Uma Noite de Amor
1 Prólogo
Notas iniciais
Amélia Borelli, 24 de agosto de 2016.
Eram exatas onze horas da manhã, aquele sol de todos os dias. Naquele instante meu despertador tocou, hora de me arrumar para ir ao colégio.
Sou Amélia Borelli, tenho 15 anos e sou líder de torcida. Moro com meus pais em Campinas, São Paulo.
Embora tivesse minhas amizades no colégio e perto de casa, já estava cansada daquela rotina que nunca mudava. Escola, casa. Casa, escola. A cansativa escola de Campinas.
Queria que algo novo chegasse para mudar radicalmente minha rotina, a minha vida. Algo pelo qual eu tivesse vontade de acordar todos os dias e sentir valer a pena viver.
Tudo bem que sou nova, vivo por meus ídolos e a obsessão por livros. É normal da idade, pelo menos acho.
Mas não importa, sempre é bom mudar, não é?
Sempre tive meu jeito próprio, o meu mundinho imaginável. Você deve se perguntar por que imaginável. Simplesmente por achar que a vida é um sonho, um conto de fadas dos meus belos romances. Achar que fadas e príncipes encantados existem.
Basicamente eu estava certa. Príncipes encantados existem, eu achei o meu.
Sabe quando algo acontece no seu dia inesperadamente? Você nunca imaginaria que aquilo iria acontecer, ou melhor, que alguém iria acontecer.
Que alguém chegaria para te fazer feliz, para sorrir todos os dias ao seu lado. Para você se apaixonar mesmo não sabendo que está ainda. Foi isso que aconteceu comigo este dia.
Arrumei-me e fui ao colégio. Como disse a mesma coisa de sempre, pessoas de sempre. Que saco!
Fico mexendo no celular esperando alguém conhecido chegar.
Finalmente avisto Yandra.
—Vamos para a sala? Esta bolsa está muito pesada! — ela diz reclamando da vida como sempre.
Era dificilmente ela chegar àquela hora, e quase nunca eu ia à sala aquele horário. Parece que realmente foi destino.
Yandra é minha amiga desde que entramos no fundamental II. Fomos sempre muito coladas, e mesmo às vezes o destino nos separando, nosso laço nunca se quebra.
No corredor nos deparamos com Nayla; outra amiga minha que já não era tão próxima; toda eufórica como se tivesse ganhado na loteria.
— MENINAS TÊM UM MENINO LINDO NA SALA!!!!!!— ela fala empolgada.
No momento confesso que até eu fiquei, afinal seria um menino novo. Diferente de toda aquela turma estranha. Assim esperava.
Fomos correndo até a sala para ver esse tal menino novo. Parece que minhas preces foram atendidas.
Abro a porta e dou de cara com o menino mais lindo que já vi em toda a minha vida. Ele era simplesmente perfeito, não tinha nenhum defeito. Era impecável!
Aqueles olhos verdes maravilhosos foram de encontro aos meus, me fazendo ter um ataque cardíaco. Seu topete era perfeito. Ele era perfeito!
Seus lábios eram carnudos, fiquei imaginando só como deveria ser a suavidade de seu beijo. Ele era a coisa mais linda do mundo. Parecia que existíamos apenas nós naquele lugar, apenas os nossos olhares.
Fui andando até a minha mesa e pensei por que não falar com ele, não custava ser gentil, não é?
Nervosa, fui até o seu lugar, sem pensar no que dizer, perguntei:
— Oi! Aluno novo? — Indaguei a coisa mais imbecil e óbvia do mundo, não sabia onde enfiar minha cara, que vergonha.
— Oi. Sim. — Respondeu ele como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, o que na verdade era.
Com tanta vergonha depois disso, sai dali. O que deu em mim? Eu não ficava tão nervosa assim quando era gentil com alguém. Nem ao menos sabia seu nome. Eu precisava me acalmar. Que diabos passou em minha cabeça para perguntar uma coisa dessas? Ah! Você é uma inútil.
Fiquei um bom tempo no pátio. Yandra falava comigo, mas para ser bem sincera, não dei ouvidos a uma sequer palavra. Eu só conseguia pensar naquele par de olhos verdes, o seu olhar que me fez apaixonar.
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, nem ao menos tinha conversado com o garoto. Nem sabia seu nome.
Mas eu tinha que confessar, ele tinha me deixado louca só por ele estar ali. Só por aquele olhar.
Ah, que olhar!
Tocou o sinal para a aula, subimos e lá evitei ter contato visual com ele, estava com vergonha.
Logo mais descubro que seu nome era Leonardo Velasques.
Ah, Leonardo, você me causou um grande efeito em minutos. Imagina o resto do ano!
Engraçado eu ter pensado isso, tão inocente. Porque ele não causaria efeito em mim só pelo resto do ano, e sim por toda a vida.
Leonardo Velasques, 24 de agosto de 2016.
Tudo ao meu redor era novo, diferente, assustador. Para alguns é fácil falar que é só uma mudança de escola, que daqui a alguns dias estarei acostumado e rodeado de amigos. Errado, não é bem assim.
Criar vínculos não é tão fácil, ainda mais quando você é o intruso do meio do ano, quando todos olham para você como o novato, uma mercadoria nova.
Minha vida era totalmente diferente, era pessoas diferentes, um mundo diferente. Foi uma mudança radical, que eu optei. E por mais que tenha sido difícil, foi algo bom.
Era meu primeiro dia na escola nova, estava com medo do que iria acontecer, mas precisava enfrentar aquilo. Chamo-me Leonardo Velasques, um garoto de 15 anos que acabara de mudar de colégio. Um novo ciclo em minha vida se começa.
Como não queria me atrasar no primeiro dia, fui logo seguindo meu caminho que seria de todos os dias até o fim do ano, com os fones de ouvidos ligados escutando bored to death do blink 182. De casa para a escola, dava uns cinco minutos andando.
Enfim cheguei ao portão do colégio, aquilo me deu um frio na barriga inesperado, então suspirei e entrei.
Parece exagero se eu falasse que todos os olhares se voltaram a mim, mas foi a pura verdade. Eu não sabia onde colocar a cara, eu gostava de atenção, mas não naquele momento.
Fui procurar minha sala de aula, esse colégio é tão imenso, parece que esses corredores são sem fim!
Finalmente a achei, não tinha ninguém ainda, o que de certa forma era melhor. Resolvi então pegar meu caderno para desenhar, eu gostava tanto disso, me acalmava, dava paz, se eu pudesse mostrar o quanto desenhar acalma uma pessoa, ao mundo, mostraria.
Algumas pessoas entraram minutos depois, olharam para mim, metade me cumprimentou, o restante se calou. Estava com um receio de socializar, de não gostarem de mim e sofrer mais do que sofria na outra escola... Mas meus pensamentos foram interrompidos.
De repente a porta da sala foi aberta e quando levantei minha cabeça para ver quem era, vi a visão mais linda da minha vida. Era a menina mais bela que já tinha visto, sua boca era pequenina, seus olhos eram castanhos lindos, suas sardas davam um realce em seu rosto. Era a menina mais linda da face da terra. Será que amor à primeira vista existe? Porque parece que sim.
Ela me olhou e abaixou a cabeça, normal, não ia me dar bola igual todas as outras. Mas quando ela colocou sua bolsa em sua mesa, deu a volta e veio em direção a mim. Não sabia o que fazer, ela iria falar comigo? O que eu faço? Minha mão estava suando insanamente, escondi para que ela não percebesse.
Então ela disse com sua voz meiga:
— Oi! Aluno novo?
— Oi. Sim. — pelo meu tom de voz eu posso ter parecido um pouco grosseiro. Que merda Leonardo!
Fazia tanto tempo que alguém tinha sido tão gentil comigo como ela foi naquele momento, queria tê-la abraçado só por sua voz e seu jeitinho serem tão meigos. Mas o nervosismo tomou conta de mim, soei grosseiro, com falta de interesse. Espero que ela não tenha percebido, porque ela saiu da sala no mesmo instante. Fiz tudo errado.
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