Uma Noite Fora De Casa
15 Uma noite "gelada"
Eu me sentei pernas-de-índio no sofá e fiquei olhando pra frente. Jooh fazia o mesmo. Estávamos sem o que dizer um ao outro, até que ele quebrou o silêncio:
-Acho que deveríamos nos divertir.. né? Seu eu vou passar a noite aqui..
-Como?
-Já foi a festas de pijama?
-Não
-Nem eu
-O que a gente faz?
-Sei lá.. Vamos improvisar uma festa do pijama.. Só pra nós.
Ele se virou para mim empolgado.
-Pode ser...
Eu dizia sem tirar os olhos da televisão desligada.
-Ah, o que foi Hanna?
-Nada -Eu disse me virando e sorrindo.
-Por onde andam seus pensamentos?
-É que... Bem.. Nada.. Quer dizer... Lugar nenhum..
-Pode falar comigo.. Sou seu amigo lembra? Aquele que aguentou Cookie bêbada junto com você.
Eu sorri, dessa vez, de verdade.
-Está pensando no Luke.. Não está?
-Não sei direito... Acho que só me imagino como Makoto, e ele, o Chiaki.
-Não pense assim garota dos livros!
Ele me abraçou e sorriu.
-Você tá muito depressiva, sabe do quê precisa?
-D-Do quê?
-Sorvete
Eu tentei não rir escandalosamente.
-Sorvete..
-É...
-Deixa pra lá.. Pensei que fosse dizer outra coisa..
-O que?
-Nada bobão. -Eu joguei um travesseiro nele.
Ele sorriu.
-Sor-vete.
-Tá bom vai.. Sorvete
Eu me levantei, ele empurrou meus ombros e eu caí sentada no sofá.
-Fica aí titia dos dramas
Aquilo me rir.
Um tempinho depois ele voltou com um morango split. (idêntico a banana split, mais com morangos) e era enorme.
-Você não quer que eu coma isso tudo sozinha, quer?
-Vou comer com você, idiota
Mostrei a língua pra ele.
Ele colocou o morango split sobre a mesa de centro, me entregou uma colher, pegou outra e começou a comer.
No momento que coloquei sorvete em minha colher, chantili caiu em meu braço. Jooh havia assoprado a colher.
-Hum... é costume assoprar coisa quente e as vezes, acabo assoprando as geladas..
Eu sabia que ele havia feito de propósito, porque ele estava com um sorriso no canto da boca e não me encarava.
Coloquei sorvete em uma colher e passei no seu nariz.
-Estamos quites.
Ele começou a rir.
-Ah, é?
Ele puxou minha mão, colocou sorvete nela e um morango em cima.
Eu ri mais ainda. Fazia cócegas.
Com a boca, ele pegou o morango e eu lambi o chantili. Começamos a rir mais.
Eu passei a mão no sorvete e fiz bigodes de gato em sua bochechas.
Ele me olhou, com um olhar desafiador.
Me levantei e saí correndo, ele veio atrás de mim, me agarrou pela cintura, ainda estávamos rindo, eu beijei sua bochecha, ele tropeçou e caiu, eu caí junto, em cima dele. Nossas testas estavam coladas, eu podia ouvir sua respiração, seus olhos castanhos me encarando, nossos corpos colados, perto de mais. Ele fechou os olhos e foi aproximando sua boca da minha. Estávamos prestes a se beijar, até que alguém bateu na porta.
-Jooh, Jooh, Jooh! Você está aí que eu sei! Não te vejo desde ontem, ai que saudades desse seu corpinho próximo ao meu! -Era a voz de Bruno.
Eu saí rapidamente de cima do Jooh, me levantei, peguei um pano e tirei o sorvete do rosto, Jooh fez o mesmo.
-Corpinho próximo ao meu? -Eu disse tentando disfarçar.
-Ignora, ele fica me assediando -Ele sorriu.
Jooh se dirigiu até a porta e a abriu. Bruno estava com uma florzinha branca no cabelo. Ridículo.
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