Notas iniciais
Dedico este capítulo a todos aqueles que estão me incentivando a não desistir. Boa leitura :)

Amélia Borelli, 24 de agosto.

Se me perguntassem como estava naquele momento, eu não saberia responder. É tão inexplicável ao ponto de congelar meu corpo e ficar sem nenhuma reação.

Leonardo estava com uma expressão um pouco tensa, mas alegre ao mesmo tempo. Ele me olhava de um jeito diferente de todos. Havia um brilho em seus olhos, e um sorriso calmo em seus lábios.

Depois de voltar à realidade, abri um sorriso imprevisto e fui a sua direção.
Notei que ele segurava em suas mãos uma pulseira num tom rosa claro com detalhes dourados, exatamente igual à minha. Olhei para meus braços para ter a certeza de que ela estava lá, mas não estava. E sim nas mãos do Leonardo.
Eu não sabia como ela havia ido parar lá, nem percebi ela sair do meu braço. Como que ele estava segurando ela?

Meu espanto estava evidente, então ele logo disse:

— Han... Oi Amélia. Lembra de mim? — Leonardo se pronunciou um pouco vergonhoso.

— Olá. Como poderia esquecer você? — As palavras saíram de minha boca como se estivesse em uma hipnose.

Ele abriu um sorriso de canto, igual ao que dera quando nos encontramos no corredor. Levantou suas mãos apontando para a pulseira.

— Você deixou caí-la no corredor, peguei e guardei para entregá-la em mãos a você. Quando a achei aqui, decidi ficar assistindo ao seu treino. Aliás, você é demais! — Ele disse um tanto empolgado, como se nunca tivesse visto nada igual.

Eu sempre soube que era boa, mas ninguém nunca tinha me dito isso antes. Ouvir aquelas palavras saindo da boca dele, fazia com que eu me sentisse a melhor das melhores.

— Obrigada, fico feliz que ache isso. — Agradeci olhando para o gramado, evitando seu olhar.

O gramado do colégio é tão mágico, parece aquele de filmes americanos bem verdinhos e enormes. Ali acontecem os melhores momentos, apresentações e jogos, onde podemos nos libertar. Se sentir vivos, como se nada no mundo pudesse arrancar nossa felicidade.

Os problemas são esquecidos, a aventura e satisfação são lembradas. Aquele lugar nos fornece nada mais que, prazer.

Será que o Leonardo também pensava assim? Na verdade, como será que ele estava lidando com sua mudança?

— Então, Leonar... — Fui interrompida rapidamente por ele.

— Por favor, me chame de Leo — disse me encarando.

— Ah, tudo bem. Leo, — Abrimos sorrisos um para o outro — está gostando daqui?

— Mesmo sendo o primeiro dia ainda, estou gostando bastante. Essa escola é simplesmente o que sempre quis, na verdade, não só a escola. – disse dando um suspiro e me encarando.

Mas o que será que ele quis dizer com "não só a escola"?

Eu não sabia se perguntava do que ele estava falando, ou apenas ignorava. Mas antes que pudesse reagir, Lorena apareceu no campo agitada, dando passos largos e seus cabelos estavam aos ventos.

— Amélia, precisamos ir embora logo, ainda terei que me arrumar para jantar na casa da minha tia hoje... — disse sem perceber a presença do Leo, assim que notou, o cumprimentou — Oi.

— Oi – respondeu ele dando um sorriso breve — Bom, acho que está na hora de ir, aqui está sua pulseira Amélia.

O Leo se aproximou, olhou no fundo dos meus olhos e finalmente as colocou em meu braço. Sua mão estava aquecida, seu toque fez meu corpo estremecer inteiro. Depois de um tempo me encarando com aqueles olhos verdes apertados, ele se afastou.

— Espero que você perca mais coisas, para que eu ache e possamos conversar. — ele falou e assim saiu do campo, dando uma leve piscadinha com seu olho esquerdo.

Minha barriga começou a gelar, como se uma montanha russa se instalasse nela. Aquilo tinha sido uma indireta?

Lorena olhava confusa para nós, como se não estivesse entendendo nada do que estava acontecendo. E para ser sincera, nem eu mesma estava. Era o primeiro dia do Leo na escola, e já havia acontecido aquilo tudo.

Ele já tinha feito eu, hum, digamos gostar dele. Na verdade, gostar era um termo fraco para o que estava sentindo.

Já tinha gostado de alguns garotos, mas nada era igual ao sentimento pelo Leo. Era totalmente diferente. Mas como eu disse, não sabia explicar aquilo.

Assim que ele saiu, Lorena se aproximou e com o semblante espantoso, falou:

— Acho que você tem muita coisa para me contar, Amélia. — falou apressadamente cruzando os braços.

— Han? — fiz de desentendida — Sobre o que?

— Como assim "sobre o que"? – disse pausadamente — O que aconteceu agora há pouco? Quem é aquele garoto? — Lorena estava com um sorriso sarcástico.

— Não é nada, Lorena. — falei indo em direção ao vestuário para tirar aquele uniforme branco com azul das cheerleadings.

— Ah, você não acha mesmo que vai escapar dessa não é, senhorita Amélia?! — ela me seguiu até o vestuário.

Fiz sinal para que ela se calasse e conversássemos depois. Havia muitas garotas por ali, principalmente Viviane. Eu não queria que isso se espalhasse para ninguém, e nem chegasse aos seus ouvidos. Afinal, não tinha acontecido nada de mais, não é?

Eu estava muito cansada, tínhamos treinado elevação hoje para que no final de semana esteja tudo impecável para animar a torcida do colégio. Eu precisava de um belo descanso, uma noite bem dormida.

Fui para o banheiro feminino tomar um banho, com a Lorena em minha cola. As gotas de água percorriam sobre meu corpo, enquanto ela fazia perguntas e mais perguntas sobre o Leo, e suas talvez, indiretas.

Lorena era um ano mais velha do que eu, alta dos cabelos longos e castanhos. Seus olhos azuis davam um brilho em seu rosto pequeno e bonito. Tinha pernas um pouco grossas por causa dos anos de cheerleader.

Havíamos virados amigas inseparáveis desde que entrei para a equipe.

Apesar deu amar a Lo, estava querendo a esganar por não parar de questionar.

— Lorena! Por favor, para! — disse um pouco alto, chamando atenção de algumas garotas que estavam ali.

— Mas...

— Não tem nada demais, você está meio perturbada. — disse tentando dar um fim naquele assunto.

— Não acredito que você não vai me contar nada, nós contamos tudo uma para a outra – Lancei um olhar desafiador para ela — Está bem, só termina aí que precisamos ir embora logo. — deu de ombros saindo.

Depois que tomei minha ducha, guardei meus pertences no armário, e fomos para casa. Passamos o caminho inteiro caladas, Lorena achava que eu tinha que contar tudo para ela. Mas a verdade é que eu não sabia o que estava acontecendo. Não sabia o que tinha significado aquele dia. O que eu poderia falar?

Para não piorar a situação, apenas continuei calada e seguimos nosso percurso de todos os dias. Somos vizinhas desde que nos entendemos por gente, porém, viramos próximas este ano.

Despedi-me da Lo e fui direto ao meu quarto para descansar. O dia foi realmente longo, cheio de emoções.

Eu não podia negar que, mesmo com tantas incertezas que eu tinha na cabeça, adorei simplesmente tudo.

E querendo ou não, precisava conversar com alguém sobre aquilo. Mesmo que eu estivesse incerta.

Então sem pensar duas vezes, peguei meu copo de Nescau e digitei o número da Lorena no meu celular. O som de sua respiração ecoou pelos meus ouvidos. Decidi ser sincera e contar tudo para ela.

— Oi, Lo. Então, quer saber quem é aquele garoto?

— Agora você resolveu me contar? – falou grosseiramente – Desculpa... Mas me conta logo sobre aquela cena do colégio.

Suspirando, contei tudo para a Lorena. Parece que o que estava guardado das minhas incertezas, desaparecesse em um grande alívio desabafado com ela. Lorena não disse nada sobre, apenas falou que em menos de dez minutos estaria no meu quarto. Não demorou muito e lá estava ela sentada na minha cama brincando com meu ursinho de pelúcia, Mostarda.
Um silêncio cresceu sobre o cômodo o que já estava me incomodando, então o quebrei:

— Eu estou errada em ter ficado balançada por ele? – disse encarando o tapete do meu quarto.

— Claro que não. Não mandamos nos sentimentos – Lorena falou dando um grande suspiro – só espero do fundo do meu coração que você não crie expectativas, você ainda não o conhece, não quero que se machuque.

Não crie expectativas.

— Eu sei, mas não estou sabendo lidar com tal situação que me encontro. – falei em um tom melancólico.

— Méli, espere. Hoje foi apenas um dia, muitas coisas ainda estão por vir. Só espere e não esconda o que está sentindo, converse sempre comigo.

Abraçamos-nos e meus pensamentos foram a mil. Sim, eu estou apressando as coisas, ou talvez, seja meu coração que esteja precipitado.