Uma Estranha No Meu Quarto

24 Capítulo 24 - Meu Ultimo Dia na Terra Parte 02


Notas iniciais
Ah o que dizer...... Que pena da Jaynet, meu deus :'( Ser escritora é muito dificil. Essa segunda parte tem 4 mil palavras, desculpem-me mas achei que dividir em três partes ia ficar ruim. Lembrando mais uma vez que o Capítulo é pesadão. Depois não digam que não avisei. Ahhhh um aviso, devido a eu estar viajando o capítulo 25 só vai sair em agosto quando eu volto pra casa, lá pro meio do mês, não tem como escrever nessas condições . Então sugiro que leiam devagar kkkkkkk

Após deixar o Wallmart Hugo continuou enrolando pra ir pra casa. Ele ligou o rádio e andou por ruas que eu nunca sequer havia visto antes. Eu tinha a sensação de que estávamos andando em círculos ou ziguezague, nunca pra frente. Já havia perdido a noção do tempo, entretanto quando eu avistei o relógio do Big Bang pela quarta vez soltei o cinto e pulei pro banco da frente, assustando-o.

Ele está testando minha paciência, só pode! Bufei, demonstrando o quanto estava insatisfeita.

— Já estamos chegando? Por que pelo que eu saiba minha casa fica a 20 minutos da escola no máximo, não 20 anos-luz!

Eu me lembrei que meu pai havia dito que anos-luz são medida de espaço e não tempo, mas não me preocupei em me corrigir.

— Quer que eu dirija Hugo? Você não parece estar em condições mentais pra isso.

— Estamos chegando senhorita.

Finalmente Hugo pegou o caminho certo e eu relaxei no banco do carona. Ele no entanto parecia a cada metro mais tenso. Em menos de três minutos estávamos em frente a minha casa. Ele abriu o portão principal e entrou pelo jardim. Olhei pros canteiro de rosas da minha mãe, estranhando nenhum dos cachorros aparecer. Quando enfim a porta da garagem abriu, ele trincou a mandíbula e sua respiração ficou irregular. Meu motorista empalideceu quando eu abri a porta do carro com minha mochila nas mãos e fui em direção ao corredor, mal deixando tempo que ele me seguisse. Algo estava muito errado.

— Jaynet!! Espera por favor...

Ignorei o pedido de Hugo e deixei minha mochila cair quando cheguei a sala. Tudo, tudo mesmo, estava totalmente revirado. Algumas coisas estavam quebradas, os quadros foram removidos das paredes, as estantes afastadas do lugar e haviam diversos papeis no chão. Eu segui até a cozinha e as gavetas estavam todas no chão, os pratos quebrados, a bancada repleta de utensílios. Nenhum sinal da cozinheira. Quando encarei Hugo atrás de mim, ele me lançou um olhar suplicante. Pelo jeito, ele havia feito uma festa em minha casa.

Aquilo foi a gota d’agua peguei meu celular para ligar e comecei a discar o número do meu pai, mas um barulho na dispensa me parou. Eu andei até lá e abri a porta, arfando. A cozinheira estava amarrada e amordaçada e seus olhos estavam cheios de lágrimas por cima de alguns hematomas arroxeados. Um filete de sangue escorria por seu nariz indicando que alguém havia socado o rosto dela. Olga era uma senhora muito bondosa, eu não conseguia nem imaginar quem teria coragem de fazer isso com ela. Ela olhou atrás de mim e tentou gritar e se debater. Eu segui seu olhar e fitei Hugo horrorizada.

— Você fez isso?

Antes que ele pudesse responder um burburinho de vozes masculinas surgiu da escada. Quanto mais as vozes se aproximavam, mais meu coração batia.

— Hugo? É você?

Um homem entrou na cozinha com uma pistola na mão, ele chutou um vaso e apontou a arma pra frente com as duas mãos. Mais 3 homens armados entraram na cozinha. Eles estavam todo de preto e um touca não me permitia ver quase nada de seus rostos. Logo Hugo me prendeu pelos pulsos e me usou como um escudo humano, andando em direção aos bandidos. Eu não tive reação nenhuma, deixei que ele me levasse sob os protestos da cozinheira, ainda não tinha processado nada do que estava acontecendo. Assim que o avistaram atrás de mim, os homens baixaram as armas.

O mais alto deles socou a mesa, parecia ser o líder.

— Porra Hugo!! Não falei que era pra você enrolar essa garota até a gente acabar!!

Ele deu de ombros.

— Vocês demoraram caralho, ela quis ir pra casa.

O chefe esfregou a cabeça e se aproximou rapidamente de nós, me pegando no braço com força. Eu fiquei com medo até de respirar. Ele me jogou pra cima de um segundo homem que torceu meu braço e ficou me prendendo de costas para ele. O primeiro homem gritou com Hugo.

— Não era pra não ter ninguém em casa hoje?!! Porra Hugo!! Primeiro a cozinheira, agora a filha do Becker. Daqui há pouco vai ser o que? A polícia?! Seu burro.

— Era pra ela estar na escola! Eu não sabia!

— Como não? você é a porra do motorista dela!

Eu tremi e senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, finalmente assimilando o que estava acontecendo. De dentro da dispensa a cozinheira não parava de fazer barulho, tentando falar. Engoli o choro e falei baixinho:

— Eu volto pra escola se vocês quiserem.

O homem riu, seguido por seus compassas. Ele se aproximou de mim, os olhos repletos de fúria. Com medo me encolhi nos braços do outro bandido que me segurava, mas ele parou no meio do caminho e fechou os olhos, respirando fundo.

Então sem mais nem menos ele deu meia volta, parando em frente a porta da dispensa, estendeu a pistola que estava em sua mão e atirou na cozinheira. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis... até não haverem mais balas na pente. O homem que me segurava cheirou meu pescoço, enquanto eu tremia a cada disparo. O silencio encheu a dispensa e o homem que disparou pareceu estar mais calmo.

— Não conseguia pensar com essa vagabunda velha gemendo. – Ele olhou pros outros dois homens. – Levem o corpo dela para o mesmo lugar dos outros.

Outros?!?! Haviam outros corpos?! Então notei — tarde demais — que não haviam seguranças quando entramos. Solucei um pouco mais alto, enquanto o bandido que me segurava acariciava meu cabelo.

— Calma, doçura. – Ele sussurrou no meu ouvido – Eu vou te proteger.

O cara pegou mais balas e recarregou o revolver. Assim que terminou, destravou e apontou na minha direção. Eu comecei a gritar e me debater. Eu quis muito ficar quieta para ele não se irritar comigo, mas os soluços saíam alto. O cara que me prendia me apertou mais em seu abraço, me mantendo na mira. Eu fechei os olhos e sussurrei.

— Por favor...

Eu não soube se eu estava pedindo para ele poupar minha vida ou me matar rapidamente. E quando abri os olhos e encarei Hugo, ele me fitava apreensivo. Meu motorista tocou levemente o braço do homem.

— Ricardo não foi este o combinado, deixa ela em paz, por favor. Ela vai ficar quieta não é Jaynet?

Eu não consegui responder, só acenei diversas vezes com a cabeça, concordando em ficar quieta.

— Você achou que ia acontecer o que trazendo a filha do Becker aqui? A gente ia trancar ela no armário e pronto? – Hugo assentiu. – Você acabou de dizer meu nome seu estupido!

Acaba com isso de uma vez. Fechei os olhos enquanto ele se aproximava. Ele acariciou meu rosto.

— Olhe pra mim.

Eu não consegui abrir meus olhos. Ouvi um barulho alto e meu rosto foi pro lado, ardendo. Ele tinha batido nele. Engoli o soluço, enquanto ouvia o homem que me segurava rir.

— ABRA A PORRA DOS OLHOS QUANDO EU FOR FALAR COM VOCÊ!! VOCÊ ENTENDEU? – Obedeci a contragosto, abrindo um olho de cada vez. – Ótimo! Jaynet Becker, não é mesmo? – Eu assenti. – Jaynet, seu pai tem uma coisa muito importante que fomos contratados para roubar. Como você já deve ter percebido, a gente não está brincando. – Ele acariciou o lado do meu rosto em que bateu. – Não era para você estar aqui, eu lamento muito que esteja passando por tudo isso. Mas já que está aqui tem uma forma de você ajudar. – Assenti, ele presseguiu — Eu quero que você me mostre cada cofre e cada esconderijo dessa mansão, tudo que seu pai esconde. E se você for boazinha, eu deixo você viver. Você pode fazer isso para a gente?

— Sim – Solucei.

— Ótimo, então vai ficar tudo bem. – Ele me pegou dos braços de seu comparsa. – É só você vir comigo.

Minha cabeça girava. Tentei me lembrar de onde havia algum cofre ou alguma coisa parecida, mas não estava conseguindo. Eles me levaram para o quarto dos meus pais, vasculhando tudo enquanto eu pensava, quebrando vasos e retirando os quadros. Hugo os seguia de longe em silencio e não os ajudava, estava nitidamente apreensivo. Quanto mais eles ficavam impacientes, mais eu ficava nervosa e menos eu conseguia lembrar. Ele chegou perto de mim e sussurrou no meu ouvido.

— Por favor Jaynet, coopera com eles. Qualquer coisa, você deve saber de alguma coisa, tente se lembrar.

Eu respirei fundo e olhei pro banheiro da suíte, me sentindo mais aliviada.

— Tem um cofre atrás do espelho do banheiro. – Ricardo não pareceu muito satisfeito. Tentei me lembrar de mais coisas – Tem um dispositivo em baixo que mostra o cofre, mas eu não sei a senha... não sei a senha do cofre também.

Ricardo me analisou por um tempo e afagou o topo da minha cabeça como se eu fosse um cachorro, e sorriu tirando um maçarico e uma marreta pesada de uma bolsa. Ele analisou o dispositivo, e quando não conseguiu entender como funcionava quebrou o espelho e sua estrutura com a marreta, e achou o cofre. Quando terminou de quebrar tudo ele estava suado e ofegante. Secou o suor da testa e fitou Hugo.

— Você poderia ter ajudado, não? Isso vai ser descontado do valor que você vai receber.

Eu fitei o rapaz alto, loiro e forte com tristeza. Hugo não tinha mais de 23 anos, mas trabalhava pro meu pai desde os 15, quando ele vagava pelas ruas e meu pai o acolheu, oferecendo um salário generoso e moradia em nossa própria casa. Meu pai ensinava diversas coisas a ele sobre ciência em suas horas vagas, e estava pensando em botar ele no instituto quando eu tirasse minha carteira de motorista esse ano. Seus olhos castanhos encontraram os meus e ele desviou o olhar. Eu me enchi de raiva, meu pai o considerava como um filho e ele havia vendido nossa família.

— Quanto você vai ganhar por isso Hugo? – Os homens me fitaram. – Você era um filho pro meu pai, um filho!!! Seja quanto for, você sabe que poderia ganhar o triplo com ele. Ele ia te levar pro instituto seu cretino!

Ele arregalou os olhos surpreso e pareceu um pouco arrependido. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa os dois homens que haviam levado o corpo da cozinheira chegaram com os rostos descobertos e seus corpos repletos de sangue. Eles eram asiáticos gêmeos e aparentavam ter algo em torno dos 30 anos. Ricardo pegou um dos escombros do espelho e lançou em direção a eles, quase acertando a cabeça de um.

— Vocês são idiotas!? Cadê a touca de vocês? – Eles deram de ombros – Porra Shao e Shen!

— Estava muito suja de sangue, a gente mal conseguia enxergar.

— Talvez pelo olhinho de japones menor que o cu de vocês! – Falou o homem que me segurava tirando a touca.

Ele me virou para que eu o olhasse. Era um pouco mais velho, tinha o cabelo preto e a cabeça raspada, feições fortes, os olhos bem negros.

— Já que os dois dementes se revelaram, eu sou Marcos. É um grande prazer conhece-la, será ainda mais quando puder meter em você. – Ele me abraçou de frente para que eu pudesse sentir sua ereção. Tentei afastá-lo. – Não vejo a hora.

— Marcos!! Larga essa merda dessa garota e me ajuda.

Marcos me entregou para Hugo e ajudou Ricardo que segurava um maçarico. Logo os outros dois estavam envolvidos com o cofre também. Hugo me abraçou por trás e começou a brincar com o meu pescoço, enquanto falava comigo numa altura que só nós dois poderíamos ouvir.

— Jaynet, esses caras não vão deixar você sair daqui Ilesa, você entendeu? Se entendeu acene com a cabeça. – Eu acenei discretamente. – Eu quero te tirar daqui, entendeu? – Acenei de novo. Um dos homens se virou, Hugo voltou a brincar com meu pescoço disfarçando. – Quando estiver pronta eu vou te soltar Jaynet e eu quero que você corra o mais rápido que puder pra garagem. Pegue o carro e entre nele e vá embora, não olhe pra trás, entendeu? – Confirmei. Senti ele botando um objeto na minha mão, tateei e era a chave do carro. – Você não deve pagar pelo meu erro. Quando estiver pronta acene com a cabeça de novo.

Marcos se virou e Hugo beijou meu pescoço aspirando meu cheiro. Ele voltou a fitar o cofre, mas Hugo continuou com as carícias perdido em seus pensamentos. Ele suspirou.

— Eu sempre quis você Jaynet, sempre te desejei mais que tudo. Achei que se eu tivesse muito dinheiro, um dia você olharia para mim e acabei traindo seu pai. Sempre desejei beijar seu pescoço como estou fazendo agora, e fazer amor com você todos os dias, só com você. Eu devia ter te prendido no carro até eles irem embora, mas você saiu tão rápido! – Eu não sabia o que dizer. Senti ele sacudir a cabeça. – Não importa, logo você vai estar livre meu amor. Estou esperando você ficar pronta.

Eu queria correr como ele mandou, mas meus pés estavam estacados no chão. Enquanto os homens abriam o cofre a força, ele ficou um tempo acariciando meu cabelo e sussurrando que tudo ia ficar bem, para que eu me acalmasse. Depois de muito tempo eu consegui ficar mais calma, no entanto não tinha certeza se seria suficiente.

— Jaynet eles estão acabando, você precisa fugir agora. Eu vou atrasar eles, prometo. Mas precisa ser agora.

— Estou com tanto medo. – Confessei sentindo minhas pernas tremerem.

— Eu sei meu amor, mas você precisa tentar.

Eu respirei fundo, conferindo a chave do carro com os dedos. Eu queria tanto ir embora, fingir que nada disso aconteceu. Tomei outro fôlego mais rápido criando coragem.

— Pode me soltar.

Assim que ele me soltou tudo aconteceu muito rápido: Eu corri como ele havia dito e não olhei para trás, nem quando ouvi gritos e passos. Nem mesmo ao ouvir o som de vários tiros, eu parei. Passei pela sala pulando os objetos no chão, esperando eu cair sangrando, esperando qualquer dor que não veio. Cheguei ao carro com o coração a mil e destravei o alarme, as mãos tremendo, os olhos embaçados. Assim que abri a porta do meu Corolla preto senti um forte baque na cabeça. Eu gritei enquanto alguém me agarrava, minha cabeça ficou pesada e tudo escureceu.

Acordei muito tempo depois, com uma mordaça na boca e amarrada a uma cadeira na cozinha. Sentado a minha frente estava Hugo. Seu corpo todo sangrava e ele não parecia estar respirando. Então me dei conta que os tiros que eu ouvi foram para ele e não para mim. Ricardo andava de um lado pro outro gritando com alguém no telefone, enquanto os outros três quebravam os armários da cozinha e o chão, procurando pelo que vieram buscar. Um dos asiáticos parou de “trabalhar” e pareceu chateado.

— Não tem nada na casa porra!! Não vamos ganhar o dinheiro.

Marcos parou o que estava fazendo..

— A gente pode pedir o resgate dela. – Ele olhou pra mim e sorriu. – Acordou bela adormecida!

Ricardo desligou o telefone e me desamarrou. Ele pegou uma faca que achou no chão e cortou a mordaça, apontando o objeto para o meu pescoço. Ele estava furioso.

— Que bom que acordou! Você vai vir comigo!! – Ele mudou de posição, ficando atrás de mim com a faca na minha garganta. – E vai me mostrar a casa toda. E agora quem sabe, eu disse quem sabe, eu deixe você viver. Ninguém mandou você tentar fugir! O Shen teve que pular a janela para te alcançar, ele podia ter quebrado uma perna. – Ele cortou meu braço direito e voltou a faca para onde estava. Eu gritei – Você é traiçoeira que nem o Hugo ali, não tem um pingo de consideração. Mas agora eu não vou ter consideração por você também.

Ele caminhou comigo pela casa toda, segurando diretamente pelo ferimento que ele fez. Eu gemia cada vez que ele mudava de pressão, impedindo o sangue de estancar. Mostrei vários esconderijos, cofres, mas nenhum tinha o que eles vieram procurar. Eu já estava cansada quando ele me fez parar em frente a uma porta. Ele me encarou numa pergunta silenciosa:

— É o meu quarto. – Respondi me sentindo tonta. Minha voz era um sussurro fraco. – Não tem nada aí. Eu não sei o que vocês querem, mas não tem mais nada em lugar nenhum. – Encarei seus olhos, sentindo os meus marejarem. – Por favor Ricardo, por favor, me deixa ir embora... Eu não conto a ninguém seus nomes, eu juro.

— Não! Não vou sair de mãos abanando – Ele abriu a porta do meu quarto. – Vamos pedir seu resgate.

Os outros homens que estavam sem esperança comemoraram eufóricos. Ricardo olhou para eles e trancou a porta, ficando a sós comigo. Ele deu uma assobiada enquanto subia pro segundo andar, parando de frente para a cama. Ele baixou a faca e me virou de frente para ele.

— Isso é um quarto ou uma segunda casa? – Ele se aproximou do meu rosto, beijando a ponta do meu nariz – Você tem quantos anos Jaynet?

— 16.

Senti um frio na espinha. Engoli em seco enquanto ele me examinava, seus olhos com um brilho que eu não consegui identificar. Ele depositou a faca no criado mudo e sacou a arma da cintura, se sentando na beira da cama. Apontou a arma para mim.

— Estou muito estressado, Jaynet. Enquanto meus rapazes planejam seu sequestro quero que faça uma massagem em mim. – Ordenou com a voz baixa e rouca. Ele puxou meu braço, me fazendo sentar atrás dele. Pôs a mão no meu ombro – Pode começar. – Ele me mostrou a arma. – E nem pense em fugir de novo.

Em silencio toquei seu ombro, repleta de medo. Sentindo uma ânsia de vômito, comecei a massagear ali, em movimentos circulares. Ele pareceu relaxar um pouco. Mas logo me afastou e tirou a camisa. Depois ordenou que eu continuasse.

— Suas mãos são tão macias. – Sussurrou com a voz rouca e os olhos fechados. – E seu cheiro é maravilhoso. Agora entendo o que Hugo viu em você. – Ele pegou minhas mãos e passou por todo seu peitoral. Arregalei os olhos. – Você é tão linda, deixa qualquer um louco.

Fiquei desesperada com o rumo que isso estava tomando. Olhei para a janela pensando em pular, mas ele me agarrou e me prendeu nos seus braços com força. Tomou meus lábios, forçando passagem com a língua. Eu não senti nada, só nojo e desespero. Solucei enquanto ele gemia e se esfregava em mim. Quando ele se afastou estava ofegante.

— Adoro quando me olha assim, cheia de medo. – Ele apontou a arma. – Tire a blusa. – Eu não me movi. – MANDEI TIRAR A BLUSA.

Obedeci, engolindo todo meu orgulho tirei a blusa. O bandido pegou a faca e cortou meu outro braço, mostrando o que aconteceria se eu não obedecesse. Depois que parei de gritar, ordenou que eu tirasse a saia também. Solucei, abrindo o zíper e tirando a peça cheia de medo. Ele me fitou aparentemente satisfeito com a visão e foi até o meu closet. Eu não consegui me mover, só chorar. Quando ele voltou, tinha alguns panos na mão. Ricardo me jogou na minha cama e amarrou meus braços e pulsos de forma que eu não pudesse me mexer. Depois ele retirou a calça e ameaçou retirar a cueca na minha frente. Eu fechei os olhos, horrorizada.

— Olhe para mim.

Neguei com a cabeça. Eu nunca tinha visto nenhum homem nu, nem mesmo meu namorado Brad, no máximo rolava umas mãos bobas. Fiquei pensando na proporção do que estava prestes a acontecer, e gemi de nojo. Antes eu tivesse me entregado a Brad do que perder a virgindade dessa forma.

Gritei de susto e de dor quando ele atirou de raspão na minha perna, abrindo os olhos rapidamente. Fiquei me debatendo em pânico mas não consegui sair.

— Por favor!! Me deixa sair por favor!

Dessa vez ele quem negou com a cabeça, retirando a cueca e me mostrando seu membro grande, feio e duro. Ele ficou alisando seu pau enquanto me fitava de calcinha e sutiã.

— Como você é gostosa! Se você ficar quietinha eu prometo que vai ser bom para nós dois...

Revirei os olhos, gritando a plenos pulmões. Sorrindo ele deitou sobre mim e beijou meu pescoço, alisando minhas coxas e apoiando o cotovelo na cama. Procurou minha boca porém eu trinquei os dentes. Então ele pegou a faca a fez um corte na minha barriga. Eu mantive a boca fechada, então ele continuou me cortando até que eu não aguentai a dor e deixei que ele me beijasse logo. A essa altura eu já estava rouca de tanto gritar.

Com a faca ele cortou o sutiã, arfando ao ver meus seios expostos. Ele os tocou e lambeu, então os mordeu com força. Quando eu gritei ele cortou minha calcinha se posicionou mais perto de mim, roçando seu membro imundo na minha entrada. Eu solucei alto, chorando muito mais forte.

— Chora Jaynet, chora muito, isso só me excita mais.

— Me mate, por favor. – Implorei. — Depois você faz o que quiser com o meu corpo, só me mata primeiro. Eu não quero viver e ter que passar por isso.

— E perder você gritando no meu ouvido? – Ele tocou meu clitóris, esfregando o polegar nele. – Não mesmo querida, quero você bem consciente. Ou você colabora ou vai doer o triplo.

Eu estava fraca, ferida e amarrada. Num último esforço para que ele me matasse, fingi que ia beijar o pescoço dele e ele chegou mais perto. Quando se aproximou suficiente eu cravei meus dentes nela e puxei com toda minha força, arrancando ela da cabeça. Ele gritou bem alto e se levantou num pulo.

E então quando percebeu o que eu fiz meu torturador largou a faca e começou a socar meu rosto com o punho fechado e toda a força. Gritando, carregado de ódio. Ele subiu na cama e passou a me chutar na cabeça pelo que pareceu uma eternidade.

Esperei a morte chegar. Não teve luz, não teve nada. Apenas o som de sirenes bem longe, enquanto minha visão escurecia pela última vez.

— JAYNET!!! JAYNET!!!

Pai. Me deixa dormir, estou tão cansada...

— ACORDA PELO AMOR DE DEUS!! FILHA POR FAVOR!!

Eu não entendi por que meu pai estava gritando comigo, mas obedeci abrindo os olhos e fitando seu rosto encharcado. Ele estava ajoelhado, soluçando muito com algo nos braços. Ao longe minha mãe gritava enquanto dois enfermeiros tentavam imobilizá-la para aplicar uma injeção. Meu quarto inteiro estava lotado de policiais e enfermeiros. Fitei o andar de baixo pela sacada e também estavam lotados de pessoas armadas. Tremi, sentindo um pânico por ver o objeto de metal por algum motivo, mas me senti confusa demais para me lembrar. Eles imobilizaram um homem e o jogaram dentro de uma viatura.

— Jaynet!! – Meu pai soluçou muito alto, chamando minha atenção. Ele se virou pra um policial, estava muito alterado. – Achem esses homens, nem que seja no inferno, achem quem fez mal para ela!! Eu pago tudo que vocês quiserem, só achem esses bandidos.

— Pai, está tudo bem. Estou bem, deixa isso para lá – Tentei tocar seu ombro e não consegui, minha mão o ultrapassou. – Eu só quero descansar.

Ele não pareceu me ouvir. Fitei bem minhas mãos e elas estavam normais, mas quando eu olhei pro que ele segurava, quase desmaiei. Nos seus braços, havia uma cópia exata de mim. Uma cópia cheia de sangue e hematomas roxos mas era eu. Ele agitava minha cópia e ela se mexia como uma boneca de pano. Um médico tocou o ombro do meu pai, que apertou a boneca com mais força.

— Senhor Becker, sinto muito pela sua perda. Mas precisamos leva-la. O senhor quer que a gente chame alguém pra cuidar da papelada.

Eu arfei com o termo perda, finalmente compreendendo. Me lembrei dos assaltantes de tudo que eu havia passado e me desesperei. Eu estava morta! Mas por que eu continuava ali?! Cadê o céu? Eu não deveria ir pra algum lugar? Pisquei confusa e tentei agarrar meu pai pelos ombros, falhando.

— Pai por favor, não deixa eles me levarem! Não deixa eles me levarem!

Meu pai se ergueu com meu corpo no colo, se afastando do médico com e os enfermeiros com a maca.

— Ninguém vai levar ela para lugar nenhum!

Comemorei. Ele podia me ouvir!!

Entretanto ele pegou o celular e discou um número. Uma centelha de esperança surgiu por seu rosto.

— Jenna, prepare uma câmara de criogenia e desça para o meu laboratório, preciso congelar um novo corpo. – Ele andou comigo porta a fora ignorando os paramédicos muito pálido. – Sim, Nitrogênio em 196 graus negativos. Estarei aí em meia hora. – Ele soluçou. – Coloque o nome de Jaynet Becker. Sim Jenna porra, minha filha!!! Ela morreu... – Meu pai caiu no chão comigo nos braços, assimilando o que tinha acontecido. Beijou minha testa – Eu vou te trazer de voltar querida, espere por mi

Notas finais
Gente que tenso! No próximo capitulo Jaynet e Jason vão chegar na mansão do Roosevelt, nem sei se vcs lembram (já faz 84 anos...) mas é pra lá que eles estavam indo kkkkkk... Até agosto ♥