Uma Noite de Amor
5 Bilhete Anônimo
Notas iniciais
Amélia Borelli, 25 de agosto.
A luz do sol raiava pelo meu quarto na manhã de terça-feira, uma brisa fraca invadia a janela do cômodo, as cortinas balançavam devagar conforme o vento batia. Não havia muitas nuvens no céu por esta manhã, o clima estava gostoso.
Acordei pensando em tudo do dia anterior, desde o começo até o final. Acho que estou ficando meio obcecada pelo Leo, isso não é uma coisa muito normal de se acontecer, não é?
Peguei meu celular e verifiquei o horário, estava atrasada o que não era novidade nenhuma para ninguém. Minha casa ficava a uns quinze minutos da escola, então teria que pedir carona para meus pais ou a Lorena.
Fui arrastada da cama contra minha vontade, entrei no chuveiro e deixei a água cair sobre meu corpo para ver se eu dava uma acordada, eu realmente precisava naquele momento. Coloquei o uniforme e uma blusa de moletom por cima, pois mesmo com o sol, Campinas fazia um friozinho pela manhã.
Optei por não usar maquiagem, primeiro porque eu não sabia passar, e segundo porque acho exagerada maquiagem pela manhã.
Desci as escadas e para minha surpresa só estava meu pai sentado á mesa.
— Bom dia, filha – disse Byron Borelli, meu pai, sorridente.
— Bom dia pai – disse dando um beijo nele – a mamãe pegou plantão?
— Sim, a noite ela estará aqui. Assim espero.
Minha mãe, Meredith Borelli, é enfermeira em um hospital afastado da cidade; escalada para vários plantões então é meio difícil vê-la todos os dias. Mas sempre que possível, temos momentos família, o que tanto amo.
— Pai, o senhor poderia me dar uma carona para a escola? Já estou atrasada.
— E quando você não está filha? – disse ele dando uma risadinha. – Vamos que já estou indo trabalhar.
Meu pai é advogado, tem um escritório no centro da cidade. Sua obsessão por leis e defender pessoas, fez com que se apaixonasse pela profissão.
Chegava cansado todos os dias, mas mesmo assim tentava passar uma imagem de que estava tudo bem.
Fomos conversando durante nosso caminho sobre assuntos aleatórios e por alguns minutos sai de meus pensamentos.
Chegando ao colégio, Heloísa e Lorena me esperavam do lado de dentro, assim que me viram vieram em minha direção.
— Você não se cansa de atrasar não? – disse Heloísa dando uma piscadela.
Heloísa era minha amiga desde o oitavo ano. Cabelos médios e castanhos. É magrinha e baixa. Um pouco grosseira, mas quando você a conhece de verdade, vê que é só sua defesa perante o mundo.
— Quem seria eu sem atrasos? – disse e nós rimos.
— Faltam cinco minutos pra aula, vejo vocês no intervalo garotas – disse Lorena se despedindo e seguindo para sua sala.
Assim que a Lorena saiu, Mariana; nossa amiga que estuda junto comigo e Heloísa; chegou abraçando nós.
— Vamos para a aula meninas? – disse fazendo careta.
E assim seguimos caminho para a classe, já estava todos lá menos o professor de Literatura. Ele atrasava mais do que eu, e era quase impossível alguém ultrapassar-me.
Algo me atraiu o olhar, como se tivesse alguém me observando. Era o Leo. Estava ele sentado prestando atenção em mim. Até aquele momento eu havia conseguido parar de pensar um pouco nele, tudo bem, só um pouco. Ele não tirou os olhos de mim, e para falar a verdade, nem eu dos dele.
Eu sorri simpaticamente para ele, e assim Leo me retribuiu.
Senti minhas bochechas corarem de uma forma como se o sol estivesse tocando nelas.
Espere.
Lembrei das palavras da Lorena, espere, é o que eu precisava fazer, então quando o sinal soou pelas salas, sai correndo e fui rumo ao meu armário, assim teria uma desculpa de que esqueci algum livro, se as meninas perguntassem o porquê da minha saída repentina.
Não seria uma mentira realmente mentira, afinal eu precisava pegar algumas coisas lá mesmo, teria aula de Sociologia e meus livros estavam no armário.
Avistei o 214, número do mesmo, fiz a combinação e o abri. Para minha surpresa, caiu um papel, uma espécie de bilhete. O apanhei.
Tinha algo escrito em caneta permanente, não reconheci a caligrafia.
Já deu para perceber seu olhar, garotinha. Estou a observando.
— Anônimo.
Mas o que significava isto?
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