Era uma manhã fria de inverno, e o mal tempo estava no seu auge e , por isso, estavamos nós dois naquela casa, acomodados em frente a lareira, eu deitado no chão e ela no sofá.

Não havia nada entre nós, eramos apenas amigos, ou melhor, conhecidos, e por coincidênica (ou obra do destino, como quiser chamar) acabamos naquele cômodo observando aquelas chamas de um fogo vivo. Não lembro o por quê de nos encontrarmos naquele dia, mas não importa, já faz muito tempo desde que a vi pela última vez naquela pequena cabana, o que seriam? 15 anos? Já nem lembro...

Silêncio, era o que se escutava na casa, não um silêncio sepulcral, de cemitério, mas um silêncio incomodo e um silêncio profundo que só um grande observador conseguiria distinguir. O som que as chamas produziam conseguia esconder o silêncio incomodo, mas não o silêncio profundo, pois ele vinha do fundo daquela minha alma juvenil, da falta de algo... ou alguém.

Já fazia um tempo que estava encarando o fogo, observando as imagens que aquela coisa "viva" produzia e perdido em meus pensamentos. Foi então que senti, primeiro uma leve mão pousar em meu ombro, não forte o suficiente para ser brusco e nem fraco para demonstrar timidez, depois veio a sensação de proximidade acompanhado do leve hálito na minha nuca e com ela uma suave voz, sentia como se nunca tivesse ouvido aquela voz, mesmo que a houvesse escutado diversas vezes, mas desta vez era diferente, era perversa, profana, suave e sagrada, insinuando desejos carnais.

O que ela disse não era importante, mas aquela voz despertou em mim uma euforia que nem eu suspeitava guardar. Me virei para observar a fonte daquelas palavras. Ela estava próxima, muito próxima, conseguia ver cada detalhe de seu rosto, me surpreendi com o que não havia notado até aquele momento. Ela era linda, olhos cor-de-mel, cabelos pretos lisos que se acomodavam levemente no ombro, um tom de pele claro, não fantasmagórico, mas sutil, e uns labios vermelhos que me convidavam a beijá-los. E o corpo acompanhava com orgulho o belo rosto. Tinha um busto firme e na medida certa, e umas pernas descobertas que não me faziam mais nada do que querer desejá-la ainda mais.

Com um beijo longo e apaixonado puxei-a pela cintura até ela se acomodar em cima das minhas pernas, com movimentos rápidos e precisos nos despimos, como se tivessemos feito isso diversas vezes, como se tivessemos praticado, entendia cada movimento, cada ação era correspondida, dançamos e lutamos aos olhos das chamas por várias horas, e junto com o fogo formamos um cenário eufórico, belo. Ela em cima de mim produzia movimentos tão hipnotizantes como os que havia admirado anteriormente naquela fogueira.

Exausto por nossa dança adormeci, por não mais que 5 minutos, 5 longos minutos. Ao acordar não a vi mais, procurei pela casa deseperadamente, mas não havia mais ninguém alí. Voltei a me sentar em frente à lareira.

Silêncio, era o que se escutava na casa, um silêncio incomodo e profundo.

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