realmente eram. Todos bateram palmas, e eles se soltaram. Ele passou a mão no rosto dela, e ela olhou pra ele e sorriu.
- Abby, eu te amo! – Mcgee praticamente gritou e a agarrou, e deu o maior beijo que eu já vi na vida. Ele parecia ter esperado muito por aquilo, e resolveu tomar coragem ali, naquele momento.
Eles se soltaram e permaneceram de mãos dadas, e eu acho que pela primeira vez, Abby ficou dois minutos inteira calada, só sorrindo. Por aquilo, ninguém esperava! Uma música romântica começou a tocar e todos começaram a dançar. Eu fui até Gibbs, ele estava sorrindo e comentando algo com Ducky.
- Gibbs, tem uma coisa que preciso te pedir.
- Já sei – ele sorriu – tudo bem.
- Jura mesmo? Você anularia a regra nº12? (#Nunca namorar um colega de trabalho)
- E tem outro jeito? – ele sorriu, e Ducky também – Essa regra nunca fez muito sentido mesmo.
Eu sai dali, precisava procurar uma pessoa, Andrew. Onde é que ele estava, no meio desse tumulto? Enquanto procurava, esbarrei em Tony e Ziva, eles estavam conversando e dançando, e quando me viram pararam imediatamente e vieram falar comigo:
- Jess, muito obrigada – ela disse – e me desculpe, por tudo que te disse – ela abriu um dos braços e eu praticamente pulei em cima dela, ela riu.
- Como você soube tão rápido que eu estava .. apaixonado? – ele disse, com um pingo de vergonha.
- Eu sempre imaginei, mas nunca tive certeza. Depois do teu acesso de ciúmes, ficou claro.
Eles sorriram e voltaram a dançar. Eu senti alguém me cutucando nas costas, e me virei com esperança de Andrew ter me achado, mas na verdade era Abby.
- JESS! – ela disse praticamente histérica – Mcgee é tão fofo, eu nunca imaginei! Nós estamos juntos há tipo, cinco minutos e ele já me disse tantas coisas perfeitas! Mas não é isso que eu queria te falar, não agora.
- Ok .. – eu disse meio assustada – o que seria?
- Meu irmão! – ela disse me arrastando.
- O quê? Abby, não! – eu disse, parando – eu conheci um garoto esta noite, ele é perfeito. Lindo, educado, dança bem e até curte as mesmas músicas que eu!
- Então conheça meu irmão, e então verá que ele é bem melhor do que qualquer outro garoto que você já conheceu.
- Mas Abby .. – eu tentei impedi – la, mas ela já estava voltando com um garoto que estava de cabeça baixa, reclamando:
- Mas ela era linda, e não só isso, também era super simpática e sei lá, diferente!
Ele usava um cabelo arrepiado, terno cinza e quando levantou a cabeça, vi que seus olhos eram verdes. E eu também sabia que dançava bem, que gostava de música lenta, e que era o mesmo garoto que fez sinal positivo pra mim quando subi naquele telão. Ele olhou para mim e seus olhos aumentaram duas vezes de tamanho.
- Jess, esse é o Andy. Andy, essa é a Jessy.
- Andy? – eu disse, e sorri.
- Olá, Jessy – ele disse me olhando de um jeito engraçado.
- Bom, vou deixar vocês conversarem. Juízo – ela disse, e voltou praticamente correndo para Mcgee, que estava esperando sorrindo.
A música “You and Me” começou a tocar, e ele estendeu a mão para mim.
- Você acredita em coincidências? – ele perguntou.
- Meu pai tem uma regra contra isso, então, não. Mas eu acredito em destino. – eu peguei sua mão e começamos a rodar lentamente.
- Porque não me disse que era uma agente? – ele disse, dando de ombros.
- Eu fiquei com medo de te assustar. A maioria dos garotos se assusta quando descobre que eu matei dois homens altamente treinados e tal – eu disse e sorri.
- Abigail Sciuto é minha irmã. Nada me assusta – ele disse e olhou pra ela, e depois pra baixo. Ela estava bem atrás de nós – Você mora por aqui?
- Na verdade, eu moro no Brasil – ele pareceu chateado a abaixou os olhos – mas já que agora trabalho aqui, me mudarei ano que vem.
Ele pareceu se animar.
- O que pretende fazer, sabe, no futuro? — ele disse.
- Sei lá, filhos, talvez. Me casar, ter uma casa na árvore, coisas assim.
Ele pareceu olhar para trás de mim, e depois sorriu, e disse:
- Eu sempre quis ter uma. E tive, mas Abby era meio rebelde e eu só queria saber de coisas de meninos então sempre brigávamos por causa dela. Meu pai teve que fazer duas, e então tivemos um pouco de paz. Sabe, se você tiver duas crianças, um menino e uma menina, nós poderíamos construir duas e decorá-las com coisas diferentes, eles iam gostar.
Eu parei de dançar e olhei para baixo, sorrindo.
- Eu disse algo engraçado? – ele me olhou, me conduzindo de volta a dança.
- Você disse “nós”.
Ele não parou ou ficou assustado, continuou dançando e olhando para mim.
- Me distrai, me desculpe.
- Ok – eu disse, me sentindo horrível – eu imaginei ..
- Sabe com o que me distrai? – ele disse, e sorriu – todos os seus amigos, sem exceção, estão me fazendo gestos e dizendo que eu deveria beija-la.
Ele me virou, e quando eu olhei, vi todos aqueles rostos conhecidos sorrindo e envergonhados.
- Sério? – eu perguntei.
- Veja por você mesma – ele disse em meu ouvido e me virou, rapidamente eu vi todos eles abaixando mãos e tendo acessos de risos.
- Parece que sim – eu disse isso, sorri e me virei para Andrew, mas sem querer (ou involuntariamente querendo) me virei rápido demais e praticamente encostei meu nariz no dele, parando bruscamente. Sua boca a centímetros da minha, seus olhos me hipnotizaram. Por um momento naquela noite eu esqueci plenamente de Tony, Ziva e todos eles. Nos beijamos. Parecia loucura eu me apaixonar em uma noite, mas o que eu estava vivendo ali todo aquele tempo era loucura. Ele me soltou, e nós dois rimos. A música parou, e todos estavam indo para casa. Eu me despedi de Andrew com mais um beijo, nos encontraríamos no dia seguinte, mas não combinamos nada, eu apenas sabia. Gibbs passou as mãos pelas minhas costas e me levou para o elevador. Ficamos todos juntos no elevador.
- Tudo acabou bem, no fim. – Ducky disse.
- E quem disse que acabou? — Gibbs falou.
E então eu finalmente percebi que estava em casa, que eu tinha um lar. Mas o mais engraçado, é que meu lar não é um lugar, e sim as pessoas nele. Essas pessoas, que estavam comigo naquele momento tornaram daquele lugar, um lar. E é como Gibbs me disse uma vez:
“Família não é sobre DNA, é sobre pessoas que se importam e amam umas as outras”.
E cá entre nós, amor é o que não faltava, nem nunca ia faltar.
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