Notas iniciais
Espero que gostem pelo menos desse comecinho, toda opinião e crítica construtiva é bem-vinda!!

Isabella POV.

Outra manhã fria em Nova York. Outro dia acordando cedo. Ser atriz tem lá suas desvantagens, ainda mais ser uma atriz pouco – ou nada – conhecida que vive fazendo teste para figuração ou protagonista de longas-metragens independentes, na esperança de que consiga alguma coisa que me levará ao estrelato.

- Número 256? – uma mulher com megafone chamou. Olhei para baixo e em meu casaco estava o tal número.

- Aqui. – ajeitei minha bolsa e coloquei os papéis do roteiro que eu estava ensaiando e dei um último gole no meu chocolate quente antes de jogá-lo na lixeira perto da porta em que a mulher entrou.

- Sente-se nesta cadeira, irei te fazer algumas perguntas básicas relacionadas ao papel que você se inscreveu então você será liberada para outra sala e irá esperar para ser chamada novamente, ok? – ela indicou a cadeira e falou tudo rapidamente. Eu apenas assenti e me sentei desajeitadamente.

Ela me fez perguntas pessoais, como porque eu decidi ser atriz, o que eu pretendia ao seguir aquela carreira, quantos anos eu tinha, se eu tinha alergia a alguma coisa, meu peso e se eu tinha problema em fazer cenas intimas. Depois ela passou para perguntas sobre o que eu achava do roteiro do filme, da personagem que eu queria interpretar e etc.

Quando tudo terminou, ela me deu boa sorte e disse que eu deveria esperar umas três horas para saber o resultado do teste. Encaminhei-me até a grande sala que mais parecia um refeitório de escola e me sentei em uma das únicas mesas que estavam desocupadas. Porque eu quis ser atriz mesmo? Acordei as 5h30 da manhã e cheguei ao local do casting às 6h para pegar a ficha 256, esperei mais de quatro horas na fila entre idas ao banheiro, Starbucks e pessoas me perguntando a hora, para ficar meia hora fazendo entrevista e esperar mais três para o resultado.

Uma da tarde o resultado saiu: eu passei para a próxima fase de seleção, em que 45% das pessoas que fizeram a primeira fase passaram. Eu fui a nonagésima atriz a ser chamada, então tinham noventa pessoas na minha frente, o que significava mais algumas horas esperando. Por fim, saí do local do casting depois das sete da noite, esgotadíssima e com vontade de beber.

Passei pelas três fases do casting: entrevista, caracterização e ‘química’ com as câmeras e atuação. O que acontece e acaba sendo o pior de tudo nessa jornada de querer ser atriz é o tempo de espera para saber se foi selecionada: alguns demoram mais de um mês.

Fui até o pub de um amigo meu – outro ator fracassado que resolveu realmente ganhar dinheiro – que era um lugar escondido, ótimo para quem gosta de privacidade e que às vezes recebia celebridades. O negócio dele ia de vento em popa e ele até me convidou para trabalhar lá quando eu contei certa vez que precisava de dinheiro, mas aquele não era o meu sonho. Eu queria ser conhecida, fazer a diferença na vida de alguém e ajudar a minha família como alguns famosos que eu conheço.

- Bella minha flor, quanto tempo você não aparecia! – Spencer, meu amigo, disse.

- Muito! Estava com saudades! – abracei-o por cima do bar.

- Como anda a vida de atriz? – ele riu zombeteiro. Eu revirei os olhos. Ele sabia que eu não tinha conseguido nada importante porque nós tínhamos um pacto de contar se rolasse uma oportunidade para nós. Acontece que ele tinha desistido de ser ator, mas o pacto continuava.

- Estou desde cedo na rua, saí agorinha de um casting. Passei pelas três primeiras fases, agora é esperar o resultado.

- Ah, então de repente você consegue essa!! – ele disse notavelmente fingindo empolgação. Talvez por isso sua carreira de ator não deu certo: ele não sabe fingir bem. E nós dois sabemos que eu tinha menos de 50% de chances de ser selecionada.

- Vou torcer para que sim. – murmurei com um sorriso. – agora, você poderia, por favor, me dar uma Scarlet com Patrick?

- Boa escolha garota. – ele piscou.

Spencer é gay. E o bar dele é todo inspirado em cinema e estrelas de cinema, o que fez com que a brilhante mente dele renomeasse os drinks de acordo com os atores que ele gostava/admirava.

Ele me serviu o drink e foi atender outro cliente. O bar era meio escuro, com luzes neon nas prateleiras das bebidas, o que fazia com que elas se destacassem. Tinha um enorme balcão de uns 6 ou 7 metros para preparar drinks e servir os clientes, onde eu estava. Em volta tinha várias mesas encostadas às paredes, como em uma típica lanchonete americana e em outro local bem iluminado do bar tinha uma junke box, que tinha os melhores sucessos do cinema como trilha. Também tinha uma pequena pista de dança e um globo ali. Era tudo bem organizado e planejado, a decoração tinha como tema os filmes de Hollywood e seus personagens marcantes.

- Cliente especial quer um lugar no bar pouco visível. – uma atendente gritou. Ela estava com o telefone na mão.

- Providencie isso, Jesse. – Spencer disse seriamente. Ele veio até onde eu estava e tomou um gole do meu drink. – agora estou nervoso. Sempre que vem um cliente especial tenho que ter o melhor. Geralmente são celebridades ou jogadores que querem tratamento especial e gastam bastante aqui. Vou coloca-lo ao seu lado, você pegou o melhor lugar safadinha.

Eu apenas ri. O bar não estava cheio quando eu cheguei e agora começava a receber clientes realmente. Spencer saiu de novo e dessa vez não voltou até o tal cliente especial chegar.

O cara estava de boné e óculos às oito e meia da noite, sem contar que a gola de seu casaco estava erguida. Eu tive que rir disso.

- Do que está rindo? – ele perguntou depois de pedir cerveja, escondendo o rosto. Sua voz era bonita e máscula, desejei poder ver seu rosto melhor.

- Achei engraçado você estar de boné e óculos de sol essa hora, sabe, não tem mais sol e bem, aqui dentro não é preciso. – falei o óbvio.

- Nem todo mundo pode sair mostrando a cara por aí. – ele disse bufando. Dei de ombros.

- Você é fugitivo da polícia por acaso? – depois que falei me arrependi. Eu podia estar estragando o negócio do meu amigo. Que idiota.

Mas ao contrário do que eu pensava, ele riu.

- Posso dizer que sou um fugitivo da vida real, sabe? Minha vida real é meio sufocante.

- Por quê? – de repente fiquei interessada no assunto.

- Se eu contar terei que te matar. – ele disse baixinho se inclinando para ficar perto. Eu não aguentei e puxei seus óculos e baixei a gola do casaco. – hei! – ele protestou.

- Desculpe, sou curiosa. – ele se virou para o meu lado, assim ficou de costas para o resto do bar e eu pude ver com clareza seu rosto. — Oh! Olá! – exclamei.

- Você parece surpresa...

- E estou. Nunca esperei encontrar Edward Masen em um bar.

- Tecnicamente é um pub. E não entendo porque você não poderia me encontrar aqui, eu venho sempre.

- Mas eu não, então tenho o direito de estar surpresa.

- Ok. Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu... Como posso chama-la?

- Bella Swan, atriz fracassada. – estendi minha mão para ele, que a pegou rindo.

- Edward Masen, guitarrista da banda Foursome*. – revirei os olhos soltando sua mão. Óbvio que eu sabia quem ele era. – mas então, Bella é nome ou apelido?

- Apelido para Isabella.

E de repente nós entramos em uma conversa sobre minha vida de atriz fracassada e a vida dele de integrante de uma banda bem sucedida. Ele me tirou para dançar ao som de Creedence Clearwater Revival e devo admitir que foi uma das melhores noites que eu tive em muito tempo.

Nós saímos juntos do bar depois das duas da madrugada, rindo e conversando sobre coisas aleatórias, ele se ofereceu para me levar para casa e eu quase recusei por ser um pouco longe, mas ele insistiu e eu concordei.

Ao chegar a meu pequeno prédio alguns minutos depois, ele ficou quieto e não me disse tchau. Eu não soube o que fazer e encarei aquilo como se fosse normal de uma celebridade fazer então saí do carro. Dois segundos depois ele tinha saído também e vinha para o meu lado.

- Olha Bella, eu não sei como te dizer isso, mas eu te conheço a algumas horas, muito mais tempo do que eu já passei com qualquer outra mulher sem ser no trabalho...

- Edward, o que você está pensando? – falei com espanto.

- Calma, é só que: eu tenho várias coisas para fazer, compromissos com a banda e tudo o mais e agora a empresa que meio que nos gerencia, cuida da imagem e tudo o mais insistiu que eu devo arranjar uma namorada, só que eu não tenho tempo e também não conheço ninguém que valha a pena.

- Edward...

- Para de me interromper, você já vai entender! – ele ralhou. – olha só: você é atriz e precisa de emprego e eu sou uma pessoa que precisa arranjar uma namorada nem que seja de mentira! Entendeu?

Fiquei confusa, realmente não entendi onde ele queria chegar.

- Ai Bella, espera aqui, vou estacionar o carro direito e entramos no seu apartamento, pode ser? Vai ser uma conversa longa e eu estou com frio.

Ele foi e voltou rapidamente enquanto eu não me mexi sequer um centímetro, embasbacada. Edward praticamente me puxou até meu apartamento e só parou para me perguntar quantos lances de escada deveria subir, o número do meu apartamento e onde estava a chave.

Quando dei por mim estava sentada em minha cama com ele a minha frente, sentado na cadeira que tinha ali por perto. Meu apartamento era a definição de pequeno: tinha um banheiro no fundo, uma sala com o quarto junto e a cozinha separada por uma espécie de mesa americana. Aquilo nunca me incomodou, mas ter uma celebridade nele – mesmo que eu realmente não ligasse para o fato de ele ser conhecido – me fazia ter um pouco de vergonha, já que pela falta de espaço tudo ficava meio revirado.

- Ei, você está me ouvindo? – ele perguntou batendo palmas a minha frente, como se quisesse me tirar de um transe.

- Calma. – respirei e inspirei durante alguns segundos. – ok, começa de novo.

- Meus agentes querem que eu tenha uma namorada porque todos na banda tem e eu sou o único solteiro, aí fico com uma reputação ruim, não que eu me importe, mas eles se importam... Então eu saí esses últimos dias para tentar conhecer pessoas, mas todas as mulheres que me viam ficavam em estado de êxtase e tentavam me agradar de alguma forma e eu não gostei disso. Mas você foi diferente, foi o melhor encontro que já tive em muito tempo e nós conversamos sobre nossas vidas, o que foi legal. E você é atriz, o que me deu uma ideia ótima!

Eu ri da empolgação dele que na hora que disse ótima levantou em um pulo e começou a andar pelo meu apartamento.

- Que ideia? – tive a impressão de que se não perguntasse nunca saberia, já que ele tinha entrado em seu estado de satisfação.

- Eu poderia te contratar para ser minha namorada de mentira. É como ser uma atriz: você vai lá e finge ser uma coisa que não é, e ganha para isso! E além do mais, você vai ter muito mais oportunidades de papéis para filmes e tal se aparecer comigo por aí. – ele piscou em minha direção e parou de andar, esperando minha reação.

Eu quis aceitar na hora, mas fingi pensar e acabei pensando. Eu sempre quis ser famosa, ter dinheiro e ajudar minha família que mora em Forks, Washington... No momento, por causa da minha falta de emprego, eu não posso ajuda-los (mal posso me ajudar na verdade), mas não desisto. Então que mal teria ser um pouco conhecida, ganhar para atuar ao lado de um gato famoso e talvez conseguir um papel melhor por aí?

- Tá, eu aceito. Preciso mesmo ganhar uma grana. – falei, levantando e indo em sua direção com a mão estendida para fechar o acordo.

Ele apertou minha mão firmemente, com um sorriso.

- Amanhã alguém irá entrar em contato com você durante o dia, eu vou explicar o que aconteceu aos meus agenciadores e tudo o mais. Já existem rumores de que eu estou procurando uma pretendente, então se nós sairmos essa semana vão saber que eu tenho alguém. Daqui uma semana é o premio e você vai me acompanhar, vai ganhar roupas legais, alguém fará cabelo e maquiagem... Você tem que andar sempre bem arrumada, entende? Todos vão cuidar o que você veste, o que você diz, como você anda, é como se você fosse famosa.

Assenti durante todo o seu discurso, tentando não demonstrar meu nervosismo. Onde diabos eu me meti?

- Ok. Acho que eu deveria comprar roupas novas então, sabe? Tipo de menininha, porque eu não sou muito arrumada. – sentei pesadamente em minha cama.

- Ah Bella, você não precisa se arrumar um monte, você pode colocar camiseta de banda, calça rasgada, essas coisas: o negócio é ter estilo, sabe? Personalidade. Pra ninguém questionar o que eu estou fazendo com você.

Pensei um pouco.

- Bem, acho que isso eu tenho.

- Então já é meio caminho andado. Agora você poderia me dar seu telefone?

Nós trocamos número e ele me deixou a par do que poderia acontecer. Disse que eu não deveria sair de casa depois que recebesse a ligação, já que viriam aqui ver meu guarda-roupa e especular coisas da minha vida. Eu perguntei se era assim com as namoradas dos outros caras da banda, e ele riu dizendo que não, porque elas não eram contratadas. Fez sentido.

Ele deixou meu apartamento só depois das 3h30 da madrugada e eu fui dormir só depois das cinco, fazer o que se eu tinha todas aquelas coisas para pensar? Acordei com o telefone tocando pouco depois das 9h15, era um número desconhecido, então supus ser do meu novo ‘emprego’.

- Alô? – eu disse meio grogue.

- Isabella Swan? – uma voz masculina perguntou.

- Sim...

- Sou o agente de Edward, ele deve ter-lhe explicado tudo o que aconteceria.

- Oh, claro. – sentei-me na cama, a postura totalmente mudada.

- Bem, devo começar meu discurso dizendo que não sou completamente a favor de uma mentira desta magnitude e que só topei porque Edward foi irredutível no assunto ‘encontrar uma namorada de verdade’, então têm algumas coisas que você deve saber. Primeiro: você terá que fingir diante de toda a sociedade e pra isso terá que conviver com Edward em uma base quase diária. Segundo: nenhum de seus amigos ou família pode saber disso, absolutamente ninguém! Vai que alguém abra a boca por aí? Terceiro: depois dessa nossa conversa uma consultora de estilo e uma psicóloga irão aí, pra quê você deve estar se perguntando... Bem, a psicóloga perceberá sua personalidade e com a ajuda da consultora de estilo irá montar uma nova forma de se vestir que se encaixa com seus desejos e os nossos. Quarto: nós vamos te pagar cinco mil dólares por mês para fazer isso tudo. O pagamento vai ser quinzenal, metade no dia 15 e a outra metade no dia 30. Entendido?

Fiquei digerindo todas aquelas informações durante o que me pareceu vários minutos, então respondi:

- Pode contar comigo. Não tenho muitos amigos e meus familiares moram longe, preciso da grana e farei o que for preciso para ajudar vocês.

- Ótimo. Irão ao seu apartamento depois do horário do almoço, tudo bem?

- Claro. – e simples assim eu entrei naquela furada.

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*O nome da banda, Foursome, é uma alusão ao sexo. A banda foi criada por Edward e seus amigos quando eles ainda eram adolescentes e naquela época a coisa toda pareceu o máximo pra eles. Mais a frente vocês irão entender.

Notas finais
E aí, o que vocês acham? Eu devo continuar? Se sim comentem, por favor!! Eu vou me sentir muito mal se vocês não comentarem :((

Amanhã posto o segundo capítulo caso alguém leia!! :D