Uma História JakeNess - Como Acho Que Deveria Ser
62 Capítulo 63 - Tentando jantar
Notas iniciais
Pov. Nessie
Eu andava pela floresta, e papai vinha atrás de mim. Eu pedi pra conversar com ele, só pra ele não tentar matar o Jake. Quando chegamos em casa, foi um barraco só! Tive vontade de enfiar minha cara num buraco. Afss... Papai exagera demais. Então, pedi pra ter uma conversa de pai e filha. Tentar resolver essa bagunça, que está deixando meu relacionamento com ele meio complicado.
- Não está filha. – Papai falou respondendo meu pensamento.
- Está sim. Não que isso esteja nos afastando, mas é complicado. Não sei explicar... – Falei confusa em meio a pensamentos.
- Tente entender meu lado. – Ele disse calmo.
- Tentar entender seu lado é a única coisa que faço desde que comecei a namorar o Jake. – Falei fazendo careta.
- Filha, eu sou seu pai. É normal que eu sinta ciúme. – Ele disse. Era primeira vez que ele admitia ter ciúme do meu lobinho.
- Eu sei que isso é normal, pai. – Falei me virando pra ele. – Eu só não entendo você. Antes, o senhor me dava apoio pra me declarar para o Jake, e agora você simplesmente surta quando eu beijo ele. Qual é o seu problema? – Perguntei fazendo careta. Ele suspirou.
- Sei que isso está sendo uma confusão para você. – Papai disse calmo. Concordei. – Vamos nos sentar. – Ele disse me mostrando um tronco de arvore, caído no meio da floresta. Sentamos-nos, e ele olhou para o horizonte. – Digamos que a pratica é diferente da teoria.
- Não vai dar uma de Sheldon agora pai. – Falei sem paciência. Ele deu risada.
- Não é isso, querida. –Papai disse dando um meio sorriso. – Antes eu te apoiava porque acho que não tinha me tocado que você realmente cresceu. – Ele disse pensativo. – Eu pensava que esse namoro não ia me trazer tantas preocupações.
- Mas não traz. – Falei com obviedade.
- Para você não, mas para mim... – Ele disse suspirando profundamente. – Não tinha percebido que você cresceu tanto a ponto de namorar serio. Ter um namoro tão profundo quanto o de meu, e de sua mãe. Aliás, você tem até aliança. – Ele disse olhando pra minha mão direita. Corei levemente. – Um namoro que depois de um tempo, começa a evoluir de uma forma, que pra mim, foi realmente muito rápida.
- Eu sei... – Falei dando um sorriso amarelo.
- Não, não sabe. – Ele disse serio. – Você não sabe o que é ser um pai de uma menina que cresce tão rápido, a ponto de já ser independente em plenos 7 anos de idade.
- Está me chamando de criança? – Perguntei fazendo careta.
- Não. Sei que não é mais uma. – Ele disse fazendo careta. – Estou dizendo que é difícil pra eu ver minha princesa ficar tão independente num piscar de olhos. Olhe pra você, minha filha. – Ele disse olhando incrédulo pra mim. – Você já tem um namoro no qual já moram juntos, já trabalha, e ainda tem uma personalidade completamente interessante, sem falar na inteligência que mantém uma opinião definitiva sobre tudo. Já é praticamente uma adulta formada.
- Mas o que isso tem haver com o meu namoro com Jake? – Perguntei confusa.
- Só estou relacionando as coisas. Você cresceu muito rápido, e está sendo difícil soltar minha garotinha. Principalmente para o Jacob. Desculpe tocar nesse assunto, mas ele já era insuportável quando dizia que sentia uma coisa por Bella, e agora que realmente sente algo por minha própria filha, está mais insuportável ainda. – Quando ele terminou de falar, dei risada.
- Nunca vou deixar de ser sua garotinha, pai. – Falei sorrindo.
- Nunca vai deixar de ser minha filha, mas admito que eu tenha medo de um dia você me esquecer.
- Nunca vou te esquecer! Está louco?! Você além de meu pai é meu melhor amigo. – Falei incrédula.
- Depois do cachorro.
- Pai! – O repreendi.
- Ok, Jacob. Mas ainda estou depois dele. – Ele disse bravo.
- Aff pai, deixa de besteira. Parece criança. – Falei fazendo careta. Ele deu risada.
- Só quero que entenda meu lado, Renesmee. – Papai disse me olhando seriamente. Assenti. – E isso inclui não perder a virgindade antes do casamento.
- Ixi, começou! – Falei emburrada.
- Desculpe filha, mas mesmo te chateando, ainda exijo isso como seu pai.
- Nem a pau, Juvenal. – Falei sarcástica.
- Filha...
- Olha pai, eu te amo, e agora deu pra entender um pouco esses surtos que você tem em relação ao meu namoro com Jacob. – Falei e ele me olhou emburrado. Revirei os olhos. – Mas mesmo assim, estamos no século 21, e Jake é meu namorado. E admito que nosso relacionamento esteja evoluindo MUITO! – Falei com ênfase.
- Poupe-me de detalhes sórdidos. – Ele disse com cara de nojo.
- A questão é que se acontecer, sinceramente, eu não vou ligar pra opinião dos outros. Eu amo o Jake, e isso acontecer é inevitável. – Falei calma.
- Não vou deixar isso acontecer, Renesmee. Sou seu pai, e tenho regras a serem seguidas antes de se casarem.
- Regras baseadas em princípios arcaicos. – Falei irritada.
- Não são arcaicos, são corretos.
- São ridículos. – Afirmei com obviedade. – E você não pode me impedir de sentir desejo pelo Jake.
- Ah credo! Não quero saber disso.
- Problema seu, pois mais cedo ou mais tarde vai acontecer. – Falei dando de ombros. – E nem tente matar o Jake, se não eu nunca mais olho na sua cara.
- Se acontecer, não irei mata-lo, mas vou expulsa -lo de casa. –
- Pai! – Falei brava. Ele deu risada. – É serio. Não estou brincando. Vai acontecer, e eu não vou dar a mínima para suas regrinhas estúpidas.
- Não vai e ponto final! Antes de casar, virgem vai ficar. – Papai fez uma rima. Bufei.
- Ah pai, eu não vou discutir mais.
- Ótimo, eu também não. Mas fiquem sabendo que eu estou de olho. – Ele disse ameaçador. Revirei os olhos, e o abracei.
- Eu te amo, pai. – Falei o abraçando.
- Eu também te amo, princesa. – Papai disse carinhoso, enquanto fazia um carinho em meus cabelos.
- Promete que vai tentar melhorar esse ciúme?
- Não. – Ele disse dando de ombros. Dei risada, e inalei seu cheiro reconfortante. Embora essa conversa tenha sido um pouco esclarecedora, sei que meu pai ainda vai dar muita dor de cabeça para mim e meu amor.
***
Desci as escadas, e fui direto pra cozinha. Eu estava morta de fome. Jake estava na sala jogando videogame com os meus tios. Era uma gritaria danada! Tio Em ficava gritando quando era ultrapassado pelo carro do Jake, e tio Jasper nem gritava. Só ficava concentrado nas suas táticas de como ganhar uma corrida no Xbox 360.
Abri a geladeira, e peguei o macarrão que minha vó tinha feito no almoço. Estava delicioso. Já disse que minha vó cozinha muito bem? É, pois é. Cozinha muito... Ouvi um barulho atrás de mim, e vi Sheldon.
- Oi, Nessie. – Ele disse curvando os lábios num sorriso torto.
- Oi, Sheldon. – Falei fechando a geladeira.
– Então, o que tá rolando? – Fiquei confusa. Sheldon nunca foi de usar gírias.
- O que? – Perguntei confusa.
- É linguagem coloquial. Inicio de conversa. – Ele explicou sorrindo convencido. Fiz careta. – Então, está achando o clima satisfatório? Ou está sofrendo com algum time esportivo com pontuações baixas?
- Qual é o seu problema? Tá me assustando. – Falei estranhando seu comportamento. Ouvi risadinhas ecoarem pela casa.
- Estou tentando ter uma conversa casual com você. – Sheldon disse dando um sorriso esquisito. – Então, “qualé”?
Quando ele falou daquele jeito vi que devia ter alguma coisa errada. Ele estava falando esquisito, e ainda por cima estava com uma cara simpática até demais, que lembra um assassino fingindo ser legal com a vitima.
- Por favor, não faça isso. – Falei fazendo careta.
- Tudo bem, mas devo lhe dizer que quando se tem algo estranho para se discutir com alguém, é mais tolerável começando com um “bate-papo”. – Olhei confusa para ele.
- Então essa não foi a parte estranha? – Perguntei me referindo ao seu uso estranho de gírias.
- Não. – Ele respondeu com obviedade. Pensei um pouco.
- Hum, ok. Qualé?! – Falei imitando ele.
- Ah ótimo, eu usei direito. – Ele disse pensativo. – Mas em fim, você percebeu que na sua relação romântica com Jacob está a surgir um componente sexual? – Ouvi risadas por toda a casa, e um rosnado de meu pai. Jake deu uma tossidinha de leve na sala.
- Tá legal. Eu to sentindo a parte estranha agora. – Falei fazendo careta. Sheldon me olhou confuso.
- Você está entendendo sobre o que estou falando, certo? – Ele perguntou.
- Infelizmente, sim. – Falei servindo meu prato com uma porção media de macarrão a bolonhesa.
- Bom, você deve entender como certos aspectos dessa relação são importantes pra mim.
- Pra você? – Perguntei confusa. Coloquei meu prato no micro-ondas e o olhei.
- Sim, veja: Como o quarto de vocês se localiza na frente do meu, eu não quero barulhos sexuais atrapalhando meu sono. – Ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Achei estranho afinal, os vampiros que moram aqui são uns tarados.
- Sheldon, vamos mudar de assunto. – Falei desconcertada.
- Não, essa conversa é necessária. – Sheldon insistiu.
- Sheldon, não será necessário você me falar sobre esse tal de componente sexual. – Falei com obviedade.
- Como não? – Ele perguntou indignado.
- Você acha mesmo que com o pai que tenho vai acontecer alguma coisa dentro desta casa? – Perguntei debochada. Ouvi o barulho do micro, e tirei o prato de lá. Peguei um garfo e sentei no balcão da cozinha. Sheldon sentou na minha frente.
- Você diz isso agora, mas imagine o cenário: É sábado à noite, vocês estão sozinhos porque sua família teve algum compromisso. Seus hipotálamos nadando em estrogênio, sugestionando. Subitamente, vocês se vêm no coito. Ou no tal do “rala e rola” que Embry sempre fala. – Quando ele disse isso, risadas estrondosas romperam o silencio da casa. Fiquei um pimentão. Jake tossiu nervosamente lá na sala.
- Sheldon, eu to tentando jantar aqui, ok?! – Perguntei nervosa. Sheldon me olhou bravo.
- Voltando ao assunto, gostaria de propor que suas visitas conjugais fossem em outro lugar. – Ele disse me mostrando um papel que parecia um contrato. O olhei incrédula. Esse cara é completamente fora de noção! – Eu pesquisei alguns lugares, e vi alguns motéis cinco estrelas que vocês adorariam.
- Oh Meu Deus! – Falei alarmada. Risadas e mais risadas pela casa. Jake estava quase tendo um enfarto de tanto tossir. Acho que ele fica meio desconfortável com certos assuntos, e começa a tossir nervosamente.
- Minha mãe disse que falar o nome de entidades religiosas em vão, é pecado. – Sheldon disse serio. – Mas em fim, eu só gostaria de propor que vocês achassem outro local para suprimir suas libidos.
- Por Deus Sheldon, eu estou tentando jantar. Vamos mudar de assunto. – Falei desconfortável.
- Promete que vai pensar na minha proposta?
- Sim, Sheldon. Tanto faz. – Falei tentando sair urgentemente daquela conversa sem pé nem cabeça.
- Ótimo. – Ele disse pensativo. – Nessie, posso te perguntar uma coisa?
- Envolve sexo?
- Não sei. Por isso vou te perguntar. – Sheldon disse com obviedade.
- Ok, fala querido. – Falei suspirando.
- Alguns dias atrás, Jacob e Embry me levaram até a loja de gibis. – Ele começou. – E durante o percurso, Embry começou a falar sobre algo que me deixou curioso, e resolvi perguntar a você.
- Por que justo a mim?
- Por que você é a única que tem paciência comigo. Os outros, eu não sei por que, ficam nervosos. – Sheldon disse pensativo. – Até Jacob anda irritado com umas perguntas que faço a ele.
- Que tipo de pergunta? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Envolve coito. Você não vai querer saber. – Ele disse debochado. – Em fim, Embry mencionou um termo. “Amigos com benefícios”. O que é isso? – Ele estava perguntando sobre amizade colorida. Afs..
- Mas que droga, Sheldon! Você entrou na puberdade e não nos contou? – Perguntei nervosa. Todos riam.
- O que isso tem haver com minha puberdade?
- Nada querido, continue. – Falei suspirando. Santa ingenuidade!
- Em fim, o que significa isso? É uma amizade, na qual os amigos se ajudam em dificuldades financeiras? – Ele perguntou. Parecia uma criança curiosa.
- São amigos com benefícios. Benefícios... Safados. – Falei segurando o riso.
- Como assim?
- Imagine dois amigos, que não sentem nada romântico um pelo outro, mas que de vez em quando, se ajudam com as necessidades primitivas. – Falei igual a ele. Sheldon usa esse termo pra se referir aos meus amassos com Jacob.
- Desculpe, não consigo imaginar nada disso. – Ele disse pensativo.
- São amigos que transam Sheldon. – Fui direta. Santa ingenuidade!
- Ah sim! – Sheldon disse como se estivesse percebendo algo. – Que coisa repugnante!
- Depende do ponto de vista. – Falei dando de ombros. – Mas por que está me perguntando essas coisas? Resolveu virar homem e admitir seus desejos reprimidos?
- Como assim “virar” homem? Eu já nasci homem. – Sheldon disse indignado. – Eu tenho genitália masculina. São funcionais, e esteticamente agradáveis.
- Ah que nojo! – Falei fazendo careta. As risadas aumentavam cada vez mais.
- Não é nojento. É pura biologia.
- Que seja. Não vai jantar não? – Perguntei mudando de assunto.
- Não, obrigado. – Ele disse.
- Ok. Então, tchau. – Falei colocando meu prato sujo na pia, e me virando para a porta da cozinha.
- Fica na paz! – Sheldon disse tentando falar gírias. Dei risada.
Fui pra sala e encontrei todos rindo, e Jake um pimentão. Eu não devia estar diferente.
- A Ness tá sabendo das coisas, hein? – Tio Emmet falou malicioso.
- Você queria o que? Vivo numa casa com oito vampiros tarados. – Falei com obviedade. Todos deram risadas. – Agora, se me derem licença. – Falei indo em direção a escada.
Todos ficaram me olhando divertidos, enquanto Jake segurava um pouco o riso. Fui subindo as escadas ignorando os olhares. Afs... O Sheldon me mete em cada uma. Olha as ideias que o menino vai ter?! Tem cada uma...
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