Uma Garota Perdida

11 I'm said, I'm only human...


Notas iniciais
Olá leitores queridos, aqui está mais um capítulo quentinho. Acabou de sair do forno!! *tá parei* Bom, eu gostaria de agradecer a todos que estão acompanhando e comentando, e também aqueles que estão apenas lendo.. Obrigada gente e espero que vocês gostem!! Obs: Refrescando a memória de vocês, Allison é a mãe da Sam e do Lucas, então eu resolvi fazer um POV dela e no finalzinho tem um da Sam... Boa leitura...

POV-Allison

Estou chegando na minha casa, pelo menos acho que é a minha, ainda estou meio chapada, estou vendo tudo meio borrado. De repente vejo que em frente a minha casa está parado um Sedan preto, eu só conheço uma pessoa com esse carro: Ian. Olho atentamente e vejo ele abraçado com Samantha, como eles se conheceram? Por que estão juntos? Não isso não pode ser verdade! Pisco os olhos várias vezes para saber se não estou imaginando coisas, e infelizmente é verdade.

Percebo que Samantha segura um livro e está cheio de papel presente jogado em volta do carro: Oh Meu Deus, hoje era aniversário dela! O dia em que minha vida se tornou um inferno, todos os meus sonhos jogados fora por causa dela. Ian está olhando pelo ombro de Samantha, ele me viu, que droga!

Vou caminhando na direção deles, a raiva brotando em meu peito lembrando do passado e bem ao lado dele o erro que eu cometi.

–Samantha, o que está fazendo perto deste homem estranho?-pergunto tentando parecer o mais calma possivel.

Ian fica me olhando, como se não me reconhecesse mais e Samantha apenas revira os olhos e diz:

–Esse estranho é meu pai e você sabe disso!-disse ela num tom irritado.

Só de ouvir a voz dessa garota me irrita. Ela não tem nada de mim, é imagem cuspida do pai.

–Samantha você é tão ingênua, acredita em qualquer bobagem!-digo com um sorriso irônico no rosto.

–Allison, eu já contei tudo a nossa filha!-diz Ian.

–Nossa? Não, minha filha. Esqueceu que eu tive que criá-la sozinha, já que você me abandonou!

–Samantha, entra pra dentro de casa enquanto eu converso com a sua mãe.-diz Ian querendo dar uma de pai.

Samantha deu ouvidos a ele e entrou. Eu o fulminei com o olhar, eu só sinto raiva dele.

–O que você pensa que está fazendo? Trazendo Samantha para o seu lado? Tentando colocar minha própria filha contra mim?-digo totalmente irritada.

Ian tenta pegar em minha mão, mas eu não permito. Vejo que seus olhos enchem de lágrimas, mas ele não deixa que elas saiam.

–Não é nada disso, Allison! Estou apenas tentando conhecer minha filha, fazer parte da vida dela. Ser o pai que ela merece!

Eu não acredito no que estou ouvindo, depois de anos sem procurar a filha, acha que é só chegar aqui e comprá-la com presentinhos. Mas eu não vou permitir que eles se aproximem, não! Eles não merecem ser felizes, já que eles estragaram a minha vida, eu vou estragar com a deles.

–E desde quando você tem responsabilidades?-pergunto cruzando os braços.

–Tenho mais que você!-responde ele.

–Do que você está falando?

–Pelo amor de Deus, Allison! Hoje é o aniversário da Samantha, ela faz 16 anos e você nem sequer deu um presente ou um ''feliz aniversário filha''! -gritou Ian irritado.

Como ele pode estar me julgando? Eu não tenho culpa, se quero esquecer o pior dia da minha vida.

–Eu vou pedir a guarda dela, Allison!-disse Ian.

Finalmente ele disse alguma coisa que preste, se ele ganhar a guardar dela é um a menos pra me livrar.

–Ótimo, não me importo! Se quiser pode ficar com ela pra sempre, essa garota só me traz problema.

Ele me olha assustado, não acreditando no que eu acabei de dizer. Ele está pensando que eu me importo? Mas é claro que não, eu não vejo a hora de ter essas pestes longe de mim, principalmente a Samantha!

–Está dizendo que nossa filha, é só um problema pra você?-pergunta ele.
Assenti.

–Ian, tudo o que perdi, toda minha vida jogada fora, todos os meus sonhos que ficaram distantes, foi tudo por culpa dela!-digo apontando para a janela, onde eu sabia que Samantha estava escondida espionando nós dois.

–Você está errada! Não é culpa dela, a culpa é nossa. Nós dois erramos, e você errou ainda mais. -disse ele colocando o dedo bem na minha cara.

–Eu?-pergunto com um sorriso sínico estampado em meu rosto.

–É! Porque você não dá valor a filha que tem, Samantha é igualzinha a você. O jeito dela é o mesmo jeito que você tinha aos 15 anos, mas você nunca percebeu isto não é?! Você estava ocupada demais, remoendo a raiva que senti por mim e culpando ela pela vida que você leva. Mas no fundo, você sabe que não é culpa dela e sim nossa, fomos nós que transamos. Samantha é fruto do nosso amor, antes eu achava que esse amor duraria para sempre, mas vejo que aquilo não passou de uma paixonite!

Aquelas palavras de Ian fizeram minha alma estremecer e meu coração se apertar, tentei não demonstrar que as palavras dele me afetaram, mas era tarde demais pois lágrimas rolavam pelo meu rosto e eu me senti culpada. Sim, ele está com toda razão e eu sei que agi errado, mas nada disso adianta porque eu não vou conseguir ver Samantha como uma filha, não vou conseguir amá-la! Simplesmente, porque os sonhos que eu tinha são mais fortes, a vida que eu sonhava ter são muito mais importantes.

Sei que sou a pior mãe do mundo e não posso fazer nada para mudar isso, não existe jeito de consertar o passado. Todo mundo erra e aprendem com seus erros, mas isso não quer dizer que eles vão mudar, não quer dizer que não irão cometer os mesmos erros novamente! Dentro de mim ainda existe aquele menininha que teve seus sonhos interrompidos, quando descobriu que estava grávida.

–Ian os anos que estivemos longe um do outro, nos mudaram. Você se tornou uma pessoa boa e tenho certeza que vai ser um ótimo pai pra Samantha, mas eu também mudei. Não sou mais aquela garotinha tímida e bonitinha, hoje vejo a vida como ela realmente é: difícil e cruel.

Deixei ele sozinho e entrei para dentro de casa, Samantha tinha corrido para seu quarto, e eu fui para o meu. Tranquei a porta e debaixo da minha cama, tem uma caixinha bem pequena, coberta com veludo vermelho que agora está mofando. Dentro da caixinha, estão cartas, fotos e um caderninho que escrevi quando estava grávida da Samantha. Escrevi apenas uma folha, o resto está em branco.

Ao terminar de ler aquilo, chorei. Há muito tempo não sei o que é chorar até soluçar, venho escondendo todos os meus sentimentos dentro de mim, mas já não aguento mais! Às vezes esqueço que sou um ser humano e que seres humanos também choram...

Levanto da cama, enxugo as lágrimas e vou até o quarto de Samantha. Ela estava deitada com o fone de ouvido cantarolando uma música, ela ainda não percebeu que estou aqui, então fico olhando para ela. Examinando cada parte e percebo que ela tem um pouco de mim, nunca tinha percebido isso antes.

–Samantha!-digo batendo na porta, fazendo com que ela tirasse um dos fones e se sentasse na cama.

–O que você quer?-diz ela irritada.

Nesta hora, ela me fez lembrar, eu quando minha mãe entrava em meu quarto.

–Só quero conversar com você!-digo me sentando em sua cama.

Samantha me olha assustada, também não a culpo. É a primeira vez que estamos conversando civilizadamente.

–Samantha, o seu pai já te contou sobre nós dois e também contou a versão dele não foi?!

Ela assentiu.

–Sei que as coisas que faço não tem justificativa e certas coisas que eu disse a você foram cruéis. Peço o seu perdão, não é culpa sua a minha vida ter terminado assim!

–Perdão não muda nada, Allison!-diz ela me olhando com aquele olhar de culpa.

Abaixei a cabeça e disse:

–Eu sei, nada vai mudar! Você não vai me ver como mãe e nem eu vou te ver como filha. Isto eu já aceitei, só espero que algum dia você me perdoe.

Me levanto e deixo o caderninho, em cima da cama dela e saio dali, a deixando sozinha.

POV-Samantha

O que Allison está querendo? Ela nunca me tratou desse jeito, com um pouco de carinho, sempre foi gritando. Por que depois de tantos anos ela está me pedindo perdão? Será que se eu perdoá-la irá mudar alguma coisa? Não, nada muda o fato de que ela nem ao menos tentou ser uma boa mãe.

Vejo que ao sair, ela deixou um caderninho em cima de minha cama. Estranho! Abri o caderninho e a maioria das folhas estava em branco, só tinha uma que estava preenchida com o seguinte:

''Oh bebê que está dentro de mim, somos apenas crianças, eu e você! Tenho a sensação de que não serei uma boa mãe, então meu bebê espero que se algum dia eu te fazer chorar me perdoe. Sou nova com esse lance de mãe e não sei o que fazer, pois não terei ajuda nenhuma, mas farei de tudo para que você consiga ter uma casa pra se esconder da chuva! Seu pai foi embora, deixando só nós dois, então enquanto você estiver pequeno e frágil, eu irei tomar conta de você e quando eu não estiver mais conseguindo tomar conta de mim, promete que irá cuidar de mim como eu cuidarei de você?!''

Uma lágrima pingou na folha, quem escreveu isso? Fui folheando o caderninho e no final estava escrito ''Pertence a Allison Parker''. Como é possível? Allison escreveu isso quando estava grávida de mim? Meu coração está confuso, estou tentando entender o por que dela ter me mostrado isso só agora? São tantas coisas em minha cabeça e em meu coração que não sei se vou conseguir lidar com isso.

Preciso sair daqui, andar sem rumo. Peguei meu casaco e sai de casa tão rápido que nem percebi que Allison estava na cozinha, fiquei andando pela vizinhança. Não sei como reagir a tudo isso! Allison se aproximando de mim, me pedindo perdão, sendo legal comigo.

Sinto tudo começar a girar, e o ar escapa de meus pulmões, parece que estou sendo sufocada e vejo tudo escurecer. Começo a não sentir mais minhas pernas e quando me dou conta, já desmaiei!

I'm going under
Drowing in you
I'm falling forever
I've got to break through
I'm going under

Blurring and stirring the truth and the lies
So I don't know what's real and what's not
Always confusing the throughts in my head
So I can't trust myself anymore
I'm dying again

So go on and scream
Scream at me I'm so far away
I won't be broken again
I've got to breathe I can't keep going under