Uma História de Amor e Amizade
1 A Chegada de Pata
Notas iniciais
Pov. Mili
Estava sendo um dia bem legal no orfanato, nós acordamos com a Ernestina gritando no nosso ouvido, avisando que estávamos atrasadas para a escola, acordamos, tomamos um café rápido e corremos para van.
No meio do caminho nós vimos três meninos correndo, com cara de tristeza. Um era baixinho e tinha uma franja nos olhos, o outro era alto e digamos.. gordinho, mas o que mais me chamou atenção foi o outro, que tinha um cabelo castanho e encaracolado, uma pele morena, e aparentava ser um pouco mais velho que eu.
Ver aqueles meninos, naquele estado, nos deixou meio que com um clima ruim na van, aí então...
— Vamos pestinhas! Está na hora de descer!! — falou Ernestina em um tom nada agradável!
Quando tocou o sinal avisando que poderíamos voltar pra casa, saímos em disparada para a van, onde a Ernê já estava nos esperando.
Sentei ao lado de Bia no fundo, e perguntei:
— Bia, você viu aqueles meninos na rua, quando estávamos vindo para a escola?
— Que meninos? Ah! Aqueles moleques sujos que estavam correndo feito desgovernados no meio da rua?
— Bia! Não fala assim deles, eles podiam estar em uma situação difícil!
— Ah Mili! que mania essa sua de ficar defendendo os pobres e indefesos! Só falei a verdade! — se virou e ficou olhando para a janela.
Fiz o mesmo e comecei a lembrar daqueles meninos e pensar como eu me sentiria se morasse na rua e não soubesse se amanhã teria algo pra comer ou algum lugar para dormir. Senti uma vontade imensa de poder ajudá-los apesar de nem saber se os encontraria de novo.
Até que a van parou e todas as meninas desceram, a diretora Sofia estava nos esperando na porta do orfanato.
— Bem vindas de volta meninas! Eu tenho uma ótima surpresa para vocês lá dentro! — disse ela com um grande sorriso no rosto
— Que surpresa?! — perguntamos em coro
— Terão que entrar para saber!
Nesse momento corremos todas, super ansiosas para saber o que seria. Quando chegamos lá, havia uma garota com uma cara um tanto emburrada, que tinha o cabelo encaracolado, pele morena e era muito parecida com o menino que tinha visto mais cedo.
— Meninas deem as boas vindas à Patrícia... quer dizer, à Pata.- ficamos todas com caras de "sério?".
Então, dei um passo à frente, estendi a mão até ela e disse — Seja bem vinda Pata, espero que se sinta bem aqui! – Sorri e ela hesitou um pouco, mas depois retribuiu e sorriu de volta.
Logo as meninas me seguiram e também deram as boas vindas, menos a Bia.
Pov. Mosca
Já havia um bom tempo que estávamos correndo, a polícia tinha levado a Pata e provavelmente teria levado ela para um reformatório ou coisa parecida. Só de pensar que não estaria com minha irmã, já ficava completamente deprimido.
Até que nos deparamos de longe com a Pata e uma senhora bastante sorridente entrando em um casarão vermelho.
A vontade que tive foi ir correndo até a Pata e leva-la de volta comigo, mas nessa mesma hora, uma van foi estacionada, bem na frente do casarão.
De dentro saíram várias meninas. Primeiro uma baixinha de cabelo encaracolado, outra mais alta e magra, uma com a aparência oriental, uma ruiva gordinha e baixinha, uma séria com o cabelo castanho claro e uma parte do cabelo rosa e verde e por último a que mais me chamou atenção, nunca tinha visto uma garota tão linda, ela era, aparentemente, um pouco mais baixa que eu, tinha cabelo castanho escuro, pele branquinha. Ela parecia estar um pouco pensativa no momento e um tanto triste.
Pela cara do Rafa, ele tinha gostado da alta, magrinha. E o Binho ficou olhando para as nossas caras. — Oii?! Terra para Mosca e Rafa.
— Desculpa Binho, me distrai por um momento — disse — pelo menos já sabemos onde a Pata está!
— Mais tarde iremos falar com a pata.
Os dois concordaram comigo, só não sabíamos onde iríamos dormir aquela noite. Até que nós olhamos para a lateral do casarão e vimos que tinha uma porta ao abrirmos ela com bastante esforço, vimos que dava no porão.
— Galera! Acho que já encontramos onde iremos dormir!
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