Cap.4

Cheguei em casa, hoje eu não iria trabalhar,eu não parava de pensar naquele sonho, só agora eu reparara que aquela garotinha era a Marina, eu ainda tinha medo daquele sonho mas eu não podia negar, o sonho batia com a realidade, a garota que não tinha os olhos significava a Marina que era cega.

-Oi filho, como foi na escola?

-Er...bem mãe, arrumei uma namorada.

-Já?Nossa, quem é?

-É uma garota que eu conheci.

-Quando você vai trazer ela aqui?

-Não sei mãe, vou sair agora.-Me aproximei de minha mãe e dei um beijo em sua bochecha e depois sai.

Eu estava indo até a casa de Marina, ja que ela tinha pedido para que eu fosse lá pra irmos a sorveteria e dar um passeio.Bati na porta e em alguns minutos ela se abriu.

-Olá, a Marina disse que você vinha, sou a mãe dela entre, ela deve estar no quarto ou tomando banho, subindo a escada a primeira direita.

Eu entrei e segui as instrucões da mãe de marina, no caminho havia vários quadros, nenhuma obra que eu conhecesse, mas eram lindos, muito bem detalhados, todos, sem exeção eram paisagens.cheguei ao quarto e lá tinha muito mais obras do que do lado de fora, todas bem organizadas e em um canto havia tintas e pinceis. Bem, eu não era muito chegado em pintura, mas aquelas eram realmente lindas e fascinantes.

-Oi, o que esta vendo?-Marina apareceu na porta derrepente, até que me toquei.

-Er...você fez todas elas?

-Sim.

-Até as do lado de fora do quarto?

-Sim.

As respostas dela me impressionavam, como uma pessoa cega conseguia pintar aquelas paisagens tão perfeitamente e com tantos detalhes?

-Sei que não são muita coisa, mas eu me sinto melhor pintando...

-Não, são lindas...mesmo, eu adorei.

-Você gosta de pintura?

-Não, quer dizer, não costumo gostar, gosto de paisagens e são poucas as que eu gosto já que a maioria tem a mesma cara, mas as suas são diferentes.

-São paisagens?-Ela me perguntou parecendo muito inocente.

-Não sabe o que pinta?-Perguntei sem querer ofende-la por isso.

-Não.

-Sim, são paisagens, as mais lindas que eu ja vi.-Acreditem eu não estava puxando o saco dela, eram lindas mesmo.

-Hum...Algum dia eu gostaria de saber o que pinto, e ver se tudo isso é apenas coisas da minha imaginação, se esses lugares realmente existem...

-Existem, não são tão lindos como em uma pintura, mas ainda sim são bonitos.

-Bem eu acho que você veio me buscar para tomar sorvete, ou estou errada?

-Não, esta certa.

-Então vamos.-Ela deu um largo sorriso.

Depois que agente saiu para tomar sorvete a feição dela tinha mudado, ela parecia mais alegre do que antes.Não sei como, mas aquilo me deixava feliz de certa forma.

Depois de deixar ela em casa, fui para minha casa e fiquei deitado em minha cama, até que fui tomar banho.Coloquei uma roupa bem confortavel, amanhã eu tinha que trabalhar, isso era trágico. Até que adormeci.

Ah não, eu reconhecia aquele lugar, aquele choro e aquela arvore, eu sabia exatamente o que ia acontecer.Minhas pernas começaram a se mexer e como eu ja sabia, elas foram em direção da garota, só que agora a garota cantava:

"um passarinho com a asa quebrada,

caiu de seu ninho e não pode subir.

Chegou um menino que viu o passarinho,

pegou o passarinho e resolveu cuidar:

meu passarinho, você vai ficar bom

e quando isso acontecer, você podera ir

de volta ao seu ninho."

Era uma melodia bonita e ela cantava bem, mas a melodia de certa forma era dramatica, mas muito bonita:

-Oi...

-Você de novo?-Ela olhou para mim e eu não consegui virar o rosto.

-Er...

-O que você quer, diga e vá embora! rapido.

-Eu só queria ajudar...

-Você não pode me ajudar, você não me entende!-Ela agora gritava.-Vá embora!

Aquelas palavras ecoavam em meu ouvido:"vá embora, vá embora..."

acordei euforico, um pouco assustado, aquele sonho tinha sido diferente, porque? eu ja tinha ido até lá duas vezes e era sempre a mesma coisa, agora tinha sido diferente, eu não havia entendido, mas queria entender...