Renesmee

Encarei a janela à frente. Outono... O mês em que as folhas caem das árvores e que é o primeiro passo para uma nova geração de lindas folhas, flores, frutos...


– EDWARD EU VOU TE MATAR! — Dei um pulo e logo acordei dos meus devaneios. Era a fina voz de minha serena – ou nem tanto – mãe. Gritando com quem? Meu pai.


– Renesmee está ouvindo. – Ouvi um sussurro em resposta. Com essa gritaria também, que ser vivo não despertaria?


– Ouvi isso e é melhor vocês continuarem brigando e fingindo que eu não estou aqui. – Falei abrindo a porta do meu quarto e batendo-a em seguida. Logo desci para tomar café.


– Amor? Já acordou? — Ouvi uma pergunta idiota. Gosto muito deles, mas nos dias de mau humor eu só falo grosserias, enfim; respondi obviamente:


– Francamente, com essa gritaria já rotineira, que ser vivo que dorme não acordaria? E eu principalmente! Mas, já tinha acordado fazia uns cinco minutos. — Falei dando de ombros. – Por que essa discussão banal chegou à esse ponto? — Mordi um pedaço da maçã na minha mão, que acabara de pegar em cima da mesa.


– Por que seu pai acha que temos que fazer uma festa titular, com o tema de “União em Família” e quer convidar a família Denali e os Volturis... Santo Cristo, nem sei que companhia é pior. — Mamãe falou profundamente enraivecida.


– Bella... – Papai tentou argumentar. Tarde demais.


– Me deixe em paz Edward! – Mamãe respondeu rude, com os braços cruzados.


– Hey, opinem em não fazer nada! Não parece que somos uma família unida. — Sorri e pude jurar, que se mamãe fosse humana ficaria vermelha agora.


– Renesmee Cullen! Você não pode se colocar nessa situação... – Choramingou.


– Mãe quer saber, desde que descobrimos que eu tinha essa doença, você fez o favor de me tratar como uma boneca de porcelana, que se cair, quebra! Eu tenho câncer de sangue, e não câncer de convivência, eu vou sobreviver perto de má companhia, até porque o que vem de baixo não me atinge, e agora, não estou a fim de discutir com você por que sei que será inútil. Façam a sua festa, mas se continuarem brigando, farei questão em não ir. — Balancei a cabeça em negação.


– RENESMEE! — Mamãe gritou.


– Eu vou para a escola mãe, se você não percebeu lá não irei morrer. – Revirei os olhos.


– Mas é só uma questão de tempo. – Sussurrou com a voz melancólica.


– Mas sei que esse tempo não será agora. Se me amam mesmo vão parar de pensar nesse tempo, e aprender a aproveitar o que estão passando comigo agora. — Falei em um fio de voz. Recebi dois abraços.


– Desculpe meu amor. Acho que eu fui má com seu pai e injusta com você. — Arqueei uma sobrancelha. — Ok, muito estressada, paranoica e meio malvada.


– Tudo bem, deixa a garota sair Bells. – Papai riu.


– Na verdade, aproveitando o tempo, me deu vontade de comprar. Hoje posso matar aula e fazer alguma coisa com a tia Alice? – Fiz aquela carinha de Gato de Botas do Shrek, que só eu faço.


– Matar aula para ir ao shopping? Quanta boa influência. Tudo bem, mas amanhã eu quero você com a cara nos livros. – Mamãe disse forçando um sorriso sem muito sucesso.


– Tudo bem — Ri.


– Literalmente Senhorita Renesmee. – Papai acompanhou-a.


– Certo pai! – Gargalhei. — Hey, deixem-me ir correndo? – Pedi com a minha carinha.


– Pode! – Mamãe concordou comigo pela primeira vez em algo.


– Não! Eu pego o carro. — Papai repreendeu.


– Por favor! Deixem-me correr um pouco, já faz tempo que sou proibida disso. – Era verdade. Sentir o vento nos cabelos era a melhor sensação que já senti. Ninguém me fazia sentir liberta, e eu estava exausta dessa mesmice de sempre.


– Certo, mas eu te acompanho. – Papai pediu.


– E eu...


Revirei os olhos, saímos. Mamãe trancou a porta da cabana.


– Vamos apostar corrida? 1, 2... – Não deixei o papai e a mamãe terminarem e saí disparada na frente. E tenho ótimas vantagens, por que sou rapidíssima como meu pai é, e talvez até mais.


– Vá sonhando Nessie. — Ele gritou de trás rindo dos meus pensamentos.


Apertei o passo e corri em direção à casa da vovó Esme. Não demoraria mais que um minuto a viagem.


Depois de uns cinqüenta segundos de super velocidade, chegamos até a casa do resto da família.


Nem bati na porta por que Alice Cullen já estava lá.


– Tia! Então, como eu fui dessa vez? – Perguntei animadíssima.


– Seu recorde! E sinto-me honrada de poder ir ao shopping com você por sua própria vontade. — Ela chacoalhou os braços para cima como se fosse algo raro.


– Essa é minha sobrinha! Deixou a tartaruga e o caracol para trás e veio ver o tio mais lindo do mundo. — Tio Emm sorriu.


– Oi pra você também tio Emmett...


– Nessie! Ah me deixem chegar perto dela! — Tia Rose se agarrou a mim e me deu um beijinho estalado no rosto. — Espero também estar convidada para o shopping também...


– E está. Não se preocupe viu?


– Ótimo. Bellinha! Edward! — Ela saiu para ver meus pais.


– Tio Jasper! — O abracei.


– Finalmente esses loucos te deixaram respirar. Como acordou?


– Com gritos. — Falei e ele apenas riu.


– Oi meu amor. — Vovó Esme sorriu. Abracei o vovô também.


– Pelo visto tudo gira em torno da minha filha. Oi pai e mãe. — Papai fez cara de dramático.


– Oi anjinho. — Eles falaram juntos.


– Falaram da festa para a Nessie? — Tio Jazz perguntou. – E dos convidados?

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