Uma Noite no Campo

1 Capítulo 1 - Sonhando acordado


Notas iniciais
Olá! Mais uma fic com Ikki e Hyoga!!

Era para ser uma one shot, mas resolvi jogar o lemon para o próximo capítulo e talvez quem sabe mais algumas outras coisitas... rs.

Fic rapidinha, no maximo três capítulos! Espero que gostem!!

Não aceitarei críticas quanto ao casal!

Eu poderia estar apenas sonhando, se não fosse por aquele corpo ao meu lado, roncando de leve. Ainda estava entorpecido, o corpo dolorido, meus olhos não me obedeciam, teimando em mantê-los fechados. Estava nu, parcamente encoberto por um leve tecido e apesar da confusão, isso não me incomodava totalmente. O aroma peculiar do vinho se misturava com os dos lírios e me davam a sensação de estar num local estranho, mas agradável.

Forcei a abrir os olhos, mas só consegui entreabri-los. A janela de madeira dava vista para um amplo campo esverdeado, distorcido pelo sono. Um pouco ao lado, numa mesinha rústica encontrei o dono daquele aroma forte: Um lindo arranjo com lírios. Remexi-me com dificuldade, evitando olhar para o homem que lá estava. Enfim, sentei na cama, de costas para ele. Quem era afinal? Inspirei o ar lenta e profundamente, apreciando o ar amadeirado que agora conseguia distinguir.

Enrolado no lençol branco levantei-me devagar. A janela parecia convidativa, e arrastando o lençol pelo chão, fui até ela. Lindo!

- Bom dia. – A voz rouca e baixa soou pelo quarto como um tambor atingindo-me em cheio, estremecendo-me.

- Bom dia. – Devolvi o cumprimento, sem olhá-lo. O que teria acontecido?

- Você está bem? – Ele perguntou se levantando na cama. Rezei para que ele não se aproximasse. Mas ele o fez, aproximando-se sem se aproximar, encostando-se na janela, ficando perto o suficiente para que eu pudesse encará-lo. E assim se fez. Encaramos-nos por alguns silenciosos minutos.

- Estou. – Consegui dizer depois do torpor que seus olhos me causaram. – Quer dizer, mais ou menos. – Fui sincero. Bom, pelo menos eu acho.

- Você deve estar se perguntando onde está. Não estamos muito longe do Santuário. Consegui essa casa com alguns camponeses. – Ele disse mirando o campo. Voltei meu olhar para ele e finalmente notei que ele estava nu, e completamente à vontade com isso, ao contrário de mim. Corei imediatamente.

- Porque estamos aqui? – Perguntei tentando não olhar aquele corpo escultural. Ele então voltou seu olhar para mim e eu novamente corei, abaixando a cabeça.

- É isso mesmo o que quer saber? – Ele perguntou. Não, não era isso o que queria saber. Bem, é claro que eu queria entender como chegamos naquela casa, e muitas outras coisas que me faziam perder a noção das coisas, mas o principal, o que eu mais queria saber naquele momento era como eu fui para na cama dele. – Tem um banheiro no final do corredor, eu vou fazer um café. – Ele disse e partiu tão rápido que quando me dei conta já estava sozinho. Fui até a porta e a tranquei, deixando o lençol escorregar por meu corpo. Toquei levemente naquela porta, como se eu pudesse arrancar dela alguma coisa, alguma lembrança da noite que eu perdi.

- O que aconteceu? – Murmurei para mim mesmo, voltando a olhar para o quarto. A cama bagunçada, amassada, desarrumada enviava para minha mente as idéias mais eróticas que já tive até então, sem saber se eram fantasias ou realidade. Nunca cogitei a possibilidade de confidenciar a qualquer um que pensava em Ikki de Fênix com as mais sórdidas das intenções. Este era um desejo inconfessável e pôr em prática tais pensamentos sempre esteve fora de qualquer cogitação.

Está certo que ele não era o homem da minha vida, na verdade nem sabia que ele era gay, nunca percebi nada com relação a isso, mas agora com todas essas circunstâncias inusitadas, eu estava me perguntando até que ponto eu teria tido coragem de ir com ele mesmo sabendo como ele era. O temperamento difícil do moreno me deixava convicto de que morreria antes de revelar tais pensamentos. Respirei profundamente e fechei meus olhos como se pudesse esconder-me desta realidade, como se depois eu pudesse acordar, pois aquilo se parecia mesmo com um sonho. Mas ao voltar a abrir meus olhos, a realidade se mostrava a mesma imensidão confusa que deixei ao fechar meus olhos.

Suspirei frustrado e cansado. A idéia de uma ducha gostosa me veio ao me lembrar de suas palavras. O banheiro no final do corredor. Sim, um banho seria muito bom agora. Mas e minhas roupas? Corri meus olhos pelo quarto e vi uma pequena cômoda. Fui até ela abrindo a primeira gaveta. Sorri, enfim algo que eu conhecia: minhas roupas. As peguei e segui para o banheiro, tomando cuidado para não encontrá-lo.

Cheguei e a simplicidade do lugar não me surpreendeu. Apesar de pequeno, a casa era bem aconchegante. Tranquei a porta atrás de mim e fui direto para o chuveiro, deixando a água correr forte por todo o meu corpo. Aquela sensação era tão boa que me revitalizou. Fechei os olhos aproveitando aquela água em mim, levando um sorriso contido em minha face. Mas a força daquela água em meu corpo me fez lembrar de suas mãos fortes e calejadas percorrendo meu corpo, arrepiando-me.

Abri meus olhos rapidamente, assustado. Teria sido uma lembrança da noite anterior? Engoli em seco. Se isto foi uma lembrança, provavelmente passamos a noite juntos. Sim, o estado em que acordamos e o estado da cama realmente já eram provas o suficiente do que fizemos, mas em minha mente eu não podia acreditar que tinha ido para a cama com Ikki. Eu não podia, eu não queria. Como poderia ter transado com ele e nem me lembrar? Eu não sou o tipo de cara que bebe tanto e apesar do forte cheiro de vinho, tenho certeza de que não fiquei bêbado a ponto de não me lembrar da noite anterior.

Encostei minhas costas no frio azulejo do boxe, ignorando o frio que estava. Respirei fundo, tentando racionalizar o que tinha acontecido. Mas por mais que eu tentasse eu não conseguia lembrar de nada. Ao contrário, pensar nisso só me fazia aprofundar ainda mais naquela sensação. Eu queria lembrar, e sentir de novo, eu precisava saber o que tinha acontecido, se tinha acontecido. Não precisou muito, apenas um pouco de concentração na força da água e a sensação do toque de suas mãos voltou me fazendo regozijar. Aquilo era tão intenso que se não fossem a certeza de meus olhos, eu duvidaria da minha solidão naquele boxe. Eu podia senti-lo vividamente, tocando-me por todo o corpo, arrepiando-me, arrancando-me uma semi-ereção mesmo debaixo d’água. Ergui minha cabeça, jogando meus cabelos loiros para trás, tentando achar alguma ligação daquela sensação em minha realidade.

Mordi meus lábios, aquilo estava indo longe demais. A imagem de seu belo corpo moreno me invadia me excitando cada vez mais. E cada vez mais eu mergulhava nessas sensações, sem saber ao certo o que elas significavam. Mas já era tarde demais, eu estava completamente a mercê daquelas sensações, daquele toque, daquele corpo e do calor que eu lembrava sem saber como. Imaginação, loucura, álcool, lembranças? Já não importava mais, eu ofegava sem raciocínio enquanto confundia suas mãos com as minhas, me tocando exatamente onde e como sentia que ele o tinha feito. Em minha mente não havia mais nenhuma distinção, eu e ele nos fundíamos na função torturante de sentir prazer, de gemer e morder os lábios para não gritar, de pressionar-me o sexo túrgido num vai e vem frenético, sentindo cada calosidade de minhas mãos fortes, sem saber de quem eram aquelas mãos exatamente. A única coisa da qual sabia era que tocar-me pensando nele me dava um prazer inenarrável, inexplicável, irracional.

Um grito rouco e abafado arranhou minha garganta e escorreguei pela parede me misturando a água, perdendo as forças junto com o meu gozo. A minha respiração aos poucos voltou ao normal e sentado no chão do chuveiro, percebi-me numa enrascada: Eu estava completamente louco por ele e queria mais. Eu o queria para mim, tendo ou não acontecido alguma coisa naquela noite. Não importava, eu o teria novamente ou pela primeira vez. Levantei-me devagar e conclui meu banho sem me preocupar com mais nada. Eu estava estranhamente leve, despreocupado e feliz.

Eu sabia que no fundo eu não devia me sentir assim, afinal a minha situação não era boa. Eu não devia me envolver com Ikki. Ele não era do tipo que se deixava envolver facilmente. Era uma pessoa fechada demais e sempre mantinha um olhar duro, como se avisasse para que ninguém se aproximasse. Além disso, ele sempre demonstrou que não gostava de mim. As brigas diárias que tínhamos eram provas de que ele não me via exatamente como um amigo. Eu estava mais para um colega de profissão, por assim dizer. Éramos parceiros na hora de proteger Athena, e nada mais. Não conversávamos e as poucas palavras que trocávamos sempre vinham carregadas de ressentimento da parte dele.

Eu sempre fiz um esforço para entendê-lo. Afinal, ele estava tomando as dores de seu irmão, Shun. Eu por diversas vezes tentei explicar que eu não poderia ficar com ele, que éramos apenas bons amigos, mas minha falsa habilidade em lidar com o assunto não ajudou. Shun entrou em depressão. Não acho que tenha sido por minha causa, mas compreendo que minha rejeição deve ter ajudado a piorar o quadro. O Shun nunca me cobrou, ele era bem mais sensato que nós três juntos, mas não foi o caso de Ikki, que acabou me culpando por tudo isso.

E foi desse modo que nossa relação passou de amistosa para tolerável por mera obrigação, como ele cansou de me dizer. Eu aceitei, apesar de chateado. Eu não poderia fazer nada, era a decisão dele da qual eu não entendia. Os dias se passaram e as únicas conversas que tínhamos sem nenhum tipo de discussão eram quando todos os outros estavam presentes.

Por isso que, se uma mera conversa de amigos com Ikki já era uma imensa surpresa, o que pensar de uma noite de sexo entre nós? Era algo que, nem nos meus sonhos eu poderia imaginar que se tornasse realidade. Eu me acostumei a apenas sonhar com ele, sabendo que jamais o teria.

Mas essa noite tudo mudou. Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas hoje ele estava bem mais cordial comigo. Ou melhor, ele estava cordial, o que não costuma acontecer. E de uma certa forma isso acendeu em minha uma fagulha de esperança. Eu não sei o que aconteceu essa noite, mas sei exatamente o que eu quero que aconteça na próxima.

Continua...