Julieta, minha bela Julieta.
Escrevo-te esta carta, com a mais pura saudade.
Não me lembro de nada!
Apenas lembro que fui banido porque busquei justiça, e a fiz com minhas próprias mãos. Derramei sangue de teu primo o que fez que o rei me mandasse para um lugar isolado e longe te ti minha amada esposa.
Trocamos cartas a todo este tempo, você pensou na morte, mas eu te disse para não a fazer, e tu não a fizeste.
Casaste com o mais rico dos ricos e então não me escreveu tanto quanto tu escrevias.
Agora, pois, te escrevo em meu leito de morte, já nos meus oitenta anos de idade. Viver sem ti foi um castigo, acho que o mais duro de todos que recebi, quando o rei o decretou eu quase me matei, pois pensei “viver sem minha Julieta? Não quero! Prefiro morrer a ter que fazer isso!” Mas o padre amigo me disse “Morrer”? Pra que? Pense em Julieta e como ela ficaria sem saber que estas vivo, mas sim morto! ’’. Então lembro – me que nos vimos pela ultima vez em teus aposentos. Creio que aquela foi a melhor noite de minha vida!
Após isso tive que fugir, mas não me lembro de como fugi, mas tenho certeza que devo ter pensado em ti o tempo inteiro.
Sei que quando cheguei aqui nesta cidade eu fui acolhido por um casal de idosos que hoje já morreram. Lembro que fui de penetra, em teu casamento e que teus olhos azuis estavam cheios de lagrimas. Eu não chorei, mas meu coração chorava.
Passaram – se dez anos desde então e eu, já com trinta anos, lhe escrevia cartas a todo o momento e tu me respondias. Lembro – me de que a carta onde tu me falaste sobre teus filhos foi a que mais amei!
Deste a luz a dois filhos homens, Romeu e Miguel.
Quão feliz fiquei ao saber que tu és mãe!
Mas agora estou velho e a beira da morte e não me lembro de muita coisa. Não me lembro de como eram meus pais e nem se tinha amigos.
Mas só sei que esses teus olhos azuis nunca saíram de minha mente.
Linda Julieta, verei – te de novo no céu.


De teu eterno
Romeu.

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