Uma Historia Ezria!!
21 Capitulo 21 - Ele finge que sente, ela finge que acredita!
Notas iniciais
O cheiro de croissant de chocolate invade as narinas do Ezra desmaiado no sofá. Há quanto tempo já não comia a mistura perfeitamente equilibrada de doce e salgado? Anos, com certeza. O cheiro beliscava seu pescoço o deixando com uma vontade imensa de comer a delicia preparada por Jackie.
Antes de se dar conta, Ezra já está comendo o terceiro mini croissant e pensando no próximo. Jackie o observa sorrindo e satisfeita, apesar de não cozinhar com muita frequência sempre soube que seus doces eram a fraqueza do escritor que babava loucamente por qualquer coisa com um pouco mais de açúcar. Sem lhe dar tempo de catar o próximo doce ela o abraça por trás, virando seu pescoço e puxando seu lábios para um beijo. Ezra ainda tem muito dificuldade em beija-la e, apesar de tentar soar o mais apaixonado possível os dois sabem que isso não é verdade e quando o beijo logo é interrompido por uma suposta vontade imensa de ir ao banheiro ambos não se surpreendem. Ele pega o próximo doce e sai em disparada ao banheiro.
Olha para a pia e faz o mesmo ritual que veem fazendo nos últimos 4 dias. Abre a torneira e fecha os olhos enquanto mergulha as mãos grandes e cansadas na água que espirra na peça de mármore. A mão molhada vai em direção ao rosto, e faz esse percurso da pia para o rosto, pia para o rosto, pia para o rosto, a água escorre por toda a sua blusa e enquanto se olha no espelho repete novamente a frase que já deixara de fazer sentido.
– Vamos lá Ezra. Você ama a Jackie ok? Ela é bonita, leal, engraçada, honesta e te quer por perto. Ela é perfeita para você e você, perfeito para ela. Vocês se completam. – Não soa como verdade. Não se sente como verdade. Não é verdade. Ele tenta novamente, mais bravo e veroz dessa vez. – Você ama a Jackie porra! Ta bom? Puta merda, você quer ter tudo... Não basta a mulher perfeita com a merda do croissant perfeito, o que você pode querer, além disso? – E quando se percebe está gritando, acusando o espelho de diversas palavras que não costuma falar na companhia de ninguém. Todos os tipos de xingamentos mais sujos que já teve contato de alguma forma jorravam de sua boca em direção ao espelho. Até que ele ouve leves batidas na porta.
–Z? Amor? – Ela soa meio magoada, Ezra se pergunta a quanto tempo ela estaria ali. Dez, cinco minutos? Ele mal sabia a quanto tempo ele mesmo estava dentro do banheiro e quanta porcaria poderia ter dito. – Está tudo bem aí dentro?
Merda, merda, merda.
–Ah... – Ele se enrola tropeçando no banheiro na tentativa de destrancar a porta e quando finalmente consegue Ezra percebe então que está completamente encharcado. – Sim, é sim.
O que faço? Ela vai perceber, preciso de um motivo convincente. Pare de ser incompetente Ezra e pense em uma explicação completamente racional para estar encharcado e xingando dentro do banheiro.
–É, o que... O que houve aqui? – Ela parece confusa, mais acima de tudo magoada.
–É, é... É, então. – Você só está complicando as coisas, fale algo para ela se sentir bem, pare de gaguejar, vai Ezra, faça algo inteligente. – É que eu, você sabe né? Estava totalmente atraído por você, e tive que apagar com água um pouco dessa chama que você me causa. – Muito boa! Continua nessa, ela está sorrindo, parece meio envergonhada, ótimo. –Você me leva a loucura meio suja de farinha, quando acabou de cozinhar.
Ela sorri, e mesmo que não acreditasse completamente nas palavras do amado, preferia acreditar. Jackie o puxa para perto lhe roubando mais um beijo e por maior que fosse a vontade dele de empurra-la para longe ele fica perto e a beija por um tempo, tenta aproveitar a sensação do encontro dos lábios que, apesar de começar calmo, ao longo do tempo vai ganhando velocidade. Mas a questão é que ele não consegue, é como beijar sua tia, você a admira e ela te faz muito bem. Sempre cuida de você é honesta, é fiel. Mas não adianta, é sua tia sabe? E você não se sente atraído pela sua tia e muito menos quer beija-la em algum lugar que não seja a bochecha.
E pouco mais de dez minutos – que na mente de Ezra foram cinquenta – ele arranja mais uma desculpa para interromper o beijo, e ela mais uma vez finge que acredita e finge que se senta amada. Os dois deitam juntos no sofá para ver um filme, e ela deita nele enquanto ele a acaricia e beija sua testa, exatamente como costumava fazer com Aria, mas soa tão errado, tão falso, tudo soa como uma grande mentira.
Ela diz que o ama de novo, e ele a aperta mais forte. Ela encara isso com um “Eu também”.
Mas infelizmente, os dois sabem que eles estão se enganando, e que nada disso é real, que ele vai continuar fingindo que sente, ela vai continuar fingindo que acredita. Mas se enganar é tão bom é tão confortável, não exige esforço e tudo que Ezra precisa agora é de estar com alguém que o ame e o faça bem. Tudo que Jackie precisa agora e estar com Ezra que ela tanto ama. Não custa nada se enganar só mais um pouco né?
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