Notas iniciais
Arrisquei em fazer essa fic sobre o James... Sei que é meio maluca, foi por isso que eu escrevi. Eu gosto de imaginar como seriam as coisas do meu jeito.

Me arrependo de cada momento em que fui irracional e afetei os sentimentos das pessoas ao meu redor.

Deveria ter dado mais amor e paciência para minha esposa. Mas eu fui egoísta. Queria ela saudável, ou queria vê-la logo morta. Abandonei-a.

Fiz coisas terríveis; adulterei meu casamento, iludi outras mulheres. E só pude apenas perceber meus erros com as últimas palavras de minha esposa.

Recebi uma carta escrita por Mary em seu ápice momento de tristeza. Eu era culpado por tudo. Era tarde demais para arrependimentos.

Mas parecia que eu ainda tinha uma chance de consertar tudo. Ela havia fugido para Silent Hill, em nosso lugar especial, me esperando.

Toda aquela cidade era nosso lugar especial.

Lembro-me de quando nos conhecemos. Silent Hill era fantástica, adorável. E depois com toda a falência, parece que sugou nossa vida junto.

Esse lugar era tão significativo para nós, tão lindo, tão duradouro... Ah promessas!

Com o declínio da cidade, nossa vida começou a ruir. Não sei se por que estávamos tão ligados com essa cidade, que parece que ela influenciou tudo, os bons e ruins momentos, inclusive o final, agora e depois.

Então fui buscá-la, mas Mary não estava lá... Estava internada.

Brookhaven novamente. Não estava nada bem. O médico me contou que três anos lhe restavam, ou menos.

Por exigência, ela havia sido isolada dos demais, preocupava-se muito com sua aparência. Ela realmente estava no fim, e sabia disso.

As mentiras sufocaram uma curta vida. Ainda não tínhamos completado nem dez anos juntos...

***

Lá estava ela, tão desiludida, tão fraca, tão sofrida.

“O que você quer James?”

“Eu. É... Trouxe algumas flores”

“Flores?! Olhe para mim, pareço um monstro! Não mereço flores. Eu não devia ter escrito aquela carta, não deveria ter dito pra você que estaria aqui.”

Não gosto de relembrar suas palavras.

Como ela sofreu.

Talvez por isso eu a tenha matado. Fui tão cruel.

Foi realmente um grande choque. Nunca me imaginei numa situação dessas. Não sei o que houve. Senti-me estranho, mas eu precisei, fiz até o final.

Ao ver seu rosto sem expressão, eu me arrependi, fiquei tão nervoso. Fiquei louco. Meu coração parecia explodir. Mas aos poucos fui me acalmando, pois eu sabia que iria terminar assim.

Sem pensar nas conseqüências, e conseqüências não iriam faltar, peguei seu frio e leve corpo e carreguei em meus braços, andei pelos corredores do vazio hospital. Parecia estar em uma prisão. Uma prisão do meu ser.

Coloquei o corpo de Mary no carro e dirigi em direção à avenida. Cruzei a rua Nathan com a Sandford, sem respirar e sem pensar, eu acelerei fundo e joguei o carro no fundo do lago Toluca.

A água fria foi entrando lentamente, foi invadindo cada centímetro do interior do veículo.

Naquele momento eu poderia ter a idéia do sofrimento de Mary, pelo o que ela passou. Uma parte de mim queria salvar-se, mas eu merecia aquilo.

Depois que o lago havia engolido o carro por inteiro eu já estava bem, já podia sorrir sem o peso na consciência, pois eu estava tendo o mesmo destino.

Segurei a mão de Mary, e esperei a morte arrebatar a minha alma.

Talvez eu realmente mereça tudo o que está acontecendo. Minha alma pagando por todos os meus pecados, vagando por essa cidade, presa nela.

Sofrendo.

E talvez quem sabe, eu ainda irei descansar em paz.

FIM

Última Edição: 01/03/2017 — A L C Alves

Notas finais
Essa carta foi escrita por James, ou melhor dizendo, por seu espírito depois de entender o que aconteceu realmente. Acho que por isso que o jogo tem tantos finais, para que James sofra, ou para que ele precise passar pelas mesmas coisas para aceitar o seu final! Pra mim, James já estava morto quando jogamos o game pela primeira vez.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!