Uma Canadense em Nova York
3 3. Piper, a Atriz.
Notas iniciais
P.O.V – Annabeth
Acordei no dia seguinte com uma enorme dor de cabeça. Ressaca? Não. O motivo mesmo foi vergonha alheia. Depois do meu pequeno ‘’incidente’’ a festa recomeçou, mas não posso dizer que foi a mesma, isso porque todos queriam saber de mim, a garota Rexona, Piper adorou toda a atenção que tivera. Eu sabia que não iam esquecer a tal história tão cedo, mais eu imaginei que pudesse ter um pouco de paz pelo menos em casa, oh mais uma vez eu estava enganada, Piper riu a noite inteira toda vez que olhava para minha cara, e ficava me mostrando fotos nos grupos do WhatsApp, ótimo eles tinham registrado o momento. Decidi esquecer a história e me levantar. Sábado, era um dia novo, uma nova chance de ser normal. Piper não estava ao meu lado, nem conseguir pensar direito onde ela poderia estar quando a porta da suíte se abre e revela uma Piper mega sorridente.
— Bom dia defensora dos Anfíbios. – Disse ela soltando um risinho. – Como se sente sabendo que dessecamos sapos na aula de biologia?
— Rá, rá. – Respondi revirando os olhos. – Só quero esquecer essa história, e não ver ninguém por um bom tempo.
— Sinto lhe dizer que isso não será possível, eu e você vamos ao shopping hoje, temos que comprar umas roupinhas pra você, principalmente calcinhas.
Faço uma cara de indignada. Eu disse que aceitaria a tal transformação né, só que se eu continuar assim, nem vai sobrar tempo pra mim ler, do que adiantaria fazer tudo isso?
— Tá bem Pips. Mais quando eu chegar, quero ficar lendo o resto do dia.
Ela me olhou com uma cara de puro sarcasmo e disse.
— Você que manda chefinha.
Sorri e estranhei tudo andar conforme o planejado, mal sabia eu que aquele passeio no shopping seria cilada.
Andamos por tipo uma eternidade naquele enorme shopping, almoçamos lá e continuamos a tarde inteira. Piper me empurrou um monte de peças, que francamente eu nunca teria comprado, já estava ficando fim de tarde e eu estava aborrecida e cansada enquanto Piper tentava explicar a diferença de branco e gelo de um vestido para a vendedora, para resolver o problema disse que o gelo combinaria mais com o tom de pele da Piper, e dei uma piscadela á vendedora que entendeu e complementou o elogio, dizendo um monte de baboseiras que todo mundo adora ouvir, ao sair da loja, suspirei de felicidade, já estava fazendo o caminho do estacionamento quando Piper me parou e disse.
— Aonde você pensa que vai mocinha. – Questionou ela com as mãos na cintura. – Esqueceu a melhor parte?
Encarei ela e as sacolas nas minhas mãos e tentei me lembrar do que eu havia esquecido, mas meus pensamentos foram interrompidos quando ela gritou.
— LINGERIES DÕÕÕ – Gritou dando pulinhos. – Afinal é por esse motivo que realmente estamos aqui, deixei o melhor por último.
— Obaa. – Digo fingindo um falso entusiasmo.
Nos dirigimos para uma loja de tamanho médio, bem chique por sinal, e bem cara, estava praticamente vazia, Piper foi andando de fileira em fileira, como se já fosse de casa, e eu me pergunto o quão familiarizada ela já estava com aquilo, enquanto eu observava aquilo com uma grande inquietude, por fim ela veio até mim e me deu umas trinta peças. Fui em direção ao provador, só haviam dois disponíveis para o uso, já que o restante estava em manutenção para a troca de espelhos, um foi ocupado por uma mulher e eu entrei no outro, e era tão pequeno, que mal caberia uma pessoa gorda, só com muito esforço. Me espremi e comecei, eu provava e saia para mostrar á Pips, estava por volta da sétima peça, quando Piper começou a bater desesperadamente na porta, abri com cara de interrogação, nem deu tempo de eu perguntar nada porque ela me puxou pra fora e entrou se trancando. Fique do lado de fora, com uma cara de bunda sem entender o que estava acontecendo.
— Piper, abre logo isso. – Comecei a bater. – Eu estou de lingerie, anda.
Mais antes dela fazer qualquer coisa, ouvi vozes masculinas bem conhecidas.
— Sério, pai. – Disse um menino logo gargalhando depois. – Nunca pensei que você tivesse esse lado.
Franzi o cenho, aquela era a voz que me pediu pra sair de cima dele. Ai meus deuses. Era Percy Jackson.
— Ah, por favor Percy. – Riu o homem, de aparência semelhante á de Percy. – Como acha que sua mãe e eu nos divertimos?
Arregalei os olhos, e voltei a bater só que mais devagar.
— Piper? – Sussurrei. – Abre a porta.
— Não posso. – Ela murmurou.
— Porque?
— Olha só Jason. – Disse Percy. – Nossos pais não são assim tão ultrapassados.
Jason riu.
— Ah Poseidon. – Disse um outro homem. – Esses meninos acham que nunca fomos adolescentes.
— Zeus esta ai. – Piper disse sussurrando. – Não posso, ele não gosta da cor rosa.
Não é possível que Piper me deixou aqui do lado de fora quase nua só porque o sogro, esse tal de Zeus, deduzi, não gosta da cor rosa. Já era de se esperar uma atitude assim vinda da Piper.
— O QUÊ? – Falei um pouco alto demais.
Quando voltei o olhar para o centro da loja, haviam quatro pares de olhos me encarando, em especial um verde água, fiquei da cor do sangue.
— Annabeth!? – Exclamou Percy.
Ai meus deuses! Queria cavar minha cabeça nesse lindo porcelana e afundar até sair no núcleo da terra.
— Ahm. – Murmurei algo do tipo.
Os dois caminharam em minha direção. Me olharam de cima a baixou e como se fosse não óbvio Percy perguntou.
— O que tá fazendo aqui?
— E cadê a Piper? – Perguntou Jason.
Encarei-os perplexa como a situação, sem responder nada sai rapidamente procurando algo para me cobrir e sair do olhar malicioso de Percy, senão não iria me concentrar em nada, peguei rapidamente um robe e o coloquei, e quando ia dizer algo, Piper abre o provador e diz como a maior inocência.
— Esse ficou bom Annie? – Diz ela exibindo uma lingerie vermelha, que eu havia provado. – Ai meus deuses Jason!? – Finge surpresa ao namorado. – Você por aqui, o que faz aqui?
Fiquei incrédula com a atuação dela, sério, eu até poderia acreditar se não soubesse a verdade.
— Ham. – Ele ficou babando por uns segundos, depois se recuperou e disse. – Er... meu pai veio comprar um presente pra Hera.
— O meu também. – Disse Percy me olhando fixamente, depois de ouvir o que disse ele disse se corrigiu. – Não pra Hera quero dizer, pra minha mãe.
— Hummm. – Piper e eu dissemos em uníssono.
Logo após entraram três garotos na loja e assim que nos viram assobiaram, imediatamente Jason tirou seu casaco de cobriu Piper, e Percy pegou meu braço e entrou comigo no provador. Ficamos nos encarando naquele cubículo, pelo que pareceu ser uma eternidade até que...
— Atchim. – Eu espirrei, oh céus que vergonha.
— Saúde. – Ele disse soltando um risinho e se aproximando mais.
Estávamos quase... Quando de repente escutamos batidas desesperadas na porta.
— Mocinha e rapazinho, saíram já daí! – Disse uma voz que parecia ser da vendedora. – Porque vocês acham que temos provadores minúsculos, vamos, vamos.
— Droga. – Murmurou Percy colocando a mão na tranca.
Sorri e quando abrimos a porta, todos estavam nos encarando, principalmente o tal do Poseidon com um mínimo sorriso no rosto. Senti meu rosto esquentar.
— Mocinhas, quero imediatamente que coloquem suas roupas. – Disse a vendedora, ainda brava.
Piper entrou correndo na frente e colocou minha roupa, que a propósito não era rosa, quando ela saiu, fiquei boquiaberta do tipo ‘’sério isso’’ e eu ia discutir, mas ela se apressou em dizer.
— Vai Annie!
Fui pisando duro e coloquei o vestido rosa dela e a sapatilha vermelha, sai do provador encarando-a com cara de morte e fomos em direção ao caixa, onde os pais dos meninos estavam pagando seus respectivos presentes. Agora já de roupa os cumprimentamos e Piper puxou mais o saco do sogro, já que quem estava de rosa era eu.
Nos seis saímos da loja e Poseidon e Zeus disseram que queriam tomar uma bebida e conversar a sós. Os meninos entenderam a indireta e mandaram uma piscadela pros pais, sério até minha avó entenderia. Jason correu para o lado da Pips, ficando pra trás Percy e eu.
— Então... você é sempre assim? – Pergunta ele.
— Assim como? – Faço uma cara de confusa.
— Tão desastrada!? E imprevisível.
Eu rio. – Normalmente não, isso só começou a acontecer quando pus os pés aqui.
Agora foi a vez dele rir.
— Então que bom que você vai continuar aqui, porque não me incomodaria de ver você de calcinha de novo. – Ele disse sorrindo maliciosamente.
Corei.
— Ahm, eu quero sorvete. – Falei apontando para uma barraquinha.
Ele assentiu e foi buscar. Meu Zeus, o que está acontecendo comigo!?

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