Uma Noite Fora De Casa

13 Lá vão eles novamente.


Cheguei em casa, meus pais estavam sentados na mesa, e me encararam.

-O que foi?

-Onde passou a noite?

-O-Onde?

-É -Meu pai se levantou da mesa.

Mamãe olhou para ele.

Ele se sentou novamente.

-Bom.. Esse não é o caso agora.

Me senti aliviada.

-Mais ainda não terminamos nossa conversa!

-Calma -Disse mamãe colocando a mão sobre o ombro dele.

-Bom Hannah, sente se conosco.

Eu não mexi um músculo.

-O que houve agora?

-Bom.. Temos.. É.. Bem...

-Fala logo!

-Vamos ter que viajar de novo..

Eu interrompi.

-Ah, ótimo -Eu disse com ironia, enquanto subia as escadas.

-Dessa vez, não vai demorar tanto, só...

-Vão logo fazer a porcaria das malas e cair fora.

-Hannah! -Meu pai se levantou- Eu não quero esse tipo de palavreado aqui.

-Que se foda a porra toda!

Eu bati a porta do quarto.

Eles iriam viajar de novo. Me deixar sozinha de novo.

Me deitei na minha cama, coloquei um travesseiro sobre a cabeça para evitar qualquer barulho ou luz que poderia entrar no meu quarto. E dormi novamente, pois na noite anterior, não havia dormido.

Acordei, já eram 18h. Desci até a cozinha e fiquei observando a empregada limpá-la.

Meu pai se sentou na minha frente.

-Com quem está aprendendo essas coisas?

-Ninguém.

Ele aumentou um pouco mais o tom de voz.

-Como ninguém, se você nunca foi assim?

-Eu só.. Cansei.

-De quê?

-De vocês me deixarem sozinha a vida inteira, de não ter tido uma adolescência com festinhas, escola e amigos.

-Você não precisa disso, olhe tudo que você tem!

Eu me levantei e o encarei.

-Como não? Você quer que eu seja infeliz pelo resto da minha vida, é isso? -Eu havia aumentado o tom de voz.

Ele se levantou também.

-Nós viajamos para negócios, e você não deve se misturar com essa gentinha.

-Essa gentinha é o caramba! E negócios? Então vocês devem ser os caras mais ricos do mundo, porque já me deixaram tantas vezes sozinha que...

-Cala a boca! Você sabe que você tem melhores condições e não precisa de escola! E se você tivesse algum namoradinho, faria besteira, traria essas pessoas nojentas para casa!

-Nojentas? Não fale dos meus amigos só porque eles não tem a mesma condição que nós temos, eu preferiria ser como eles a passar a vida sozinha como eu passei!

Meu pai me deu um tapa na cara. Forte. Doía muito. Comecei a chorar.

Ele aumentou o tom de voz por completo.

-Agradeça ao que você tem, sua vadia!

As lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu não conseguia nem sequer encará-lo. Subi as escadas corrento e me tranquei no quarto.

Ouvi um barulho de malas se arrastando no chão.

-Tchau filha!

Eu não respondi.

Então a porta bateu. Eles foram em bora.

Me deixaram sozinha de novo. Sem se importar em como estava me sentindo.